Aos que são queridos

Ilustração: Son Salvador
Ilustração: Son Salvador

Vinicius de Moraes escreveu um lindo poema sobre os amigos. Atrevo-se a transcrever alguns de seus versos: “E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

(…) A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida (…) Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. (…) Se alguma coisa me consome e me envelhece, é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado todos os meus amigos, e, principalmente, os que só desconfiam – ou talvez nunca vão saber – que são meus amigos!”.

Como me vejo nesse poema! Quantas pessoas tenho como amigos, mas sem tempo de declarar-lhes isso, de encontra-las e conviver com elas…

Tinha um tio, Ney Blázzio, que morreu cedo, de acidente de carro, com a mulher. Eram muito queridos. Alguns anos depois, alguém da família me disse que ele teria revelado uma tristeza: nunca foi convidado por nenhum sobrinho para almoçar ou jantar em sua casa. Aquilo cortou meu coração.

Ele era amado por todos, morava em Brasília e sempre nos recebeu durante as férias. Aguentava aquela meninada o mês inteiro, com amor e paciência. Sempre vinha a Belo Horizonte, nós nos encontrávamos na casa de minha mãe e de outros tios, mas nunca o convidei para jantar ou mesmo para um lanche. A gente, quando é jovem, nem pensa que gestos assim podem agradar tanto a uma pessoa querida.

Sou evangélica, cresci ns Igreja Batista Central, onde fiz amizades sólidas. Saí por alguns anos. Quando retornei, encontrei-me com uma senhora de quem gosto muito. Ela me abraçou e começou a chorar de emoção ao me rever. Aquilo me tocou profundamente. Na mesma hora, lembrei-me daquele comentário que ouvi décadas atrás sobre meu tio. Decidi fazer um lanche na minha casa e convidar algumas amigas da adolescência – entre elas, duas senhoras da igreja, de quem eu gosto tanto, as irmãs Ana Maria, leitora assídua desta coluna e Lucília Mazoni.

Foi das melhores coisas que fiz nos últimos tempos. Nossos olhos brilhavam, ficamos ali horas conversando, relembrando nossa juventude, contando casos, rindo e nos emocionando. Percebemos o quanto os ensinamentos foram importantes para nossa formação. Só demos conta de que já era tarde da noite quando o marido de uma delas ligou para saber onde a mulher estava até aquela hora. Nos despedimos já com o próximo encontro marcado.

Deus é maravilhoso e nos dá a oportunidade de fazer do nosso tempo um dia perfeito, produtivo. Creio que ele não permita que saibamos o futuro para que tenhamos a oportunidade de escolher como ocupar o nosso tempo. Cada dia de nossa vida é uma página em branco: depois de vivida, não muda mais. Cabe a nós preenchê-la da melhor maneira possível.

Três coisas que não voltam atrás: a pedra atirada, a palavra dita e o tempo passado. Devemos pensar muito antes de agir. Cabe-nos saber aproveitar o tempo. A única certeza que temos é de que vamos morrer, cada um de nós tem a sua senha, ninguém sabe quem será chamado primeiro. Devemos viver com quem amamos e nos ama, vamos aproveitar nossos dias e escrever um lindo 2016. Quando alguém partir, teremos a certeza que não ficamos devendo a essa pessoa querida nenhuma demonstração de amor. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

 

Crônica publicada no Caderno EM Cultura, 30/1/16. Na coluna de Anna Marina

O melhor amigo da humanidade

Crédito Tristar/divulgação
Crédito Tristar/divulgação

O ser humano não gosta muito da solidão.

Depois que Deus o criou, disse: “Não convém que o homem esteja só”. E inventou uma companheira para ele. Creio que por isso é tão difícil ficar totalmente sozinho, não faz parte do propósito divino para nossas vidas. Quantas e quantas pessoas que moram sós, assim que entram em casa ligam a TV ou o rádio simplesmente para ter barulho por perto e não enfrentar o silêncio? O som traz a sensação de companhia. As questões podem ser várias, até mesmo mais profundas, internas, mas isso deixo para minha colega de espaço, que escreve aos domingos, analisar, porque é mais a praia dela.

Outra alternativa que muitos encontraram para enfrentar a solidão são os bichinhos de estimação. Nessa lista dominam os cachorros, mais interativos. Reagem à chegada do dono, adoram brincar, respondem e correspondem. Por outro lado, demandam mais atenção e cuidados. É preciso passear pelo menos uma vez por dia com eles. Dar uma volta, principalmente se moram em apartamento. Também carecem de banho semanal, tosa (dependendo da raça), cuidados com os dentes por causa do mau hálito. Tudo vale a pena, pois são lindos e muito amorosos. Tenho dois, e os amo demais.

Por outro lado, os gatos têm conquistado mais e mais pessoas. Um dos motivos é o fato de serem mais silenciosos do que os cães. Será? Várias amigas já me contaram casos estarrecedores. Os bichinhos miam a noite toda. Quando a gata está no cio, é desesperador: ou a castração se inevitável ou os vizinhos pedem o despejo imediato… Antes que me recriminem, nunca ouvi esses miados. Apenas relato o que me contaram. Mas, sem sombra de dúvida, gato dá menos trabalho, não tem mau hálito, banha-se sozinho e não demanda carinho nem atenção como o cachorro. Como são relativamente independentes, sentem necessidade de se esconder para descansar. Gostam também de supreender – instinto natural – e por isso são importantes objetos e espaços adequados para o pequeno felino.

Com esse grande número de bichos de estimação, a indústria pet, com objetos, brinquedos e acessórios, tem crescido assustadoramente. Para os cachorros há até guarda-roupa completo, de pijamas a traje de gala, passando por capa de chuva e sapatinhos. Roupas são vendidas por grifes como Prada, Chanel, Gucci… Sinceramente, dá dó ver os bichinhos andando de sapato… Lembro-me do cachorrinho do filme Melhor é impossível imitando o Jack Nickoson, andando sem pisar nas linhas do chão. Eles levantam a patinha para o alto, tamanha a aflição que o acessório causa.

Brinquedos, ossinhos, biscoitos, camas, casas, tem até namoradeira. E as coleiras, então? De grife – Swarovski, Louis Vouitton… Pasmem: uma dessas coleiras tem 1,6 mil brilhantes – o maior deles tem sete quilates. Há móveis para gatinho escalar, arranhar e se esconder. Alguns têm até seis andares, mas próprios para apartamentos. Forrados, parecem complexos playgrounds, com pontes maleáveis, escadas e desníveis. Uma coisa incrível.

E não fica só por aí. O mercado oferece bebedouros, caixinhas higiênicas, namoradeiras, caixas para transporte, camas dos mais diversos modelos. Enfim, a criatividade é infinita e o desejo de consumo dos proprietários maior ainda. Afinal, tudo vale a pena para agradar a esses pequenos seres que preenchem o vazio da nossa solidão. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

Crônica publicada no Caderno EM Cultura, 3/2/16, na coluna da Anna Marina

 

Diga não ao preconceito

Acho absurda essa história de preconceito, seja ele qual for. De credo, cor ou gênero.

preconceitoTemos que amar o próximo do jeito que ele é, o que pesa em uma pessoa, no meu ponto de vista, é o caráter, e não a cor que tem, o tipo de cabelo ou sua religião. Mesmo sendo diferente da minha, mesmo que não concorde com sua crença ou com seu comportamento, se não for desonesto, tenho que respeitá-lo. Trata-se de uma pessoa como eu.

Nunca tive uma olhar diferente para com o outro, nunca vi ninguém diferente de mim. Quando tinha 15 anos, namorei um rapaz negro por uns quatro anos, e isso não fazia a menor diferença para mim. Espantava-me com a reação das pessoas nos olhando na rua em 1975, mas estava pouco me lixando. O que valia para mim era o valor daquela pessoa que estava ao meu lado, como sempre foi até hoje. O término foi por outros motivos que não envolviam, nem de longe, a questão da diferença racial.

Tenho uma grande amiga, desde a época da adolescência que é química Ph.D em celulose, doutora em física nuclear, fez seu doutorado na Suiça e teve como orientador um ganhador do Prêmio Nobel. Chama-se Dâmaris Doro Pereira. É negra, morou na Alemanha, Suiça e Estados Unidos, fala no mínimo cinco idiomas. Hoje, mora no Brasil e nunca sofreu nenhum preconceito no exterior, onde era sempre elogiada e admirada. Na Turquia, era abordada na rua. Aqui, ninguém nem olha para ela.

Fechou a conta em grande banco privado, que recentemente agrediu a língua portuguesa, porque quando estava grávida foi para fila de quem tinha cheque especial (ela tinha), e um funcionário a abordou e pediu que saísse da fila. Disse que estava no lugar certo, mas ele reafirmou que ela teria que provar. Retornou ao banco 25 anos depois, e se dirigiu ao setor de clientes especiais. Novamente, foi cercada por um funcionário, dizendo q ali não era seu lugar. Foi a gota d’água, encerrou a conta.

Agora, a “moda” é o preconceito com o cabelo. Está uma onda contra os cabelos crespos, anelados. Não entendo, são lindos, gosto mais deles ao natural do que com escova progressiva. Na apresentação do The Voice Kids de 24 de janeiro foi uma menina, Naty Veras, com um cabelo longo, anelado, que coisa mais linda. De fazer inveja em muita gente, principalmente em quem tem cabelo liso e vive tentando anelar. Não esqueço a época do permanente…

Ano passado, vimos profissionais negros sofrerem ataques em redes sociais, como a jornalista Maria Júlia Coutinho, que provocou uma reação de seus colegas com a campanha #somostodosmaju, depois as atrizes Tais Araújo, Sheron Menezes etc. Fiquei surpresa quando soube que a equipe do reality show BBB colocou na cozinha da casa uma esponja para lavar louça que é um homem negro com um cabelo black power, e o cabelo é a esponja, em uma alusão que cabelo de pessoas de cor são igual a bombril.

Depois de ter funcionários vítimas de preconceito e levantar a bandeira da defesa, usar este tipo de utensílio, é, no mínimo, de mau gosto. E depois dizem que no Brasil não tem preconceito. Acho que é dos países onde mais se tem, porque é velado.

Ainda bem que, apesar de tudo isso, as pessoas têm se aceitado cada vez mais como são. A ex-faxineira Zica Assis ficou rica ao criar a fórmula de um produto para passar em seu cabelo e assumi-lo anelado, o sucesso foi tão grande que hoje ela tem a rede de salões Instituto Beleza Natural espalhados pelo país, e já saiu na revista Forbes, como uma das 10 mulheres de negócios mais influentes do Brasil ao lado de Gisele Bündchen.

Ano passado em São Paulo, houve a primeira Marcha dos Cabelos Crespos e, aos trancos e barrancos, enfrentando os preconceituosos, eles vão lutando e ganhando seu espaço. E essa história de que o negro é o bandido, já era. Olhem a Lava-Jato e vejam a cor da pele dos bandidos que roubaram bilhões e que estão presos lá. Os cães ladram e a caravana passa. É isso aí. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

Crônica publicada na página 2 do Caderno Em Cultura, 29/1/16, na coluna da Anna Marina

 

 

A Barbie se misturou

barbieSempre fui fã da Barbie.

Quando era criança, na década de 1960, ela não existia aqui no Brasil, só tínhamos a Suzi, “prima” criada pela Estrela, a anos-luz da perfeição da americana. Conhecia-a porque meus tios, Neury e Décio Rocha, eram muito ricos e nas férias o passeio deles com os filhos era um giro pelo mundo. Minha prima Elizabeth trazia Barbies, Skippers, Kens, Stacies. Para quem não sabe, a Skipper é a irmã adolescente de Barbie, e Stacie, a criança da família.

Adorava ir na casa dela com Regina, minha irmã. As duas saíam, porque eram mais velhas, e deixavam o mundo encantado da Barbie só pra mim. Tinha guarda-roupa completo, casaco de pele, cabeça sem cabelo para trocar perucas, maiô, camisola, roupa de esporte, vestido de baile em musseline esvoaçante, vestido de noiva (com véu e grinalda), sapatinhos, sandálias, tênis… Passava o dia dentro do quarto, brincando. Era um sonho. Minha maior frustração foi quando Beth se casou e deu tudo de presente para a cunhanda. Toda vez que posso, jogo isso na cara dela. Antes de cometer tamanha crueldade, ela me deu algumas roupinhas, que guardo até hoje.

Minha irmã e eu ganhamos de presente de nossos pais uma viagem para a Disneylândia, lá na California. Tinha 12 anos, e ela, 15. A Diney World ainda não existia. Foi maravilhoso, gastei todos os meus dólares comprando Barbies. Só não trouxe mais porque minha irmã amarrou o dinheiro, se não fosse assim, ficaria sem um centavo até mesmo para comer. Tive uma raiva danada. Comprei mala, muitas roupas e os bonecos. Brinquei muito e guardei tudo para quando tivesse uma filha. Quando Barbie chegou ao Brasil, comprei mais e fui colecionando. Quando Luisa fez 6 anos, dei tudo para ela. Os olhinhos brilharam. Arrependi-me, porque ela detonou minha coleção. Mas brincou a valer.

Sempre acompanhei a boneca, porque paixão de infância não acaba. Agora, vejo que a Mattel se rendeu ao mundo real. Acaba de lançar três tipos de corpo para a tradicional e elegante Barbie: a alta, a baixa e a gordinha, que, pra falar a verdade é mais cadeiruda que gorda. Tem um braço e perna um pouco mais largos e o quadril avantajado.

São 33 bonecas com sete tons de peles, 22 cores de olhos e 24 penteados, sem contar a diversidade de cabelos e os looks de moda. Essa ação, claro, só ocorreu porque o produto perdeu mercado para bonecas mais transadas, criadas a partir de desenhos animados e filmes adorados pelas meninas: Monster high, Frozen, a coleção Ever after high. Mas ainda sou Barbie Futebol Clube. Tive casa, carro, van, avião, piscina de sua coleção. Antes de existir tudo isso, eu mesma criava a casa dela na penteadeira do meu quarto. Usava as coisas lá em casa mesmo. Comprava acessórios na Feira de Artesanato da Avenida Afonso Pena – ex-feira hippie da Praça da Liberdade. Os expositores vendiam roupinhas, cama, jogos de sala de visita, de jantar. Comprava tudo e brincava muito. Tive infância, aproveitei ao máximo. Hoje, as meninas só querem saber e tablets e redes sociais. Perdem a fase que deveriam curtir – depois que passar a idade, não há como voltar.

Resta saber se a mudança da Barbie vai despertar o interesse das pequenas consumidoras do século 21. A menina gordinha vai realmente trocar a esguia boneca e seu namorado sarado pelo casal cheinho? Tenho sérias dúvidas. Como a novidade só estará nas lojas brasileiras em março, vamos aguardar o resultado das vendas. Mesmo assim, foi um avanço. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

 

Crônica publicada no caderno EM Cultura do Estado de Minas, 12/2/16, na coluna da Anna Marina

De olho nas unhas

unhasToda mulher cuida das unhas. Se possível, vai à manicure semanalmente.

Algumas não abrem mão da unha postiça, seja ela de gel, cristal, porcelana, acrílico, ou fibra de vidro. Porém, elas não se preocupam com o que isso tudo pode causar a longo prazo. Excesso de esmalte, acetona, lixas e produtos para fixação agridem as unhas. Resultado: enfraquecimento, escamação, estrias, manchas e quebras.

Toda mulher tem que ter mãos bonitas, pois são uma das partes do corpo mais reparadas. Não me esqueço de duas pessoas que conheci, pois falavam com as mãos. Quando conversava com Elza Gentili e Marília Pera, não conseguia tirar os olhos de suas mãos, tamanha expressividade. Que belas unhas… Tê-las assim não é complicado, mas requer cuidados. Vão aqui algumas dicas:

Deixe as mãos sem esmalte uma semana por mês para que as unhas respirem. Hidrate-as.

Não tire a cutícula, apenas hidrate e afaste-as delicadamente. Essa é a barreira para evitar a entrada de fungos, bactérias e vírus, que podem causar várias doenças. Se não aguentar, tire só um pouco.

Evite lixar a parte de cima das unhas, pois isso retira camadas de queratina e as deixa frágeis e finas. O uso de acetona pode torna-las fracas e quebradiças. Use removedor.

O contato diário com água e produtos químicos resseca as unhas, deixando-as suscetíveis à quebra. Use luvas. Água de piscina também resseca as unhas por causa do cloro. Quando sair da piscina, lave bem as mãos e as hidrate.

Evite deixar as mãos molhadas por muito tempo, isso favorece o surgimento de micoses.

Para fortalecer a unha mantenha alimentação rica em cálcio, proteínas e alimentos com vitamina A (gema de ovo, leite e derivados, sardinha, couve, espinafre). Óleo fortalecedor é outra solução. Ele deve ser passado antes do esmalte.

Não corte as unhas até o “sabugo”, deixe sempre uma pequena porção da borda livre.

Não corte as unhas dos pés pelos cantos, isso evitará que elas encravem.

Segundo o dermatologista Roberto Barbosa Lima, muitos problemas nas unhas podem ser sinal de alguma doença, sobretuso na tireoide. Se elas começam a descamar, pare de usar esmalte por dois meses e hidrate-as neste período. Se o problema persistir procure um médico. Faça o mesmo no caso de unha encravada ou com espessamento, porque isso costuma ser resultado de alguma doença, micose ou psoríase. Se começarem a surgir estrias e elas quebrarem no sentido vertical pode ser alergia a produtos químicos. O ideal é consultar o médico.

Unhas amareladas podem indicar doença ou infecção. Se estiverem quebradiças e sem brilho, pode ser sinal de anemia, estresse, disfunções hepáticas e renais.

A descamação pode decorrer de causas variadas, como falta de vitamina A e C, por exemplo. Se for má alimentação, provavelmente o que falta é cálcio. Nesse caso, consuma iogurte, leite, queijo, espinafre, acelga e folhas verdes. Evite bebidas gasosas, mate, café, chá, pois eles atrapalham a absorção do cálcio.

É recomendável ingerir frutas, líquidos (água e sucos) e tomate, além de vegetais, para prevenir que a descamação. Aplique creme hidratante nas unhas. Faça-o antes de se deitar ou depois de permanecer em contato com água por muito tempo. Se não melhorar, procure o médico.

Duas dicas para tratamento doméstico da escamação: mergulhe os dedos em um recipiente com água e vinagre de maçã por três minutos, duas vezes por semana; embeba um algodão com azeite de oliva e passe-o nas unhas. Isso vai hidratá-las e selar as escamas. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

Crônica publicada no Caderno EM Cultura do Estado de Minas, 16/2/16, na coluna da Anna Marina

Crise ou mudança de hábito?

consumoCoordeno a Jornada Solidária Estado de Minas, promovida por este jornal, e organizamos diversos eventos para arrecadar recursos para reformar creches comunitárias na Grande BH.

Um deles é o Bazar Solidário – esporádico, pois não é fácil conseguir a quantidade de produtos necessários para sua realização. A edição 2015 foi um grande sucesso. Conversando com as voluntárias, fui me lembrando de alguns nomes de pessoas conhecidas, que sempre nos ajudam com doações de roupas usadas – sei que elas têm closets grandes, com muitas roupas de marcas. Quando citei um nome, logo alguém ponderou: “Não ligue pra ela, porque vende tudo para um brechó”.

Confesso: levei um susto, não por alguém vender roupas para brechó, mas por se tratar de uma pessoa muito rica. No fim do ano, outra amiga me ligou pedindo indicações, dizendo que tinha muita roupa boa em casa e queria vende-las num brechó. Como não tenho esse costume, busquei informações e passei para ela.

Para falar a verdade, acho bem interessante essa história. Quanta coisa boa temos no armário, não usamos há anos e que não servem para doação… Trata-se de roupa de festa ou de casamento, nem sempre apropriada para ser doada. Roupas esporte, de uso diário, é mais fácil de doar, mas e as outras? Ocupam espaço e não podemos jogá-las fora, pois são muito boas e caras – ficamos sem solução para o problema. Porém ela tem destino certo: brechó. Afinal, há gosto para tudo, além de pessoas de teatro e cinema que sempre recorrem a essas lojas quando precisam de uma produção de época.

Um comércio com prestígio no exterior, que já chegou a São Paulo há tempos, está ganhando espaço aqui em BH: os brechós de alto luxo. Na TV fechada, um programa mostra o dia a dia de um deles. É enorme e está em expansão. Só vende roupas, calçados, bolsas e acessórios de grifes bacanérrimas em excelente estado, por preços muito acessíveis. Se as pessoas levarem as peças em caixas ou sacolas da marca elas ainda valem mais, pois são adquiridas para revenda. Enfim, é um verdadeiro sonho para quem quer ter uma peça de grife, mas não pode pagar por uma nova. Lembre-se de que produtos de luxo ganham valor com tempo, pois são exclusivos, têm design e qualidade. E ainda há a vantagem de achar aquela bolsa que já saiu de produção e você adora.

Muita gente ama peças vintage, elas estão em alta. Celebridades como Kate Moss, Elisa Nalin e Julia Roberts têm aparecido com produtos assim – de grife, para não dizer de segunda mão –, algumas raridades não estavam nas lojas há anos. É só saber produzir o visual com bom gosto e personalidade. Nada melhor que mesclar o antigo com peças atuais, transadas. O que é bom não acaba. Moda é você se sentir bem com o que está usando. Elegância é a pessoa saber carregar o que está vestindo.

Há uns dois anos, uma amiga abriu um brechó de luxo só com produtos usados e semi-novos – um sucesso no Instagram. São bolsas, sapatos, óculos, roupas. Mas é bom lembrar: embora mais baratos do que os novos, eles continuam com preços de grife – e não de brechós comuns. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

 

Crônica publicada no Caderno EM Cultura, 2/2/16, na coluna da Anna Marina

Hospitais do bem

HospitalÉ fato: o sistema de saúde brasileiro está caótico, o que já foi dito várias vezes aqui.

Também é sabido que muitos hospitais que atendem pacientes do Sistema Único de Sáude (SUS) trabalham no vermelho, porque recebem com atraso. E o que ganham não é suficiente para cobrir custos e dar conta de problemas que geram dificuldades financeiras. Apesar de tudo isso, é muito bom saber como as instituições de saúde lutam para prestar bom atendimento à população.

O Hospital Evangélico (HE), por exemplo, é referência em nefrologia, mas poucos sabem disso. Segundo a coordenadora clínica da equipe de transplante e nefrologia do HE, Lilian Pires de Freitas do Carmo, a instituição oferece várias modalidades de tratamento a portadores de doença renal crônica. Ele tem capacidade para receber 2 mil pacientes, em suas três unidades –80% do atendimento é reservado ao SUS e o restante a convênios e particulares.

“O Centro de Nefrologia do Hospital Evangélico é referência no estado para a realização de biópsias renal e óssea, pelo SUS, e em transplante renal. Na unidade de internação, o paciente é acompanhado diariamente por médicos do grupo de transplante e por profissionais da equipe multidisciplinar, que esclarecem os cuidados a serem seguidos depois do transplante”, explica Lílian.

O Hospital Evangélico mantém o projeto Saúde para Todos, modalidade de atendimento particular com tabela diferenciada, oferecendo preços bem baixos para quem não tem plano de saúde e não pode esperar até seis meses por uma consulta gratuita pelo SUS. Nesse programa estão incluídas as áreas de oftalmologia, dermatologia, ginecologia, urologia, além de exames laboratoriais e de imagem. Para completar, o HE tem escola de enfermagem.

Um hospital que não para de avançar em tecnologia é o Mater Dei. A última novidade é a ampliação do serviço de densitometria, com a abertura de nova sala de exames na unidade da Avenida do Contorno, para oferecer atendimento diferenciado e mais especializado ao paciente. O espaço está equipado com o densitômetro projetado para avaliar, além da massa óssea, a composição corporal dos pacientes. Com isso, é possível discriminar a quantidade de gordura dentro do abdome e subcutânea, além de avaliar a massa muscular, que pode ser medida e monitorada ao longo do tempo.

“Estes recursos permitem avaliar pacientes submetidos a condicionamento físico e atletas. O excesso de treinamento, conhecido como overtrainning, causa perda de massa muscular. Idosos e portadores de doenças crônicas, HIV e câncer também podem sofrer com a perda de massa muscular. Nesses casos, o exame, considerado padrão-ouro na avaliação da composição corporal, supera a bioimpedância na determinação regionalizada de músculo e gordura” explica Bruno Muzzi Camargos, coordenador do Serviço de Densitometria Óssea do Mater Dei. Além da quantidade de massa óssea, é possível medir a qualidade óssea do tecido do paciente.

Na prática, o exame permite identificar pessoas com risco para fraturas, mesmo na ausência de osteoporose. Quando o TBS está alterado, o médico está autorizado a iniciar tratamento mesmo em osteopenia, uma condição de perda óssea que antecede a osteoporose.

Está aí uma excelente notícia, principalmente para as mulheres, as mais afetadas com a osteoporose. Conheço algumas, mais idosas, que caíram enquando se levantavam, pois o fêmur se quebrou sozinho devido a osteoporose, enquanto estavam assentadas. Esse exame, ao permitir diagnóstico precoce e tratamento preventivo, é um avanço enorme. Salve, salve tecnologia! (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

Crônica publicada no Caderno EM de Cultura do Estado de Minas, 10/2/14, na coluna da Anna Marina

 

Crise brava…

criseE a marolinha virou um tsunami. O ano passado foi bravo e, sem querer ser muito pessimista, 2016 não sinaliza que será melhor.

Impostos, juros e inflação estão em alta. Quem der uma volta pelos bairros Buritis, Estoril, Pampulha, Santo Antônio, Sion, Santa Efigênia, Cruzeiro ou Belvedere não tem como não se impressionar com a quantidade de placas de aluga-se e vende-se afixadas em apartamentos, casas e estabelecimentos comerciais. No Estoril, há um prédio inteiro colocado à venda ou para alugar – ficou só um morador. Não pensem que se trata de obra nova. Isso só deve dificultar a comercialização, pois quem passa deve pensar: qual é o problema desse edifício? Será a localização, vizinhos? Porém, temos aí o retrato da crise. E a quantidade de apartamentos comprados na planta que têm sido devolvidos para as construtoras?

Pais estão tirando os filhos de colégios particulares e buscando vaga em escolas públicas, pois não têm condições de continuar arcando com os altos custos do ensino privado. Isso não envolve só a mensalidade, mas também material escolar e outras despesas.

Semana passada, fui ao cinema com amigas e emendamos em um jantar. Era sexta-feira, o programa foi mais cedo e, consequentemente, não voltamos tarde para casa. Era pouco mais de meia-noite e ficamos surpresas, pois restaurantes e bares habitualmente cheios estavam fechados. Mesmo dando o desconto das férias, era cedo demais para isso.

Entretanto, casas tradicionais de BH não estão às moscas. De jeito nenhum. Afinal, mineiro adora sair. Fomos à Cantina Província de Salerno, não havia mesa. Conversando com proprietários de bares, soubemos que o consumo mudou. Quem pedia 10 cervejas importadas reduziu para cinco ou passou a tomar a bebida nacional. Resumindo: o preço da conta diminuiu bastante.

Ganharam espaço os cupons de desconto, seja aqueles da internet seja o passaporte vendido em estabelecimentos da capital que chegam a dar 50% de desconto em almoços e jantares para duas pessoas. Sem querer levantar polêmica, resta saber se a promoção é real. A proliferação de cupons não seria responsável pelo alto preço dos cardápios? Cobrando preços justos é difícil bancar um desconto tão alto…

Por outro lado, notamos uma mudança de hábitos. Hoje, estão “bombando” espetinhos e food trucks, que ficam lotados. Motivo: programas assim são gostosos e mais em conta. Baratos, pois se trata de atividade informal – a maioria dos food trucks não emite notas fiscal nem paga aluguel; os veículos podem estacionar em qualquer lugar, desde que fiquem a 300 metros de bares e restaurantes e não demandam muitos funcionários. Geralmente, quem trabalha é o dono. Isso tudo se reflete no preço final. É agradável passear na praça com os amigos, provar a diversidade das comidas dos trucks, mas se trata de competição um pouco desigual com o setor formal.

Outro aspecto destes tempos: a crise e o aumento dólar reduziram as viagens. Aumentaram as reuniões nas casas, como jantares agradáveis entre amigos regados a bons vinhos e saborosos pratos home made. Com isso, saem lucrando os supermercados, que não entram em crise. Ou melhor, lucram com ela, pois todo mundo precisa comer.

O importante é curtir a vida, continuar saindo e se divertindo. Afinal, enfrentar a crise trancado dentro de casa só faz com que ela fique ainda mais pesada. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

 

Coluna publicada no Caderno EM Cultura, 22/1/16, na coluna da Anna Marina

Câncer, tratar ou acompanhar?

CâncerEm janeiro, a revista Veja publicou matéria que, se não for polêmica, é um tanto perturbadora, e dividindo opiniões: Ela expõe a crescente tendência mundial de não tratar certos tipos de câncer, optando pela observação e sem aplicação imediata de procedimentos como cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

Insistimos em dizer que tal conduta só pode ser adotada em determinados tipos de câncer, aqueles reconhecidamente menos agressivos, como alguns detectados na próstata e na mama, por exemplo.

Na referida matéria há depoimentos de quem não aceitou a proposta e exigiu o tratamento, como também declarações de pacientes que aceitaram o acompanhamento médico e vivem muito bem, sem o avanço da doença e sem enfrentar as sequelas e efeitos colaterais da cirurgia ou do tratamento agressivo que a maioria de nós conhece tão bem.

Como diz o ditado “cada macaco no seu galho”. Sendo assim, consultei dois dos melhores oncologistas de Minas Gerais para ouvi-los sobre o tema. Dessa forma, os leitores poderão tirar suas conclusões e formar as próprias opiniões.

Renato Nogueira, coordenador do Instituto Felício Rocho de Oncologia e da clínica oncológica daquele hospital, afirma: “Quando nos vemos diante de um paciente portador de câncer, a conduta tende a ser inflexível: remoção das células indesejáveis por meio de cirurgia, seguida ou não de tratamento complementar. Cada caso deve ser analisado criteriosa e individualmente. Contudo, a prática intervencionista vem merecendo reflexões e questionamentos como: quando um câncer não é verdadeiramente um câncer? O carcinoma ductal in situ (CDIS) de mama, por exemplo, é geralmente considerado uma lesão não obrigatoriamente precursora de câncer invasivo, mas seu risco de transformação maligna permanece obscuro. Pesquisas indicam que cerca de 20% a 30% das portadoras desta lesão inicial irão desenvolver câncer de mama invasivo. Assim, os principais objetivos do tratamento destes casos são minimizar o risco do tumor. O manuseio do CDIS de mama permanece controverso – vai de excisão local, com ou sem radioterapia, à mastectomia bilateral”.

A caracterização molecular desta neoplasia, informa Nogueira, exerce papel fundamental na decisão terapêutica. “Devem-se considerar também os impactos psicológicos e sobre a qualidade de vida, consequentes do diagnóstico e tratamento. Outra situação delicada diz respeito ao diagnóstico de câncer de próstata; no caso do paciente jovem, tendo a recomendar uma abordagem mais agressiva, visto que ele geralmente tem uma boa e longa expectativa de vida. Já no caso do mais idoso com características biológicas tumorais favoráveis, ou aquele que apresenta comorbidades impeditivas de tratamento mais invasivo, tendo a ser mais conservador e até mesmo, a adotar uma conduta observacional, que envolve controles oncológicos rigorosos e periódicos”, completa.

Para Renato Nogueira, a conduta expectante nunca pode ser generalizada e deve ser empregada em casos de prognósticos muito bons, com rígido e periódico controle, independentemente do tipo de localização do tumor.

Para Enaldo Melo de Lima, chefe da Oncologia do Hospital Mater Dei, essa é a realidade para muitos tipos de câncer menos invasivos como o de mama, intestino e alguns casos que surgem no pulmão. “Fazemos só a cirurgia de retirada e o exame patológico. Em certos casos, temos que fazer o tratamento pela patologia da doença, e cada tratamento é de uma maneira”, explica. Segundo Enaldo, tem os tipos de câncer mais agressivos que devem ser tratados, não podem simplesmente ser retirados e depois observados.

“O que nos ajudou muito foram os exames de biologia molecular. Com o resultado deles é possível saber quem deve receber tratamento, quem pode ser observado e que tipo de tratamento adotar, se mais agressivo ou menos agressivo”, relata. “Às vezes fazemos só o acompanhamento, sim. Isto tem sido aplicado aqui há cerca de sete anos, mas não abrimos mão de fazer a cirurgia de retirada”, conclui o especialista. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

 

Crônica publicada no Caderno EM Cultura, 5/2/16, na coluna da Anna Marina

Feriado de Carnaval: folia ou descanso?

Cristina Horta/Estado de Minas/DA Press

Está aí o feriadão de carnaval.

Não sou adepta da folia, prefiro fazer um programa mais light, descansar, ir ao cinema, à igreja, sair com amigos ou visitar minha mãe. Sei que como eu há uma infinidade de pessoas. Sempre gostei da tranquilidade de Belo Horizonte. Mesmo com o crescente número de blocos, conseguimos andar e descansar tranquilamente. Pelo menos até o ano passado. Vamos ver como será agora, pois a expectativa é de 1,6 milhões de pessoas nas ruas. Aquela debandada para outras cidades não ocorre mais. O belo-horizontino deixou de viajar para curtir a festa de Momo por aqui e receber os amigos de fora.

Independente do tipo de programa escolhido, certamente este será o feriado de crise. Se a opção for a calmaria, pode-se reunir amigos em casa para assistir a filmes depois do almoço, que pode ser rateado – não pesa para ninguém. Piqueniques em praças ou parques também estão em alta, se não chover. Sair para jantar e ir ao cinema também têm o seu lugar. Inhotim estará aberto, com entrada franca na quarta-feira de cinzas. É outra ótima opção.

Se o projeto é pular o carnaval, melhor usar a criatividade para não gastar muito. Bloquinhos não cobram ingresso e quem quiser usar fantasia pode dar uma volta pelo guarda-roupa. A camiseta customisada não custa caro. E aquela maquiagem mais colorida, com cílios postiços exagerados, resolve o problema.

Porém, o folião deve ficar atento a alguns cuidados com a saúde. A primeira preocupação deve ser a hidratação. Beba água, água de coco ou isotônico – no mínimo dois a três litros por dia, pois com o calor e o exercício físico a gente perde líquido e sódio. Não se esqueça de se alimentar antes e depois da festa. O ideal é ingerir carboidratos antes da folia. Durante a balada, forre o estômago com barrinhas de cereais, fáceis de levar, e quenado chegar em casa coma alguma coisa leve.

Se for sair nos blocos durante o dia, não esqueça de passar e levar. Quando voltar para casa, coma algo leve.

Se for sair nos blocos durante o dia, não se esqueça de levar protetor solar e repelente, que devem ser passados várias vezes. Viseira ou chapéu é importante para evitar o sol direto no rosto.

Um produto muito usado no carnaval, mas requer cuidado, são os sprays de espuma. Segundo o doutor Marcus Sáfady, integrante da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO), eles podem causar lesões oculares, em casos mais graves, comprometendo a visão. “A espuma causa vermelhidão, sensação de areia nos olhos, dor e vários tipos de reação alérgica”, adverte. “Primeiramente lave a área afetada com água corrente. Caso os efeitos persistam ou a visão piore procure um oftalmologista”, aconselha Sáfady. Mas fique atento: a automedicação pode complicar a situação.

O especialista alerta também para o uso da purpurina ou glitter na maquiagem. Ambos podem arranhar a córnea, caso caiam dentro do olho. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

Crônica publicada no Caderno EM Cultura do Estado de Minas, 6/2/16, na coluna da Anna Marina