Com que roupa eu vou

vestidoSaber que roupa usar em cada ocasião sempre é um dilema para a mulheres – atualmente, para a maioria dos homens também –, sobretudo nestes dias de clima abafado, com altas temperaturas e sensação térmica maior ainda.

Mesmo que a pessoa não tenha consciência disso, a vestimenta é ferramenta de marketing pessoal. Quem não para na hora de escolher muito bem a roupa que vai para uma entrevista de emprego? Quanto tempo uma moça gasta para escolher seu vestido de noiva? Quantas roupas uma menina apaixonada troca quando está se aprontando para sair com seu boy magia?

Porém, o que mais vemos são constantes equívocos. Tá certo que a moda de hoje é muito mais elástica. Por sinal, estar na moda é ter seu próprio estilo e personalidade para se vestir. Mas não abro mão do bom senso em nada na vida – nem mesmo no vestuário. Concordo: há dias em que queremos estar mais despojados, embora nem mesmo nessas ocasiões devamos aderir ao universo do ridículo. Sou defensora das pessoas se assumirem e se amarem com o corpo que têm, mas cada um deve se vestir apropriadamente para o seu biotipo e para o local que vai frequentar.

Várias empresas adotam termos de conduta, estabelecendo alguns itens que não podem ser usados no trabalho: rasteirinhas (sandálias que não prendem o calcanhar), tênis, shorts, bermudas, camisetas regatas e bonés. Outras não estipulam regras por escrito, mas elas estão implícitas na postura profissional. Quando um candidato vai participar do processo de seleção, veste bermudas, boné, chinelo e camiseta regata? E elas? Vão de microssaia, barriga de fora e soutien aparecendo? Pois é isso que deve ser colocado na balança. Mulheres que usam de barriga de fora, na maioria das vezes estão acima do peso. Nesse caso, o visual, além de inapropriado, não é nada agradável.

Com o calor, claro, o melhor é usar roupas leves, mas sem parecer desleixado. Porém, o cuidado deve ser redobrado, pois a maioria das roupas de verão tem decotes profundos, transparência, é curta e justa, deixa alças de sutiã à mostra. Vestidos são de um ombro só ou tomara que caia. Tudo isso deve ser evitado no ambiente de trabalho.

Assisto a vários programas de moda na televisão, muitos deles voltados para escolha do vestido de noiva. É impressionante: 90% das moças querem tomara que caia justos, que mostrem as curvas do corpo e que sejam bem sensuais. Mais da metade delas, porém, está bem acima do peso. Fico pensando: que curvas desejam exibir? Será que não percebem que o modelo não favorece o corpo das mais cheinhas?

E quando as pessoas vão a um coquetel vestidas para um baile de gala? Dá arrepios de tanta aflição. Realmente as pessoas não sabem mais que tipo de roupa vestir em cada ocasião. Curtos, transparência, brilhos e barriga de fora devem ser deixados para uso na balada, quando a moçada vai curtir a noite e ser feliz. Hoje em dia, ninguém se produz só porque está interessado em alguém. As pessoas se produzem para si mesmas – e isso é muito legal. O pessoal sai para se divertir e, se rolar algo mais interessante, rolou. Só acho que poderia ser com um pouco mais de consciência e critério. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

Crônica publicada no Caderno EM Cultura do Estado de Minas, 18/2/16, na coluna da Anna Marina

QUESTÃO DE ÉTICA

Lucas machado cópia
Dr. Lucas Machado (Foto Juarez Rodrigues/Estado de Minas/D.A.Press)

Todo mundo sabe que a saúde está um caos.

Hospitais no Rio de Janeiro fechados. Pessoas viajam mais de 150 quilômetros para fazer exames agendados, dão com a cara na porta e têm de voltar para casa doentes, sem atendimento. Isso na saúde pública. Com relação aos planos de saúde, vê-se grande demora para conseguir uma consulta – no mínimo três meses –, o que acaba levando todo mundo para o pronto-socorro dos hospitais – serviço, aliás, que já mudou de nome: pronto atendimento. É pra lá que o doente tem que correr, principalmente depois que os antibióticos passaram a ser vendidos mediante recita médica. Até no atendimento particular as coisas estão ficando um pouco complicadas.

No fim do ano passado, um parente, que atualmente mora no interior, veio passar as festas em BH. Como já enfrentou malária e hepatite C, duas doenças complicadas das quais já se curou graças Rosângela Teixeira, excelente médica e incansável pesquisadora aqui de Belo Horizonte, ele, sempre que volta à terrinha, recorre ao ultrassom para checar se está tudo bem com o fígado. O exame é particular. Ligamos para uma grande clínica, mas se recusaram a agendar o procedimento sem pedido médico. No caso de plano de saúde, entendo que tal pedido seja fundamental e, caso o paciente não saiba qual o seu problema, passar por um médico é obrigatório também. Porém, tratava-se apenas de controle. Dias depois, recebi de uma amiga o seguinte relato:

“Há uns dias, fui a uma clínica de medicina diagnóstica bem conhecida na Avenida do Contorno, em Belo Horizonte, fazer um ultrassom de mama. Quando fui atendida, a médica se recusou a fazer o exame, alegando que só o faria se eu tivesse uma mamografia recente. Expliquei que o médico só o pediu para um screening, por razões particulares. Mesmo assim, ela se negou.
Voltei ao meu médico, Lucas Vianna Machado (professor emérito da Faculdade Ciências Medicas e autor de livro de endocrinologia feminina), e contei o fato. Ao final da consulta, ele se levantou e me disse que estava se dirigindo à clínica com um calhamaço de publicações científicas para contestar a atitude da médica. Defenderia sua autoridade como profissional que fez minha anamnese e indicou o meu exame. Poucas horas depois, recebi um telefonema pedindo para que voltasse a qualquer hora à clínica, pois o exame seria feito e entregue na hora!Quero agradecer e parabenizar o doutor Lucas pela presteza e defesa de sua conduta médica e do meu direito. Fico feliz de ter como ginecologista alguém como ele, de tamanha competência e disposição em agir em favor do que é certo. A experiência e o conhecimento do médico têm que estar acima de protocolos quando se fizer necessário. Parabéns, Lucas.O senhor é mesmo uma raridade!”

Nunca fui cliente de Lucas Machado, mas tenho o prazer de conhecê-lo e sei do carinho e amizade que a titular desta coluna tem por ele, e vice-versa. Com atitudes assim, ele só comprova que poucos médicos novos agem com ética e autoridade para proteger os pacientes. Não é à toa que o doutor Lucas se tornou tão respeitado. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

 

Crônica publicada na página 2 do Caderno EM Cultura, 28/1/16, na coluna de Anna Marina

Dia mundial do Câncer

bela3É impressionante como aumentou o número de pessoas com câncer. Sempre me pergunto porquê.

Em alguns momentos, penso se a doença seria mais rara antigamente. Em outros, pergunto-me se tal crescimento se deve ao sigilo que as pessoas mantinham, o que não ocorre mais. Muitas vezes, elas nem sequer sabiam o que era câncer. Será que a atual “popularidade” da doença se deve ao fato de o paciente ter perdido o medo de falar sobre ela? Até algum tempo atrás, para muita gente, ter câncer era como receber uma sentença de morte. Diziam “fulano está doente” e ninguém ficava sabendo o que era.

Há uns dois anos, conversando com Enaldo Lima, chefe da Oncologia do Hospital Mater Dei – que, além de excelente médico é um encanto de pessoa –, fiquei sabendo que o câncer é tratado como epidemia. Fiquei estarrecida. Posso até estar “viajando na maionese”, mas ninguém me tira da cabeça que agrotóxicos e alimentos transgênicos são, em grande parte, culpados pelo aumento de casos. Pronto, falei.

Anualmente, informa o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), cerca de 12 milhões de pessoas são diagnosticadas com a doença no mundo.

Cerca de 8 milhões morrem. Se nada for feito, a expectativa é de que em 2030 se registrem 26 milhões de casos novos e 17 milhões de mortes por ano. Dois terços das vítimas vivem em países em desenvolvimento.

Nada mais justo do que chamar a atenção para o Dia Mundial do Câncer, em 4 de fevereiro. Com o slogan “Ao nosso alcance”, uma das maiores campanhas mundiais de combate à doença, a Union for International Cancer Control (UICC) busca esclarecer mitos e convida organizações e pessoas a aderirem à mobilização. Aqui em Minas Gerais, o grande parceiro é o Instituto Mário Penna, que iniciou a campanha na segunda-feira com a ação interativa Mãos que falam. As pessoas são convocadas a escrever nas mãos mensagens a favor da iniciativa, fotografá-las e postar a imagem nas redes sociais (Facebook, Instagram e Twitter).

No material enviado, não mandaram a hashtag que deve ser anexada à foto, mas duas já ficam sugeridas: #mãosquefalam e #diamundialdocâncer. A ideia é estimular o debate, esclarecer dúvidas. Por exemplo: é possível ter qualidade de vida antes, durante e depois da doença, isso depende de escolhas saudáveis feitas pelo paciente.

Com a população bem informada sobre as diversas formas de prevenção, podem ser reduzidos os índices da doença. O conhecimento é sempre o melhor caminho: quanto mais cedo o câncer é detectado, maior a chance de cura, ressalta Karina Pongelupe, gerente de Marketing e Relacionamento do Instituto Mário Penna. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

 

Coluna publicada no Caderno EM Cultura, 27/2/16, na coluna da Anna Marina

Vaidade exagerada faz mal

vaidadeVaidade de vaidades, tudo é vaidade! Está escrito na Bíblia, no livro de Eclesiastes.

Tenho um amigo, Ricardo Pimenta, que queria abrir um negócio ainda jovem e ouviu o seguinte conselho do pai, fazendeiro simples do interior : “Escolha algo que mexa com a vaidade da mulher ou com o estômago das pessoas”. Sábias palavras. As mulheres não abrem mão de se arrumar, mesmo jurando não ser vaidosas. E ninguém quer ficar sem comer.

Ricardo escolheu a vaidade. Ele e a irmã, Beth Pimenta, montaram a fábrica de perfumes Água de Cheiro, que fez muito sucesso durante décadas. Hoje, ambos atuam em outros segmentos, mas Beth continua apostando nos vaidosos: trabalha com lingerie.

Pesquisa global da empresa alemã GFK de estudos de mercado revelou que as brasileiras dedicam 5,3 horas semanais, em média, a cuidados pessoais, como banho, depilação, roupas, cabelo e maquiagem. Já os brasileiros gastam 3,5 horas semanais para se cuidar. Tais resultados superam a média dos 22 países pesquisados, que é de 4 horas semanais – 3,2 horas entre (homens) e 4,9 horas (mulheres).

Os motivos apontados para o excesso de preocupação com a aparência são sentir-se bem com você mesmo, causar boa impressão ao conhecer pessoas e dar bom exemplo aos filhos. Os casados, claro, disseram que querem agradar ao cônjuge.

Com tanto tempo destinado à vaidade, não surpreende o excesso de produtos lançados diariamente. São cremes hidratantes, antiage, para lifting, contra celulite e estrias, para cabelos de todos os tipos. Vendem-se chás, shakes, sopas e sucos detox. E maquiagens, cremes para massagens, tratamentos estéticos, aparelhos para tudo quanto há. Um espreme, o outro treme, o outro gela, o outro chupa e solta, o do lado dá choque. Infelizmente, não são acessíveis a todo mundo por causa do alto preço, mas para quem pode… Não tem jeito de ficar feia, gorda, velha ou flácida. É uma maravilha.

E aí vem a cirurgia plástica. O que o tratamento estético não consegue solucionar, o cirurgião resolve. Tinha uma amiga (falecida precocemente) que começou a fazer plástica aos 30 anos, sem a menor necessidade. O problema é que a vaidade fala alto demais e alguns médicos não são tão éticos assim. Passam, literalmente, a picotar as clientes. Outra conhecida foi a um médico que lhe fez um corte entre a sombrancelha e a orelha. Inacreditável.

As pessoas vão se esticar tanto que daqui a pouco a pele ficará lilás. Adoro quando alguém diz que foi que o cirurgião plástico se recusou a operá-la. Como é bom saber que profissionais sérios não se rendem ao dinheiro ou à vaidade de tratar alguém rica, famosa, importante. Mas a pessoa, em vez de entender o recado, procura outro e opera. O resultado, claro, acaba sendo desastroso.

O grande problema do excesso de vaidade é a pessoa perder a noção do limite. Preenchimentos no rosto me assustam, as mulheres ficam a cara do Fofão, aquele personagem de programas infantis. Será que olham para o espelho e não enxergam? Não têm uma amiga para avisar que extrapolaram, estão deixando de ser bonitas e ficando feias? (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

Crônica publicada na página 2 do Caderno EM Cultura do Estado de Minas, 11/2/16, na coluna da Anna Marina

 

Arrumar mala é um problema

Arrumar mala

Férias, carnaval, viagem de trabalho ou de turismo, fim de semana no campo com amigos. Vai para o exterior? Seja lá que tipo de viagem for, arrumar a mala é sempre um problema.

Adoro viajar, embora não tenha muito tempo para esse lazer que aprecio tanto, mas mesmo assim procuro ser objetiva na hora de montar a mala. Nem sempre consigo, mas sou muito melhor que minha irmã. Toda vez que ela vai viajar, sou convocada. A bagagem já está pronta e na cama, aquela montanha de roupas. Aí, começa a mostrá-las e vou ponderando, tirando peças. Conseguimos reduzir o volume em pelo menos um terço. Por sua vez, minha filha é um mistério. Tem um talento para arrumar malas que foge à compreensão humana. Faz muitas viagens missionárias e, além de suas roupas pessoais, tem que levar colchonete, roupa de cama e de banho, travesseiro. E lá vai ela, só com a mala tipo aeromoça e a sacolinha de mão. Não entendo como cabe tudo ali.

Tenho amigas que viajam pelo mundo o ano inteiro, parece que comeram canela de cachorro. Conseguem arrumar malas como ninguém. Levam poucas roupas, são objetivas, penso que vão passar aperto. Quando vejo as fotos, estão elegantérrimas, cada dia com uma roupa diferente e acessórios variados. Parece que viajaram com o guarda-roupa inteiro. Quero fazer um cursinho com elas.

Recentemente, recebi e-mail muito legal de Carol Rosa, personal organizer (isso mesmo, agora tem profissional que ensina a arrumar malas). Ela dá ótimas dicas, todas úteis nesta época de férias e carnaval, com programas tão variados.

Em primeiro lugar, você deve analisar bem o seu destino – praia, campo, cidade – e o que fará por lá. Vai a festas e restaurantes? No caso do carnaval, é só folia de rua mesmo? Isso é fundamental na hora de montar a mala. Vejam as dicas da personal organizer:

Mala de rodinha é pra quem vai viajar de avião, pois as roupas amassam menos e protegem objetos frágeis. As calças devem ficar no fundo, esticadas e com as pernas para fora (faço tudo errado). “Só depois de acomodar tudo dobre as pernas das calças sobre as demais roupas”, explica a personal. Depois vêm os shorts, bermudas e vestidos. “Vestido também deve ficar o mais esticados possível. Aproveite os espaços vazios para colocar os sapatos, protegendo as solas para não sujar as roupas. Usem saquinhos individuais”, sugere Carol Rosa.

Mala de carregar é mais informal. Como é menor, exige seleção mais apurada. “Leve só o que vai usar. Na hora de organizar, comece com as calças, mas dobre-as ao meio. Coloque as roupas mais pesadas no fundo. Acomode as demais peças por cima, deixando-as bem esticadas, sempre nivelando os lados para aproveitar bem o espaço. Deixe por último as roupas finas, que amassam mais. Viaje com o sapato fechado que pretende levar. Um tênis, por exemplo. Deixe na mala o que ocupa pouco espaço: chinelo e sandália. Escolha a sandália de cor neutra, que combina com tudo. Não leve muitos acessórios, opte por um ou dois que combinem com tudo, pois fazem diferença no volume”, recomenda Carol.

Decidiu viajar de mochilão? Leve poucas peças e pense no peso. “Opte por uma calça jeans básica. Se esfriar, você consegue combiná-la com várias blusas. Escolha sempre peças que não façam muito volume. O short jeans também é coringa, você pode repeti-lo, só variando a parte de cima. O erro mais comum durante a organização da mochila, é colocá-la em pé e ir dobrando as roupas, uma em cima da outra. Quanto mais dobradas, mais espaço ocupam. A dica é deitar a mochila na cama e ir acomodando as peças (esticadas ao máximo) no sentido horizontal. Assim você economiza mais espaço. Por último, coloque os sapatos e a nécessaire nos cantos livres”, conclui Carol Rosa. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

 

Crônica publicada no Caderno EM Cultura em 25/1/16, na coluna da Anna Marina

 

Cuidado com o lixo

Cristina Horta/Estado de Minas/D.A.Press
Cristina Horta/Estado de Minas/D.A.Press

No último sábado, recebi o telefonema de um leitor assíduo desta coluna e, entre outras coisas, falamos sobre a grande chuva de sexta-feira, dia 12.

Com aquele toró, não deu outra: a cidade se encheu de alagamentos – filme mais do que repetido em vários bairros. No Prado, onde o problema se repete, uma mulher morreu depois de ser arrastada pelas águas e ficar presa sob um carro. O que mais ouvimos são os relatos de situações desesperadoras de quem está na rua, debaixo do aguaceiro, e se vê a mercê da violência da natureza de encontro à grande metrópole. Carros levados, pessoas tentando salvar umas às outras, verdadeiros heróis despontando em meio às tragédias. Graças a Deus eles existem.

O Corpo de Bombeiros já fica em alerta quando a chuva começa. As equipes do Samu também, pois sabem que terão muito trabalho. O governo tem culpa nisso tudo, sim. Está careca de saber onde são os pontos de alagamento, conhece a época das chuvas e pode muito bem programar a limpeza de canais pluviais. Deveria investir em obras, alargar galerias e adotar uma série de providências que urbanistas e engenheiros reivindicam.

Se galerias e bueiros estão entupidos e cheios de entulho, o problema não se limita às folhas que caem das árvores, mas ao excesso de lixo que nós, moradores, jogamos no chão. Estamos cansados de saber que não podemos descarta-lo dessa maneira – primeiro, por questão de civilidade e educação; segundo, porque temos consciência de que contribuiremos para alagamentos e enchentes. E não achem que isso ocorre na periferia.

Semana passada, voltando para casa, estava atrás de um carro SUV chiquérrimo, último modelo, no Bairro Cidade Jardim. O motorista – não sei se homem ou mulher, por causa do insulfilme – abriu o vidro e jogou um papel no asfalto. O trânsito estava lento, era horário de rush, momento da saída dos alunos do Colégio Loyola. Deu vontade descer, catar o papel, bater na janela e devolvê-lo. Hoje, todo mundo tem um saquinho de lixo no seu carro. Na ruas da Zona Sul, cansei de ver motoristas e passageiros atirando latinhas vazias e até garrafas de vidro na pista.

Este meu amigo, Waldemiro Belo (vai achar ruim comigo porque pediu para eu não citar seu nome), tocou num ponto que é pura verdade. O plástico se tornou o grande vilão, pois demora zilhões de anos para decompor. A maioria das pessoas coloca os sacos de lixo nas calçadas para serem recolhidos, mas se esquecem de alguns probleminhas. Um deles são os cachorros: com fome e atraídos pelos restos de comida, rasgam os sacos e espalham os detritos. Se aquela via pública é íngreme, o lixo e os pedaços de plástico rolam e acabam caindo nos bueiros. Se chove com o lixo aberto, pior ainda.

Uma boa solução – adotada por muita gente – é instalar apoio de lixeira na calçada, a uns 90 centímetros de altura, pois assim o cachorro não alcança. Devia ser lei, muito melhor do que aquela que manda mudar os passeios. Afinal, cidade limpa é cidade desenvolvida– e livre de doenças.

Aliás, a nossa BH está infestada de ratos graças ao excesso de sujeira, mas os amiguinhos indesejáveis só aparecem de noite e pouca gente os vê. Apesar de ninguém falar muito a respeito, é preocupante, pois eles transmitem muitas doenças. Vereadores, fica aqui a sugestão. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

Coluna publicada no Caderno EM Cultura do Estado de Minas 17/2/16, na coluna da Anna Marina

 

Mau hálito, ô coisa chata

Mau hálito
Son Salvador

Tem coisa pior do que mau hálito?

Na minha opinião, é uma das piores coisas, pois não há como escapar de seus efeitos. Afinal, temos que conversar com as pessoas. Quando chega alguém com aquele hálito terrível, sentido a quilômetros de distância, como fazer? Geralmente a pessoa não percebe e não tem desconfiômetro. E não dá para avisá-la. Oferecemos bala ou chicletes – artifícios que tenho sempre em mãos, até mesmo para uso próprio –, mas ela não aceita. À medida em que vamos conversando, viramos o rosto e nos afastando, mas a pessoa vai virando junto, chegando mais perto. Desesperador. Sem falar nos interlocutores que conversam soltando perdigotos, dá vontade de abrir um guarda-chuva na frente deles. Socorro!

Certa vez, combinamos, entre amigas, avisar umas às outras caso alguém tivesse mau hálito. Afinal, amiga que é amiga não deixa a outra pagar mico. Sempre sobra para mim, que tenho mania de ser sincera. Estávamos em uma reunião, muitas pessoas conversando e percebi que uma delas tinha o problema. Não poderia deixá-la naquela situação. Se fosse comigo, não gostaria que me deixassem “feder no nariz dos outros”. E lá fui eu, amiga até debaixo d’água, avisar. Toda jeitosa, pois, por mais íntima que a gente seja, não dá para ir de supetão. Dizer “você está de mau hálito” ofende né?

Chamei-a em particular e disse, no meio da conversa: “Aqui, seu hálito está um pouco forte”. Ofereci a bala e continuei: “se fosse você, procuraria um dentista, pois pode ser gengiva, língua, etc”. Resposta imediata: “Não estou não, fui no dentista outro dia mesmo. Deve ser porque estou de estômago vazio”. Aí, percebi que as pessoas não querem a verdade. Nunca mais aviso ninguém, só se for minha filha ou irmã. Os outros, deixo para lá.

A dentista Ana Carolina Martinez informa que a halitose – alteração do hálito – é muito comum: 90% dos casos ocorrem por problemas dentro da boca. “Um deles é a falta de higienização dos dentes e da língua”, explica. Há diversos tipos de halitose: a fisiológica, mau hálito ao acordar, que some logo depois da higienização; por medicamentos, causada por tranquilizantes e diuréticos, que contribuem para a diminuição da saliva; a alimentar, temporária, ocasionada pela ingestão de alimentos como alho, cebola, jejum prolongado e bebidas alcoólicas.

Há também a halitofobia. Nesse caso a pessoa apresenta alteração no olfato e passa a acreditar que tem mau hálito, embora ele seja imaginário. O estresse também pode causar o problema. “O corpo reage liberando adrenalina, que interfere na produção de saliva e gera mau hálito”, explica a dentista.

Problemas renais e diabetes mellitus também podem provocar mau hálito. Porém, é muito dizer que problemas estomacais são causadores do odor desagradável na boca. A grande vilã é a língua, que acumula micropartículas de alimentos – quando a pessoa passa muito tempo sem se alimentar, esses resíduos acabam exalando odor. Nem todo mundo higieniza a língua com a frequência necessária, porque isso pode ser desagradável. Mas lembre-se: é fundamental.

As dicas para contornar o problema são simples: mascar chicletes sem açúcar para aumentar a produção de saliva; usar o fio dental diariamente, principalmente à noite; escovar os dentes adequadamente; higienizar a língua. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

 

Crônica publicada no Caderno EM Cultura, 8/2/16, na coluna da Anna Marina

 

Haja dor

faceitePassou dos 40, as dores chegam. É inevitável. Dói o ombro, o quadril, a coluna, ou o joelho – e por aí vai.

Sem contar a famigerada enxaqueca, se você for desse time. Eu sou, recebi essa herança da avó materna e parece que passei para a minha filha. Faço tratamento diário contra a “bendita”. Há alguns anos, ia parar no hospital pelo menos duas vezes por mês, tomava injeção, era uma sofreguidão. Depois, encontrei a santa doutora Renata Lysia Soares Lima Farneze, comecei a me tratar e agora acertamos. Raramente tenho crises; e quando elas chegam, consigo debelá-las em casa mesmo, por meio da medição.

Voltando à vaca fria: se depois da chamada idade do condor você acordar e nada doer, provavelmente morreu e não percebeu. Porém, há uma dor que, graças a Deus, nunca senti, mas sei que é terrível, como amigas e uma cunhada já me contaram. Trata-se da fasciite plantar, que ataca a sola do pé. Dói tudo – do calcanhar à base dos dedos. É danada, pois não dá para pisar e é o delicado pezinho que sustenta o nosso peso. E como abdicar de caminhar?

A causa é a inflamação de um tecido chamado fáscia plantar. Fibroso e localizado na planta do pé, liga o calcanhar à ponta dos dedos. Quando inflama, dói tudo. A fasciite plantar é um dos motivos mais comuns da dor no calcanhar, por isso pode ser confundida com esporão de calcâneo.

Algumas das causas podem ser a idade (lá vem ela outra vez); obesidade (grande vilã de quase todas as doenças que acometem pernas, joelhos e pés); exercícios físicos em excesso; calçados com solas macias ou que não oferecem apoio suficiente à curvatura do pé; deformidades do pé; tensão sobre o tendão de Aquiles; e jornadas de trabalho em pé ou caminhando.

Presidente do Instituto de Tratamento da Coluna Vertebral, o fisioterapeuta Helder Montenegro dá algumas sugestões de exercícios para ajudar a evitar esse mal. Se ele já estiver atacando, só mesmo fazendo tratamento, usando palmilha, etc. Assim, as dicas abaixo, úteis depois da cura, ajudam a evitar a reincidência.

Prevenir é fácil:

1) Ande descalço sempre que possível, pois isso favorece o alongamento da planta do pé.

2) Ao acordar, ainda deitado, aponte os dedos dos pés em direção a cabeça por 20 segundos, repita cinco vezes.

3) Alongue a planta do pé. Apoie os dedos dos pés na parede e o calcanhar no chão, então escorre os dedos devagar até que a sola encoste totalmente no chão. Repita o movimento oito vezes por dia em cada perna.

4) Alongue a panturrilha usando uma rampa. Enquanto uma perna descansa no alto da rampa, a outra fica na base, com o joelho esticado. Mantenha o calcanhar na rampa e aproxime o corpo do apoio. Deixe a coluna reta e segure a posição por 20 segundos. Faça esse exercício oito vezes em cada perna.

5) Caso queira fazer sua rampa em casa, use um pedaço de madeira com 30cm de largura por 35cm de profundidade e 12cm de altura. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

Crônica publicada no Caderno EM Cultura do jornal Estado de Minas, 9/2/16, na coluna da Anna Marina