Escolha de vida

Todos passamos por problemas, como vamos enfrentá-los, encarar a vida e escolher como viver depende de cada um.

Tenho uma amiga das antigas que gosto muito e passei a admirar mais ainda nos últimos tempos. Fomos colegas de colégio e passamos a adolescência e juventude juntas. Éramos muito ligadas mesmo. Infelizmente, depois dos 20 e poucos anos, por causa do rumo da vida toma – entrada em universidades diferentes, ingresso na vida profissional, etc –, acabamos nos distanciando bastante. Porém, de uns tempos pra cá voltamos a conviver de forma mais próximas, para minha grande alegria.

Coloquei um apelido carinhoso nela (e, tenho que confessar, bastante debochado), só entre nós duas: amiga hiena, porque dizem que a hiena ri da desgraça plena. O ex- estilista e apresentador Clodovil Hernandez definiu muito bem o animal quando disse “hiena come merda, faz sexo uma vez ao ano e ri o tempo todo”. Minha amiga é assim, apesar de todas as adversidades que passou na vida é uma pessoa completamente feliz e alegre. Ela escolheu ser assim. E sua alegria contagia a todos que convivem com essa criatura única.  Se estiver pra baixo e encontrar com ela, rapinho vai estar de alto astral.

Como ficamos muitos anos privadas do convívio próximo, consequentemente não acompanhei o que passou na vida adulta. Sei que quando era adolescente namorou firme um amigo nosso, por anos, chegou a ficar noiva. Ele aprontava todas com ela, o que a maioria dos rapazes faz, deixa a namorada em casa e vai pra farra, depois dava uma desculpa porca, jogava a lábia e conseguia engrupir a coitada, que acabava perdoando. Eu sempre pensei que esse excesso de perdão era em função do grande amor.

Outro dia saímos, eu, ela e uma outra grande amiga da mesma época e acabamos compartilhando nossas experiências. Só aí fiquei sabendo o quanto ela sofreu nas mãos dele, muito mais do que eu poderia imaginar. Aí entendi todo aquele perdão e percebi que não passava de baixa autoestima somada a uma “culpa” e um sentimento de “obrigação” de ficar com ele. Graças a Deus, em um momento da vida a ficha caiu e ela conseguiu se posicionar e sair fora.

Hoje, é uma mulher casada, excelente mãe, ótima profissional, pessoa de caráter e personalidade, porém, infelizmente, não conseguiu ter uma vida completamente realizada. Apesar de se dar muito bem com o marido, continua enfrentando problemas, dos quais não consegue se desvencilhar, mesmo assim, é uma mulher resolvida e decidiu extrair o lado bom de tudo.

Aprendeu a se dar bem com o marido, apesar de ele simplesmente não querer trabalhar. Opção de vida, emprego: viver às custas da mulher. E não é por falta de capacidade, é por preguiça mesmo, pois ele é profissional liberal. Se ela quiser separar dele ainda vai ter que pagar pensão pro bacana. Pode??? Isso me dá nos nervos, mas ela sublimou tudo isso, decidiu ser feliz, viver bem em família. E quem a conhece sabe que suas atitudes são sinceras, não é fingimento. É escolha e opção de vida.

Uma atitude assim é exemplar e invejável. Penso que deveríamos nos espelhar nessas pessoas. Acho a vida seria mais leve e fácil de levar.

Isabela Teixeira da Costa

Curiosidade interessante

Estatística é uma ferramenta e um estudo bem útil e interessante, e em alguns casos pode servir apenas para satisfazer curiosidades, mas vale a pena.

José e Maria eram os nomes mais comuns / Foto do Instituto de Identificação

Gosto de assistir o novo quadro do Caldeirão do Huck, Quem quer ser um milionário, do mesmo modo que amava assistir o Show do Milhão, que Silvio Santos comandou por alguns anos, com grande sucesso. Por sinal o jogo é o mesmo, só muda o nome e o tipo de ajuda, que no programa do Silvio tinha os universitários, que até hoje é usado como jargão. Enfim, é uma delícia tentar responder as perguntas e ver como está nossos conhecimentos gerais.

No último sábado foi um professor universitário de TI de São João Del Rei, que estava indo até muito bem, e no bate-papo com Luciano, ele disse uma coisa que deve ter surpreendido muita gente. Disse que não usa redes sociais porque as pessoas ainda não sabem fazer bom uso delas. Vindo de um professor de TI, a resposta foi no mínimo curiosa. Ele explicou.

Eu entendi e concordo. Também não acredito que as redes sociais foram criadas para que as pessoas exponham suas vidas como têm feito. Outro dia, recebi um release de um novo aplicativo que foi lançado de aprovação de look. Achei interessante porque pensei que você postasse a foto da roupa que pretendesse usar, dizendo para qual ocasião era, e que o aplicativo faria uma análise, baseado em informações e dados, e diria se a roupa estava apropriada ou não. Que nada, a pessoa posta a foto e um monte de gente que usa o mesmo aplicativo, que não entende nada de nada, dá palpite. Ou seja, mais um aplicativo para as pessoas se mostrarem. Achei o fim da picada.

Sempre gostei de estatística. Tomei bomba em física no primeiro ano científico. Como já trabalhava como secretária do meu pai, fui estudar no Instituto Técnico Executivo e o meu segundo grau foi técnico em secretariado. Ali tive o primeiro contato com estatística e amei. Anos mais tarde, quando fiz uma pós-graduação em Jornalismo, na antiga Fafi-BH – hoje Uni-BH –, novo contato e depois, fiz outra pós no IEC-PUC e nova disciplina de estatística, ministrada por minha amida e  colega Bertha Maakaroum, que é fera no assunto. E me encantei mais ainda com pesquisas e estatísticas.

Outro dia uma amiga me mandou um link de uma matéria de saiu no em.com.br sobre uma pesquisa do IBGE que para eles é um estudo e para muita gente não passa de uma simples curiosidade interessante. Uma ferramenta para pesquisar quantos nomes iguais ao seu existem no país, qual o índice de popularidade e a trajetória histórica do seu nome. Achei bem interessante saber se meu nome está na moda ou caiu em desuso.

Bem, o meu está em alta. Na minha época de colégio só tinham duas Isabelas, eu e mais uma. Até eu ter meus 35 anos, não topava com xarás mundo afora. Encontrava com Isabel, mas o a no final, que faz toda a diferença era coisa rara. Um dia a minha filha me contou que uma amiga dela perguntou por que sua mãe tinha nome de gente nova. Eu ri muito e respondi que as meninas é que estavam recebendo nome de gente velha.

Para quem interessar, segue o link https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2017/09/10/interna_nacional,899170/seu-nome-esta-na-moda-ou-caiu-em-desuso-faca-o-teste-e-descubra.shtml

Só para terem uma noção, no ano em que eu nasci (1960), existiam 1.643 Isabelas no país inteiro, em 2000, existiam 126.593. Nomezinho popular, né não… Só conhecia uma Valentina na vida, uma amiga. De um tempo pra cá, várias crianças que nascem estão recendo este nome. Antes de 1930 existiam apenas 389 Valentinas no Brasil. Já em 2000, o número cresceu para 9.025 pessoas. Ou seja: Valentina é tendência. O nome José, apesar de ser o campeão no gênero masculino, está em baixa. Ele teve um pico em 1960, quando mais de um milhão de pessoas foram batizadas assim, mas por volta dos anos 2000, a frequência caiu e o número de pessoas que se chamam José foi para 316.568 pessoas.

Entrem lá e descubram seus nomes.

Isabela Teixeira da Costa

Novos tempos

A cada dia que passa me surpreendo mais com o avanço no trato das crianças recém-nascidas e da grande diferença de como era há 30 anos.

Semana passada chegou mais um bebê na família. Quanta alegria. Agora já tenho cinco sobrinhas netas. Catarina, Bárbara, Marina, Vitória e a caçulinha da turma, Clara. Para falar a verdade, comecei a perceber as diferenças quando minha sobrinha mais nova, Julia, que também é minha afilhada, nasceu.

Ela está com 10 anos e nasceu prematura. Minha cunhada Patrícia teve pré-eclâmpsia e a gravidez teve que ser interrompida. Júlia nasceu, ficou 40 dias na UTI neonatal, fez uma cirurgia no coração, mas graças a Deus venceu e se transformou em uma menina linda, alegre, forte. Foi uma bebezinha que nasceu lutando.

Com a internação antecipada da Patrícia, não tivemos tempo de fazer chá de bebê então saí às pressas para fazer o enxoval e comecei a ver as diferenças. Minha filha Luisa estava, na época, com 19 anos. Lembro até hoje quando fiz seu enxoval. Usava cueiro, o bebê ficava enroladinho. Quando falei isso na loja as moças riram de mim. Cueiro já era, ninguém usava mais. Só manta mesmo.

Outra novidade para mim foram as roupinhas para prematuros. Nunca soube que existiam, para mim teriam que ser as de recém-nascidos, que ficariam ENORMES, e paciência, mas não, tinham as pequetitinhas, para ficarem mais confortáveis. Achei muito legal.

Depois, vieram Catarina e Bárbara. Bárbara ficou mais próxima, porque morou mais de um ano na casa de minha irmã, que mora no mesmo prédio que eu, então acompanhei mais de perto seu desenvolvimento. Rafaela, mãe de Bárbara, é fonoaudióloga e pude perceber as diferenças. Dois anos de diferença com a Júlia e mais um item descartado: a mamadeira. Que mamadeira que nada, ou mama no peito, ou bebe chá na chuquinha. Passou disso, entram os copinhos com aquela tampa que tem um bico com três furinhos e a criança chupa por ali.

Na quinta-feira fui ao hospital visitar a Clara e fiquei chocada com o que eu vi. A Clara, com um dia de nascida, no colo da enfermeira, tomando leite no copinho descartável de café. Oi? Heim? Como? Fim dos tempos. Onde está a mamadeira, meu Deus??? E a bebê não engasga? Bom, foi um tempo com calma, gole por gole, de vez em quando saía um pouquinho e a enfermeira recuperava com o copinho e nessa brincadeira a pequena tomou 25 ml de leite. Parava de tempos em tempos para arrotar. O último arroto foi no meu colo. Depois dormiu um sonão, que eu não fiquei para ver, afinal, visita de hospital tem que ser curta porque a mãe fica exausta, pelo parto, pela adaptação com o bebê e pelo entra e sai de visitas.

Conversei um pouco com as enfermeiras sobre a novidade e elas disseram que é a melhor forma de alimentar os bebês. Eles não pegam outro tipo de bico, que vão liberar um volume maior de leite e com isso não corre o risco de rejeitarem o peito materno e não tem perigo de mudar a anatomia da boquinha dos bebês, pois não estão introduzindo nada em suas bocas.

Questionadas sobre os riscos de engasgar, elas disseram que tem que ter certa prática, paciência, calma, e que não ensinam as mães a fazerem assim em casa, para evitar esse risco, que pode sim ocorrer. Mas fiz uma pesquisa na internet, e tem várias profissionais que ajudam em aleitamento, que já usam essa técnica. Inclusive tenho uma sobrinha, a Renata Maia, que é doula e também faz orientação e acompanhamento pós-parto e de aleitamento, que é craque no assunto, e ensina todos esses macetes para as novas mamães.

Fiquei impressionada. Novos tempos. Onde vamos parar?

Isabela Teixeira da Costa

Segurança em condomínios

Cada dia investem mais em segurança nas portarias de condomínios e prédios, a novidade que está crescendo é a Portaria virtual.

Com o aumento dos índices de insegurança no Brasil, cada dia mais as pessoas investem em segurança residencial, seja em casa, prédios ou condomínios. Porteiro físico 24 horas ainda é o mais usado, porém isso não é sinônimo de 100% de segurança. Prédios e condomínios mais sofisticados ainda investem em segurança armada.

Alguns condomínios de Belo Horizonte e Nova Lima pedem tanta documentação para liberar entrada que algumas pessoas chegam a brincar dizendo que deixam até exame de sangue na portaria. Quando algum visitante ou até mesmo morador chega de táxi, o carro passa por uma revista antes de ser autorizada a entrada. Tudo vale a pena quando a segurança está em jogo.

Alguns prédios não permitem mais a subida de moto entregadores. O conforto do morador vai para as cucuias, em função da segurança, e quando é caso de doença, gera um impasse. A pessoa está impossibilitada de descer, mas precisa receber o medicamento ou qualquer compra, como alimento, por exemplo, e aí, como fica?

Em alguns condomínios, a portaria remota vem sendo adotada por moradores visando minimizar riscos de assaltos, além de reduzir custos. Em uma situação de risco, segundo o CEO da empresa especializada Codeseg, Rafael Gonçalves, a portaria virtual resguarda muito mais os moradores e até mesmo os funcionários.

Na portaria virtual, os funcionários do condomínio não ficam expostos ao perigo. “Sem identificação, não tem possibilidade de entrar”, explica Rafael. Outras tecnologias vinculadas à portaria virtual oferecem segurança aos condôminos. Na Codeseg, em suspeita de risco, além da própria empresa avisar diretamente a polícia, uma mensagem via SMS é enviada para todos os moradores para ficarem dentro de suas residências ou longe do condomínio. Todos são avisados no mesmo instante sobre o risco de invasão.

Até o mês de outubro, um aplicativo para o celular será implantado pela empresa a fim de promover ainda mais segurança e conforto às mais de 3.5 mil famílias que já experimentam a rotina com portaria virtual em seus prédios. Pelo mobile, o morador vai executar todas as ações de controle que ele desejar, monitorando quem entrou e quem saiu, o cadastro de visitas, entre outras informações básicas de funcionamento da portaria.

Rafael Gonçalves ressalta que além do aumento de segurança, o sistema de portaria remota minimiza passivos trabalhistas, evitando o desvio de função que ocorre normalmente nos condomínios.

Não acredito que seja tão mágico assim. Toda tecnologia dá problema. E quando der? O prédio fica sem segurança nenhuma, já que não conta mais com porteiros físicos? Tudo tem prós e contras. Deve ser bem avaliado, mas fica a dica.

Isabela Teixeira da Costa

Salvar

Bons conselhos são preciosidade

Um bom conselho, na hora certa, é mais preciso que um grande tesouro, e pode te tirar de um grande problema no futuro.

Tem um ditado popular muito conhecido que diz “se conselho fosse bom, a gente não dava, vendia”. Com isso, muitas pessoas tomam como verdade que não devem ouvir e receber conselhos de ninguém e acabam quebrando a cabeça vida a fora.

Quantas vezes não ouvimos e muitas vezes já até falamos “quem dera tivesse a cabeça que tenho hoje, com 20 anos a menos?” O que queremos dizer com isso? Que a experiência que ganhamos na trajetória da vida nos amadureceu e que gostaríamos de reviver a juventude com uma cabeça mais madura. Por que? Porque evitaríamos cometer vários erros que acabamos vivendo em função da nossa ingenuidade, imaturidade, juventude.

Se ouvíssemos os conselhos que muitas vezes não queremos receber, provavelmente não teríamos errado em algumas ocasiões da vida. Não dá para saber se erraríamos mais ou menos, afinal, a vida é feita de escolhas, mas uma cabeça mais sábia, de uma pessoa que nos ama de verdade, só vai acrescentar. E somos seres racionais porque temos a capacidade de pensar e discernir, então, porque não ouvir o conselho e pensar sobre o que nos disseram? É só colocar na balança e ver se vale a pena.

Já disse aqui, algumas vezes, que a Bíblia é meu livro de cabeceira. Antes que os mais céticos, ateus ou agnósticos torçam o nariz, quero contar que vários cientistas, mundo afora – muitos deles ateus ou agnósticos –, já estudaram a Bíblia, por vários motivos, e todos eles, sem exceção, sempre reconheceram que este livro é o melhor manual de vida que já foi escrito e um excelente livro de história. Alguns acabaram por se render e passaram a acreditar em Deus. Mas isso é outro caso. Uma amiga disse certa vez que a Bíblia é seu Manual de vida porque fala desde decoração até orientação financeira. E é a mais pura verdade.

Bem, voltando aos conselhos, li esta semana no livro de Provérbios capítulo 15, versículos 22 e 23 “Os planos fracassam por falta de conselho, mas são bem-sucedidos quando há muitos conselheiros. Dar resposta apropriada é motivo de alegria; e como é bom um conselho na hora certa!”.

Isso diz tudo. É claro que não vamos sair por aí pedindo conselho a qualquer um, indistintamente. Devemos pensar um pouco. Se você é casado (a), seu marido ou sua mulher é a pessoa mais próxima e devem ser ouvidos, pessoas mais velhas e próximas de você, mas que tal observar primeiro como é a vida dessa pessoa, sua conduta, sua ética, etc. Ela é exemplo? E o amigo, aquele, mais chegado que irmão. Por falar em irmão, os irmãos também são ótimos conselheiros.

É impressionante como só guardamos as coisas negativas. O ditado popular que diz que conselho não vale a pena, todos sabemos de cor e salteado. Ele revela nosso egocentrismo e autossuficiência, nossa natureza humana independente. Geralmente não gostamos de conselhos, porque na maioria das vezes dizem coisas que não queremos ouvir. Mas, resolvi pesquisar ditados e provérbios populares sobre conselhos e achei um tanto que nunca tinha ouvido, todos eles mostrando a importância de receber conselhos.

“Bons amigos, bons conselhos”; “Bom conselho desprezado, há-de ser muito lembrado”; “Os conselhos fáceis de tomar são os mais úteis”; “Conselho de amigo, aviso do céu”; “Os bons conselhos são, sempre, amargos”; “Mais vale bom conselho que fortuna”; “Antes conselho mudar, do que no erro ficar”.

Isabela Teixeira da Costa

Papai, você pode me vender uma hora do seu tempo?

Um belo texto sobre o papel de pai, a necessidade de dividir seu tempo e se dedicar com qualidade aos filhos, escrito pelo professor da UFPR e pai de três filhos, Jacir J. Venturi.

 

Jacir J. Venturi

 

Todo dia o mesmo ritual: o pai extenuado chega à noite em casa após mais um duro dia de trabalho. Seu filho, com os olhos cheios de admiração, abraça-o. Eles trocam algumas palavras sobre a escola e se despedem com beijos na face, o boa-noite e o “durma com os anjos”. Certo dia, com a voz tímida, o garoto pergunta ao pai, que acaba de chegar: “Papai, quanto você ganha por hora?”. O pai surpreso, desconversa. O filho insiste: “Papai, quanto você ganha por hora?”.

O sempre ocupado pai promete uma resposta para o dia seguinte, mas se aflige com a pergunta. Passado algum tempo, dirige-se ao quarto do filho e o encontra deitado. “Filho, você está dormindo?”, pergunta. “Não, papai!”, responde o garoto. “Querido, eu ganho 28 reais por hora.” O filho levanta-se da cama, abre a gaveta e, entre notas e moedas, conta 28 reais. Abraça o pai com ternura e, com os olhos cheio de lágrimas, pergunta: “Você pode me vender uma hora do seu tempo?”.

Esta singela história é conhecida; o leitor certamente já a recebeu por e-mail ou a leu nas mídias sociais. Ela enseja a meditação sobre a disponibilidade de tempo para os filhos, os quais, mais cedo do que se pensa, compreenderão a árdua luta dos pais pela sua sobrevivência profissional, o necessário cumprimento dos deveres no importante papel de provedores e que a dedicação ao trabalho é fator de realização pessoal e é modelo de responsabilidade.

Busca-se, evidentemente, a prevalência do bom senso, da medida, do equilíbrio entre a vida profissional e a vida familiar. Nesse contexto, importa mais a qualidade do afeto que a quantidade de tempo disponível aos filhos. O abraço afetuoso, o beijo estalado, a imposição de limites, o diálogo objetivo e adequado à idade, o acompanhamento do rendimento escolar, a presença nos momentos de lazer ou doença e a transmissão (pela palavra e pelo exemplo) de valores éticos e de cidadania que podem ser praticados diariamente – com ênfase nos finais de semana – por pais que trabalham cerca de oito, nove ou dez horas por dia.

O consultor Gutemberg de Macedo dá seu depoimento em um de seus livros: “Conheço executivos bem-sucedidos que mantêm uma vida balanceada. São bons profissionalmente e, até prova em contrário, bons maridos, bons pais, bons líderes e bons cidadãos. O segredo? Saber dividir, compartimentar esses diferentes papéis. É preciso parar para refletir com profundidade. A vida é uma bênção de Deus. Desequilibrá-la é destruí-la. E destruí-la é uma espécie de estupro da própria divindade. Se Ele descansou, quem afinal você pensa que é para querer ir além?”

“Devo dar segurança do meu amor” deve ser um mantra diário de todo pai. Significa, sim, menos lazer, menos convivência com os amigos, menos academia. Mesmo cansados, podemos ir além para cumprir o papel de pai (ou mãe). A paternidade responsável é uma missão e um dever a que não se pode furtar. No entanto, veem-se nas escolas filhos órfãos de pais vivos. E, na maioria das vezes, falta de tempo é apenas uma desculpa para a sua omissão. A vida profissional, apesar de suas elevadas exigências, pode muito bem ser ajustada a uma vida particular equilibrada. É uma questão de ênfase e dosagem de tempo.

 

A força do ser humano

Fico encantada e surpresa com a força que vejo nas pessoas para enfrentarem os problemas e dificuldades da vida.

Convivo com muitas pessoas, inúmeras, por sinal. E conversa vai, conversa vem, alguém acaba contando alguma coisa de sua vida e, mesmo sem querer, revelando uma força que, muitas vezes, nem elas mesmas sabem que têm.

Sei que não é assim com todas as pessoas. Fico impressionada com a quantidade de gente que é acomodada, não faz nada, só fica no canto, insatisfeita, murmurando em vez de se mexer e ir à luta para mudar a situação. E não me refiro apenas às questões financeiras, mas a elas também.

Estou me referindo aos problemas matrimoniais, financeiros, de saúde, de relacionamento com filhos, pais, empregos. Enfim, todas as áreas da vida que levam o ser humano a um sofrimento e insatisfação tão grande e em vez de lutar e mudar, parece que entra em uma bolha catártica (se é que essa expressão existe) e vive ali quase como um zumbi.

O casamento está péssimo, mas é incapaz de chamar o marido ou a mulher e conversar exaustivamente e acertar os ponteiros, buscar uma ajuda profissional, ou seja lá o que for. Alguns pais veem um filho se afundar na bebida ou nas drogas, sofrem profundamente com isso, mas assistem a autodestruição, em sofrimento, sem tomar uma atitude drástica para tirar o filho dessa situação. Algumas pessoas estão extremamente insatisfeitas com o emprego, mas não procuram outro. Conheço várias pessoas que saíram do emprego durante esta crise e se descobriram em uma nova atividade. Estão mais felizes e realizados. Isso, só para citar alguns exemplos para que entendam do que estou falando para não ficar no abstrato. Sei que atitudes assim não são propositais, penso que seja um tipo de fraqueza. Não sei, não sou psicóloga.

Por outro lado, encontro exemplos de bravura que me encantam. Vou me dar o direito de resguardar os nomes. Tenho uma amiga de quem gosto muito. Infelizmente, por excesso de trabalho de ambas as partes, não convivemos tão próximas como eu gostaria. Ela é linda, delicada, inteligente, excelente profissional. Há pouco tempo fiquei sabendo que ela teve um câncer e enfrentou tudo sozinha. SOZINHA. Isso mesmo, não contou para a mãe, irmã, marido, nenhuma amiga. Tratou sozinha, enfrentou a angustia, sofrimento, quimioterapia, dores, mal estar, tudo, sozinha, só ela, o médico e Deus.

Só contou depois de alguns anos do problema resolvido, com a melhor carinha do mundo, sem nenhum arrependimento de ter feito dessa forma. Fiquei impressionada com sua força. Até porque o sofrimento do câncer vai muito além do físico, e todo mundo que já conviveu com alguém que teve a doença sabe bem do que estou falando. No caso dela foi mais fácil esconder o fato porque a quimio não provocou a queda dos cabelos, mesmo assim, isso não torna o sofrimento menor.

O que mais me surpreende é que sempre que toma conhecimento que alguma amiga está doente, é a primeira a ligar e mandar mensagem oferecendo ajuda, companhia e ainda por cima manda comidinhas gostosas como uma canja ou um bolo, para aquecer o coração da gente.

Tenho outra amiga que também é um exemplo. É bem casada, tem dois filhos e um deles é autista. Ela e o marido, desde que o menino entrou na adolescência tomaram várias medidas legais para garantir pensão vitalícia para ele, e agora ela acaba de se aposentar, antes da hora, para evitar que possíveis mudanças na lei da aposentadoria possa prejudicar o futuro do rapaz. Quando interditaram o filho, o juiz perguntou o motivo e ela explicou claramente que era para garantir o sustento dele quando eles – os pais – faltassem. O juiz elogiou a atitude dos pais dizendo na maioria das vezes os pedidos de pensão para incapazes só são requeridos depois da morte dos pais e que isso é moroso e trabalhoso.

Imagino como não deve ter sido difícil interditar um filho e, ainda em uma idade ativa e produtiva, abrir mão de seu trabalho, que sei bem que é algo que ela amava fazer. Só para registrar, ela atuava em uma área que não permite continuar trabalhando depois que se aposenta.

É disso que estou falando, garra, força, fazer a diferença na sua vida. Lutar sozinha, ou não, mas não ficar acomodada, murmurando.

Isabela Teixeira da Costa

MasterChef Brasil revela mais do que o melhor cozinheiro

Disputa Masterchef revela mais do que o melhor cozinheiro amador, mostra personalidades, caráter e esportiva.

Já disse aqui, várias vezes, que sou uma aficionada por televisão e por programas de gastronomia. Acompanho praticamente todas as versões do Masterchef. O da Austrália e dos Estados Unidos, não perco um; o do Brasil, assisto desde a primeira temporada, inclusive o profissionais. De vez em quando, dou uma “sapeada” no do México e Colômbia. Isso sem falar nos programas Cozinheiros em ação, The Taste Brasil, Que seja Doce, Cozinha Prática com Rita Lobo. E me surpreendo com as coisas que vejo.

Infelizmente não pude ver, na última terça-feira, a final da última temporada do Masterchef Brasil, a disputa entre a Deborah Werneck e Michele Crispim. Tive um compromisso e quando cheguei em casa peguei o finalzinho. Vi a vitória da Michele, vibrei muito, percebi a decepção da Deborah, mas não pude escrever nada, porque não tinha acompanhado o programa.

Na sexta-feira fui para o Festival Gastronômico de Tiradentes, que estava ótimo, por sinal. Cidade movimentada, animada, comidas deliciosas. Jantei no restaurante Tragaluz, no Via Destra, almocei no festival de Lagosta, na pousada Pequena Tiradentes, tudo excelente, porém, com a viagem, também não vi a reprise na sexta à noite, no Discovery Home and Health. Mas consegui assistir no domingo.

A vitória da Michele foi merecida. Ela passou toda a temporada na dela, discreta, calma, sem se achar melhor do que ninguém, e crescia a cada episódio. Foi uma competidora íntegra, ética. Mas foi merecedora porque cozinhou melhor e fez pratos mais difíceis e elaborados.

Apesar da polêmica que gerou a sua sobremesa, que disseram que ela copiou uma receita da renomada chef Bel Coelho. Bem, em nenhum momento ela disse que a receita era dela, e só não falou que era da Bel porque não perguntaram, porque algumas semanas antes ela deu crédito ao Claude Troisgros, de uma de suas receitas.

A entrada servida por Deborah estava cheia de defeitos. As vieiras estavam cruas no meio. A da Michele recebeu o comentário de “perfeita” pelos três jurados, e seu prato principal também foi mais bem avaliado. A sobremesa das duas recebeu críticas, porém, a da Deborah teve mais comentários negativos.

Porém, o que me espanta cada dia mais é o ser humano. Inveja é terrível e despeito também. A competidora Caroline Martins, PhD em física, uma baita profissional que chegou em um patamar que poucas pessoas alcançaram na vida, depois que foi eliminada, voltou na repescagem desdenhando da prova e fazendo caras e bocas, insinuando que o julgamento dos chefs era tendencioso. Que feio. A sua atitude foi tão ostensiva que o jurado Henrique Fogaça perguntou se ela gostaria de ir embora. Deveria ter ido, seria mais digno do que continuar ali revirando os olhos. Graças a Deus na final ela estava normal.

Leonardo Santos e Valter Herzmann me surpreenderam negativamente na final. Eles nem quiseram assistir a competição final, nem mesmo em respeito às colegas. Assentaram no chão, atrás de todo mundo e lá ficaram o programa inteiro. Em determinado momento Valter levantou e falou alguma coisa com Deborah que não conseguiu disfarças e soltou uma exclamação “você está ai?”. Tudo bem não torcer, mas esse comportamento revela inveja, despeito e desrespeito terríveis. Se foram eliminados, foi porque cozinharam mal em determinado dia. Paciência, bola pra frente. Cozinha tem disso, por melhor cozinheiro que você seja, um dia as coisas dão errado, mas isso não justifica tal comportamento. Melhor se não tivessem ido ao programa, do que agirem dessa maneira. Pegou mal demais.

Que pena. Felizmente, mais cedo ou mais tarde as pessoas acabam revelando o que são.

Isabela Teixeira da Costa

A inveja no desempenho organizacional

A inveja causa grandes prejuízos em qualquer área e no ambiente organizacional não é diferente, mas pode ser contornada.

Por Lucas Diegues*

Não é de hoje que o olhar do invejoso causa prejuízos. Na história bíblica, Adão e Eva, por terem inveja do conhecimento de Deus, desafiaram suas ordens, comeram do fruto do conhecimento do bem e do mal e foram expulsos do paraíso. Polícrates, na Grécia Antiga, o tirano da ilha de Samos, livrou-se dos irmãos para deter a fortuna do império somente para si e padeceu, anos depois, vítima do próprio deslumbre e ignorância.

E no ambiente corporativo, será que é diferente? Pesquisas desenvolvidas pelas pesquisadoras da Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, Tanya Menon e Leigh Tompson, afirmam que não. Para elas, o hábito de celebrar as vitórias cotidianas de um colaborador encobre, muitas vezes, outro lado soturno e patológico: quero que esta pessoa se dê mal para que eu alcance os meus objetivos.

Responsável por causar rupturas, queda na produtividade e insatisfação, este sentimento está mais preponderante, principalmente em épocas de recessão econômica. Por que será? De acordo com as especialistas, o invejoso está sempre focado na visão do outro e esquece que, dentro de si mesmo, existe um enorme quantum de energia criativa e transformadora.

Assim como Adão, Eva e Polícrate,s é mais fácil cobiçar o que as outras pessoas possuem, uma vez que isso isenta o indivíduo da responsabilidade pelo próprio sucesso. Psicologicamente falando, a inveja cria a ilusão de que os culpados advêm do ambiente externo, logo, necessitam ser destruídos, rechaçados e eliminados. E quanto mais rápido, melhor!

Doravante, nada mais cômodo do que a crise para acrescentar a cereja ao bolo, não é mesmo? “Se esta pessoa for demitida, eu chego lá”, “meu colega é incompetente, eu é que sou necessário nesta empresa” e “não preciso do meu chefe para executar o meu trabalho” são as justificativas que começam a constituir uma teia de comportamentos abarrotados de fantasia e distorção.

Quanto menor o número de concorrentes, maior o delírio de poder, o que diminui a angústia de um possível fracasso. Com medo de perder o pouco que possui e, assim, cair no vazio da própria existência, o invejoso fecha os olhos para a realidade, construindo um universo em que ele está acima do bem e do mal, livre de qualquer responsabilidade.

Contudo, será que este movimento realmente funciona? Para Tanya e Leigh, quanto mais o indivíduo investe na inveja, menos chances ele possui de usufruir daquilo que possui de melhor. E, assim como alude o ditado popular “em terra de cego, quem tem olho é rei”, olhar para dentro de si mesmo é a única forma de despertar habilidades para uma carreira promissora.

Para isso, faz-se necessário recorrer a mudanças substanciais de pensamento. A primeira delas consiste em utilizar a inveja como catalisadora para o autoconhecimento. Em vez de concentrar esforços em tentar eliminar o outro, por que não recorrer às autorreflexões: “será que eu também possuo a qualidade que eu cobiço naquela pessoa?”, “em quais momentos eu já consegui agir com ela?” e “como posso desenvolvê-la em meu dia a dia?”.

Focar nos próprios objetivos também é primordial. Para que perder tempo com a vida alheia? Quanto mais empenhado o indivíduo está em desenvolver as suas atividades, ele minimiza a inveja, produzindo, assim, um ciclo intermitente de realizações e bem-estar. Ao invés de direcionar atenção para o meio externo, administrar pensamentos, direcionando-os para si, modifica a estrutura psíquica, criando caminhos neurais repletos de significado e propósito.

E por que não substituir a inveja por emoções construtivas? Em vez de fazer o papel da “criança rebelde”, que nunca está satisfeita com o que possui, estimular a gratidão é o mecanismo que preenche todos os vazios profissionais. Assim, agradecer com frequência, ajudar a sanar as dificuldades do colega de trabalho e desenvolver subordinados permitirá que elos afetivos sejam criados, solapando a destrutividade causada pela inveja corporativa.

Analisar o macroambiente, em detrimento da visão limitada dos fatos isolados, também conduz o indivíduo rumo a uma melhor percepção da realidade. Na existência de situações desagradáveis, lembrar-se das conquistas e dos benefícios adquiridos ao longo da trajetória profissional é o caminho ideal para estabilizar emoções belicosas, reacendendo a chama da motivação e da performance. Afinal, para quem quer enxergar, a vida será sempre mais bonita.

*Lucas Diegues é diretor executivo da WA Marketing & Consultoria Comercial

De repente 50

Maria Antônia Calmon

Não é qualquer um que entra tranquilamente nos 50 anos, sem se abalar.  A prova disso são as várias publicações sobre o tema.

Tomei a liberdade de me apropriar de um título da minha amiga Maria Antônia Calmon, para intitular minha crônica de hoje. Essa minha grande amiga é linda, gente boa até debaixo d’água, competente, profissional e estilista. Ela se destacou no mercado da moda com suas camisas, que além de belas e estilosas são muito bem feitas. Passou por mau bocados, pois muito crédula e com coração puro, acabou sendo passada para trás, mas deu a volta por cima.

A família dela é exemplo, tem avó e também três netos. Sabe aquele ditado que é pouco usado, pois não é qualquer um que chega nesse ponto da vida, quando alguém pode dizer: “minha neta, me dá teu neto”? Pois é, a família de Maria Antônia pode. A sua avó já tem trinetos. Não é uma coisa maravilhosa? Eu acho, cinco gerações vivas em uma família é coisa rara.

Como a maioria das pessoas – não é o meu caso –, foi impactada pela chegada dos seus 50 anos. Porém, ela não entrou em depressão, não se sentiu envelhecida, nada disso. Ela criou uma página no Facebook, que já está também no Instagran, chamada Derepente50, isso mesmo, tudo junto, onde compartilha a segunda metade da vida. Veja o que ela escreveu na abertura da sua página:
50 Anos!Se não chegou lá, um dia terá essa idade. Como encarar o envelhecimento? Vamos chegar, ultrapassar os 50 anos. Isso é natural e até privilégio, sorte. Muitas mulheres, amigas e conhecidas me fazem perguntas: como você se sente fazendo 50 anos? Sempre teve em evidência por ter sido modelo e trabalhar como estilista, que convive com esse universo de muita vaidade, e agora? Até então não tinha parado para pensar, a ficha caiu e resolvi contar minha história, trajetória de vida, como encarar o 5.0. Quero compartilhar um conceito de vida e beleza com você! Vamos trocar figurinhas, falar da mulher real de hoje, que é mãe, filha, avó, esposa, namorada. Uma mulher que vai à academia, trabalha se cuida sem excessos e sabe que a beleza interior precisa ser equilibrada para o restante acontecer. Fui modelo fotográfica nos anos 90, capa de várias revistas e campanhas de beleza. Hoje, sou estilista e proprietária da marca de camisaria feminina Maria Antônia Calmon.
Me acompanhe no insta e no facebook e fique por dentro de tudo em primeira mão!”

Não é lindo e inspirador?

Maria Antônia faz hoje, às 19h, um bate-papo na Clínica Onodera, na Rua Conde Linhares, 326, Cidade Jardim. Quem tiver oportunidade, vale a pena conferir.

Alice Schuch

Bem, recebei há alguns dias outro texto da palestrante e escrito Alice Schuch, abordando o mesmo tema, e então decidir unir essas duas mulheres na crônica de hoje.

Segundo Alice, a beleza experimentada depois dos 50 está no prazer de reluzir a alegria feminina. “A mulher que ingressa na casa dos 50 tem o benefício de degustar a sua própria vida. É como a ingressar na “fase da sobremesa”, onde quem a acompanha, experimenta o que há de melhor na maturidade”.

Alice ilustra a mulher acima dos 50 pela energia feminina da Sardenha, ou seja, a bela e poderosa senhora que está representada no centro do Mediterrâneo ocidental e que claramente vive a “fase sobremesa”. Esta senhora goza e brinda à beleza que soube construir para si através dos anos. “A experiência feminina representada depois dos 50 expõe-se com a feliz simplicidade de quem nada necessita. Contribui com a criação e, por sua vez, cria, permitindo ser contemplada, vivida e amada”, completa.

“A dimensão do belo é a sobremesa do sábio, daquele que geriu a vida em autoconservação e evolução, do ser humano que amadureceu na própria simplicidade através de tantas e tantas batalhas no contexto social sem jamais trair-se”, poetisa Alice.

A escritora faz outra metáfora, “o refinamento à energia feminina característica da Sardenha é o licor Mirto di Sardegna, elixir obtido com o fruto da planta sagrada que na antiguidade era dedicada a Vênus, deusa do amor. O licor e sua essência masculina ilustram como um ótimo complemento à sobremesa. Completado o percurso, amadurecido o fruto, inicia-se a festa”.

A experiência pós 50, ou seja, a bela senhora sardenha, se expõe para quem é capaz de percebê-la, senti-la e amá-la. “É manjar dos deuses, eis o seu poder de fatal atração… Paradisíaca ilha mediterrânea, vives a fase sobremesa, simplesmente és … bela! Estás por ti mesmo, incomparavelmente simples e por isso – insuperável. Não competes por um lugar ao sol porque tua maturidade produz arte, doçura, acolhimento, pujança, valor, vida, és tal qual te querias”, recita Alice.

Isabela Teixeira da Costa

Salvar