Momentos que ficam guardados para sempre

É sempre bom quando nos surpreendemos positivamente em uma viagem.

Bryant Park

Quando eu tinha 12 anos e minha irmã 15, nossos pais nos deram de presente uma viagem à Disney. Disneylandia, porque ainda não existia a Disney World. Isso mesmo, sou das antigas. Por outro lado, tivemos uma grande vantagem, porque conhecemos a Califórnia, um lindo estado dos EUA.

Naquela época, quando se mandava duas filhas para o exterior tinha que ser com alguém que você confiava muito e foi aí que nossa viagem entrou na lista dos pós e dos contras com força total. A excursão escolhida foi de uma senhora que levava um grupo de velhos. Adolescentes só mesmo duas filhas de uma outra passageiras – que na época todos se referiam a ela como “a desquitada” –, uma outra moça da minha idade, minha irmã e eu.

Por outro lado, nada de ir apenas à Disneyland e voltar. Fomos a Los Angeles, San Francisco, Las Vegas, Nova York e Miami. No quesito parques, fomos em Hollywood, Universal, Magic Mountains, Knots Barry Farm.  Em Las Vegas, driblamos os seguranças e passamos a noite jogando nos caça niqueis, que na época era de alavanca. Os braços ficaram tremendo tanto no dia seguinte que não conseguimos assinar travels cheques.

Fui a Nova York, mas não lembrava de nada, só mesmo da seção de Barbie da Macy’s, da Berta Brasil – loja de brasileiros onde comprávamos de um tudo –, e do lobby do Hilton, que era todo de veludo vermelho, onde ficamos hospedadas.

Meu sonho era retornar à Big Apple. Infelizmente a oportunidade nunca surgia. Retornei aos Estados Unidos para fazer intercambio em 1979, fui à Florida diversas vezes depois para conhecer a Disney World, fiz curso de diagramação em Saint Petesburg, em Tampa, fiz estágio no Miami Harold. Levei minha filha à Disney para celebrar seus 11 anos de vida, mas nada de ir à Nova York.

Na Universal

Este ano, Luisa me chama para retornar à Disney em seu aniversário e depois dar uma esticada em Nova York. Ela foi em novembro do ano passado com um grupo de amigas e se apaixonou pela cidade. Claro que topei na hora.

Não precisamos dizer nada sobre Orlando. Luisa e eu sempre voltamos a ser crianças nos parques. É delicioso. Claro que mudamos um pouco o tipo de brinquedo que vamos. Rodamos a cidade, saímos para jantar. Encontramos com um casal de primos que moram por lá. Foram momentos deliciosos de mãe e filha que ficarão guardados para sempre na minha memória e no meu coração.

Seguimos para Nova York. O que é aquilo??? Ficamos na casa de uma grande amiga, da minha época de adolescência. La mora em Forrest Hills, um bairro mais do que charmoso no Queens. Rodamos Manhattan a pé. É tudo lindo. Aqueles prédios enormes, hipermodernos, e entre eles as antigas edificações, muito charmosas.

O clima da cidade é algo inexplicável. O Central Park é delicioso, andar pelas ruas, ver a diversidade das pessoas, atravessar a Ponte do Brooklin, Time Square à noite, enfim, é tudo lindo e delicioso. E a civilidade encanta, o respeito ao próximo. Todos pedem licença, desculpa, dão bom dia, perguntam como você está.

Com as amigas Aurinha e Dâmaris

Mas tenho certeza que tudo ficou mais lindo do que é porque estava rodeada por pessoas especiais que eu amo e que me amam como a minha filha, a Áurea e seu marido Paulo Marciano, que nos recebeu como rainhas e Dâmaris Doro Lorenzoni, que quando soube que iriamos para lá, não quis perder a oportunidade de viajar conosco.

Quando retornei – completamente apaixonada por NYC –, contando sobre a viagem para um amigo, ele relatou um fato que ilustra muito bem como são as coisas por lá. Ele estava de viagem com um sobrinho, fazendo compras para suas lojas aqui no Brasil. Por uma dessas infelicidades, o rapaz esbarrou no carro da frente. Foi muito de leve, nem marcou o para choque de nenhum dos carros. Ele se dirigiu ao motorista, pediu desculpas, e disse que não havia estragado nada. O senhor respondeu que não era bem assim. Chamou a polícia que informou que por um ano, se o senhor tivesse algum problema no pescoço por causa do impacto, ele seria responsável por isso.

Quanta diferença, não é mesmo. Aqui as pessoas, trombam e fogem, atropelam, matam e não prestam socorro e fica tudo por isso mesmo. Temos muito o que melhorar, e começa pelo ato que vamos praticar neste domingo. Vamos votar com consciência para mudar nossa realidade.

Isabela Teixeira da Costa

FoMo de quê?

Já ouviu falar na expressão FoMo? Se não, precisa ler este artigo.

Recebi esse artigo e achei interessante, por isso reproduzo aqui, na íntegra. Pode servir para muitas pessoas. Fala dessa fissura muito atual de seguir influencers. Não é o meu caso, não sigo ninguém dessa forma, mas sei que isso é sim uma realidade.

Marcia Jorge

O termo FoMo foi criado no ano 2000 pelo estrategista de marketing Dan Herman e significa Fear of Missing Out, em português medo de estar perdendo algo.

Atire a primeira pedra quem nunca sentiu aflição, ansiedade e até angústia ao abrir as redes sociais e ver muitos dos seus amigos em um evento que você sequer ficou sabendo, ou então as pessoas usando uma frase ou um bordão que você não sabe a origem, e pior: todo mundo a sua volta, aderindo a uma moda que você não conhecia.

Sim, a indústria que mais se aproveita desse “pavor de ficar por fora” é a moda, porque ela precisa disso para continuar bem e viva, porém cabe a nós decidirmos que se ficaremos bem e vivos com algo que constantemente nos incute esse medo de ficar para trás.

Ser aceito, admirado e amado são necessidades humanas, só que quando está agregado ao ter, torna-se uma patologia que ganhou proporções gigantescas com as redes sociais. Quem nunca acompanhou alguma blogueira e afins que é a menina do momento porque ela TEM todas as bolsas e roupas mais desejadas do momento?

Aí entendi um dos mecanismos que faz com que o sucesso desses fenômenos seja estrondoso: FoMo.

Acompanhamos a menina que está por dentro de tudo para que possamos ter a ilusão de não estarmos por fora de nada. Que sacada, entupir essa menina de coisas para vender e gerar nas pessoas esse desejo de ter mais e mais, consumir e se sentir inserido na dança. Sinto muito, mas a dança é curta. Em menos de três dias a menina aparece com outro apetrecho, nos mostrando que continuamos por fora. A conta não fecha nunca. E para piorar, ela não apenas mostra o apetrecho que ainda não temos, como também mostra uma vida em que toca música o dia inteiro, com drinks coloridos num céu de um azul nunca visto antes no planeta Terra.

Claro que já sabemos que é um palco montado, mas da mesma forma que choramos em Titanic sabendo que o naufrágio aconteceu em um tanque de 236 metros de comprimento, nos influenciamos por fotos bem editadas. O nosso cérebro involuntariamente absorve e reage com emoções e fantasias diante de toda e qualquer imagem o qual é exposto, mesmo que no próximo momento venha qualquer dado de realidade, a fantasia já foi criada, e essa é a grande sacada do Instagram.

Fantasias podem ser um combustível motivacional maravilhoso, mas a partir do momento que elas estão abalando a sua autoestima, a sua paz de espírito e a sua conta bancária, é hora de avaliar o que você está permitindo que entre na sua vida por esse medo de perder algo.

Quebre já esse ciclo vicioso da insatisfação. Deixar de seguir pessoas que todos os dias te lembram o que lhe falta não o deixará por fora da moda. Moda é se amar, se respeitar e acima de tudo, agradecer.

 

Márcia Jorge é formada em marketing e psicologia pela Universidade Mackenzie, atua no segmento de moda há 20 anos e defende o consumo consciente e o uso da moda e da imagem para melhorar a qualidade de vida e a autoestima.

 

Dia da Vovó

Pode ter um cunho comercial, mas desde que foi criado aqui no Brasil, o Dia da Vovó trouxe mais alegria para a vida dessa figura tão importante na família.

Minha mãe e minha filha Luisa

Quem não se lembra com ternura de sua avó? Quem não se lembra da comida que ela fazia? Comida de vó é mais gostosa. Minha avó paterna eu não conheci, e a materna morava em Brasília. Ela sabia que eu amo pão de ló e todas as vezes que eu chegava em sua casa tinha um lindo pão de ló me esperando, que ela fazia especialmente para mim, e só comia um pedaço quem eu deixava. Chamego de vó.

Para minha irmã era melado com queijo ralado. Esse eu passava, porque certa vez, ainda menina, tive indigestão de tanto comer a iguaria. Sabe aquela história do olho maior do que a barriga? Pois é, comi um prato cheio e quis mais. Minha mãe não deixou, fiz birra e aí ela me obrigou a comer. Passei mal demais.

Nunca soube da existência desse dia da avó, até uma vez que minha filha, com seus 13 anos mais ou menos, me disse que queria comprar um presente para dar para sua avó, pelo seu dia. Ligou para minha mãe e deu os parabéns.

Minha mãe ficou tão emocionada. Ninguém nunca a tinha parabenizado por ser avó. Hoje, ela está com Alzheimer, mas até há pouco tempo lembrou desse episódio comigo. E todo dia 26 de julho me lembro da Luisa, ainda novinha, comemorando o Dia da Avó e desde lá, todo ano, fazia questão de ligar para minha mãe e enchê-la de amor e elogios.

Minha mãe com sua netinha mais nova, Júlia Teixeira da Costa, filha do meu irmão Renato e da minha cunhada Patrícia

Decidi pesquisar como surgiu a tal data e encontrei duas versões. A primeira eu achei no site mundodosavos.com, que relata ter sido criado pela portuguesa Ana Elisa do Couto Faria, avó de quatros meninas e dois meninos, nascida na cidade de Penafiel, norte de Portugal, em 1986. Celebrava a data como se faz no Dia das Mães e dos Pais, para consagrar a figura tutelar dos avós como guardiões das tradições familiares e poder ajudar a quebrar a solidão de muito avô ou avó, ao menos um dia no ano.

Ela percebeu que seus pais, perante os netos, eram um fator de orientação e perfeição familiar. Com o nascimento do primeiro neto, Ana Elisa começou a verificar e a interiorizar o modo como seria bonito dar relevo aos avós do seu país e do mundo. Por cerca de dezesseis anos percorreu diversos países do mundo levando consigo a mensagem do dia 26 de Julho.

Outra versão é que a data foi criada em homenagem aos avós de Jesus, Ana e São Joaquim, pais de Maria, porém não há registro deles na Bíblia, a não ser no evangelho apócrifo de Tiago. Nele foi comentado que o casal foi enterrado em Jerusalém, local onde encontraram suas tumbas.

Não sei a origem real, mas acho que foi uma boa ideia. Parabéns a todos os vovós pelo dia de hoje.

Isabela Teixeira da Costa

O caso SKY: juntos, somos fortes

Resolvi meus problemas com a SKY graças a todos os meus seguidores e leitores que acessaram meu texto e deixaram comentários. Obrigada!

Há algumas semanas postei aqui um desabafo sobre a TV por assinatura SKY e como eu estava ficando louca tentando resolver um problema de uma oferta feita por eles. Não vou repetir aqui o ocorrido, mas o texto está aqui no site para quem quiser ler.

Postei em meio ao caos da greve dos caminhoneiros e a falta de combustível. Poucas horas depois, recebi alguns WhatApps de amigos me informando que o marido de uma grande amiga é gerente da referida empresa, e me passando o celular dele. Na mesma hora liguei, disse que tinha escrito o artigo, por isso nossos amigos em comum tinham me dado seu número. Expliquei a ele tudo o que tinha acontecido e, claro, ele se prontificou a resolver, até porque ele é um encanto de pessoa e muito prestativo. Posso falar porque o conheço.

Toquei minha vida. Trabalhei no jornal, e depois que saí fui abastecer o carro da minha irmã que estava no cheiro. Acho que já estava abaixo da reserva.  Como ela trabalha até de noite, me prontifiquei para enfrentar a longa fila.

Depois de algumas horas na fila, resolvi olhar meu celular e achei estranho, porque vi algumas mensagens, tanto no e-mail quanto no Facebook, sobre a SKY, inclusive funcionários da empresa pedindo meu telefone. Decidi então entrar no administrador do meu site e tive a maior surpresa.

Graças a cada um de vocês, minha justa reclamação sobre a empresa teve 44 mil acessos e 240 comentários. Foi um misto de espanto, alegria e tristeza. Espanto de ver tanto acesso, em tão pouco tempo – isso é muito raro em um blog. Alegria pelo meu texto ter “bombado”, é o sonho de qualquer jornalista, blogueiro, escritor. Este foi meu Best Seller. Tristeza de ver quantas pessoas estão insatisfeitas com a SKY, quanta gente tem problema com a operadora e não consegue resolver.

Fiz questão de aprovar todos os comentários, e li cada um deles. Algumas queixas são tão fáceis de solucionar. Toda grande empresa tem um sistema de controle do que estão falando sobre ela na internet, nas redes sociais. Quando meu artigo atingiu níveis tão altos de acesso, com certeza acendeu um luz vermelha na empresa, e eles entraram em contato comigo. Apesar de o meu amigo já estar trabalhando na questão, a área de São Paulo assumiu o caso. Em poucos dias estava tudo solucionado. Mais uma vez digo, graças a cada um de vocês.

Isso comprovou uma coisa que todos nós sabemos, mas, infelizmente, usamos muito pouco: JUNTOS SOMOS MUITO FORTES. Se nos unirmos, conseguiremos vencer qualquer batalha, a nosso favor, a favor da nossa qualidade de vida, da nossa família, dos nossos direitos, do nosso país. Juntos, podemos enfrentar problemas de injustiça, corrupção, abuso que sairemos vitoriosos, pena que usamos muito pouco esse nosso poder. Por quê? Por não confiarmos nas pessoas que levantam as bandeiras das lutas. Elas podem até ser legítimas, porém, sabemos que sempre existem interesses por trás desses “líderes”.

O movimento contra a corrupção ganhou força – pena que enfraqueceu, principalmente durante a Copa e os políticos já estão aprontando na surdina – porque foi popular, sem líder aparente.

Obrigada, mais uma vez. Me coloco aqui à disposição para ajudar meus leitores a dar voz a suas questões, desde que sejam reclamações legítimas, e peço que não esqueçam a força que temos em nossas mãos quando agimos juntos.

Isabela Teixeira da Costa

Tablet e smartphone faz bem às crianças

Fonoaudióloga comprova que mídias interativas podem desenvolver a linguagem em crianças pré-escolares.

Muita gente critica pais que dão tablets e smartphones para seus filhos ainda bebês, para mantê-los quietos, no lugar de dispensar atenção e tempo aos pequenos. Muitas vezes julgamos a cena, sem saber, de fato, qual é a relação e o real cuidado dos referidos pais com seus filhos. O fato é que as crianças que nascem atualmente, o fazem em um mundo no qual as mídias interativas existem, em forte escala, e não se pode negar que essas crianças irão mergulhar de cabeça neste universo.

Não estou aqui defendendo o uso indiscriminado desses equipamentos por crianças, mas também não se pode isola-las do mundo em que elas vivem. O importante é saber dosa esse uso e que ele seja supervisionado por um adulto, de preferência pelos pais, para que o conteúdo acessado seja adequado à idade do pequeno.

O que antes era criticado, agora virou ferramenta de desenvolvimento. Mídias podem ser utilizadas como um recurso capaz de estimular o desenvolvimento infantil desde que haja a supervisão dos cuidadores quanto ao conteúdo e ao tempo na utilização dessas tecnologias.
A partir da observação do uso precoce das mídias interativas, como smartphones e tablets, a fonoaudióloga Lívia Rodrigues desenvolveu um estudo pioneiro no Brasil sobre o desenvolvimento cognitivo e da linguagem expressiva (fala) em crianças pré-escolares a partir da exposição a essas mídias. A pesquisa foi defendida no Programa de Pós-Graduação em Ciências Fonoaudiólogicas da Faculdade de Medicina da UFMG.
De acordo com a pesquisadora, é consenso na literatura que várias habilidades adquiridas na infância perdurem pela vida adulta. “Por esse motivo, é importante investigar e saber o que ocorre na infância, seja para prevenir futuros danos, seja para otimizar o desenvolvimento da criança”, afirma.
Por meio da avaliação comparativa de três grupos de crianças foi possível concluir que aquelas que utilizaram as mídias interativas por maior tempo ao dia tiveram melhor desempenho nos testes cognitivos, que avaliaram as funções mentais superiores, e de linguagem expressiva. Esse resultado foi ainda mais significante no domínio linguístico.
Lívia destaca que as mídias têm potencial para favorecer o desenvolvimento infantil, sobretudo quando elas estão condicionadas a conteúdos adequados e à presença de um tutor. “Dessa forma, o acesso pode ser benéfico, desde que seja limitado em relação ao tempo e ao conteúdo”, esclarece.

Isabela Teixeira da Costa

A inteligência do seu filho

Gosto do Leandro Karnal, tenho que confessar que prefiro Mário Cortela, mas posto hoje um artigo muito bom do Karnal, publicado no Estadão de São Paulo, em abril, sobre a inteligência dos filhos. Tenho que confessar que não concordo com seu primeiro parágrafo, farei minha consideração entre parênteses para que saibam que trata-se da minha opinião. Segue o artigo.

Leandro Karnal, O Estado de S. Paulo

Há que se ter humildade e paciência. Se urge incluir o lúdico, é imperativo estabelecer o exemplo.

Leandro Karnal. Foto Jair Magri

Há uma preocupação forte dos pais com a inteligência dos filhos. Antes bastava amar, vacinar e alimentar. (Esta parte eu não concordo, meus pais sempre preocuparam com nossa inteligência e nossa educação acadêmica, bem como os pais de meus amigos. Sinceramente não sei com quem Karnal conviveu…). Hoje temos de estimular de consciência hídrica até desenvolvimentos de habilidades cognitivas avançadas.
Existe razão na preocupação. Por milhões de anos, o poder na sociedade foi determinado pela força física. O macho alfa hábil nas armas era o líder natural. A força física perdeu muito espaço para o poder econômico. A riqueza passou a determinar o status social das pessoas. Os guerreiros de outrora passaram a ser guarda-costas dos senhores endinheirados. Redefiniu-se a pirâmide social.
Crescendo rapidamente após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e disparando com a revolução dos computadores e softwares no fim do século 20, despontou de vez o critério da inteligência. Os homens mais influentes deixaram de ser os construtores de ferrovias ou produtores de aço. Criadores como Bill Gates e Steve Jobs eram o máximo da admiração mundial e tornaram-se parte da elite dos multibilionários. O novo empreendedor é o homem das ideias novas, das rupturas de paradigmas, da criação inquieta como eixo. Considere o celular de hoje. Com que parcela do lucro fica o criador do software, do design e da inovação tecnológica? Com qual fica a fábrica na Ásia? Por fim, qual o quinhão de quem aplicou força física como operário? Ao responder a essas questões teremos a completa noção da metamorfose.
O crescimento da inteligência desperta o sinal de alerta dos pais. Será que meu filho está apto ao admirável mundo novo? Será que a escola está adequada? Por que ele não lê mais? São perguntas justas e lícitas.
Primeiramente façamos uma distinção básica. Saber dados constitui informação que pode tornar uma pessoa culta. Erudição é um treinamento que não implica muita inteligência, apenas memória e repetição. O processo leva anos, mas é mais ou menos padronizado e eficaz. A inteligência está associada à capacidade de criar, associar, comparar, inovar, relacionar e dar aos dados formais da erudição um sentido novo. Há pessoas cultas que não são inteligentes. Há pessoas muito inteligentes que não são cultas.
A busca para incrementar a inteligência dos filhos leva a crenças variadas. Não existem estudos irrefragáveis sobre o efeito da música de Mozart no quarto de um bebê. Pense: os filhos de Mozart tinham seus genes e cresceram ouvindo o pai. Ambos foram medíocres na sua produção. Imaginar que sua caixinha de música tenha efeito superior ao próprio Mozart tocando é algo fantasioso. Porém, o ambiente tranquilo e com música pode ajudar a relaxar. Dormir bem será fundamental na formação do cérebro.
A inteligência pode ser estimulada. Ler para crianças com paixão e fantasia, levá-las a atividades culturais, estimular a criatividade, ensinar línguas e instrumentos musicais são, comprovadamente, fatores estimulantes de mais conexões cerebrais. O importante é não forçar ou tornar a leitura ou o teatro uma obrigação formal. O caminho preciso para criar ódio de um aluno por um livro é forçá-lo a ler e fazer prova. Da mesma forma, já disse em outra crônica, fazer um percurso de horas em um museu é caminho bom para sepultar a análise estética de um jovem ser.
O exemplo funciona bem. Pais lendo com prazer e comentando algo do que leram ou admirando um quadro especial em uma exposição é mais eficaz do que a formalidade educacional. Piaget tinha razão: o lúdico é a chave educativa mais forte.
O ponto central de toda influência é permitir que os jovens façam a vinculação afetiva com os portadores de conhecimento.
Na minissérie Merlí, o professor de Filosofia faz uma pergunta na primeira aula e ouve uma resposta do pior aluno, aquele que havia repetido duas vezes de ano. Ouve e elogia: você é meu aluno preferido a partir de agora. O simples estímulo intelectual refez a visão da personagem Pol Rubio, que acabará orientando toda sua carreira futura a partir desse encantamento inicial.
No melhor estilo da personagem infantil do Show da Luna, despertar a curiosidade científica é fundamental. Boas perguntas sobre o funcionamento das coisas e idas a museus de ciências funcionam como estratégia. Como o peixe respira debaixo da água? Por que o gelo derreteu em um copo cheio até a borda e não existiu transbordamento? Também a curiosidade sociológica e humanística estimula o olhar. Por que há pessoas dormindo na rua e nós temos quartos bons? Não se trata de moldar seu filho a ideias conservadoras ou de esquerda, mas fazê-lo perguntar, a partir de um óbvio socrático, para entender a estrutura das coisas e do mundo.
Por fim, minha querida mãe e meu estimado pai: não sejam ansiosos. Existe um tempo e hora para tudo. Não temos poder absoluto sobre as pessoas e seus cérebros. O “estalo de Vieira”, a velha lenda de que um emburrado e medíocre aluno, um dia, despertou para o latim e a oratória e se tornou nosso genial Padre Vieira pode ocorrer. Há muitos estalos possíveis na vida. Devemos lembrar que nem todos os pais que clamam por mais leituras dos rebentos foram exatos devoradores de livros na mesma idade. Há que se ter humildade e paciência. Se urge incluir o lúdico, é imperativo estabelecer o exemplo.
Claro: os velhos valores ainda existem: alimentar, vacinar, cuidar. O resto vai do cruzamento da maquiavélica virtù com a fortuna. Há algo de aleatório no interesse e no despertar da inteligência criadora. Ela pode brotar longe do solo ideal como em Machado de Assis e rarear em filhos tratados com todas as benesses do dinheiro. Boa semana para todos nós.

Dia das Mães com beleza

Amelinha Amaro, proprietária da loja de decoração Divino Espaço, em São Paulo, dá sugestões de mesas para o almoço de Dia da Mães.

FOTO: ®Andre Conti

Domingo é o Dia das Mãe, e o almoço que a pessoa que mais amamos nesta vida, é sagrado. Toda ano eu, minha irmã, e nossas filhas – infelizmente agora a minha filha não comparece com tamanha regularidade, já que está morando fora –, nos reunimos na casa de nossa mãe para esta refeição.

Sempre cai próximo do aniversário das minhas sobrinhas gêmeas, que é dia 14 de maio, e por isso o dia das mães acaba sendo um misto de celebrações. Apesar de minha mãe estar com a cabecinha fora desse mundo, ainda reconhece os filhos – a mim, nem tanto, depois que emagreci 40 quilos –. É muito engraçado, conversando comigo ela fala de mim como se fosse outra pessoa. Deve achar que eu não vou mais visita-la, e sempre tenho que falar, sou eu mãe, eu sou a Isabela. E aí ela diz, “eu te amo muito”. No segundo seguinte, já não se lembra mais, e é engraçado, porque ela sabe que eu sou filha dela.

Enfim, o almoço do Dia das Mães é especial e fazemos questão de montar uma mesa bonita, sem nada demais, com as coisas que ela tem mesmo em casa, mas aquelas que guardamos “para quando tem visita”. Só isso já dá um clima de festa. Colocamos uma música e fazemos um menu especial.

Recebi um material muito legal da Divino Espaço, boutique reconhecida por ser uma loja referência em decoração, de São Paulo. Eles são craques, a proprietária, Amelinha Amaro, é experta na arte de receber e preparou algumas sugestões de mesas decoradas para nos inspirar para esta data tão bonita. São ideias cheias de charme para receber e surpreender as mães, sem muita complicação. Acho que vai aguçar a criatividade de todo mundo e ajudar na hora de preparar a mesa, usando as coisas que cada um tem em casa. Porque, sinceramente, a gente tem muita coisa e umas que usamos tão raramente. E como a mistura de estilos está em alta, use e abuse.

Com cores vivas e itens fáceis de serem encontrados, Amelinha incentiva o uso da criatividade e a colaboração de todos no momento de dar ideias. “O Dia das Mães é uma data muito bacana, pois reúne toda a família para homenagear um símbolo tão forte e de amor, a Mãe. Acho bacana combinar elementos, flores e itens diretamente ligados à personalidade de cada mãe, isso torna cada mesa algo único”, diz a decoradora. Verdade. Aproveite que hoje ainda é quinta-feira, dê uma olhada nos armários, pense o que vai fazer e compre as flores que vai presentear a mãe de acordo com o que quer usar, assim elas servirão para enfeitar a mesa. Vale aquela máxima “matar dois coelhos com uma cajadada só”.

Vejam as fotos de Andre Conti na galeria abaixo

Isabela Teixeira da Costa

Encontro de amigas, casos inusitados

Em um fim de semana de reunião de amigas o que não falta é boa conversa e casos, no mínimo, inusitados.

Tenho um grupo de amigas, muito bacana. Somos 15 ao todo e nos chamamos Lindinhas, pelo simples fato de que todas nós somos lindas mesmo. Apesar de estarmos muito bem na fita no quesito estético, o termo se aplica a outra beleza, há algo muito mais profundo, aquela beleza que você vê no outro quando convive. Todas nós esbanjamos essa lindeza interna – e me incluo, sem falsa modéstia – e o nome do grupo, que talvez muita gente pense de forma pejorativa e até dê uma debochadinha, representa essa riqueza que só quem é amigo vê no outro.

Explicações dadas, decidimos passar este final de semana em Escarpas do Lago, na casa de uma das amigas. Infelizmente nem todas puderam vir. Combinar agenda de 15 mulheres, todas elas profissionais, mães de família, a maioria casada, não é tarefa fácil. Mas dez guerreiras conseguiram abrir espaço na sua agenda e vieram.

Desde a hora de pegar estrada até agora pela manhã, só paramos de conversar na alta madrugada quando fomos dormir. E estamos quase tendo que distribuir senha para ver quem fala, porque tem hora  que umas cinco falam ao mesmo tempo. Temos que ficar igual operador de bolsa de valores, escutando tudo ao mesmo tempo, para conseguir acompanhar todas as conversas, porque a curiosidade impera.

Ontem, tive que falar com uma das Lindinhas, que é prá lá de educada, que ela vai ter que abrir mão de tamanha finesse. Toda vez que ia falar alguma coisa, se alguém falasse um A, ela se calava. Não aguentei e disse que ela tem que enfrentar a mulherada e continuar falando, porque a disputa tá feia.

Em meio a tanta conversa, umas sérias, outras bem banais, um caso muito engraçado, curioso e interessante foi contado e como envolve o jornal Estado de Minas, não posso deixar de registrá-lo aqui.

Uma das minhas amigas fez decoração da Fuma. Quando era estudante, tinha comprado um óculo com lente azul clara, modelo antiguinho, muito fofo. Era o “must” na época. Amava a peça e fazia o maior sucesso com ele.

Certo dia pegou carona com uma colega até a Avenida Amazonas com Avenida do Contorno, onde desceu rapidamente do carro e pegou um taxi para ir para sua casa. Chegando em casa, percebeu que estava sem seu querido óculos. Ela tinha mania de deixar as coisas no colo e com certeza o “queridinho” tinha caído na rua, na baldeação entre os dois carros.

Ficou numa chateação só e foi quando teve a ideia de colocar um pequeno anúncio no caderno de Classificados de domingo do jornal Estado de Minas. “Perdi meus óculos. Perdi um óculo azul claro modelo antigo, etc, etc”. E colocou seu telefone fixo. Estamos falando do final da década de 1970, inicio de 1980. Ou seja, não existia telefone celular.

Contou para as colegas e foi a maior gozação. Todo dia elas perguntavam, entre gargalhadas, se os óculos haviam sido encontrados. Mais de 20 dias depois. Ela recebeu uma ligação de uma mulher perguntando se era ela quem tinha perdido os óculos. Claro que ela não acreditou. Jurava que era uma amiga ou alguma prima passando um trote, mesmo assim, respondeu positivamente.

Pois a mulher continua falando. Que seu marido era motorista do caminhão de entrega da Coca-Cola e tinha uns óculos azul no porta luvas do caminhão. Passou o endereço e ela foi buscar. Chegando lá, deu de cara com seu amado objeto. Abraçava a dona e chorava de alegria.

Mesmo em meio a tanta emoção, a curiosidade falou mais alto e perguntou como a senhora tinha visto  o anúncio. “Fui lavar o chão da minha cozinha e forrei com o jornal, olhei para o chão e o anúncio se destacou e chamou minha atenção a frase ‘perdi meus óculos’, aí li o anúncio e lembrei da peça que tinha visto no caminha. Só poderia ser ele.”

Quando ela chegou na faculdade com os óculos, ninguém acreditou. Se fosse caso de novela as pessoas diriam que era mentira. O Classificados Estado de Minas funciona mesmo!

Isabela Teixeira da Costa

Divórcio X Alienação Parental

Hoje, publico um artigo do advogado de família Paulo Eduardo Akiyama, sobre divórcio, filhos e alienação parental.

Ao longo dos anos que acompanhamos pais (pai e mãe) com problemas de guarda de seus filhos, prática de alienação parental, litígios intensos, processos intermináveis, há sempre um ponto de congruência, a animosidade entre eles.

É nítido nestes casos mais calorosos que o divórcio ou a separação do casal foi traumático, um total desastre que levou à falência do relacionamento. Nestes casos, sempre há uma discussão em relação aos bens do casal, onde uma parte entende que a outra não merece participar com o quinhão que lhe pertence, incluindo nesta discussão a guarda dos filhos. A discussão sempre parte de ambos, pois, é a forma de atingir um ao outro, pelos bens materiais.

Em diversos processos de guarda de menores, há a citação de que o pai ou a mãe não está cumprindo com a divisão dos bens, ou seja, sempre surge uma discussão em razão de valores.

Quando no processo de divórcio a guarda dos filhos provisoriamente fica a cargo da mãe (99% dos casos), estabelece-se uma verba de alimentos provisória, devendo o pai ser o provedor de tal valor.

É muito comum também o genitor usar o argumento de que o valor determinado para alimentos é exagerado e que não vai dar dinheiro para manter luxos da ex-esposa. Ou seja, como já dito, uma discussão insana e insensata por ambos e que acaba por atingir os filhos e expor ao perigo de sofrerem alienação parental, tanto pela parte de um como do outro.

O livro Ainda somos uma família da escritora Lisa René Reynolds, nos ilumina com casos reais quando em Connecticut, nos Estados Unidos, iniciou o programa PEP – Programa de Educação Parental, um curso ministrado pela escritora a inúmeros casais em processo de separação.

As experiências relatadas, vividas por pessoas de diversas etnias, religião, idades, faixas socioeconômicas, descevem inúmeras situações, diversas e particulares a cada caso, porém, as questões essenciais sempre são comuns entre elas.

Constata-se que, na maioria dos casos de separação de casais, as vitimas são as crianças. Foram elaboradas pesquisas nos Estados Unidos que demonstram que os filhos de pais separados sempre foram afetados de forma negativa pela separação dos pais.A mudança que ocorre, por ocasião da separação dos casais, alterando o meio de convivência familiar, por si só, afeta demais os filhos.

Saibam, aqueles que estão se separando ou se separaram, e vivem enorme conflito, litigio que seus filhos já sofreram muito com a separação do casal, principalmente pela sensação de terem perdido a família. Este sentimento de perda é o mais doloroso dos sentimentos para os filhos, superando em muito a necessidade de adaptação à nova situação de papai e mamãe não morarem mais juntos e ainda, com a certeza de que conviverão em um ambiente de tristeza que acompanha a separação do casal.

Esta perda, ou seja, a sensação de ter perdido a família, acaba sendo uma espécie de luto para os filhos, sensação de vazio, da falta daquele que não mais estará presente no dia a dia (pai ou mãe – dependendo de quem terá a guarda provisória).

Se o casal, na sua separação, não conseguir visualizar que seus filhos não se separam deles e que continuarão sendo pais, torna a situação ainda pior para que seus filhos superem a tristeza que lhes envolve. Sentem os filhos, que a separação dos pais é o término de um de seus mundos.

É comum, em um litigio de divórcio e guarda de filhos, os pais quererem especular, com os filhos o que o ex-conjuge tem feito. As crianças se sentem usadas como sendo espiões, fofoqueiros, criando assim, mais um conflito psicológico.

A separação vai alterar a dinâmica familiar, porém o que não muda é que pai e mãe não extinguem a relação deles com seus filhos. Continuarão sendo o alicerce de seus filhos, o exemplo que eles se espelharão. Portanto, se decidiu se separar, por mais penoso que seja a separação, coloque como meta que você (pai e mãe) deverá construir uma nova rede de relacionamento com seus filhos e que esta será a sua nova família.

As experiências vividas por casais que, ao decidirem sobre a separação, buscam orientações psicológicas para lidar com a situação, resultam em um processo dinâmico de divórcio, de resolução da guarda dos filhos, da convivência entre filhos e pais separados, de relacionamento maduro e objetivo na busca de educar e amparar os filhos. Nestes casos, inclusive, a divisão de bens acaba por se resolver de forma pacífica, visto que, deixa de ser o objeto usado para o início da guerra judicial.

Quando as partes entendem que não há como reatar, não há culpa, pois deixaram um de conhecer o que o outro demonstrou anteriormente, entenderão que, o melhor para ambos é cada um viver a sua própria vida, e ambos, viverem a vida de seus filhos, ou seja, dedicarem-se aos filhos, mesmo que separados. Proporcionarem aos filhos o máximo que poderão proporcionar na condição de pais separados. Conviverem com seus filhos o máximo que puderem de forma sadia.

Alienar parentalmente as crianças em função de um divórcio mal resolvido, não é a solução, pois as vitimas são seres humanos que não pediram para estar neste campo de batalha e muito menos pediram para serem usadas como objetos por parte de seus pais insatisfeitos.

*Paulo Eduardo Akiyama é formado em economia e em direito e atua com ênfase no direito empresarial e de família.

 

Depressão infantil

Crianças estão sofrendo de depressão e os casos dobraram nos últimos dez anos. É assustador.

Sabe aquelas coisas que nunca passam pela sua cabeça? Pois  bem, tomei conhecimento do lançamento de um livro que aborda a depressão infantil. Isso me alertou para um fato sobre o qual nunca pensei. Por sinal, nunca soube que criança sofresse de depressão e isso, além de me preocupar bastante, me chocou.

Nos últimos 10 anos, o índice de crianças entre os 6 e 12 anos com depressão saltou de 4,5% para 8%, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Ou seja, o mal do século tem atingido até aqueles que deveriam estar se preocupando apenas em brincar, mas ao invés disso, estão colocando as pressões contemporâneas sobre ombrinhos tão pequenos.

Mas será que a culpa disso é da correria obrigatória dos tempos atuais, que abala o psicológico de todos, inclusive das crianças? Afinal, não são as próprias pessoas que criam esse ritmo frenético? Ou elas não têm escolha e precisam se adequar ao sistema? Denise Seixas, autora de A Essência da Mulher, traz questionamentos sobre a saúde mental do ser humano desde a infância, período essencial na formação da personalidade.

Os primeiros anos da infância são fundamentais para o desenvolvimento emocional de uma pessoa. Nessa época, a linguagem é essencialmente física e, por essa razão, o afeto, o carinho e o tom de voz, por exemplo, geram marcas que permanecerão por toda a vida.

A depressão infantil é caracterizada pela presença dos seguintes sinais e sintomas, os quais podem se apresentar de forma mascarada: baixo desempenho escolar, pouca capacidade para se divertir (anedonia), sonolência ou insônia, mudança no padrão alimentar, fadiga excessiva, queixas físicas, irritabilidade, sentimentos de culpa, sentimentos de desvalia, sentimentos depressivos, ideação e atos suicida, choro, afeto deprimido, facies depressivas, hiperatividade ou hipoatividade.

Apesar do atual modo de viver afetar as pessoas involuntariamente, os pais e a família ainda são os fatores mais importantes na vida de uma criança. Em sua obra, Denise ensina sobre o quanto o exemplo e o comportamento do adulto são essenciais para criar um filho feliz, que acredita em si mesmo e é estimulado a superar seus limites. Posteriormente, a criança que é amada e encorajada torna-se um adulto saudável em todos os aspectos, até mesmo nos dias de hoje.

Segundo os estudos de Nissen em 1970 e de outros autores posteriores a ele, as causas que levam crianças à depressão estão relacionadas a problemas familiares. Os problemas conjugais; financeiros; a cobrança exagerada por parte dos pais e da sociedade em relação ao desenvolvimento da criança; a falta de contato da criança com os pais em função de suas responsabilidades profissionais e necessidades de sobrevivência, o que impede que haja um vínculo afetivo positivo, são fatores que contribuem para o aumento da possibilidade das crianças desenvolverem transtornos, sendo a depressão infantil um deles, e que afeta diretamente o desenvolvimento psicossocial e acadêmico da criança.
Além disso, podemos destacar outros fatores que causam a depressão infantilI: a morte de um dos pais, dos avós ou de um ente querido muito próximo, maus tratos dentro da família; filho indesejado, filho somente de um dos pais; alcoolismo, entre outros.

“A prevenção passa pelo conhecimento da dinâmica familiar. A prevenção ideal seria orientar os pais para estabelecerem laços mais afetivos com os filhos, estimulando-os em seu desenvolvimento psicossocial. Sabemos que é uma meta muito difícil de ser atingida, pois os problemas sociais e econômicos que essa família vivencia são alheios a sua vontade, que somados aos problemas conjugais e a separação dos casais, esses problemas aumentam consideravelmente, acarretando grandes conflitos nos filhos, principalmente, os menores. São, como podemos ver, problemas que geram causas, que na maioria das vezes, os próprios pais são impotentes para solucioná-los”, explicam os professores Genário e Adriana Barbosa, especialistas no assunto .

Isabela Teixeira da Costa

Fonte: pediatriaemfoco.com.br