Adeus ao mestre

Hoje, perdemos uma das pessoas mais representativas no cenário da educação, o prof. Ulisses Panisset. Deixa muita saudade.

A cada dia somos surpreendidos. Algumas dessas surpresas são positivas e alegres, infelizmente, outras trazem profunda tristeza. Acordei feliz hoje, me aprontei para o trabalho com ânimo porque meu dia será cheio, sem tempo para respirar, e, de repente, recebo uma mensagem de WhatsApp de uma amiga dizendo que o Professor Ulisses Panisset havia falecido de madrugada.

O dia que estava azul, ficou cinza.

Sabe aquele homem que foi referência na sua vida? Aquela pessoa que você acha que nunca vai morrer? Foi ele. Homem íntegro, delicado, educado, simpático, gentil, de um cavalheirismo ímpar e ainda por cima lindo demais. Inteligente e culto ao extremo. Doutor em educação, e de uma sabedoria invejável.

Estudei minha vida inteira no Colégio Izabela Hendrix, hoje, Instituto Metodista Izabela Hendrix e Centro Universitário. Entrei no jardim de infância e segui até o segundo grau. Durante todo este tempo ele era o reitor de lá.

Não esqueço sua sala, enorme – talvez por eu ser pequena demais, tudo parece maior do que é – , tinha uma mesa de centro com um aquário no meio, cheio de lindos peixinhos. Era seu xodó.

Ele era tão gentil, que quando a professora ameaçava nos mandar para sala do vice-reitor, o Professor Andrade, tremíamos toda (ele era bravo e carrancudo), mas quando ameaçavam mandar para a sala do Panisset, tenho que confessar, fazíamos cara de assustadas, mas adorávamos, porque ele nos corrigia com amor.

Quando tive minha filha, não pestanejei, a levei para estudar lá. Desde que eu era adolescente e até o último dia de estudo da Luisa (ela entrou no jardim e formou em arquitetura no Izabela, depois fez teologia), sempre que encontrava comigo, até mesmo nas reuniões de pais, falava para todo mundo ouvir que tinha orgulho porque todos da minha família estudaram naquele colégio.

O Professor contava na maior alegria, e rindo muito: “Essa moça aqui é especial, está conosco desde criança. Toda a família estudou aqui, os irmãos, a irmã e ela. E até seus pais, quando abrimos a faculdade de Letras. Sua mãe Nerly resolveu fazer o curso e o pai, Camilo, enciumado, decidiu acompanhar a mulher, mas era executivo muito ocupado, faltava muito às aulas e tive que reprová-lo por frequência”. E ria muito, provavelmente relembrando, em sua mente, a conversa com meu pai, que era seu amigo, que não passaria para o próximo ano.

Tornamos-nos amigos. Já desabafei com ele, contei segredos e ele sempre me aconselhando com ternura e sabedoria. Casos que ele levou para si. Com frequência encontrávamos na hora do almoço no restaurante Graciliano, de Lourdes, sentávamos juntos e batíamos longos papos sobre assuntos atuais e também lembranças e histórias que o tempo levou. O último encontro foi lá. Eu estava com minha amiga Sandra Botrel, que ficou encantada com ele. Não me surpreende, ele era encantador. E ainda por cima, conheceu o pai dela, Pérides Silva, aí a conversa foi mais longe ainda.

São estas e muitas outras lembranças que vou levar para o resto da minha vida. Ele agora está nos braços do Pai. Descanse em paz, meu Mestre.

 

Isabela Teixeira da Costa

Aleitamento materno

A Semana Mundial de Aleitamento Materno faz parte de uma história mundial focada na sobrevivência, proteção e desenvolvimento da criança.

A saúde da criança sempre foi uma preocupação da Organização Mundial de Saúde (OMS), em função da grande preocupação com a mortalidade infantil. Apesar de várias ações para incentivar a amamentação, desde 1948, foi em 1990 que a OMS e a Unicef que foi produzido um documento adotado por organizações governamentais e não governamentais, assim como, por defensores da amamentação de vários países, entre eles o Brasil.

Mais de 170 países do mundo se unem da primeira semana de agosto para promover a Semana Mundial do Aleitamento Materno, ação de extrema importância para a saúde ao longo da vida. Este é um grande movimento de incentivo à amamentação, algo que pode ser bastante desafiador para algumas mães, justamente numa fase delicada da maternidade, quando ainda se adapta à nova rotina e se recupera da gestação e do parto.

O leite materno é o melhor alimento que um bebê pode receber e os benefícios do aleitamento materno são inúmeros. Estudos mostram que o impacto da amamentação na primeira infância continua ao longo da vida adulta, influenciando, positivamente, em fatores como a tendência à obesidade e o QI. Já para as mulheres, amamentar pode reduzir o risco de câncer no ovário e nas próprias mamas.

A amamentação previne a fome e a desnutrição em todas as suas formas e garante a segurança alimentar dos bebês, mesmo em tempos de crise. Sem um ônus adicional sobre o rendimento familiar, a amamentação é uma maneira barata de alimentar crianças e contribui para a redução da pobreza.

Eu amamentei minha filha por seis meses. Para mim, eram  as melhores horas do dia – e da noite –, pois é uma ligação total com seu filho. Infelizmente, Luisa teve uma otite muito forte e o remédio deu uma reação estranha nela. Minha pequena desidratou de tanto evacuar. Quase morri de desespero.

Tivemos que suspender toda a alimentação complementar – naquela idade ela já tomava suco, comia frutinhas e almoçava a papinha – e voltar à amamentação 24 horas. Porém, meu leite não era suficiente para sustenta-la o dia todo, pois eu só amamentava de noite e de manhã. A fome que ela teve foi tão grande, que o nosso pediatra, Múcio de Paula, pediu que complementasse com um leite em pó. Na primeira vez que ela pegou a mamadeira, nunca mais pegou o peito. Esse desmame doeu mais em mim do que nela.

Filó/Gorete Milagres

Ontem, minha amiga Gorete Milagres, a Filó, postou um lindo depoimento em seu instagram. Ela publicou uma foto dela, como Filó, amamentando sua filha Alice, há 23 anos, entre uma apresentação e outra. Veja o que ela escreveu:

“Esta foto foi feita pelo pai da Alice, no intervalo de um dia inteiro de trabalho intenso com a personagem Filó. Não dava tempo de trocar de roupa e este foi o primeiro figurino dela. Eu não tinha tempo de tirar leite para deixar armazenado. Amamentei Alice por um ano mesmo com todas as dificuldades…
Hoje no Dia Mundial da Amamentação, o que tenho a dizer é que nenhuma mulher deve deixar de dar o alimento mais completo e essencial para os seis primeiros meses de vida, para seu filho. É um esforço compensador, prazeroso e único da vida. Todas as mulheres deveriam ter este direito adquirido. Amamentei a Maria tbém com figurino da personagem, pelos mesmos motivos. Só falta achar a foto! Rs”

Não abram mão desse direito, é uma experiência única e fundamental para a saúde de seu filho.

Isabela Teixeira da Costa

#diamundialdaamamentação #semanadoaleitamentomaterno

Verdades sobre enfermidades

Outro dia recebi o texto abaixo sobre enfermidade que achei muito lindo. Pesquisei a autoria, porém não encontrei nenhuma referência. Vale a pena ler.

Se alguém souber o autor, por favor, envie para mim. Segundo meu amigo, este texto estava na parede de um consultório de um homeopata, mas na pesquisa pela autoria, vi vários posts dele.

A enfermidade é um conflito entre a personalidade e a alma.
O resfriado escorre quando o corpo não chora.
A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.
O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.
O diabetes invade quando a solidão dói.
O corpo engorda quando a insatisfação aperta.
A dor de cabeça deprime quando as duvidas aumentam.
O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.
A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.
As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.
O peito aperta quando o orgulho escraviza.
A pressão sobe quando o medo aprisiona.
As neuroses paralisam quando a “criança interna” tiraniza.
A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.
Os joelhos doem quando o orgulho não se dobra.
O câncer mata quando não se perdoa.
E as dores caladas? Como falam em nosso corpo!
A enfermidade não é má, ela avisa quando erramos a direção.
O caminho para a felicidade não é reto, existem curvas chamadas Equívocos.
Existem semáforos chamados Amigos.
Luzes de precaução chamadas Família.
Ajudará muito ter no caminho uma peça de reposição chamada Decisão.
Um potente motor chamado Amor.
Um bom seguro chamado .
Abundante combustível chamado Paciência.
Mas há um maravilhoso Condutor e solucionador chamado DEUS!

Acredite, um espírito baixou nesses dois!

A dupla mineira de atores Ílvio Amaral e Maurício Canguçu comemora hoje, 20 anos de sucesso nacional com o espetáculo Acredite, um espírito baixou em mim.

Com Ílvio Amaral

Talvez muita gente não saiba, mas sou atriz, ou pelo menos fui, já que estou parada há décadas. Certa vez o saudoso Elvécio Guimarães me disse que ninguém deixa de ser ator, quem é, o é a vida inteira, sendo assim, ainda sou.

Enfim, o produtor e diretor Márcio Machado foi ele quem me levou para o teatro profissional, meu grande sonho, no início da década de 1980. Um dos trabalhos que fiz com ele foi Velório à brasileira, no qual tive o grande prazer de conhecer duas pessoas maravilhosas de quem me tornei grande amiga: Ílvio Amaral e Maurício Canguçu.

Com Maurício Canguçu e Marília Pera

Já fizemos muitas viagens juntos, inesquecíveis. Desde lugares pertinho daqui como sete lagoas, até cidades mais comuns como São Paulo e pontos mais distantes e lindos como Comandatuba e Macapá. Temos muitas histórias e muitos segredos, e apesar de distantes em alguns momentos da vida, por questões de trabalho, nossa amizade continua inabalável.

Ílvio e Maurício, além de serem talentosos ao extremo, são profissionais competentes, éticos, corretos. Os dois são seres humanos espetaculares. Como produtores são incansáveis e elevaram o nível do teatro mineiro. Foram eles, os primeiros a investirem em diretores de renome nacional em suas produções. E como atores dispensam apresentação, tem talento tanto para o drama quanto para a comédia.

A dupla, em cena

Não vou listar aqui seus trabalhos, mas fizemos juntos, além do Velório, Quem tem medo de Itália Fausta, Uai e depois fui convidada pela substituir a triz que fazia a Normanda, no Espírito, em algumas situações. Trabalhar com eles é delicioso. Também fui convidada a participar do longa metragem que fizeram baseado na peça de maior sucesso.

Deus abençoou esta dupla com o texto de Ronaldo Ciambrone, o Acredite, um espírito baixou em mim, que teve direção de Sandra Pêra. Há 20 anos o espetáculo está em cartaz, fazendo temporadas Brasil a fora, com enorme sucesso. Mais de 3 milhões de pessoas já morreram de rir com as apresentações e a maioria dos espectadores assistiu a peça mais de uma vez.

Para quem ainda não viu a peça (não entendo o por quê), o espetáculo conta a história de um espírito que se recusa a ir para o céu depois que morre, vai parar em um apartamento e se apaixona pelo jovem que está ali. Por acaso ele percebe que consegue se manifestar pelo proprietário do ap, que é cunhado do jovem. Aí começam todas as confusões.

Hoje, às 21h, a festa de “aniversário” será com uma encenação no Sesc Palladium, com a presença do autor e da diretora. E o mais simpático é que eles estão convidando todos os atores que já fizeram parte do elenco nesses 20 anos de atuação. Lindo gesto. Tenho certeza que será uma noite engraçada, alegre, divertida, mas, sobretudo, bastante emocionante.

Parabéns meus queridos amigos, vocês merecem tudo isso e muito mais. Amo vocês!

Isabela Teixeira da Costa

FoMo de quê?

Já ouviu falar na expressão FoMo? Se não, precisa ler este artigo.

Recebi esse artigo e achei interessante, por isso reproduzo aqui, na íntegra. Pode servir para muitas pessoas. Fala dessa fissura muito atual de seguir influencers. Não é o meu caso, não sigo ninguém dessa forma, mas sei que isso é sim uma realidade.

Marcia Jorge

O termo FoMo foi criado no ano 2000 pelo estrategista de marketing Dan Herman e significa Fear of Missing Out, em português medo de estar perdendo algo.

Atire a primeira pedra quem nunca sentiu aflição, ansiedade e até angústia ao abrir as redes sociais e ver muitos dos seus amigos em um evento que você sequer ficou sabendo, ou então as pessoas usando uma frase ou um bordão que você não sabe a origem, e pior: todo mundo a sua volta, aderindo a uma moda que você não conhecia.

Sim, a indústria que mais se aproveita desse “pavor de ficar por fora” é a moda, porque ela precisa disso para continuar bem e viva, porém cabe a nós decidirmos que se ficaremos bem e vivos com algo que constantemente nos incute esse medo de ficar para trás.

Ser aceito, admirado e amado são necessidades humanas, só que quando está agregado ao ter, torna-se uma patologia que ganhou proporções gigantescas com as redes sociais. Quem nunca acompanhou alguma blogueira e afins que é a menina do momento porque ela TEM todas as bolsas e roupas mais desejadas do momento?

Aí entendi um dos mecanismos que faz com que o sucesso desses fenômenos seja estrondoso: FoMo.

Acompanhamos a menina que está por dentro de tudo para que possamos ter a ilusão de não estarmos por fora de nada. Que sacada, entupir essa menina de coisas para vender e gerar nas pessoas esse desejo de ter mais e mais, consumir e se sentir inserido na dança. Sinto muito, mas a dança é curta. Em menos de três dias a menina aparece com outro apetrecho, nos mostrando que continuamos por fora. A conta não fecha nunca. E para piorar, ela não apenas mostra o apetrecho que ainda não temos, como também mostra uma vida em que toca música o dia inteiro, com drinks coloridos num céu de um azul nunca visto antes no planeta Terra.

Claro que já sabemos que é um palco montado, mas da mesma forma que choramos em Titanic sabendo que o naufrágio aconteceu em um tanque de 236 metros de comprimento, nos influenciamos por fotos bem editadas. O nosso cérebro involuntariamente absorve e reage com emoções e fantasias diante de toda e qualquer imagem o qual é exposto, mesmo que no próximo momento venha qualquer dado de realidade, a fantasia já foi criada, e essa é a grande sacada do Instagram.

Fantasias podem ser um combustível motivacional maravilhoso, mas a partir do momento que elas estão abalando a sua autoestima, a sua paz de espírito e a sua conta bancária, é hora de avaliar o que você está permitindo que entre na sua vida por esse medo de perder algo.

Quebre já esse ciclo vicioso da insatisfação. Deixar de seguir pessoas que todos os dias te lembram o que lhe falta não o deixará por fora da moda. Moda é se amar, se respeitar e acima de tudo, agradecer.

 

Márcia Jorge é formada em marketing e psicologia pela Universidade Mackenzie, atua no segmento de moda há 20 anos e defende o consumo consciente e o uso da moda e da imagem para melhorar a qualidade de vida e a autoestima.

 

Esgotamento mental

Cada vez mais comum em diversos aspectos da vida pessoal e no ambiente de trabalho, o esgotamento mental tem causado cada vez mais impactos emocionais e físicos.

Segundo o gestor de pessoas e coaching Paulo Vieira, o esgotamento mental é fruto do excesso de demanda das atividades químicas que são realizadas no cérebro e da falta de substâncias neurotransmissoras capazes de sintetizar essas atividades, resultando em estafa mental, bloqueio, ansiedade e estresse, que nem sempre recebem a devida importância. “Muitas pessoas sequer sabem que estão passando por um processo de esgotamento mental. As situações de estresse e o cansaço são normalizados, e o ciclo do esgotamento continua sendo reproduzido. O perigo dessa continuidade é o aprofundamento dos sintomas, de maneira a causar situações graves para o indivíduo, impactando na vida pessoal e profissional”, explica.

De acordo com o especialista, o esgotamento pode ser desencadeado por fatores como autocobrança, desemprego, situação financeira e sobrecarga de responsabilidades. “No âmbito do trabalho é comum ele ser desencadeado por excesso de trabalho, o que, junto com a falta de eficiência e de recursos, gera um estresse enorme. Com isso, o colaborador se sente desmotivado e sobrecarregado, perdendo todo e qualquer prazer em trabalhar. Isso pode atingir qualquer membro da empresa, seja ele o colaborador ou o gestor”, avalia.

Paulo Vieira

Sensação constante de cansaço (cansaço crônico)

É normal se sentir cansado após alguma atividade que exija muito esforço (físico ou mental), ou depois de uma sequência intensa de trabalho ou afazeres. No entanto, quando o cansaço é constante, e você se sente sempre esgotado e no seu limite, esta é uma situação que deve receber a sua atenção.

Imunidade baixa

O nosso corpo físico está diretamente interligado com o nosso emocional. Quando estamos sobrecarregados e esgotados a nossa imunidade baixa e o nosso corpo físico fica debilitado. Estar constantemente com algum problema de saúde por baixa de imunidade pode ser um sintoma de esgotamento mental.

Perda de memória

O esgotamento mental dificulta as ações neurotransmissoras, que também são responsáveis pela nossa memória. Esquecer constantemente obrigações, compromissos ou até nomes das coisas e pessoas pode estar ligado à estafa mental e não a uma questão da idade.

Baixa qualidade do sono e insônia

O estresse e a ansiedade são efeitos típicos. Com isso, nosso cérebro não consegue se desligar, trabalha intensamente e incessantemente, gerando um ciclo vicioso de esgotamento. Esse processo, muitas vezes, atrapalha a nossa capacidade de dormir e relaxar para reestabelecer as nossas funções neurotransmissoras, o que agrava ainda mais a estafa mental.

Apatia constante e generalizada

A falta de motivação e de interesse é um sintoma típico dessa situação. O que antes era razão de entusiasmo e prazer passa a não ter mais significado. Com isso, a pessoa se torna apática, não sente vontade de se dedicar às tarefas.

Perfeccionismo

O perfeccionismo costuma ser muito valorizado, principalmente no ambiente de trabalho. No entanto, não aceitar que errar é humano e ter medo constante de cometer erros pode ser um sintoma de esgotamento mental. O perfeccionismo e o produtivismo exagerados demandam muita energia, o que pode causar ou aprofundar a estafa mental.

Descontrole

O esgotamento mental torna toda e qualquer tarefa mais difícil do que o normal, e as reações ficam exacerbadas. É normal a pessoa que está passando por esse processo se tornar reativa e perder o controle das suas emoções.

Dia da Vovó

Pode ter um cunho comercial, mas desde que foi criado aqui no Brasil, o Dia da Vovó trouxe mais alegria para a vida dessa figura tão importante na família.

Minha mãe e minha filha Luisa

Quem não se lembra com ternura de sua avó? Quem não se lembra da comida que ela fazia? Comida de vó é mais gostosa. Minha avó paterna eu não conheci, e a materna morava em Brasília. Ela sabia que eu amo pão de ló e todas as vezes que eu chegava em sua casa tinha um lindo pão de ló me esperando, que ela fazia especialmente para mim, e só comia um pedaço quem eu deixava. Chamego de vó.

Para minha irmã era melado com queijo ralado. Esse eu passava, porque certa vez, ainda menina, tive indigestão de tanto comer a iguaria. Sabe aquela história do olho maior do que a barriga? Pois é, comi um prato cheio e quis mais. Minha mãe não deixou, fiz birra e aí ela me obrigou a comer. Passei mal demais.

Nunca soube da existência desse dia da avó, até uma vez que minha filha, com seus 13 anos mais ou menos, me disse que queria comprar um presente para dar para sua avó, pelo seu dia. Ligou para minha mãe e deu os parabéns.

Minha mãe ficou tão emocionada. Ninguém nunca a tinha parabenizado por ser avó. Hoje, ela está com Alzheimer, mas até há pouco tempo lembrou desse episódio comigo. E todo dia 26 de julho me lembro da Luisa, ainda novinha, comemorando o Dia da Avó e desde lá, todo ano, fazia questão de ligar para minha mãe e enchê-la de amor e elogios.

Minha mãe com sua netinha mais nova, Júlia Teixeira da Costa, filha do meu irmão Renato e da minha cunhada Patrícia

Decidi pesquisar como surgiu a tal data e encontrei duas versões. A primeira eu achei no site mundodosavos.com, que relata ter sido criado pela portuguesa Ana Elisa do Couto Faria, avó de quatros meninas e dois meninos, nascida na cidade de Penafiel, norte de Portugal, em 1986. Celebrava a data como se faz no Dia das Mães e dos Pais, para consagrar a figura tutelar dos avós como guardiões das tradições familiares e poder ajudar a quebrar a solidão de muito avô ou avó, ao menos um dia no ano.

Ela percebeu que seus pais, perante os netos, eram um fator de orientação e perfeição familiar. Com o nascimento do primeiro neto, Ana Elisa começou a verificar e a interiorizar o modo como seria bonito dar relevo aos avós do seu país e do mundo. Por cerca de dezesseis anos percorreu diversos países do mundo levando consigo a mensagem do dia 26 de Julho.

Outra versão é que a data foi criada em homenagem aos avós de Jesus, Ana e São Joaquim, pais de Maria, porém não há registro deles na Bíblia, a não ser no evangelho apócrifo de Tiago. Nele foi comentado que o casal foi enterrado em Jerusalém, local onde encontraram suas tumbas.

Não sei a origem real, mas acho que foi uma boa ideia. Parabéns a todos os vovós pelo dia de hoje.

Isabela Teixeira da Costa

Verão 2019 Sclub

Lançamento coleção verão 2019

A Sclub, marca do grupo Skazi, acaba de lançar a Cruise Collection do Verão 2019. Uma viagem a Capri foi o ponto de partida da coleção, que combina a sensualidade típica da grife com o romantismo contemporâneo. A campanha inova ao apostar na diversidade e na variedade de etnias e formas, que identificam o Brasil como país multicultural e multiplural, e investe em criações voltadas para todas as mulheres. Fendas estratégicas, decotes profundos e cores vibrantes passeiam pelos looks, reforçando a personalidade feminina. Estampas exclusivas, florais e listradas, aplicadas no linho, crepe e jeans, compõe modelos versáteis, que vão do dia à noite de maneira cool e sofisticada. Os shapes democráticos trazem uma nova fluidez, além de texturas leves e frescas, que deixam as peças com a cara da estação.

Confira alguns modelos nas fotos de Henrique Falci

 

Beatles e Hip-hop

Neste sábado, 28 de julho, a Orquestra Ouro Preto apresenta em Sabará o concerto The Beatles, com entrada franca, e no dia 04 de agosto, grava um DVD com o cantor Flávio Renegado, no Alto Vera Cruz

A música erudita e os clássicos do Beatles será a atração do espetáculo deste sábado, em Sabará. A cidade receberá a Orquestra Ouro Preto com o concerto The Beatles, reunindo os grandes sucessos do quarteto de Liverpool. Com regência do maestro Rodrigo Toffolo, a apresentação é gratuita e conta com patrocínio da AngloGold Ashanti, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura do Governo Federal. A ação faz parte de um calendário de apresentações da Orquestra que ainda passará por Caeté e Santa Bárbara.

O show integra a programação do Festival de Inverno 2018 do município. A partir das 20h30, na Praça Melo Viana, o público poderá conferir canções de todo o período de produção artística dos Beatles, em arranjos exclusivos, assinados pelo jovem violinista Mateus Freire. No repertório, estão músicas como Day Tripper, In My Life, Penny Lane, Because, Something e With a Little Help From My Friends. “Contribuir para o desenvolvimento cultural das cidades onde operamos é nosso valor. E a música tem um forte poder de transformação. Será uma grande oportunidade poder levar à população um espetáculo de alto nível”, afirma Othon de Villefort Maia, gerente de Comunicação e Comunidades da AngloGold Ashanti.

Orquestra e rock

O concerto The Beatles propõe uma viagem sonora pela biografia musical do grupo. As músicas privilegiam a linha melódica original das canções executadas por violinos, violas, violoncelos e baixo. “O objetivo da escolha é manter fidelidade às peças, desvendando a complexidade melódica das canções do grupo e, ao mesmo tempo, reafirmando o caráter atemporal da obra do quarteto de Liverpool”, explica o maestro Rodrigo Toffolo, diretor artístico e regente titular da Orquestra Ouro Preto.

Sucesso de público e crítica, o espetáculo já passou por diversos estados do Brasil. A orquestra também marcou presença na International Beatle Week, em Liverpool, em 2012, e se tornou a primeira do mundo a participar do tradicional evento destinado aos beatlemaníacos.

Flávio Renegado e Orquestra Ouro Preto gravam CD/DVD

No dia 4 de agosto, será a vez da orquestra gravar com o cantor Flávio Renegado, no Campo do Riviera Atlético, no Alto Vera Cruz, comunidade que reúne cerca de 40 mil habitantes. A gravação é com entrada franca mediante a doação de 1kg de alimento não perecível. Quebra de fronteiras, a harmonia de experiências de vida distintas, tudo isso tendo a música como emblema e dispositivo de transformação social, buscando a aproximação entre universos que, à primeira vista, são diferentes, mas que, sobretudo, se complementam. São muitos os conceitos que podem resumir o encontro inédito do hip-hop com o erudito em Suíte Masai.

Suíte Masai – Uma história que vale a pena ser contada

Flávio. Um jovem que driblou a violência, a falta de acesso, e, com estilo, deu a volta por cima para se firmar a frente do cenário artístico nacional. O seu nome “de guerra” foi o amigo de sua comunidade que o batizou: Renegado. Flavio Renegado é tido como inquieto, suas descobertas passam pelo rock, rap, eletrônico, batidas e gêneros da rica música brasileira. Os últimos 10 anos marcaram uma renovação no hip-hop nacional.

Através do diálogo com outros gêneros musicais, o hip-hop se transformou em um dos estilos mais ouvidos no país e porta-voz de toda uma geração. Um dos rappers mais transformadores desse processo, por sua linguagem ímpar e por ser o primeiro a trazer banda completa em seu show e a misturar o rap com o rock, o mineiro Flávio Renegado é um dos emblemas desse processo. Nascido no bairro Alto Vera Cruz, periferia de Belo Horizonte, ele usa a música como ferramenta de expressão e forma de estimular a criatividade, além de promover a democratização do acesso aos bens culturais e valorizar a cultura brasileira. Sua inquietude agora propõe, mais uma vez, o inédito, a mistura do Hip-hop com a música erudita.

Impossível? Não para a Orquestra Ouro Preto. Se há palavras que falam diretamente sobre o trabalho da prestigiada formação orquestral mineira, estas seriam excelência e versatilidade. A primeira, significando a performance de alto nível que a caracteriza e o zelo pelo repertório dito canônico, comum às grandes orquestras do mundo. A segunda, o diálogo entre o universo erudito e popular. Componentes que a transformaram em uma das mais prestigiadas formações orquestrais do país, com trabalhos reconhecidos nacional e internacionalmente, sendo dona, por exemplo, de premiações importantes como Prêmio da Música Brasileira, Prêmio Profissionais da Música, e indicação ao Grammy Latino.

Agora, Suíte Masai marca um novo período de sucesso de Flávio Renegado e da Orquestra Ouro Preto. O projeto une esses dois grandes nomes da música nacional em um grande espetáculo que apresentará um hip-hop orquestrado com maestria, com arranjos rebuscados assinados pelo maestro Marcelo Ramos, além da força das letras e da voz de Flávio Renegado, bem como dos acordes da Orquestra Ouro Preto, propondo um retrato do cotidiano inspirado em nossas raízes africanas.

Para o maestro da Orquestra Ouro Preto, Rodrigo Toffolo, o projeto com o cantor Flávio Renegado vai ao encontro de uma das mais importantes características de sua Orquestra. “Nossos propósito é desmistificar o conceito que muitas pessoas têm de que orquestras são elitistas. Desde a nossa fundação, em 2000, pautamos nosso trabalho no experimentalismo e no ineditismo, destruindo preconceitos e quebrando as fronteiras imaginárias que distanciam a música popular da música orquestral. Algo que faz parte, mesmo, do DNA da Orquestra Ouro Preto”, destaca Toffolo.

SERVIÇO

Orquestra Ouro Preto – The Beatles

Data: 28 de julho, sábado

Horário: 20h30

Local: Festival de Inverno de Sabará – Praça Melo Viana – Sabará/MG

Ingressos: Entrada franca

 

Gravação DVD Suíte Masai – Flávio Renegado e Orquestra Ouro Preto

Data: 4 de agosto, sábado

Horário: 16h (abertura dos portões)

Local: Campo do Riviera Atlético Clube (Rua Itaguá, 304, Alto Vera Cruz – Belo Horizonte/MG)

Ingressos: Entrada franca com a doação de 1kg de alimento não perecível

Meu dia de Forest Gump

Passei uma manhã no banco de uma praça no Rio de Janeiro conversando com quem sentava ao meu lado.

Por uma dessas bobeiras da vida deixei meu visto para os Estados Unidos vencer. Em Belo Horizonte só tem escritório consular, se o visto ainda está com validade, mas em período próximo do vencimento, conseguimos renovar por aqui mesmo, mas, se vencer, baubau. Temos que começar o processo do zero e fazer a entrevista em um dos consulados, no caso do Brasil, no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Recife ou Porto Alegre.

Não estava com nenhuma viagem programada para o exterior e desliguei completamente do período de vencimento do meu visto, e para a entrevista escolhi o Consulado no Rio de Janeiro, por dois motivos: ser mais próximo de BH, portanto menos tempo de voo e passagens mais baratas; e proximidade com o aeroporto, poderia ir a pé.

Marquei a primeira ida para final de junho. Acordei às 4h e fui para Confins, mas o aeroporto de Santos Dumont estava fechado. Esperei até o último minuto possível, que ainda desse tempo de chegar para a entrevista, mas nada. Voltei pra trás e remarquei para a semana passada.

Tudo certo. Cheguei cedo no Rio e fui direto para o Consulado acompanhada de um rapaz que tinha o mesmo destino. Fiquei surpresa, achei que entraríamos e ficaríamos aguardando em uma sala de espera, e seríamos chamados aos poucos. Ledo engano. A fila inicial é montada no passeio, pelo horário da entrevista.

Uma funcionária do consulado – brasileira, diga-se de passagem –, pergunta de forma nada gentil nosso horário. Como o meu era 11h45, ela respondeu de forma bem grosseira que era para eu dar uma volta pelas redondezas e retornar próximo ao meu horário. Como minha primeira tentativa de ir para o Rio foi frustrada pelo clima, e várias pessoas do voo iam para entrevista, e ninguém compareceu, pensei que outras pessoas também pudessem faltar e que seria possível antecipar meu horário. Questionei sobre isso, e novamente, com a educação que ela não tinha, respondeu: “de jeito nenhum”.

Não me restou outra alternativa se não passear pela Candelária às 8h30 da manhã. Fui tomar um café, assentei e comecei minha manhã de Forest Gump. Dividi mesa com um rapaz e conversamos um pouco. Ele é do Rio, tinha acabado chegar de São Paulo, me contou um pouco de sua história e me sugeriu visitar o Museu de Belas Artes, ao lado do Teatro Municipal. Achei ótima a ideia.

Me dirigi para o museu, mas infelizmente estava fechado. Decidi então sentar em um dos bancos da praça, tomar um pouco de vitamina D enquanto fazia palavras cruzadas, porque o celular tinha ficado no guarda-volumes do aeroporto – não se pode entrar com nenhum aparelho eletrônico no consulado, nem mesmo desligado.

Uma senhora sentou ao meu lado, esperava dar a hora de entrar no trabalho. Mais um bom papo. Ela saiu. Fiquei observando os grupos de turistas e ao mesmo tempo, preocupada com os moradores de rua, um grupo bem grande de homens enormes que estavam por ali, bastante intimidadores. Rapidamente chegou outra senhora, sentou e puxou conversa. Trabalha na Câmara dos Vereadores, que também fica na praça. Mais casos, muitas críticas a todos os políticos e ela se foi. O sol ficou forte e mudei de banco.

De costas senta um rapaz, que fica reparando nas pessoas e solta um comentário em voz alta: “hoje tem muito doido por aqui”, se referindo a dois homens que tinham acabado de passar, separadamente, falando sozinhos, brigando com o nada. Respondi, “é mesmo”. E sem mais nem menos ele fala que está esperando dar a hora de entrar no trabalho, apesar de não ser sua função principal. Está afastado por ser esquizofrênico, mas está medicado. Conversamos muito, ele mesmo não soube dizer por que de contou sobre sua doença, mas ficou feliz de não encontrar em mim nenhum tipo de preconceito. Disse que não consegue trabalhar mais de quatro horas, porque é muito agitado e ansioso. Mas achei curioso uma pessoa com problemas psiquiátricos criticar “coleguinhas”.

Nesse vai e vem de gente, de conversas e casos, deu 11h e retornei para o consulado. Outra funcionária, dessa vez muito educada, pediu meu passaporte e autorizou minha entrada. Rapidamente fui chamada e em menos de dez minutos estava liberada com meu visto autorizado. Mais uma vez percebi que muitas vezes a arte é que imita a vida.

Isabela Teixeira da Costa