Tem coisas que se aprende de pequeno

Muita gente já deve ter ouvido a expressão “isso vem de berço”, se referindo a que educação, ética, princípios, valores, e respeito começam a ser ensinados desde cedo, em casa. É a mais pura verdade.

Ter filhos é uma grande responsabilidade e cabe aos pais a missão de educá-los, e o que eles aprenderem desde de criança será o que vão repetir ao longo da vida.

Educar não é fácil, precisa de muita sabedoria, posicionamento, firmeza, paciência e pode ser muito simples se for feito com responsabilidade, compromisso e, sobre tudo, amor.

Muitas das coisas absurdas que vemos ou tomamos conhecimento hoje, se devem à falta dessa educação e limites dados por parte dos pais aos filhos ainda pequenos. Não são poucas as vezes que vemos crianças mandando em seus pais. Há alguns anos, vi um pai perguntando para sua filhinha – que deveria ter uns 3 anos –, se ele poderia sentar em determinada cadeira. Fiquei chocada. A criança respondeu que não, que ele tinha que sentar na outra e ele obedeceu.

Atitudes como essa, que podem parecer uma bobagem, fazem parte da formação da personalidade e comportamento do ser humano. O que essa menina está aprendendo? Que ela manda na pessoa que deveria ser a autoridade máxima sobre sua vida, ou seja, eu posso tudo, eu estou no controle. Que limite ela terá? Ensinar aos filhos, desde cedo os significados e as consequências do sim e do não; do certo e do errado; das razões e dos limites; tudo pode representar a diferença entre saber o caminho a seguir ou sair a esmo apanhando-se a cada esquina. É aquela máxima, você pode aprender pelo amor, ou pela dor.

Não aprendemos apenas essa educação básica e as cinco palavrinhas mágicas, mas também a reconhecer erros, pedir perdão e perdoar, ser grato, ter delicadeza, gentileza, simpatia, ser prestativo. Recentemente, fiquei sabendo da morte de um senhor idoso, pai de muitos filhos, que já estava doente há um bom tempo. Entrou em estado terminal. Um dos filhos, mesmo sabendo que o pai poderia morrer a qualquer momento, viajou com a família. No dia seguinte o senhor faleceu. Três dias depois, o viajante postou uma foto da família, toda sorridente no passeio. Onde está o respeito a quem lhe deu a vida? O que leva um filho a não se importar com a perda de um pai?

Em contrapartida, me contaram outro exemplo. Um rapaz, casado, com três filhos, um adolescente e dois pequenos, estava com uma viagem comprada para a Disney, em um dos hotéis mais caros do complexo. Uma semana antes do embarque seu pai foi internado, mas não corria risco de morrer. Ele cancelou toda a viagem , sem direito a reembolso. A mulher chegou a perguntar por que não ir, já que o pai não estava tão grave, e ele disse que se tratava de família. Naquele momento o mais importante era estar junto, ao lado do pai, e principalmente, ensinar aos filhos pequenos o valor e a importância da família.

Isso faz toda a diferença. Dois casos semelhantes, duas atitudes diferentes, dois ensinamentos.

 

Isabela Teixeira da Costa

Olhos são sensíveis ao verão

Precisamos proteger os olhos no verão

O início do ano é época de várias “faxinas”. Damos limpa nos guarda-roupas, começamos uma nova agenda e com ela, traçamos novas metas e fazemos listas de sonhos e desejos para o ano novo. Outro aspecto que as pessoas se dedicam mais é à saúde. Geralmente são nos meses de janeiro e fevereiro que muita gente faz um check up, incluindo as visitas periódicas ao dentista, ginecologista e oftalmologista.

Oculista então, é de praxe, afinal, enxergar bem é primordial. E geralmente o grau costuma aumentar, principalmente se o caso é vista cansada, isso quando não somos acometidos pela incômoda conjuntivite. Tenho um colega de trabalho que de setembro para cá ele já sofreu com quatro crises seguidas da doença. Fique atento, sempre que apresentar baixa de visão, olhos vermelhos, dor ocular, dores de cabeça ou qualquer alteração nos olhos, faça um exame oftalmológico só assim é possível detectar catarata, glaucoma, alterações na retina, ceratocone, daltonismo, entre outras doenças, e a necessidade do uso de óculos.

No verão, devemos redobrar o cuidado com a exposição solar devido ao maior risco de desenvolvimento de doenças como catarata e DMRI (Doença Macular Relacionada à Idade), consequência de longos anos de exposição prolongada. Um artigo médico publicado em dezembro de 2018 na revista Acta Ophthalmologica, diz que a catarata é atualmente a principal causa de cegueira reversível em todo o mundo, e um dos seus fatores de risco é a exposição à radiação ultravioleta solar. “Os estudos confirmam a relação da exposição à radiação solar ocupacional em longo prazo com a catarata cortical”, alerta a oftalmologista Nicole Ciotto, da equipe multidisciplinar da Clínica Blues.

A exposição à luz solar durante a vida profissional é também um importante fator de risco para DMRI. Diante disso, medidas preventivas como usar óculos de sol para minimizar a exposição à luz solar devem começar cedo, para evitar o desenvolvimento da doença no futuro.

A oftalmologista Nicole Ciotto chama a atenção também para a importância de usar óculos solares com proteção contra os raios ultravioleta. Na hora da compra é fundamental saber o nível de proteção UVA e UVB que as lentes oferecem. “Um óculos de sol com lentes de qualidade deve bloquear de 99% a 100% dos raios”, reforça a médica. Para confirmar o nível de cobertura dos óculos basta solicitar um teste da qualidade das lentes, feito por meio de um espectrofotômetro, aparelho que quantifica essa proteção. O alerta vai para o uso de óculos de sol de má qualidade, que podem causar mais danos aos olhos do que não usá-los. Isto ocorre porque as lentes escuras fazem dilatar as pupilas, deixando entrar mais raios UVA/UVB que irão prejudicar os olhos.

Outro cuidado fundamental é nunca olhar diretamente para o sol, devido ao risco de maculopatia solar, uma alteração da mácula (área central da retina) causada pela observação direta do sol por um período de tempo excessivo, como durante um eclipse solar ou num dia normal, sem proteção adequada. Segundo a oculista, a exposição desprotegida e prolongada à luz ultravioleta do sol e dos lasers leva a danos externos na retina. Os fotorreceptores e o epitélio pigmentar da retina são particularmente suscetíveis a essa radiação. Classicamente conhecida como retinopatia ou maculopatia solar, esta desordem frequentemente afeta jovens com propensão para a observação de eclipses solares, rituais religiosos ou uso de drogas. Os sintomas incluem fotofobia, alteração da visão de cores, distorção das imagens, cefaleias e dor nas primeiras horas após a exposição solar. A lesão pode desaparecer após uma a duas semanas ou evoluir para uma baixa visão residual.

Isabela Teixeira da Costa

 

TOC é mais comum do que se imagina

Transtorno obsessivo compulsivo desafia a medicina

Conhece alguém que faz algo repetidamente? Uma pessoa normal, seu amigo, que sempre que sai do carro tem que voltar para verificar se realmente trancou o veículo, mesmo se você disser que a viu acionar o alarme? Ou aquela pessoa que fala a mesma coisa duas vezes?

Elas podem sofrer de transtorno obsessivo compulsivo, mais conhecido como TOC, que atinge cerca de 300 milhões de cidadãos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Como as pessoas podem se livrar dele?

O doutor Jeffrey M. Schwartz, um dos maiores especialistas mundiais em neuroplasticidade, escreveu um livro ensinando isso. TOC: Livre-se do transtorno obsessivo compulsivo relata vários casos de pessoas que chegam a extremos devido à doença. O especialista ajuda, de forma clara, a entendê-la.

Trata-se de um distúrbio psiquiátrico de ansiedade que tem como principal característica crises recorrentes de pensamentos obsessivos, intrusivos e, em alguns casos, comportamentos compulsivos e repetitivos. Uma pessoa com TOC é como o disco arranhado que repete sempre o mesmo ponto do que está gravado.

Alguns filmes – entre eles, Melhor é impossível, com a dupla Jack Nicholson e Helen Hunt – mostram cenas de repetição, como lavar as mãos constantemente, nunca usar o sabonete mais de uma vez, virar a tranca da porta diversas vezes antes de abri-la ou trancá-la definitivamente. Pacientes sofrem com imagens e pensamentos que os invadem insistentemente e, muitas vezes, não conseguem controlá-los ou bloqueá-los. A única forma de controlar tais pensamentos e aliviar a ansiedade que eles provocam é por meio de rituais repetitivos, que, muitas vezes, podem ocupar o dia inteiro e trazer consequências negativas na vida social, profissional e pessoal. Portadores de TOC acreditam que se deixar de cumprir o ritual, algo terrível vai ocorrer.

O TOC atinge mulheres e homens na mesma proporção. Na maioria dos casos, a doença surge durante a infância ou nos primeiros anos da adolescência, mas pode começar na vida adulta. Em seu livro, o doutor Schwartz relata casos surpreendentes, como o de um homem de 43 anos, perito de seguros, que lavava as mãos pelo menos 50 vezes por dia. Cita uma mulher de 33 anos, formada com honra na Ivy League, que chegou a levar o ferro de passar e a cafeteira para o trabalho para ter a certeza de que estavam desligados.

Parece loucura, até atitude de quem quer chamar a atenção. Porém, o doutor Jeffrey diz que o TOC é condição médica relacionada a um desequilíbrio bioquímico no cérebro. Segundo ele, as obsessões e compulsões são fortes o suficiente para causar incapacidade funcional.

O transtorno provoca obsessões peculiares. Uma pessoa se apega a um objeto e nunca se desfaz dele, por exemplo. De acordo com o médico, quem tem TOC deve entender que as mensagens compulsivas são falsas, reordenar o cérebro e corrigi-lo.

Não se pode pressionar o paciente. As mudanças podem ser traumáticas e, para que eles se controlem, devem assimilar o que está acontecendo e afastar o pensamento obsessivo. Para isso precisam de tempo. O livro traz os principais passos e dicas para acabar com esse mal que assola tantas pessoas no mundo.

Infelizmente, os médicos ainda não são capazes de entender completamente o que está por trás do transtorno obsessivo compulsivo. As principais teorias remetem a três fatores, ligados à biologia, à genética e ao meio ambiente. Alguns pesquisadores acreditam que o TOC pode ser resultado de alterações ocorridas no corpo ou no cérebro. Outros apontam a pré-disposição genética, muito embora os genes que estariam eventualmente envolvidos não tenham sido identificados até agora.

 

Isabela Teixeira da Costa

Dentista ainda dá medo…

Dizem que medo de dentista é coisa do passado. Será?

Esse tabu assombra grande parte da população. Todo mundo conhece alguém com pavor de fazer uma simples visita ao consultório. Tomamos conhecimento dos avanços tecnológicos na área da medicina. Cirurgia hoje não demanda mais grandes cortes, com raras exceções; anestesia não dá mais aqueles enjoos desagradáveis. Na odontologia, podemos usufruir de implantes, o que é uma tremenda evolução, livrando-nos de pontes, rotes e até mesmo da dentadura. Porém, as agulhadas para aplicação de anestesia e o barulhinho aterrorizante do motor ninguém consegue mudar.
A dentista Daniela Yano revela o surgimento das câmeras intraorais, possibilitando realizar o checape preventivo digital para avaliações odontológicas. Com esse equipamento é possível ter imagens de toda a boca, ampliando em até 60 vezes o tamanho do dente e exibindo o que não é possível enxergar a olho nu. Isso é muito bom.
Mas a notícia boa é a de que existe anestesia sem agulha. Porém, ela não se aplica a todos os casos. Há outra carta na manga para esse procedimento: a anestesia computadorizada, um robozinho que controla a pressão com que o anestésico é depositado, permitindo que qualquer anestesia local seja realizada completamente sem dor. É tudo programado e controlado por computador. Um sonho para todos os pacientes. O supra sumo da novidade fica por conta das canetas odontológicas de alta rotação. Completamente silenciosas e precisas, elas substituem o motor, livrando-nos daquele barulhinho infernal.
De acordo com Daniela Yano, outro procedimento que causa muito desconforto é a moldagem dos dentes, aquela massinha que copia as estruturas bucais, muito usada em tratamentos com aparelhos e próteses. Isso também é coisa do passado. Hoje, pode-se usar o escaneamento digital, um escâner que copia toda a boca e transmite a informação diretamente para o computador. A partir daí, é possível fazer todo o planejamento das movimentações ortodônticas e, inclusive, prever exatamente a duração do tratamento.
No caso dos famosos alinhadores estéticos, aparelhos removíveis e transparentes, utiliza-se o escaneamento para criar o modelo virtual que servirá como base para a confecção dos alinhadores nas impressoras 3D com corte à laser. Isso torna o tratamento mais previsível, rápido, confortável e estético, sem intercorrências e restrição alimentar. Nos casos protéticos, o escaneamento substitui a moldagem e é usado para a confecção de coroas, lentes de contato dentais, facetas e outras peças.
Já ouviu falar em laserterapia na odontologia? Frequências de ondas permitem a melhor cicatrização dos tecidos, com ação anti-inflamatória e bactericida. Esse aparelho pode ser empregado para acelerar a cicatrização em casos cirúrgicos. Também melhora o desconforto e estimula a cicatrização em pacientes que sofrem com herpes e aftas.
A aplicação de laser pode reduzir edemas e até mesmo melhorar a sensibilidade dentinária. Não conheço nenhum desses novos equipamentos, mas confesso: estou bastante curiosa para ver se funcionam em todos os casos e se realmente são silenciosos e indolores.
A especialista informa que a área que mais ganhou com a evolução da tecnologia foi a estética. Hoje, os pacientes querem um sorriso mais bonito, mas, muitas vezes, não sabem exatamente o que estão buscando. Por isso, foram desenvolvidas técnicas que permitem desenhar o sorriso ideal para cada tipo de rosto e personalidade, podendo reforçar – ou camuflar – alguma característica subjetiva como autoridade, liderança ou timidez.
Isabela Teixeira da Costa

Minas de luto

Dá pra evitar dramas como o de Brumadinho. Basta querer.

Na sexta-feira, fomos surpreendidos, na hora do almoço, pela notícia do rompimento de mais uma barragem da Vale, desta vez em Brumadinho. O dia amanheceu bonito, céu azul, sol brilhando, calor. Tinha tudo para ser mais um fim de semana de verão alegre de descanso. No entanto, vivemos uma tragédia, e pior de tudo, uma tragédia anunciada.

Invade-nos um sentimento estranho, esquisito, abafado. É um misto de tristeza, raiva, revolta, incredulidade e impotência, mesmo não conhecendo ninguém que estava ali. Mas quando recebemos a informação de que alguém que conhecemos mora na região e não está atendendo o telefone, o sentimento muda, acrescentando a ele o desespero da aflição e preocupação, porque o acidente fica mais próximo.

O porteiro do prédio mora em Mário Campos, a 50 metros do Rio Paraopeba. Demorou a atender o celular e dar notícias. Graças a Deus, está tudo bem. Ele e a família foram retirados de casa, por precaução. Segundo ele, a Defesa Civil chegou à cidade com mais de 10 caminhões, recolhendo a mudança de todos. Guardou tudo em uma escola e levou as pessoas para uma igreja. A lama represou o rio, que ficou só com um palmo de água. Peixes podiam ser pegos com as mãos.

O temor agora é por quanto tempo a água do rio, represada por essa lama, vai resistir. Ou ele vai empurrar a lama toda e inundar a região?. Uma coisa me intrigou. O sensor de risco da barragem fazia a leitura a cada 15 dias. Por que não fazer leituras semanais ou até mesmo diárias? Depois do acidente, passou a fazer leituras a cada seis horas. Por que não fazê-las constantemente? No domingo, outra ameaça: o rompimento da barragem de água. De tarde, o rumo da conversa mudou. Disseram que esse risco havia diminuído.

Tivemos três anos para tornar as leis mais rigorosas, fiscalizar mineradoras, adotar medidas e exigir ações para evitar novas catástrofes. No entanto, o antigo governo flexibilizou. Dá para entender. Infelizmente, sim. A ganância ultrapassa qualquer limite, e as pessoas que deveriam olhar por nós só olham para elas mesmas.

Na manhã de ontem, o saldo era de 60 mortos, 292 desaparecidos, 192 resgatados e 135 desabrigados, segundo a Defesa Civil. Infelizmente, acredito que esse acidente terá outro andamento porque os atingidos não foram pessoas pobres e simples de um vilarejo, mas empresários, como o ex-dono da escola de inglês Number One e sua família, hóspedes da pousada mais luxuosa da região, que tinha o costume de receber pessoas famosas, e os próprios funcionários da Vale. Isso alenta? Não. Piora ainda mais saber que neste mundo, em meio a catástrofes, temos dois pesos e duas medidas.

Já estão falando dos riscos que pairam sobre Congonhas. A cidade histórica, cheia de belas peças de Aleijadinho, tem expressiva população e sofre as consequências da ação das mineradoras. Minas Gerais vive entre a cruz e a caldeirinha. Se de um lado mineradoras sustentam todos esses municípios, por outro, são elas as responsáveis por nossa destruição. O que vale mais? É possível encontrar o equilíbrio? Ainda dá tempo para remediar o irremediável?.

O que podemos fazer? Orar e pedir a Deus que não permita o rompimento de outra barragem. Ouvir o presidente da Vale pedir desculpas, dizer que esta catástrofe foi terrível – tragédia muito mais humana do que ecológica? Até hoje há famílias de Bento Gonçalves sem receber indenização. O vilarejo não foi reconstruído. Nada andou. E não foi por esquecimento, pois, a cada ano, a imprensa relembra com excelentes matérias a maior catástrofe ecológica do mundo.

É possível, sim, tomar medidas que mudem essa triste realidade. Basta querer.

Isabela Teixeira da Costa

Saia para homens no verão

Sexta-feira, escrevi neste espaço, os excessos de cuidados rotineiros que cabe à mulher, que, às vezes, são bastante desgastantes. Cheguei a comparar com a “vida mansa” masculina neste quesito, uma vez que a eles cabe apenas o cuidado diário com a barba.

Tenho que me redimir. Escrevi o artigo na quarta-feira pela manhã – temos que adiantar algumas coisas para dar tempo de fazer todo o trabalho que o jornal demanda. Logo depois de entregar o material, estava tomando um cafezinho com alguns colegas de trabalho, sofrendo este forte calor que parou sobre Belo Horizonte, e um deles disse: “Me dá uma saia de presente?” É claro que eu olhei assustada, porque se trata de um rapaz hetero, casado, e bem formal na maneira de se vestir. Perguntei o que tinha dito, como se não tivesse entendido sua fala.

Não era engano, ele queria usar saias. “Por que mulher pode usar saia e a gente não? Está um calor enorme e temos que sofrer com calças compridas. O outro colega aprovou na hora. Enfim, descobri um ponto sofrido para os homens: trabalhar no verão, enfrentando o calor, com camisa social e calça. Os dois desataram a elencar a facilidade das mulheres – e eu, só lembrando da coluna que acabara de escrever. “Vocês podem usar saia, blusa de alcinha, vestido, aquelas calças curtas (não sabem dizer pantacourts). Se usarmos camiseta regata mandam a gente voltar para casa.”

Realmente, homens penam no verão. Há uma grande diferença entre uma mulher e um homem mostrar os braços. Em ambiente de trabalho é inconcebível um rapaz usando regata. Camiseta de manga tudo bem, mas regata… Jamais. Aí, começaram a questionar se ficaria muito esquisito virem trabalhar de saia. O argumento principal foi a ideologia de gênero. Se hoje, cada um pode ser o que quiser, é possível usar o que quiser e ninguém pode falar nada. Acabaram chegando à conclusão que as pessoas olhariam de forma muito esquisita.

Lembraram dos escoceses e suas saias kilt. Pronto, problema resolvido, iam usar a saia kilt que é de homem. Foi a vez de eu lembrei de um pequeno detalhe desagradável, saia kilt é de lã, e completei: “o mais difícil vai ser aguentar o coturno que se usa com essas saias”. Começou outra novela. Os dois passaram a devanear em como adaptar o modelito para um país tropical. Fariam a saia xadrez, mas com tecidos leves, e pediram sugestões: linho, viscose, algodão, malha fria, liganete, gersey… E o coturno? Pensaram um tempo e depois de uma infinidade de ideias inadequadas um soltou a pérola, “sandália gladiador! É a versão perfeita do coturno para o verão”. Rimos muito.

Não me contive e contei do artigo que tinha acabado de escrever e um deles, mais do que depressa me interrompeu para falar que eu estava completamente equivocada, e ainda tripudiou dizendo que ou eu estava andando com o homem errado ou estava sozinha há muito tempo. Segundo ele, os homens de hoje se cuidam muito bem. Ele, por exemplo, depila a área entre as sobrancelhas, e algumas partes do corpo porque não gosta de ficar com excesso de pelos e ainda apara os cabelos das axilas.

Tenho que dar a minha mão à palmatória e reconhecer que atualmente os metrosexuais são a maioria e é uma grande falácia querer taxá-los de gays. Hoje, os homens se cuidam tanto quanto as mulheres, no que fazem muito bem.

Isabela Teixeira da Costa

Para o verão

Receitas irresistíveis à base da fruta, assinadas pelo chef Julien Mercier

Depois de toda a comilança das festas de final de ano e das altas temperaturas de janeiro, o ideal é fazer receitas leves que tenham a cara do verão. Pensando nisso, o chef Julien Mercier, criou alguns pratos com maçãs francesas. A iniciativa faz parte da campanha “Maçãs francesas – Deliciosamente crocantes!”, promovida pela Interfel (Interprofissão de Frutas e Legumes Frescos) e União Europeia. Versátil, a fruta pode ser consumida crua ou como ingrediente em pratos, sobremesas, drinks e etc. Confira!

Bruschettas de queijo de cabra com maçã vermelha

Serve: 4 pessoas – Tempo de preparo: 15 minutos

 

Ingredientes:

1 maçã Red

½ baguete

100g de queijo de cabra

2 colheres de sopa de azeite de oliva

1 colher de sopa de cebolinha picada

 

Modo de preparo: Corte a baguete em oito fatias diagonais. Corte a maçã em fatias finas e cubra as fatias de pão com duas fatias de maçã. Coloque dois pedaços de queijo sobre as maçãs. Pré-aqueça o forno e coloque as bruschettas para assar em forno médio (180ºC) por 5 a10 minutos, até que o queijo comece a dourar. Retire do forno. Finalize com um fio de azeite e decore com cebolinha picada.

 

Tartare de vieiras com maçã Granny Smith

Serve:  4 pessoas – Tempo de preparo: 15 min

 

Ingredientes:

2 maçãs Granny Smith

4 vieiras frescas

2 colheres de sopa de azeite de oliva

1 colher de sopa de cebolinha picada

1 pitada de flor de sal

Cerefólio (ou ervas frescas a gosto) e folha de azedinha para decorar

 

Modo de preparo: Corte uma das maçãs em pequenos cubos de 5mm. Deixe marinar no azeite de oliva e acrescente a cebolinha picada e o sal. Corte a outra maçã em fatias finas. Corte as vieiras em quatro pedaços e disponha-as no prato onde irá servir. Distribua delicadamente os cubos e as fatias finas de maçãs sobre as vieiras. Regue com o azeite usado para marinar as maçãs. Decore com cerefólio e folhas de azedinha vermelhas.

 

Frango à moda Vallée d’Auge

Serve: 4 pessoas – Tempo de preparo: 120 min

 

Ingredientes:

2 maçãs Golden

4 coxas de frango com pele

40g de manteiga

40ml de calvados*

500ml de sidra

500ml de creme de leite fresco

200g de cogumelos de Paris

1 cebola

1 colher de sopa de cebolinha picada

 

Modo de preparo: Em uma caçarola, doure as coxas de frango na manteiga, tomando cuidado para não queimar a manteiga. Retire e reseve. Na mesma caçarola, refogue os pedaços de maçã descascados e sem sementes e os cogumelos cortados em quatro. Retire e reserve. Ainda na mesma caçarola adicione a cebola picada e deixe refogar, acrescente um pouco de água e tampe. Quando a cebola obter uma cor transparente e brilhante coloque as coxas de frango novamente na caçarola e flambe com o Calvados. Despeje a cidra na caçarola e deixe-a reduzir pela metade formando um caldo saboroso. Adicione o creme de leite, tampe e deixe cozinhar em fogo baixo por 25 a 30 minutos. A carne deve ficar bem cozida a ponto de soltar do osso. Quando o frango estiver cozido, separe o molho e bata no liquidificador para deixá-lo bem liso. Coloque o molho novamente na caçarola (ou em outra panela de sua preferência) e aqueça as maçãs e os cogumelos junto com o frango. Decore com cebolinha picada e sirva em seguia.

 

*Calvados é uma bebida típica francesa destilada, à base de maçã

Momentos que ficam guardados para sempre

É sempre bom quando nos surpreendemos positivamente em uma viagem.

Bryant Park

Quando eu tinha 12 anos e minha irmã 15, nossos pais nos deram de presente uma viagem à Disney. Disneylandia, porque ainda não existia a Disney World. Isso mesmo, sou das antigas. Por outro lado, tivemos uma grande vantagem, porque conhecemos a Califórnia, um lindo estado dos EUA.

Naquela época, quando se mandava duas filhas para o exterior tinha que ser com alguém que você confiava muito e foi aí que nossa viagem entrou na lista dos pós e dos contras com força total. A excursão escolhida foi de uma senhora que levava um grupo de velhos. Adolescentes só mesmo duas filhas de uma outra passageiras – que na época todos se referiam a ela como “a desquitada” –, uma outra moça da minha idade, minha irmã e eu.

Por outro lado, nada de ir apenas à Disneyland e voltar. Fomos a Los Angeles, San Francisco, Las Vegas, Nova York e Miami. No quesito parques, fomos em Hollywood, Universal, Magic Mountains, Knots Barry Farm.  Em Las Vegas, driblamos os seguranças e passamos a noite jogando nos caça niqueis, que na época era de alavanca. Os braços ficaram tremendo tanto no dia seguinte que não conseguimos assinar travels cheques.

Fui a Nova York, mas não lembrava de nada, só mesmo da seção de Barbie da Macy’s, da Berta Brasil – loja de brasileiros onde comprávamos de um tudo –, e do lobby do Hilton, que era todo de veludo vermelho, onde ficamos hospedadas.

Meu sonho era retornar à Big Apple. Infelizmente a oportunidade nunca surgia. Retornei aos Estados Unidos para fazer intercambio em 1979, fui à Florida diversas vezes depois para conhecer a Disney World, fiz curso de diagramação em Saint Petesburg, em Tampa, fiz estágio no Miami Harold. Levei minha filha à Disney para celebrar seus 11 anos de vida, mas nada de ir à Nova York.

Na Universal

Este ano, Luisa me chama para retornar à Disney em seu aniversário e depois dar uma esticada em Nova York. Ela foi em novembro do ano passado com um grupo de amigas e se apaixonou pela cidade. Claro que topei na hora.

Não precisamos dizer nada sobre Orlando. Luisa e eu sempre voltamos a ser crianças nos parques. É delicioso. Claro que mudamos um pouco o tipo de brinquedo que vamos. Rodamos a cidade, saímos para jantar. Encontramos com um casal de primos que moram por lá. Foram momentos deliciosos de mãe e filha que ficarão guardados para sempre na minha memória e no meu coração.

Seguimos para Nova York. O que é aquilo??? Ficamos na casa de uma grande amiga, da minha época de adolescência. La mora em Forrest Hills, um bairro mais do que charmoso no Queens. Rodamos Manhattan a pé. É tudo lindo. Aqueles prédios enormes, hipermodernos, e entre eles as antigas edificações, muito charmosas.

O clima da cidade é algo inexplicável. O Central Park é delicioso, andar pelas ruas, ver a diversidade das pessoas, atravessar a Ponte do Brooklin, Time Square à noite, enfim, é tudo lindo e delicioso. E a civilidade encanta, o respeito ao próximo. Todos pedem licença, desculpa, dão bom dia, perguntam como você está.

Com as amigas Aurinha e Dâmaris

Mas tenho certeza que tudo ficou mais lindo do que é porque estava rodeada por pessoas especiais que eu amo e que me amam como a minha filha, a Áurea e seu marido Paulo Marciano, que nos recebeu como rainhas e Dâmaris Doro Lorenzoni, que quando soube que iriamos para lá, não quis perder a oportunidade de viajar conosco.

Quando retornei – completamente apaixonada por NYC –, contando sobre a viagem para um amigo, ele relatou um fato que ilustra muito bem como são as coisas por lá. Ele estava de viagem com um sobrinho, fazendo compras para suas lojas aqui no Brasil. Por uma dessas infelicidades, o rapaz esbarrou no carro da frente. Foi muito de leve, nem marcou o para choque de nenhum dos carros. Ele se dirigiu ao motorista, pediu desculpas, e disse que não havia estragado nada. O senhor respondeu que não era bem assim. Chamou a polícia que informou que por um ano, se o senhor tivesse algum problema no pescoço por causa do impacto, ele seria responsável por isso.

Quanta diferença, não é mesmo. Aqui as pessoas, trombam e fogem, atropelam, matam e não prestam socorro e fica tudo por isso mesmo. Temos muito o que melhorar, e começa pelo ato que vamos praticar neste domingo. Vamos votar com consciência para mudar nossa realidade.

Isabela Teixeira da Costa

Adeus ao mestre

Hoje, perdemos uma das pessoas mais representativas no cenário da educação, o prof. Ulisses Panisset. Deixa muita saudade.

A cada dia somos surpreendidos. Algumas dessas surpresas são positivas e alegres, infelizmente, outras trazem profunda tristeza. Acordei feliz hoje, me aprontei para o trabalho com ânimo porque meu dia será cheio, sem tempo para respirar, e, de repente, recebo uma mensagem de WhatsApp de uma amiga dizendo que o Professor Ulisses Panisset havia falecido de madrugada.

O dia que estava azul, ficou cinza.

Sabe aquele homem que foi referência na sua vida? Aquela pessoa que você acha que nunca vai morrer? Foi ele. Homem íntegro, delicado, educado, simpático, gentil, de um cavalheirismo ímpar e ainda por cima lindo demais. Inteligente e culto ao extremo. Doutor em educação, e de uma sabedoria invejável.

Estudei minha vida inteira no Colégio Izabela Hendrix, hoje, Instituto Metodista Izabela Hendrix e Centro Universitário. Entrei no jardim de infância e segui até o segundo grau. Durante todo este tempo ele era o reitor de lá.

Não esqueço sua sala, enorme – talvez por eu ser pequena demais, tudo parece maior do que é – , tinha uma mesa de centro com um aquário no meio, cheio de lindos peixinhos. Era seu xodó.

Ele era tão gentil, que quando a professora ameaçava nos mandar para sala do vice-reitor, o Professor Andrade, tremíamos toda (ele era bravo e carrancudo), mas quando ameaçavam mandar para a sala do Panisset, tenho que confessar, fazíamos cara de assustadas, mas adorávamos, porque ele nos corrigia com amor.

Quando tive minha filha, não pestanejei, a levei para estudar lá. Desde que eu era adolescente e até o último dia de estudo da Luisa (ela entrou no jardim e formou em arquitetura no Izabela, depois fez teologia), sempre que encontrava comigo, até mesmo nas reuniões de pais, falava para todo mundo ouvir que tinha orgulho porque todos da minha família estudaram naquele colégio.

O Professor contava na maior alegria, e rindo muito: “Essa moça aqui é especial, está conosco desde criança. Toda a família estudou aqui, os irmãos, a irmã e ela. E até seus pais, quando abrimos a faculdade de Letras. Sua mãe Nerly resolveu fazer o curso e o pai, Camilo, enciumado, decidiu acompanhar a mulher, mas era executivo muito ocupado, faltava muito às aulas e tive que reprová-lo por frequência”. E ria muito, provavelmente relembrando, em sua mente, a conversa com meu pai, que era seu amigo, que não passaria para o próximo ano.

Tornamos-nos amigos. Já desabafei com ele, contei segredos e ele sempre me aconselhando com ternura e sabedoria. Casos que ele levou para si. Com frequência encontrávamos na hora do almoço no restaurante Graciliano, de Lourdes, sentávamos juntos e batíamos longos papos sobre assuntos atuais e também lembranças e histórias que o tempo levou. O último encontro foi lá. Eu estava com minha amiga Sandra Botrel, que ficou encantada com ele. Não me surpreende, ele era encantador. E ainda por cima, conheceu o pai dela, Pérides Silva, aí a conversa foi mais longe ainda.

São estas e muitas outras lembranças que vou levar para o resto da minha vida. Ele agora está nos braços do Pai. Descanse em paz, meu Mestre.

 

Isabela Teixeira da Costa

Aleitamento materno

A Semana Mundial de Aleitamento Materno faz parte de uma história mundial focada na sobrevivência, proteção e desenvolvimento da criança.

A saúde da criança sempre foi uma preocupação da Organização Mundial de Saúde (OMS), em função da grande preocupação com a mortalidade infantil. Apesar de várias ações para incentivar a amamentação, desde 1948, foi em 1990 que a OMS e a Unicef que foi produzido um documento adotado por organizações governamentais e não governamentais, assim como, por defensores da amamentação de vários países, entre eles o Brasil.

Mais de 170 países do mundo se unem da primeira semana de agosto para promover a Semana Mundial do Aleitamento Materno, ação de extrema importância para a saúde ao longo da vida. Este é um grande movimento de incentivo à amamentação, algo que pode ser bastante desafiador para algumas mães, justamente numa fase delicada da maternidade, quando ainda se adapta à nova rotina e se recupera da gestação e do parto.

O leite materno é o melhor alimento que um bebê pode receber e os benefícios do aleitamento materno são inúmeros. Estudos mostram que o impacto da amamentação na primeira infância continua ao longo da vida adulta, influenciando, positivamente, em fatores como a tendência à obesidade e o QI. Já para as mulheres, amamentar pode reduzir o risco de câncer no ovário e nas próprias mamas.

A amamentação previne a fome e a desnutrição em todas as suas formas e garante a segurança alimentar dos bebês, mesmo em tempos de crise. Sem um ônus adicional sobre o rendimento familiar, a amamentação é uma maneira barata de alimentar crianças e contribui para a redução da pobreza.

Eu amamentei minha filha por seis meses. Para mim, eram  as melhores horas do dia – e da noite –, pois é uma ligação total com seu filho. Infelizmente, Luisa teve uma otite muito forte e o remédio deu uma reação estranha nela. Minha pequena desidratou de tanto evacuar. Quase morri de desespero.

Tivemos que suspender toda a alimentação complementar – naquela idade ela já tomava suco, comia frutinhas e almoçava a papinha – e voltar à amamentação 24 horas. Porém, meu leite não era suficiente para sustenta-la o dia todo, pois eu só amamentava de noite e de manhã. A fome que ela teve foi tão grande, que o nosso pediatra, Múcio de Paula, pediu que complementasse com um leite em pó. Na primeira vez que ela pegou a mamadeira, nunca mais pegou o peito. Esse desmame doeu mais em mim do que nela.

Filó/Gorete Milagres

Ontem, minha amiga Gorete Milagres, a Filó, postou um lindo depoimento em seu instagram. Ela publicou uma foto dela, como Filó, amamentando sua filha Alice, há 23 anos, entre uma apresentação e outra. Veja o que ela escreveu:

“Esta foto foi feita pelo pai da Alice, no intervalo de um dia inteiro de trabalho intenso com a personagem Filó. Não dava tempo de trocar de roupa e este foi o primeiro figurino dela. Eu não tinha tempo de tirar leite para deixar armazenado. Amamentei Alice por um ano mesmo com todas as dificuldades…
Hoje no Dia Mundial da Amamentação, o que tenho a dizer é que nenhuma mulher deve deixar de dar o alimento mais completo e essencial para os seis primeiros meses de vida, para seu filho. É um esforço compensador, prazeroso e único da vida. Todas as mulheres deveriam ter este direito adquirido. Amamentei a Maria tbém com figurino da personagem, pelos mesmos motivos. Só falta achar a foto! Rs”

Não abram mão desse direito, é uma experiência única e fundamental para a saúde de seu filho.

Isabela Teixeira da Costa

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