É permitido abreviar a vida?

Aqui no Brasil é permitido fazer uma Declaração Prévia de Vontade para o Fim da Vida, o que evita conflito entre paciente, família e médico. Entenda o assunto.

Que me entendam os leitores, não estou aqui levantando nenhuma bandeira e nem fazendo juízo de valor. Vou apenas abordar alguns pontos sobre os quais escutei de amigos e até de familiares e deixo para cada um formar sua opinião, e vou informar sobre um documento legal, que é permitido no Brasil, e que eu, pelo menos, não tinha conhecimento.

Não são poucos os casos de pessoas que sofrem ao ver algum ente querido ir definhando em uma cama, vítima de alguma doença terminal. O paciente sofre, chegando muitas vezes a pedir que alguém encurte sua vida. Quem está em volta, cuidando da pessoa, também sofre, porque não suportamos ver quem amamos sofrer.

É inevitável a conversa chegar, em algum momento, na questão da eutanásia, prática proibida no país. O assunto foi abordado de uma forma muito bonita no lindo filme Minha vida antes de você. Quando assisti ao filme, torci para que o rapaz desistisse da ideia de por fim à sua vida e se rendesse ao amor. Temos uma tendência a romancear a vida, pois não estamos na pele do outro.

Conheço um casal muito querido,. Um dia, quando estava almoçando na casa deles, só nós três, me confidenciaram que tinham feito um pacto. Caso algum deles ficasse em estado terminal o outro aceleraria o processo e iria em seguida. Dei o maior esbregue em ambos. Infelizmente um deles adoeceu, ficou anos acamado e foi impossível cumprir com o combinado, claro, afinal, tal prática é proibida no Brasil.

Se a eutanásia deve ser liberada por aqui ou não, e em quais circunstâncias, é conversa e discussão longas e delicadas, que pelo visto, não estão na pauta de nenhum político.

Porém, recebi um material do escritório Posocco & Associados Advogados e Consultores explicando que existe um tal de Testamento Vital aos que recusam tratamento médico para prorrogar a vida sem possibilidade de cura. Como nunca soube disso, achei importante postar aqui, pois pode ser de grande utilidade para todos.

O assunto veio à tona após o anúncio do suicídio assistido cometido pelo cientista inglês David Goodall, na dia 10 de maio, na Suíça. “Aqui, o que existe, mesmo sem legislação específica, é a Declaração Prévia de Vontade para o Fim da Vida, cujo objetivo está o direito de morrer com dignidade”, explica o advogado Fabrício Posocco.
Conhecida também como Testamento Vital, trata-se de um documento redigido por uma pessoa, maior de idade, consciente de seus atos sobre quais tratamentos e procedimentos deseja ou não ser submetida quando estiver com uma doença ameaçadora da vida, fora de possibilidades terapêuticas e impossibilitada de manifestar livremente sua vontade.
“Essa declaração tem validade aos que estejam diagnosticados com doença terminal, estado vegetativo persistente e doenças crônicas, onde o tratamento médico prorroga a vida sem nenhuma possibilidade de cura”, exemplifica o advogado.
A Declaração Prévia de Vontade para o Fim da Vida é feita em cartório. Para ter validade deve ser elaborada de acordo com os preceitos jurídicos nacionais, por isso, é recomendado que o interessado vá acompanhado de um advogado.
Segundo Posocco, a pessoa estando plena de suas faculdades mentais e respeitando os termos da lei, declara em documento público, devidamente assinado, quais tipos de tratamentos médicos deseja ou não se submeter, o que deve ser respeitado de forma incontroversa nos casos futuros em que ela fique impossibilitada de manifestar sua vontade.
Este documento pode ser revisado a qualquer momento.
Se este documento não existir ou tendo sido elaborado sem as observâncias das regras legais prevalece os desejos dos familiares, que objetivamente não precisarão respeitar nada daquilo que foi decidido pelo paciente.
A Declaração Prévia de Vontade para o Fim da Vida assegura que a vontade do paciente seja seguida pelo médico, evita desentendimentos na família sobre quais procedimentos adotar em casos de inconsciência do paciente e dá proteção e amparo legal ao profissional da saúde.
“O artigo 2 da Resolução 1.995 de 2012, do Conselho Federal de Medicina (CFM), descreve que nas decisões sobre cuidados e tratamentos de pacientes que se encontram incapazes de comunicar-se, ou de expressar de maneira livre e independente suas vontades, o médico levará em considerações suas diretivas antecipadas de vontade”, destaca Fabrício Posocco.
Não sendo conhecidas as diretivas antecipadas de vontade do paciente, nem havendo representante designado, familiares disponíveis ou falta de consenso entre estes, o médico recorrerá ao Comitê de Bioética da instituição ou à Comissão de Ética Médica do hospital ou ao Conselho Regional e Federal de Medicina para fundamentar sua decisão.

Isabela Teixeira da Costa

Tablet e smartphone faz bem às crianças

Fonoaudióloga comprova que mídias interativas podem desenvolver a linguagem em crianças pré-escolares.

Muita gente critica pais que dão tablets e smartphones para seus filhos ainda bebês, para mantê-los quietos, no lugar de dispensar atenção e tempo aos pequenos. Muitas vezes julgamos a cena, sem saber, de fato, qual é a relação e o real cuidado dos referidos pais com seus filhos. O fato é que as crianças que nascem atualmente, o fazem em um mundo no qual as mídias interativas existem, em forte escala, e não se pode negar que essas crianças irão mergulhar de cabeça neste universo.

Não estou aqui defendendo o uso indiscriminado desses equipamentos por crianças, mas também não se pode isola-las do mundo em que elas vivem. O importante é saber dosa esse uso e que ele seja supervisionado por um adulto, de preferência pelos pais, para que o conteúdo acessado seja adequado à idade do pequeno.

O que antes era criticado, agora virou ferramenta de desenvolvimento. Mídias podem ser utilizadas como um recurso capaz de estimular o desenvolvimento infantil desde que haja a supervisão dos cuidadores quanto ao conteúdo e ao tempo na utilização dessas tecnologias.
A partir da observação do uso precoce das mídias interativas, como smartphones e tablets, a fonoaudióloga Lívia Rodrigues desenvolveu um estudo pioneiro no Brasil sobre o desenvolvimento cognitivo e da linguagem expressiva (fala) em crianças pré-escolares a partir da exposição a essas mídias. A pesquisa foi defendida no Programa de Pós-Graduação em Ciências Fonoaudiólogicas da Faculdade de Medicina da UFMG.
De acordo com a pesquisadora, é consenso na literatura que várias habilidades adquiridas na infância perdurem pela vida adulta. “Por esse motivo, é importante investigar e saber o que ocorre na infância, seja para prevenir futuros danos, seja para otimizar o desenvolvimento da criança”, afirma.
Por meio da avaliação comparativa de três grupos de crianças foi possível concluir que aquelas que utilizaram as mídias interativas por maior tempo ao dia tiveram melhor desempenho nos testes cognitivos, que avaliaram as funções mentais superiores, e de linguagem expressiva. Esse resultado foi ainda mais significante no domínio linguístico.
Lívia destaca que as mídias têm potencial para favorecer o desenvolvimento infantil, sobretudo quando elas estão condicionadas a conteúdos adequados e à presença de um tutor. “Dessa forma, o acesso pode ser benéfico, desde que seja limitado em relação ao tempo e ao conteúdo”, esclarece.

Isabela Teixeira da Costa

Por que sentimos sono após o almoço?

Uma sesta de até 30 minutos depois do almoço faz bem à saúde e melhora o rendimento no resto do dia.

Muitas empresas já oferecem espaço para o cochilo depois do almoço

Algumas pessoas gostam de tirar um cochilo depois do almoço e sofrem um certo preconceito por isso. Mas já está mais do que comprovado que dormir depois do almoço de 10 a 30 minutos é muito saudável e deveria ser uma prática seguida por todas as pessoas.

Dormir após o almoço não é sinônimo de preguiça ou falta do que fazer, mas sim uma recomendação médica capaz de melhorar o desempenho nas atividades durante os períodos vespertino e noturno e, consequentemente, trazer mais saúde.

O especialista em sono Maurício Bagnato explica que a sesta não é um capricho, mas sim uma necessidade fisiológica. “O cochilo depois do almoço é muito bom para o corpo porque a temperatura abaixa após o sono. Ele precisa ter duração máxima de meia hora e dá uma boa restaurada. Isso faz parte do ser humano. O corpo pede esse descanso”, afirma o especialista.

A sensação de sonolência após o almoço tem explicação e não está ligada diretamente à quantidade de comida ingerida nesta refeição. De acordo com o otorrinolaringologista e especialista em medicina do sono do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, Fernando Oto Balieiro, o sono neste período é, na verdade, uma questão fisiológica, e, portanto, natural para a maioria das pessoas.

Comumente, a luta para se manter acordado depois do almoço é atribuída ao deslocamento da circulação para o aparelho digestivo, o que diminui o transporte de oxigênio no cérebro. O médico, porém, explica que se, esse fosse o único motivo, em outras refeições o sono estaria presente, o que não ocorre.

“Caso seja feita uma refeição mais pesada no meio da tarde em um período posterior ao do almoço, dificilmente esse sono será sentido. Isso porque essa sensação é fisiológica e não está ligada somente à questão da digestão. Além disso, existem situações para que ela apareça”, complementa.

As condições do organismo, citadas por Balieiro, são parecidas com as que ocorrem durante a preparação para o sono noturno, com variação hormonal e queda da temperatura corporal, que sinalizam ao corpo que é preciso dormir.

“Nosso ciclo biológico de 24 horas possui algumas secreções de hormônio, como a melatonina à noite, que ajuda a induzir o sono, e queda da temperatura que sinaliza ao corpo que é preciso prepará-lo para dormir. Isso também acontece por volta das 14h00, mas desta vez com a variação, principalmente, do hormônio cortisol.”

A intensidade e a composição da alimentação não estão descartadas dos motivos dessa situação. O especialista enfatiza que refeições mais gordurosas realmente deixam a digestão mais lenta e potencializam esse efeito natural após o almoço.

A fim de exterminar o cansaço, o cochilo após comer não é contraindicado para a maioria das pessoas. O especialista orienta que esse hábito deve ser evitado somente por quem sofre de insônia e refluxo. Caso contrário, descansar até 30 minutos já ajuda a recarregar a energia e não prejudicar o desempenho cognitivo durante o restante do dia.

 

A inteligência do seu filho

Gosto do Leandro Karnal, tenho que confessar que prefiro Mário Cortela, mas posto hoje um artigo muito bom do Karnal, publicado no Estadão de São Paulo, em abril, sobre a inteligência dos filhos. Tenho que confessar que não concordo com seu primeiro parágrafo, farei minha consideração entre parênteses para que saibam que trata-se da minha opinião. Segue o artigo.

Leandro Karnal, O Estado de S. Paulo

Há que se ter humildade e paciência. Se urge incluir o lúdico, é imperativo estabelecer o exemplo.

Leandro Karnal. Foto Jair Magri

Há uma preocupação forte dos pais com a inteligência dos filhos. Antes bastava amar, vacinar e alimentar. (Esta parte eu não concordo, meus pais sempre preocuparam com nossa inteligência e nossa educação acadêmica, bem como os pais de meus amigos. Sinceramente não sei com quem Karnal conviveu…). Hoje temos de estimular de consciência hídrica até desenvolvimentos de habilidades cognitivas avançadas.
Existe razão na preocupação. Por milhões de anos, o poder na sociedade foi determinado pela força física. O macho alfa hábil nas armas era o líder natural. A força física perdeu muito espaço para o poder econômico. A riqueza passou a determinar o status social das pessoas. Os guerreiros de outrora passaram a ser guarda-costas dos senhores endinheirados. Redefiniu-se a pirâmide social.
Crescendo rapidamente após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e disparando com a revolução dos computadores e softwares no fim do século 20, despontou de vez o critério da inteligência. Os homens mais influentes deixaram de ser os construtores de ferrovias ou produtores de aço. Criadores como Bill Gates e Steve Jobs eram o máximo da admiração mundial e tornaram-se parte da elite dos multibilionários. O novo empreendedor é o homem das ideias novas, das rupturas de paradigmas, da criação inquieta como eixo. Considere o celular de hoje. Com que parcela do lucro fica o criador do software, do design e da inovação tecnológica? Com qual fica a fábrica na Ásia? Por fim, qual o quinhão de quem aplicou força física como operário? Ao responder a essas questões teremos a completa noção da metamorfose.
O crescimento da inteligência desperta o sinal de alerta dos pais. Será que meu filho está apto ao admirável mundo novo? Será que a escola está adequada? Por que ele não lê mais? São perguntas justas e lícitas.
Primeiramente façamos uma distinção básica. Saber dados constitui informação que pode tornar uma pessoa culta. Erudição é um treinamento que não implica muita inteligência, apenas memória e repetição. O processo leva anos, mas é mais ou menos padronizado e eficaz. A inteligência está associada à capacidade de criar, associar, comparar, inovar, relacionar e dar aos dados formais da erudição um sentido novo. Há pessoas cultas que não são inteligentes. Há pessoas muito inteligentes que não são cultas.
A busca para incrementar a inteligência dos filhos leva a crenças variadas. Não existem estudos irrefragáveis sobre o efeito da música de Mozart no quarto de um bebê. Pense: os filhos de Mozart tinham seus genes e cresceram ouvindo o pai. Ambos foram medíocres na sua produção. Imaginar que sua caixinha de música tenha efeito superior ao próprio Mozart tocando é algo fantasioso. Porém, o ambiente tranquilo e com música pode ajudar a relaxar. Dormir bem será fundamental na formação do cérebro.
A inteligência pode ser estimulada. Ler para crianças com paixão e fantasia, levá-las a atividades culturais, estimular a criatividade, ensinar línguas e instrumentos musicais são, comprovadamente, fatores estimulantes de mais conexões cerebrais. O importante é não forçar ou tornar a leitura ou o teatro uma obrigação formal. O caminho preciso para criar ódio de um aluno por um livro é forçá-lo a ler e fazer prova. Da mesma forma, já disse em outra crônica, fazer um percurso de horas em um museu é caminho bom para sepultar a análise estética de um jovem ser.
O exemplo funciona bem. Pais lendo com prazer e comentando algo do que leram ou admirando um quadro especial em uma exposição é mais eficaz do que a formalidade educacional. Piaget tinha razão: o lúdico é a chave educativa mais forte.
O ponto central de toda influência é permitir que os jovens façam a vinculação afetiva com os portadores de conhecimento.
Na minissérie Merlí, o professor de Filosofia faz uma pergunta na primeira aula e ouve uma resposta do pior aluno, aquele que havia repetido duas vezes de ano. Ouve e elogia: você é meu aluno preferido a partir de agora. O simples estímulo intelectual refez a visão da personagem Pol Rubio, que acabará orientando toda sua carreira futura a partir desse encantamento inicial.
No melhor estilo da personagem infantil do Show da Luna, despertar a curiosidade científica é fundamental. Boas perguntas sobre o funcionamento das coisas e idas a museus de ciências funcionam como estratégia. Como o peixe respira debaixo da água? Por que o gelo derreteu em um copo cheio até a borda e não existiu transbordamento? Também a curiosidade sociológica e humanística estimula o olhar. Por que há pessoas dormindo na rua e nós temos quartos bons? Não se trata de moldar seu filho a ideias conservadoras ou de esquerda, mas fazê-lo perguntar, a partir de um óbvio socrático, para entender a estrutura das coisas e do mundo.
Por fim, minha querida mãe e meu estimado pai: não sejam ansiosos. Existe um tempo e hora para tudo. Não temos poder absoluto sobre as pessoas e seus cérebros. O “estalo de Vieira”, a velha lenda de que um emburrado e medíocre aluno, um dia, despertou para o latim e a oratória e se tornou nosso genial Padre Vieira pode ocorrer. Há muitos estalos possíveis na vida. Devemos lembrar que nem todos os pais que clamam por mais leituras dos rebentos foram exatos devoradores de livros na mesma idade. Há que se ter humildade e paciência. Se urge incluir o lúdico, é imperativo estabelecer o exemplo.
Claro: os velhos valores ainda existem: alimentar, vacinar, cuidar. O resto vai do cruzamento da maquiavélica virtù com a fortuna. Há algo de aleatório no interesse e no despertar da inteligência criadora. Ela pode brotar longe do solo ideal como em Machado de Assis e rarear em filhos tratados com todas as benesses do dinheiro. Boa semana para todos nós.

A dupla hélice do DNA faz 65 anos

Sérgio Pena

Temos em Belo Horizonte um dos maiores geneticistas do Brasil, o doutor Sérgio Pena, médico-geneticista, Ph.D em genética humana pela Universidade de Manitoba (Canadá) e Fellow do Royal College of Physicians and Surgeons do Canadá. Diretor Médico e Científico e fundador do GENE – Núcleo de Genética Médica, primeiro laboratório do país a fazer exames de perícia de DNA. É professor titular do Departamento de Bioquímica e Imunologia e professor da Pós-Graduação em Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da UFMG.

Tenho o prazer de conhecê-lo. No dia 25 de abril, foi comemorado o Dia Nacional da Genética e a Folha de São Paulo publicou um artigo deste profissional mineiro. Não posso deixar de reproduzi-lo aqui, afinal, Sérgio é do mundo, mas é nosso, mineiro, e o artigo é muito bom.

 

Sérgio Pena

A partir daquele 25 de abril de 1953, o gene, antes uma entidade abstrata, ganhou fisicalidade; a biologia e a medicina se unificaram e deram à luz a biologia molecular.

 

Os cientistas James Watson e Francis Crick, codescobridores da estrutura do DNA

“Cesse tudo o que a Musa antiga canta, que outro valor mais alto se alevanta.” Desde os tempos dos descobrimentos marítimos, nunca esses dizeres foram mais verdadeiros do que naquele feliz dia 25 de abril de 1953 no qual James Watson e Francis Crick (1916-2004) publicaram no periódico britânico Nature um simples artigo —apenas uma página— com o título: “Uma estrutura para o ácido nucleico de desoxirribose”. Mas a simplicidade era apenas aparente. Após a apresentação do modelo de dupla hélice do DNA (uma legítima escada de Jacó), é declarada, no penúltimo parágrafo, a revolução: “Não escapou à nossa atenção que o pareamento que nós postulamos imediatamente sugere um possível mecanismo de cópia para o material genético”.

A partir desse dia, hoje chamado “Dia Internacional do DNA”, tudo mudou. O gene, antes uma entidade abstrata, ganhou fisicalidade. A biologia e a medicina se unificaram e deram à luz uma nova vedete, a biologia molecular.

Paulatinamente, mas inexoravelmente, seguiram-se as descobertas dos mecanismos de expressão genética, dos RNAs mensageiros, dos RNAs transportadores, dos RNAs catalíticos, do código genético, dos transposons, do DNA recombinante, e outros, que foram responsáveis por nada menos que 26 Prêmios Nobel em Medicina ou em Química até hoje, inclusive o dos próprios Watson e Crick, em 1962.

E tudo desembocou, exatamente 50 anos após, no Projeto Genoma Humano, que teve seu término oficial em 25 de abril de 2003.

O Projeto Genoma Humano deu aos navegantes da biologia e da medicina um verdadeiro mapa genômico para se orientarem. Com ele, passaram muito, muito além da Taprobana, desembocando no admirável mundo novo da genômica e da medicina molecular de 2018.

Nesse novo mundo entendemos bem o câncer e vamos aos poucos transformando-o em doença crônica. Já conquistamos a AIDS em grande parte e temos a doença de Alzheimer em nossa mira.

A medicina de precisão, preditiva, preventiva e personalizada, rapidamente se torna realidade. O sequenciamento completo do genoma tornou-se ferramenta da medicina e é usado rotineiramente no diagnóstico de doenças genéticas, inclusive aqui no Brasil.

Que sejam soltos os fogos de artifício! Que sejam lançados confetes e serpentinas! Hoje queremos comemorar o dia em que um artigo científico de uma única página mudou toda a história da humanidade.

 

Dia das Mães com beleza

Amelinha Amaro, proprietária da loja de decoração Divino Espaço, em São Paulo, dá sugestões de mesas para o almoço de Dia da Mães.

FOTO: ®Andre Conti

Domingo é o Dia das Mãe, e o almoço que a pessoa que mais amamos nesta vida, é sagrado. Toda ano eu, minha irmã, e nossas filhas – infelizmente agora a minha filha não comparece com tamanha regularidade, já que está morando fora –, nos reunimos na casa de nossa mãe para esta refeição.

Sempre cai próximo do aniversário das minhas sobrinhas gêmeas, que é dia 14 de maio, e por isso o dia das mães acaba sendo um misto de celebrações. Apesar de minha mãe estar com a cabecinha fora desse mundo, ainda reconhece os filhos – a mim, nem tanto, depois que emagreci 40 quilos –. É muito engraçado, conversando comigo ela fala de mim como se fosse outra pessoa. Deve achar que eu não vou mais visita-la, e sempre tenho que falar, sou eu mãe, eu sou a Isabela. E aí ela diz, “eu te amo muito”. No segundo seguinte, já não se lembra mais, e é engraçado, porque ela sabe que eu sou filha dela.

Enfim, o almoço do Dia das Mães é especial e fazemos questão de montar uma mesa bonita, sem nada demais, com as coisas que ela tem mesmo em casa, mas aquelas que guardamos “para quando tem visita”. Só isso já dá um clima de festa. Colocamos uma música e fazemos um menu especial.

Recebi um material muito legal da Divino Espaço, boutique reconhecida por ser uma loja referência em decoração, de São Paulo. Eles são craques, a proprietária, Amelinha Amaro, é experta na arte de receber e preparou algumas sugestões de mesas decoradas para nos inspirar para esta data tão bonita. São ideias cheias de charme para receber e surpreender as mães, sem muita complicação. Acho que vai aguçar a criatividade de todo mundo e ajudar na hora de preparar a mesa, usando as coisas que cada um tem em casa. Porque, sinceramente, a gente tem muita coisa e umas que usamos tão raramente. E como a mistura de estilos está em alta, use e abuse.

Com cores vivas e itens fáceis de serem encontrados, Amelinha incentiva o uso da criatividade e a colaboração de todos no momento de dar ideias. “O Dia das Mães é uma data muito bacana, pois reúne toda a família para homenagear um símbolo tão forte e de amor, a Mãe. Acho bacana combinar elementos, flores e itens diretamente ligados à personalidade de cada mãe, isso torna cada mesa algo único”, diz a decoradora. Verdade. Aproveite que hoje ainda é quinta-feira, dê uma olhada nos armários, pense o que vai fazer e compre as flores que vai presentear a mãe de acordo com o que quer usar, assim elas servirão para enfeitar a mesa. Vale aquela máxima “matar dois coelhos com uma cajadada só”.

Vejam as fotos de Andre Conti na galeria abaixo

Isabela Teixeira da Costa

Encontro de amigas, casos inusitados

Em um fim de semana de reunião de amigas o que não falta é boa conversa e casos, no mínimo, inusitados.

Tenho um grupo de amigas, muito bacana. Somos 15 ao todo e nos chamamos Lindinhas, pelo simples fato de que todas nós somos lindas mesmo. Apesar de estarmos muito bem na fita no quesito estético, o termo se aplica a outra beleza, há algo muito mais profundo, aquela beleza que você vê no outro quando convive. Todas nós esbanjamos essa lindeza interna – e me incluo, sem falsa modéstia – e o nome do grupo, que talvez muita gente pense de forma pejorativa e até dê uma debochadinha, representa essa riqueza que só quem é amigo vê no outro.

Explicações dadas, decidimos passar este final de semana em Escarpas do Lago, na casa de uma das amigas. Infelizmente nem todas puderam vir. Combinar agenda de 15 mulheres, todas elas profissionais, mães de família, a maioria casada, não é tarefa fácil. Mas dez guerreiras conseguiram abrir espaço na sua agenda e vieram.

Desde a hora de pegar estrada até agora pela manhã, só paramos de conversar na alta madrugada quando fomos dormir. E estamos quase tendo que distribuir senha para ver quem fala, porque tem hora  que umas cinco falam ao mesmo tempo. Temos que ficar igual operador de bolsa de valores, escutando tudo ao mesmo tempo, para conseguir acompanhar todas as conversas, porque a curiosidade impera.

Ontem, tive que falar com uma das Lindinhas, que é prá lá de educada, que ela vai ter que abrir mão de tamanha finesse. Toda vez que ia falar alguma coisa, se alguém falasse um A, ela se calava. Não aguentei e disse que ela tem que enfrentar a mulherada e continuar falando, porque a disputa tá feia.

Em meio a tanta conversa, umas sérias, outras bem banais, um caso muito engraçado, curioso e interessante foi contado e como envolve o jornal Estado de Minas, não posso deixar de registrá-lo aqui.

Uma das minhas amigas fez decoração da Fuma. Quando era estudante, tinha comprado um óculo com lente azul clara, modelo antiguinho, muito fofo. Era o “must” na época. Amava a peça e fazia o maior sucesso com ele.

Certo dia pegou carona com uma colega até a Avenida Amazonas com Avenida do Contorno, onde desceu rapidamente do carro e pegou um taxi para ir para sua casa. Chegando em casa, percebeu que estava sem seu querido óculos. Ela tinha mania de deixar as coisas no colo e com certeza o “queridinho” tinha caído na rua, na baldeação entre os dois carros.

Ficou numa chateação só e foi quando teve a ideia de colocar um pequeno anúncio no caderno de Classificados de domingo do jornal Estado de Minas. “Perdi meus óculos. Perdi um óculo azul claro modelo antigo, etc, etc”. E colocou seu telefone fixo. Estamos falando do final da década de 1970, inicio de 1980. Ou seja, não existia telefone celular.

Contou para as colegas e foi a maior gozação. Todo dia elas perguntavam, entre gargalhadas, se os óculos haviam sido encontrados. Mais de 20 dias depois. Ela recebeu uma ligação de uma mulher perguntando se era ela quem tinha perdido os óculos. Claro que ela não acreditou. Jurava que era uma amiga ou alguma prima passando um trote, mesmo assim, respondeu positivamente.

Pois a mulher continua falando. Que seu marido era motorista do caminhão de entrega da Coca-Cola e tinha uns óculos azul no porta luvas do caminhão. Passou o endereço e ela foi buscar. Chegando lá, deu de cara com seu amado objeto. Abraçava a dona e chorava de alegria.

Mesmo em meio a tanta emoção, a curiosidade falou mais alto e perguntou como a senhora tinha visto  o anúncio. “Fui lavar o chão da minha cozinha e forrei com o jornal, olhei para o chão e o anúncio se destacou e chamou minha atenção a frase ‘perdi meus óculos’, aí li o anúncio e lembrei da peça que tinha visto no caminha. Só poderia ser ele.”

Quando ela chegou na faculdade com os óculos, ninguém acreditou. Se fosse caso de novela as pessoas diriam que era mentira. O Classificados Estado de Minas funciona mesmo!

Isabela Teixeira da Costa

BH fervilhante

Belo Horizonte ontem estava repleta de eventos. A via sacra foi divertida e com conteúdo de qualidade.

Sabe aquele dia que tudo acontece na cidade? Pois ontem foi um deles.Depois de trabalhar na parte da amanhã até por volta das 15h, comecei a via sacra para dar conta de ir a tudo que rolava por aqui.

Comecei indo conferir a primeira ArteBH. Uma feira de arte que fica até domingo no estaço de eventos do Minas Tênis Clube – Unidade 1, na Rua a Bahia, 2244, ao lado do Teatro Bradesco. Está linda. Ainda pequena, se compararmos com a SP_Arte, que ocupa quatro andares do Pavilhão da Bienal no Ibirapuera, mas também pudera, São Paulo é uma megalópole e lá a feira já existe há alguns anos.

Fiquei impressionada de ver a qualidade dos trabalhos expostos, tanto pelos principais galerista da cidade, quanto pelos de São Paulo que vieram participar. Muita arte contemporânea, que é o onda atual, mesmo assim, muita obra de vários outros estilos podem ser conferidas. Tanto em telas, quanto esculturas e instalações.

Vale a pena conferir. Hoje e amanhã, das 14h às 21h e no domingo, das 11h às 19h.

De lá, fui para a Trousseau, onde Mônica Gonçalves e Adriana Trussardi esperavam os convidados para um bate papo com os Irmãos Campana, que para falar a verdade foi com O irmão Campana, já que só o Fernando pode vir. Humberto infelizmente não deu o ar da graça. A conversa foi em cima da nova coleção que criaram para a marca, a quarta desde que Adriana – fã de carteirinha da dupla – os convidou para criarem uma linha especial. Foi um desafio que encararam com competência, como tudo o que fazem, apesar de hoje, tecerem algumas críticas ao primeiro trabalho feito.

Fernando é hiper simpático, uma cabeça em ebulição. Não vou falar muito porque tive a oportunidade de fazer uma entrevista exclusiva com ele, que sairá no caderno Feminino do estado de Minas no domingo, 13 de maio. Não vou quebrar a surpresa. Confiram lá.

O terceiro tempo foi no restaurante Dona Lucinha, onde comemoravam o aniversário da chef da culinária mineira – que estava presente, e o lançamento da 5ª edição do seu novo livro, que está uma maravilha. Fila longa para pegar os autógrafos que estavam sendo dados a quatro mãos, por ela e por sua filha Márcia, que comanda a empresa atualmente.

Encerrando a noite, a inauguração da loja Replay, de roupa jovem. A primeira que a empresa abre fora de São Paulo. Estão no Pátio Savassi e movimentaram o local com a presença do ator Rafael Cardoso, que apesar de ser muito mauzinho na novela das 21h, é bem simpático. Música boa, a bebida do momento (Gin), muito jeans bacana e blusas linda, tanto para ele quanto para ela. Jaquetas bomber muito legais e tricôs bacanérrimos. Gostei muito do que vi.

O mais legal, a turma de atendimento é pra lá de simpática, começando pelo gerente Diiogo. Bem-vindos!

Confiram agora algumas fotos da ArteBH.

Isabela Teixeira da Costa

 

São Paulo fervilhante

Delícia de programação em São Paulo, de feira do setor ótico a visitar a abertura da imperdível SP Arte.

O modelo ícone da Chloé, o Carlina, ganha releitura

Estou na correria de trabalho e quem me segue deve estar perguntando por que tenho falhando tanto em meus posts. É por isso. Excesso de trabalho no jornal e em um novo projeto que saberão em breve, e chego tão exausta em casa, que quando pego o note para escrever acabo cochilando em cima dele. Aí me rendo, vou dormir e conto com a compreensão de todos.

Estão em São Paulo, vim cobrir a Abioptica, maior evento do setor óptico da América Latina. Vim, a convite da organização da feira, e como funciona das 13h às 22h, tenho a manhã para por o papo em dia.

Esta cidade é realmente outro mundo. Amo São Paulo, pena que venho tão pouco. Primeiro pela cidade em si, programas, restaurantes; segundo, pelos paulistas que são simpáticos, educados e gostam muito dos mineiros. Tudo aqui fervilha. A feira é no Transamérica Expocenter, e não é pequena. No mesmo lugar, simultaneamente tem um congresso de segurança e outro da Wolks. Todos três gigantescos e nenhum atrapalha o outro.

Ainda não corri a feita toda, mas já fiquei admirada de ver os avanços tecnológicos do setor e os lindos modelos de óculos, tanto importados – das marcas de luxo –, quando dos nacionais. Mas não vou falar hoje, porque seria injusto com os outros expositores que estão por lá e ainda não vi. Porém, quero contar um episódio que presenciei na hora do almoço, só para vocês verem o grau de preocupação que os profissionais têm com as pessoas que sofrem de problemas visuais.

Estava na praça de alimentação aguardando meu prato, e na mesa ao lado três executivos faziam uma reunião. Sei disso porque um deles estava ao telefone e quando o terceiro chegou ele se despediu dizendo que entraria para uma reunião. Enquanto eu almoçava, me desliguei deles, porém, em um determinado ponto escutei a seguinte frase: “um alto percentual da população brasileira está obesa e como vamos resolver o problema da haste?”.

Com o meu passado essa palavrinha grita aos meus ouvidos. Pronto, fiquei desassossegada. Tinha que saber qual era o problema, afinal, já fui obesa, já escrevi muito sobre a grave questão da obesidade e sou jornalista, curiosa por natureza e profissão. Comecei a olhar tanto para eles, que vi a hora que o homem que estava virado para mim ia ter uma ideia errada, ou achar que estava intrometendo na reunião deles.

Passei meu óleo de peroba, pedi licença, expliquei que era jornalista e estava ali cobrindo a feira, e questionei sobre o que eu ouvi. O fato é que pessoas que têm um grau muito alto na vista não podem usar armação muito grande, porque a lente fica grossa. Se a armação for pequena, em uma pessoa obesa, que por causa do excesso de peso tem um rosto muito grande, mas os olhos continuam no mesmo lugar, ou seja, próximos do nariz, como a haste abrirá tanto para alcançar o apoio das orelhas? Mesmo que elas sejam aumentadas, ficaria muito feio, e é exatamente esse problema que os três profissionais do ramo tentam resolver, para oferecer conforto, leveza e beleza para este cliente. É ou não é cuidado com o público alvo?

SP Arte

Carlos Cruz-Diez

De noite dei uma fugidinha e fui conferir a abertura da SP Arte, no prédio da Bienal, no Ibirapuera. Para quem não sabe, é a maior feira de arte do hemisfério Sul e já foi transformada em Festival Internacional de Arte de São Paulo. Esta é sua 14.ª edição e conta com a participação de 164 galerias (34 estrangeiras). Estava lotado. Quatro andares de todos os estilos de arte, sendo que o último era de peças de design e antiguidades. Tudo lindo demais, até algumas obras contemporâneas, que não me agradam muito, ali, no contexto onde só respiramos arte, ficam lindas. E de quebra tive o prazer de encontrar com alguns mineiros que estão expondo por lá como a Sandra, Juliana e Marcinho Pena, da Sandra e Márcio; Beatriz Lemos de Sá, da Lemos de Sá Galeria de Arte; Murilo de Castro.

Os amigos da Sandro e Márcio. Veja mais fotos na galeria, no fim da matéria

Vi obras lindas, muito Volpi,Di Cavalcanti, Portinari. Tive a oportunidade de conhecer mais um trabalho de Delson Uchoa, que fui apresentada semana passada na AM Galeria de Arte e achei belo. Telas do venezuelano Carlos Cruz-Diez, que adoro; Vic Muniz, que estava presente na mostra; conheci o trabalho de Rodrigo Valenzuela e Janaina Mello Landini, que gostei bastante. Não dá para descrever tudo, mas para quem gosta e admiria a arte é um passeio realmente imperdível.

Destaque para a exposição institucional do evento “Carrinhos de Chá”, com curadoria de Lissa Carmona, CEO e curadora da Coleção Etel Carmona. A mostra destaca a cronologia do icônico móvel feito por 14 designers, em 90 anos de criação.

De 11 a 15 de abril

De quinta-feira a sábado, 13 a 14 de abril, das 13h às 21h

Domingo, 15 de abril, das 11h às 19h

 

Pavilhão da Bienal – Parque Ibirapuera, portão 3

Avenida Pedro Álvares Cabral, São Paulo, Brasil

Estacionamento no Parque com Zona Azul

Isabela Teixeira da Costa

Semana Santa no interior

É lindo ver como as pessoas se envolvem com os preparativos da Semana Santa nas cidades do interior.

Nasci em Belo Horizonte e sempre orei aqui. Meus pais são do interior. Minha mãe nasceu em Manhumirim, se mudou com a família para Manhuaçu, onde cresceu e depois que terminou o segundo grau, veio para Belo Horizonte. Como ela acabou trazendo a família toda para cá e depois meu tio mais velho foi com meus avós para Teófilo Otoni e mais trade para Brasília, perdemos todas as referências com suas raízes no interior.

Já a família do meu pai é de Santa Luzia, uma cidade do interior pertinho daqui de Belo Horizonte, exatamente 26 quilômetros da porta da minha casa à porta do sítio. Isso mesmo. Quando eu ainda era criança meus pais compraram um sitio por lá, que hoje fica a meio quarteirão da rua principal do centro histórico.

Sempre íamos ao sítio e aproveitávamos para visitar meus tios. Todos, eu só conhecia pelos apelidos – por sinal, êta família para gostar de apelidos –, Tio Ninico e Tio Sinhô e meus primos que eram muitos. E minha mãe não abria mão de visitar a Juli, uma parente nossa (não sei explicar direito esse parentesco, até hoje), que era uma peça rara. Baixinha, ótima de papo e muito engraçada. Morava no Solar Teixeira da Costa, em frente da Igreja Matriz.

Ficamos muitos anos distantes, aquela fase de mocidade, quando ocupamos nossos finais de semana com os amigos e não retornava por lá. Mas tenho uma prima, Beatriz, mas é claro que só a chamamos de Beata – por sinal só neste final de semana que fiquei sabendo que o nome dela era Betriz –, que sempre que a gente precisa de alguma coisa ela está la´, pronta para ajudar. É 1000000%.

Lembro que quando eu tinha uns 18 anos, resolvi ir com a mocidade da minha igreja – Igreja Batista Central de Belo Horizonte – fazer um acampamento lá no sitio. A água acabou. Tinha anos que via Beata, mas corri na casa dela e recebi o socorro necessário, com o maior amor. Essa é a Beata. Salvou nosso feriado.

Voltando à Semana Santa, meu assunto inicial – me empolguei com a família que eu amo –, toda sexta-feira da paixão elas enfeitam a igreja toda, função que era feita por minha prima Naná, que faleceu há muitos anos e foi assumida por suas filhas Tininha e Lili. Mas não fica só nisso, vestem a imagem de Nossa Senhora, com roupas que minha prima, Branca Diniz, costurei de alta costura, faz todo ano. E ainda decoram o Nosso Senhor morto (desculpem os católicos se escrevi algum ermo errado, porque sou Batista, e não sou muito familiarizada com estes ritos).

No domingo de Páscoa, a missa é as 8h30 da manhã e a procissão da ressurreição sai às 9h30 e todos os morados (ou quase todos), fazem os tapetes na rua, para a passagem da procissão. Para dar tempo os preparativos começam uma semana antes, com a tintura da serragem. E no dia mesmo, a feitura dos tapetes começa às 6h30 da manhã. É claro que fui ajudar as primas a fazer. Elas enfeitam um quarteirão, porque tem a casa da Lili e Tininha, a casa da Beata, de Carminha, da Tia Ló e da Tia Tereza. Uma do lado da outra, e todas bem grandes. É chão que não acaba mais.

No quarteirão de cima, meu primo Aurélio com seus filhos fazem o chão na frente da casa que era de seu pai, Tio Sinhô. E por aí vai. É divertido. Todo mundo no maior bom humor, boa vontade. Muita gente subindo para a missa e a gente pedindo ajuda, porque a mão de obra é escassa. Alguns acabam aderindo ao chamado, principalmente jovens e crianças. É bonito ver essa amizade que só existe nas cidades do interior. Outros elogiam o trabalho e seguem seu caminho. As pessoas mais velhas, que não aguentam mais o senta levanta e agacha sob o sol forte, enfeitam as janelas com os panos brancos e os vasos de flores.

É lindo. De trade, depois do almoço de páscoa com a minha família, fui correndo para BH, para ir ao culto de páscoa e participar da Ceia do Senhor. Foi uma benção. Domingo perfeito, com muito amor envolvido. Só faltou minha filha ao meu lado. Hoje, acordei toda doída, minhas pernas estão com tanta dor muscular que denunciam minha idade e meu sedentarismo. Mas valeu a pena.

Isabela Teixeira da Costa