Sky quer me levar à loucura

A TV por assinatura Sky me ligou oferecendo um serviço para atualizar meu pacote que era muito antigo e me colocou em meio a um suplício.

Já se sentiu dentro de um pesadelo recorrente? Aquela cena que você tenta sair dela e quando acha que conseguiu se vê novamente no início e sofrendo tudo de novo? Coisas que vemos muito em filmes de suspense e terror. Pois a Sky conseguiu fazer isso comigo.

Minha mãe é assinante Sky, pois mora em um sitio em Santa Luzia. Apesar de ser sitio, é dentro da cidade, a meio quarteirão da rua principal do centro histórico. A Sky é a única opção de TV por assinatura, porque a Net não chegou lá ainda. Bom, pelo menos é a que eu conheço, pois só é possível TV via satélite e não por cabo.

A assinatura dela é bem antiga e, consequentemente, o pacote também. Não sei por que – deve ter uma explicação – eles não gostam de ter pacotes antigos. Sou uma das assinantes mais antigas da Net e vira e mexe me ligam para atualização. Como minha mãe tem 91 anos e sofre do Mal de Alzheimer, eu que resolvo essas questões.

Estávamos quietos na nossa, e recebi a ligação de um funcionário da Sky perguntando se não queríamos atualizar o pacote, sem perder nada, ao contrário, teríamos algumas vantagens, e reduziria em pouco mais de R$ 100 a mensalidade. Retiraríamos o ponto e o equipamento HD que fica no quarto da minha mãe. Concordei e pedi que trocassem os pontos do meu quarto e do quarto de minha irmã, que são digitais, por HD, já que iriam lá. O rapaz disse que não teria nenhum problema.

Visita agendada, dia e horário, já que minha mãe dorme na parte da manhã e não podemos tirá-la de sua rotina. Foi aí que o suplício começou. Chegaram lá no dia errado e pela manhã. Não deixamos entrar e cabia a mim ligar para a Sky e remarcar. O telefone 10611 é uma verdadeira tortura. Você fica uns 40 minutos ouvindo um computador falar e digitando números em uma tentativa insana de ouvir a opção de falar com um atendente. Nesta primeira vez tive que fazer três ligações infrutíferas até conseguir “achar” a opção de falar com um ser humano. Expliquei o que ocorreu e marcamos nova visita.

Dia e horário corretos, porém só queriam recolher o ponto do quarto da minha mãe. E o resto do serviço? Não tinha nenhuma citação na ordem de serviço. Foram embora sem fazer nada. Lá eu ligar novamente para a Sky. Gastei mais uma hora para conseguir falar com um atendente. Expliquei a situação, nova marcação. Foram lá novamente depois de uma semana, porém queriam retirar um ponto e instalar outros dois. Na OS falava para instalar dois pontos HD e não trocar dois pontos digitais por HD. E não adiantava explicar o erro, eles obedecem ao que está escrito.

Oi?! Como assim? O que ia fazer com cinco pontos da Sky na casa da minha mãe? Só se colocasse ponto nas varandas. O pessoal foi embora e eu tive que ligar de novo. Nova hora perdida tentando ligar. Consegui falar. Expliquei para a atendente o erro da OS. Ela muito gentil – por sinal todos os atendentes são muito gentis –, respondia que não tinha erro, que é assim que eles têm que preencher e que o técnico é que não sabe entender. Pedi, pelo amor de Deus, que colocasse a palavra trocar. Ela se recusou e disse que um supervisor acompanharia o serviço, mas antes alguém entraria em contato comigo por telefone.

Depois de mais de 10 dias aguardando, recebi um telefonema ontem, da Sky. E quase enlouqueci quando a moça disse que estava me ligando porque eu tinha pedido o cancelamento da assinatura. Desisto.

Como me colocaram dentro desse tormento???? Não pedi nada à Sky, estava quieta na minha e agora eles estão conseguindo me levar à loucura porque não conseguem entender uma palavra do que falam e do que ouvem. Acho que falo português e enquanto falo eles escutam japonês e como não entendem escrevem o que querem.

Alguém tem uma sugestão para me dar, que me ajude a sair desse pesadelo?

Isabela Teixeira da Costa

O país parou

Existe uma categoria que em poucos dias consegue parar o país e afetar a vida de todos. Com essa força nem o Presidente da República contava.

Foto Paulo Filgueiras/ Estado de Minas

Os caminhoneiros conseguiram parar o país. Estamos no sétimo dia da greve e os reflexos começaram a serem sentidos no terceiro dia. Mesmo com este ato prejudicando a vida de muita gente toda a população está apoiando a atitude da categoria e torcendo para que suas reivindicações nos beneficiem.

Na quinta-feira começou a corrida por abastecimento nas grandes cidades do país, na sexta, eram raros os postos que ainda tinham algum combustível, e esses decidiram abastecer apenas ambulâncias e veículos de serviços de primeiras necessidades. Na quinta e sexta-feira o transporte público funcionou com horário de domingo e hoje, não estão rodando. As aulas foram suspensas na sexta.

Para segunda, o prefeito declarou ponto facultativo em Belo Horizonte, suspendeu as aulas e os ônibus circularão das 4h às 9h e das 16h30 às 20h, em horário normal, e nos demais horários, como domingo. Tudo isso para economizar combustível, pois não há previsão do término da greve.

As prateleiras dos supermercados estão ficando vazias, já falta oxigênio, materiais e medicamentos em hospitais, e mesmo assim continuamos apoiando os caminhoneiros esperando que esta paralização reduza o preço não apenas do diesel, mas também da gasolina e do etanol que estão exorbitantes.

Quem vai esquecer a imagem dos pescadores bloqueando os portos com seus frágeis barquinhos, impedindo que os enormes cargueiros entrassem? Ação em apoio ao movimento. Infelizmente, no acordo que assinaram esqueceram-se de nós. Tudo bem, alguém pode dizer que a categoria não tem que pensar na gente, é verdade, mas quando se percebe um apoio geral e uma força tão grande, acho que os interesses podem ser ampliados pelo bem comum.

Infelizmente, pelas atitudes que nosso presidente Temer tem tomado diante da situação, ou ele não entendeu a gravidade da situação e está subestimando a greve, ou se acha forte e importante demais para manter a postura de indiferença e querer parar a greve com o uso das forças armadas em um estilo “eu posso tudo”. Espero que eu esteja muito errada. Torço para que ele entenda a necessidade de reduzir esses impostos extorsivos não apenas nos combustíveis, mas em tudo neste país e que não retornam em aplicação para a população em geral. Basta enxugar um pouco a máquina púbica, diminuir os gastos que a redução não fará falta.

Vamos ver quanto tempo isso ainda vai levar.

Isabela Teixeira da Costa

Arte Sacra

A marca de moda festa Arte Sacra lança coleção de inverno 2018, a #FEELGOOD.

O ápice da Soundly, coleção de Inverno 2018 da Arte Sacra, aparece no mood Feel Good, inspirado em uma mulher multi spirit, autêntica e contemporânea. Na paleta de cores, nuances escuras e sóbrias, como o Azul Ink, Verde Bálsamo, Glacial e Black, sugerem uma dose extra de feminilidade.  A sofisticação é traduzida no movimento das franjas, na riqueza dos bordados, costas decotadas, fendas e detalhes laterais. Croppeds, transparências, hot pants e sobreposições, que deixam os modelos mais elaborados, são presenças marcantes. Cetim, crepe, malha, musseline, tule e zibeline garantem caimentos impecáveis, jovialidade e fluidez às peças. Também chama a atenção a panther print, estampa exclusiva que dá um toque a mais de sensualidade aos looks. Para instigar novas experiências sensoriais à coleção, a grife criou, no Spotify, a playlist #feelgood, que traz um estilo musical singular, com uma pegada de rock clássico. Confira em https://open.spotify.com/user/artesacra.

Confira os modelos nas fotos de Sérgio de Resende

Dois em um

Profissionais da arquitetura e decoração dão as dicas de como harmonizar a área de serviço integrada à cozinha, tornando os espaços funcionais e organizados.

Parede de drywall separa a área de serviço da cozinha tornado os espaços mais organizados. Crédito Projetos Ágille Arquitetura

Com os apartamentos cada vez mais compactados, a integração da cozinha com a área de serviço é uma realidade. Porém muitas pessoas têm dúvidas de como decorar esses espaços integrados de maneira que não se torne uma grande bagunça.

Em apartamentos pequenos é comum a área de serviço ser interligada à cozinha. Para que os ambientes não se confundam e tenham suas independências funcionais é preciso um projeto arquitetônico bem planejado, que traga praticidade e organização para cada espaço.

De acordo com a designer de interiores Flaviane Pereira e a arquiteta Márcia Coimbra, proprietárias do escritório Ágille Arquitetura, algumas soluções são imprescindíveis para ajudar na otimização do espaço e personalização de cada ambiente. “Com um bom planejamento é possível encontrar soluções para montar e equipar os ambientes com armários bem projetados e que atendam às necessidades dos moradores. Isso permite que todos os cantinhos tenham o melhor aproveitamento possível, como a utilização de utensílios aramados, divisores ou móveis auxiliares que deixam o espaço funcional e trazem ao mesmo tempo organização e praticidade ao dia a dia. Uma bancada retrátil, nichos suspensos, móveis com rodízios, são alguns recursos utilizados em espaços compactos. Assim como armários aéreos, lavanderias e móveis embutidos, instalações de grades para pendurar acessórios ou prateleiras para guardar panelas, caixas organizadoras e varal. Itens que fazem toda a diferença na hora de otimizar os espaços”, indicam.

Funcional e organizada, a área de serviço proporciona fluidez e harmonia na hora das tarefas cotidianas

Para as profissionais, as paredes também precisam ter o seu destaque nessa organização, como uma horta vertical ou um porta-temperos, na cozinha. Já a área de serviço, quanto mais funcional e organizada, com certeza trará aos usuários uma sensação de fluidez e harmonia na hora das tarefas cotidianas.

Atualmente, a grande maioria das cozinhas é projetada pelas construtoras no estilo corredor e, assim, sua única fonte de iluminação natural é proveniente da área de serviço. Porém, apesar disso, é necessário que os ambientes se mantenham separados e, segundo as profissionais, uma ótima dica é optar por portas de correr de vidro incolor. “Elas ocupam pouco espaço e têm a função de bloquear odores da cozinha, sem perder nada de luminosidade da janela da área de serviço. Além de dar continuidade ao espaço sem bloqueio visual, o uso de adesivos também é permitido e, também, o vidro jateado, pra quem não quer ter visibilidade ou ocultar roupas e demais itens na área de serviço sem perder a luminosidade do espaço”, revelam.

Porcelanato colorido ajuda delimitar a área da cozinha deixando bem claro a distinção entre os dois espaços

Outra dica de Flaviane e Márcia são as divisórias com cobogós, elementos vazados e coloridos que ocupam pouco espaço e dão um ar de descontração aos dois ambientes, dividindo-os, sem confinar ou diminuir o espaço. Elas ressaltam que o primordial é dar funcionalidade aos ambientes, sem que haja interferência entre eles, porém com harmonia.

“O destaque de um planejamento para estes dois ambientes é que ele traga praticidade, que seja funcional ao projeto proposto e que, também, proporcione leveza ao espaço”, encerram.

Quadrinhos

O premiado quadrinista italiano Zerocalcare relata sua experiência na guerra da Síria, que virou HQ. Sucesso editorial na Itália, o livro já foi traduzido para cinco idiomas.

Zerocalcare

No dia 1º de junho, a Casa Fiat de Cultura realiza um bate-papo com o premiado quadrinista italiano Zerocalcare, sobre o tema “História de uma resistência. Impressões sobre a Guerra na Síria”. O assunto faz referência à HQ “Kobane Calling – Ou como fui parar no meio da guerra na Síria”, lançada em 2016 pela Editora Nemo. Sucesso de vendas e crítica na Itália, a publicação foi traduzida para inglês, francês, espanhol, alemão e português e venceu o prêmio Micheluzzi na Napoli Comicon 2017 na categoria “Melhor História em Quadrinhos”. O bate-papo, que terá tradução simultânea, será das 18h às 19h30, com entrada gratuita e espaço sujeito à lotação (100 lugares).

A história que deu origem à HQ começa com uma viagem de Zerocalcare, em novembro de 2014, à fronteira entre Turquia e Síria, região que atualmente enfrenta um grande conflito político-social. Enviado por um jornal italiano, o quadrinista visita a região com o objetivo de chegar à cidade de Kobane, onde o povo curdo luta para conter o avanço do Estado Islâmico. O relato da viagem é publicado na revista “Internazionale” por meio de uma reportagem em quadrinhos em janeiro de 2015 e, com o retorno de Zerocalcare à Síria em julho do mesmo ano, uma série de relatos são publicados e posteriormente compilados na premiada HQ.

Neste livro, Zerocalcare produz uma reportagem de sinceridade pungente, um testemunho perturbador que transmite a complexidade e as contradições de uma guerra muitas vezes simplificada pela mídia internacional e pelos discursos políticos. Tudo isso com um tom extremamente bem-humorado e ao mesmo tempo tocante – a linguagem e o universo de um autor que sabe como ninguém representar as pessoas, o cotidiano, os medos e as aspirações de sua geração. “No começo, em minha partida para a fronteira turco-síria, não havia a intenção de fazer um livro. Eu viajei com a intenção de ajudar de alguma forma, levando medicamentos etc, para a resistência curda. Ao longo do tempo, transformei minhas impressões em um diário de viagem em quadrinhos, e depois em um livro. Estamos falando de uma experiência que aconteceu há mais de dois anos, mas é muito importante que continuemos a falar sobre o que está acontecendo ali e o que tem feito a resistência curda para derrotar o Estado Islâmico”, comenta o quadrinista.

Contexto histórico

Os curdos são um povo dividido em quatro países: Turquia, Síria, Iraque e Irã, e, em cada um desses países, sua identidade tem sido reprimida. Em 2011, durante a guerra civil síria, os curdos sírios proclamaram a autonomia de uma faixa de terra – Rojava ou Curdistão Sírio, dividida em três cantões: Afrîn, Kobane e Cizreuma –, uma confederação democrática regida por um contrato social baseado na pluralidade étnica e religiosa, na democracia participativa, na emancipação feminina, na redistribuição da riqueza e na ecologia.

Porém, o avanço do Estado Islâmico na Síria chegou até Rojava. Muitos vilarejos foram ocupados e milhares de pessoas fugiram para evitar os massacres e raptos provocados pelo grupo radical. Enquanto isso, em Kobane, as Unidades de Proteção do Povo Curdo – as YPJ, formada por mulheres, e as YPG, mistas – resistem ao cerco do Estado Islâmico, apesar de terem menos armas e suprimentos.

Zerocalcare

Michele Rech, conhecido como Zerocalcare, nasceu em Arezzo (Itália), em 1983. Depois de viver algum tempo na França, mudou-se para Rebibbia, um bairro popular de Roma, com o qual estabeleceu uma ligação muito forte – talvez inextricável. Sempre ativo nos movimentos e redes sociais, participa de várias edições do importante festival “Crack! Fumetti Dirompenti” e começa a fazer cartazes, capas de discos e fanzines.

Em 2011, lança sua primeira HQ, “La profezia dell’Armadillo” [A profecia do tatu], e a partir daí inicia uma longa parceria com a editora BAO. Seu blog, zerocalcare.it, torna-se em pouco tempo um site muito visitado, a ponto de, em 2012, ser indicado ao Prêmio Attilio Micheluzzi na categoria Melhor Webcomic da Napoli Comicon, e ao Macchianera Award como Melhor Desenhista – Cartunista.

Ainda em 2012, “La profezia dell’Armadillo” ganha o prêmio Gran Guingi da Lucca Comics & Games como Melhor História Curta. No mesmo ano, publica seu segundo livro, “Um polpo alla gola”. Em 2013 publica “Ogni maledetto lunedì su due”, uma coletânea das histórias do blog. Também nesse ano, faz “Dodici”, história do gênero zumbi-apocalíptico e uma declaração de amor por seu bairro, Rebibbia.

Em 2015, publica na revista “Internazionale” uma reportagem em quadrinhos sobre sua visita à fronteira turco-síria em apoio ao movimento de resistência curdo contra o Estado Islâmico, que deu origem à HQ “Kobane Calling”. O premiado livro vendeu mais de 400 mil exemplares na Itália e já foi traduzido para cinco idiomas.

SERVIÇO

 

Casa Fiat de Cultura

Circuito Liberdade

Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – BH/MG

Informações (31) 3289-8900

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É permitido abreviar a vida?

Aqui no Brasil é permitido fazer uma Declaração Prévia de Vontade para o Fim da Vida, o que evita conflito entre paciente, família e médico. Entenda o assunto.

Que me entendam os leitores, não estou aqui levantando nenhuma bandeira e nem fazendo juízo de valor. Vou apenas abordar alguns pontos sobre os quais escutei de amigos e até de familiares e deixo para cada um formar sua opinião, e vou informar sobre um documento legal, que é permitido no Brasil, e que eu, pelo menos, não tinha conhecimento.

Não são poucos os casos de pessoas que sofrem ao ver algum ente querido ir definhando em uma cama, vítima de alguma doença terminal. O paciente sofre, chegando muitas vezes a pedir que alguém encurte sua vida. Quem está em volta, cuidando da pessoa, também sofre, porque não suportamos ver quem amamos sofrer.

É inevitável a conversa chegar, em algum momento, na questão da eutanásia, prática proibida no país. O assunto foi abordado de uma forma muito bonita no lindo filme Minha vida antes de você. Quando assisti ao filme, torci para que o rapaz desistisse da ideia de por fim à sua vida e se rendesse ao amor. Temos uma tendência a romancear a vida, pois não estamos na pele do outro.

Conheço um casal muito querido,. Um dia, quando estava almoçando na casa deles, só nós três, me confidenciaram que tinham feito um pacto. Caso algum deles ficasse em estado terminal o outro aceleraria o processo e iria em seguida. Dei o maior esbregue em ambos. Infelizmente um deles adoeceu, ficou anos acamado e foi impossível cumprir com o combinado, claro, afinal, tal prática é proibida no Brasil.

Se a eutanásia deve ser liberada por aqui ou não, e em quais circunstâncias, é conversa e discussão longas e delicadas, que pelo visto, não estão na pauta de nenhum político.

Porém, recebi um material do escritório Posocco & Associados Advogados e Consultores explicando que existe um tal de Testamento Vital aos que recusam tratamento médico para prorrogar a vida sem possibilidade de cura. Como nunca soube disso, achei importante postar aqui, pois pode ser de grande utilidade para todos.

O assunto veio à tona após o anúncio do suicídio assistido cometido pelo cientista inglês David Goodall, na dia 10 de maio, na Suíça. “Aqui, o que existe, mesmo sem legislação específica, é a Declaração Prévia de Vontade para o Fim da Vida, cujo objetivo está o direito de morrer com dignidade”, explica o advogado Fabrício Posocco.
Conhecida também como Testamento Vital, trata-se de um documento redigido por uma pessoa, maior de idade, consciente de seus atos sobre quais tratamentos e procedimentos deseja ou não ser submetida quando estiver com uma doença ameaçadora da vida, fora de possibilidades terapêuticas e impossibilitada de manifestar livremente sua vontade.
“Essa declaração tem validade aos que estejam diagnosticados com doença terminal, estado vegetativo persistente e doenças crônicas, onde o tratamento médico prorroga a vida sem nenhuma possibilidade de cura”, exemplifica o advogado.
A Declaração Prévia de Vontade para o Fim da Vida é feita em cartório. Para ter validade deve ser elaborada de acordo com os preceitos jurídicos nacionais, por isso, é recomendado que o interessado vá acompanhado de um advogado.
Segundo Posocco, a pessoa estando plena de suas faculdades mentais e respeitando os termos da lei, declara em documento público, devidamente assinado, quais tipos de tratamentos médicos deseja ou não se submeter, o que deve ser respeitado de forma incontroversa nos casos futuros em que ela fique impossibilitada de manifestar sua vontade.
Este documento pode ser revisado a qualquer momento.
Se este documento não existir ou tendo sido elaborado sem as observâncias das regras legais prevalece os desejos dos familiares, que objetivamente não precisarão respeitar nada daquilo que foi decidido pelo paciente.
A Declaração Prévia de Vontade para o Fim da Vida assegura que a vontade do paciente seja seguida pelo médico, evita desentendimentos na família sobre quais procedimentos adotar em casos de inconsciência do paciente e dá proteção e amparo legal ao profissional da saúde.
“O artigo 2 da Resolução 1.995 de 2012, do Conselho Federal de Medicina (CFM), descreve que nas decisões sobre cuidados e tratamentos de pacientes que se encontram incapazes de comunicar-se, ou de expressar de maneira livre e independente suas vontades, o médico levará em considerações suas diretivas antecipadas de vontade”, destaca Fabrício Posocco.
Não sendo conhecidas as diretivas antecipadas de vontade do paciente, nem havendo representante designado, familiares disponíveis ou falta de consenso entre estes, o médico recorrerá ao Comitê de Bioética da instituição ou à Comissão de Ética Médica do hospital ou ao Conselho Regional e Federal de Medicina para fundamentar sua decisão.

Isabela Teixeira da Costa

Tablet e smartphone faz bem às crianças

Fonoaudióloga comprova que mídias interativas podem desenvolver a linguagem em crianças pré-escolares.

Muita gente critica pais que dão tablets e smartphones para seus filhos ainda bebês, para mantê-los quietos, no lugar de dispensar atenção e tempo aos pequenos. Muitas vezes julgamos a cena, sem saber, de fato, qual é a relação e o real cuidado dos referidos pais com seus filhos. O fato é que as crianças que nascem atualmente, o fazem em um mundo no qual as mídias interativas existem, em forte escala, e não se pode negar que essas crianças irão mergulhar de cabeça neste universo.

Não estou aqui defendendo o uso indiscriminado desses equipamentos por crianças, mas também não se pode isola-las do mundo em que elas vivem. O importante é saber dosa esse uso e que ele seja supervisionado por um adulto, de preferência pelos pais, para que o conteúdo acessado seja adequado à idade do pequeno.

O que antes era criticado, agora virou ferramenta de desenvolvimento. Mídias podem ser utilizadas como um recurso capaz de estimular o desenvolvimento infantil desde que haja a supervisão dos cuidadores quanto ao conteúdo e ao tempo na utilização dessas tecnologias.
A partir da observação do uso precoce das mídias interativas, como smartphones e tablets, a fonoaudióloga Lívia Rodrigues desenvolveu um estudo pioneiro no Brasil sobre o desenvolvimento cognitivo e da linguagem expressiva (fala) em crianças pré-escolares a partir da exposição a essas mídias. A pesquisa foi defendida no Programa de Pós-Graduação em Ciências Fonoaudiólogicas da Faculdade de Medicina da UFMG.
De acordo com a pesquisadora, é consenso na literatura que várias habilidades adquiridas na infância perdurem pela vida adulta. “Por esse motivo, é importante investigar e saber o que ocorre na infância, seja para prevenir futuros danos, seja para otimizar o desenvolvimento da criança”, afirma.
Por meio da avaliação comparativa de três grupos de crianças foi possível concluir que aquelas que utilizaram as mídias interativas por maior tempo ao dia tiveram melhor desempenho nos testes cognitivos, que avaliaram as funções mentais superiores, e de linguagem expressiva. Esse resultado foi ainda mais significante no domínio linguístico.
Lívia destaca que as mídias têm potencial para favorecer o desenvolvimento infantil, sobretudo quando elas estão condicionadas a conteúdos adequados e à presença de um tutor. “Dessa forma, o acesso pode ser benéfico, desde que seja limitado em relação ao tempo e ao conteúdo”, esclarece.

Isabela Teixeira da Costa

Por que sentimos sono após o almoço?

Uma sesta de até 30 minutos depois do almoço faz bem à saúde e melhora o rendimento no resto do dia.

Muitas empresas já oferecem espaço para o cochilo depois do almoço

Algumas pessoas gostam de tirar um cochilo depois do almoço e sofrem um certo preconceito por isso. Mas já está mais do que comprovado que dormir depois do almoço de 10 a 30 minutos é muito saudável e deveria ser uma prática seguida por todas as pessoas.

Dormir após o almoço não é sinônimo de preguiça ou falta do que fazer, mas sim uma recomendação médica capaz de melhorar o desempenho nas atividades durante os períodos vespertino e noturno e, consequentemente, trazer mais saúde.

O especialista em sono Maurício Bagnato explica que a sesta não é um capricho, mas sim uma necessidade fisiológica. “O cochilo depois do almoço é muito bom para o corpo porque a temperatura abaixa após o sono. Ele precisa ter duração máxima de meia hora e dá uma boa restaurada. Isso faz parte do ser humano. O corpo pede esse descanso”, afirma o especialista.

A sensação de sonolência após o almoço tem explicação e não está ligada diretamente à quantidade de comida ingerida nesta refeição. De acordo com o otorrinolaringologista e especialista em medicina do sono do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, Fernando Oto Balieiro, o sono neste período é, na verdade, uma questão fisiológica, e, portanto, natural para a maioria das pessoas.

Comumente, a luta para se manter acordado depois do almoço é atribuída ao deslocamento da circulação para o aparelho digestivo, o que diminui o transporte de oxigênio no cérebro. O médico, porém, explica que se, esse fosse o único motivo, em outras refeições o sono estaria presente, o que não ocorre.

“Caso seja feita uma refeição mais pesada no meio da tarde em um período posterior ao do almoço, dificilmente esse sono será sentido. Isso porque essa sensação é fisiológica e não está ligada somente à questão da digestão. Além disso, existem situações para que ela apareça”, complementa.

As condições do organismo, citadas por Balieiro, são parecidas com as que ocorrem durante a preparação para o sono noturno, com variação hormonal e queda da temperatura corporal, que sinalizam ao corpo que é preciso dormir.

“Nosso ciclo biológico de 24 horas possui algumas secreções de hormônio, como a melatonina à noite, que ajuda a induzir o sono, e queda da temperatura que sinaliza ao corpo que é preciso prepará-lo para dormir. Isso também acontece por volta das 14h00, mas desta vez com a variação, principalmente, do hormônio cortisol.”

A intensidade e a composição da alimentação não estão descartadas dos motivos dessa situação. O especialista enfatiza que refeições mais gordurosas realmente deixam a digestão mais lenta e potencializam esse efeito natural após o almoço.

A fim de exterminar o cansaço, o cochilo após comer não é contraindicado para a maioria das pessoas. O especialista orienta que esse hábito deve ser evitado somente por quem sofre de insônia e refluxo. Caso contrário, descansar até 30 minutos já ajuda a recarregar a energia e não prejudicar o desempenho cognitivo durante o restante do dia.

 

A inteligência do seu filho

Gosto do Leandro Karnal, tenho que confessar que prefiro Mário Cortela, mas posto hoje um artigo muito bom do Karnal, publicado no Estadão de São Paulo, em abril, sobre a inteligência dos filhos. Tenho que confessar que não concordo com seu primeiro parágrafo, farei minha consideração entre parênteses para que saibam que trata-se da minha opinião. Segue o artigo.

Leandro Karnal, O Estado de S. Paulo

Há que se ter humildade e paciência. Se urge incluir o lúdico, é imperativo estabelecer o exemplo.

Leandro Karnal. Foto Jair Magri

Há uma preocupação forte dos pais com a inteligência dos filhos. Antes bastava amar, vacinar e alimentar. (Esta parte eu não concordo, meus pais sempre preocuparam com nossa inteligência e nossa educação acadêmica, bem como os pais de meus amigos. Sinceramente não sei com quem Karnal conviveu…). Hoje temos de estimular de consciência hídrica até desenvolvimentos de habilidades cognitivas avançadas.
Existe razão na preocupação. Por milhões de anos, o poder na sociedade foi determinado pela força física. O macho alfa hábil nas armas era o líder natural. A força física perdeu muito espaço para o poder econômico. A riqueza passou a determinar o status social das pessoas. Os guerreiros de outrora passaram a ser guarda-costas dos senhores endinheirados. Redefiniu-se a pirâmide social.
Crescendo rapidamente após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e disparando com a revolução dos computadores e softwares no fim do século 20, despontou de vez o critério da inteligência. Os homens mais influentes deixaram de ser os construtores de ferrovias ou produtores de aço. Criadores como Bill Gates e Steve Jobs eram o máximo da admiração mundial e tornaram-se parte da elite dos multibilionários. O novo empreendedor é o homem das ideias novas, das rupturas de paradigmas, da criação inquieta como eixo. Considere o celular de hoje. Com que parcela do lucro fica o criador do software, do design e da inovação tecnológica? Com qual fica a fábrica na Ásia? Por fim, qual o quinhão de quem aplicou força física como operário? Ao responder a essas questões teremos a completa noção da metamorfose.
O crescimento da inteligência desperta o sinal de alerta dos pais. Será que meu filho está apto ao admirável mundo novo? Será que a escola está adequada? Por que ele não lê mais? São perguntas justas e lícitas.
Primeiramente façamos uma distinção básica. Saber dados constitui informação que pode tornar uma pessoa culta. Erudição é um treinamento que não implica muita inteligência, apenas memória e repetição. O processo leva anos, mas é mais ou menos padronizado e eficaz. A inteligência está associada à capacidade de criar, associar, comparar, inovar, relacionar e dar aos dados formais da erudição um sentido novo. Há pessoas cultas que não são inteligentes. Há pessoas muito inteligentes que não são cultas.
A busca para incrementar a inteligência dos filhos leva a crenças variadas. Não existem estudos irrefragáveis sobre o efeito da música de Mozart no quarto de um bebê. Pense: os filhos de Mozart tinham seus genes e cresceram ouvindo o pai. Ambos foram medíocres na sua produção. Imaginar que sua caixinha de música tenha efeito superior ao próprio Mozart tocando é algo fantasioso. Porém, o ambiente tranquilo e com música pode ajudar a relaxar. Dormir bem será fundamental na formação do cérebro.
A inteligência pode ser estimulada. Ler para crianças com paixão e fantasia, levá-las a atividades culturais, estimular a criatividade, ensinar línguas e instrumentos musicais são, comprovadamente, fatores estimulantes de mais conexões cerebrais. O importante é não forçar ou tornar a leitura ou o teatro uma obrigação formal. O caminho preciso para criar ódio de um aluno por um livro é forçá-lo a ler e fazer prova. Da mesma forma, já disse em outra crônica, fazer um percurso de horas em um museu é caminho bom para sepultar a análise estética de um jovem ser.
O exemplo funciona bem. Pais lendo com prazer e comentando algo do que leram ou admirando um quadro especial em uma exposição é mais eficaz do que a formalidade educacional. Piaget tinha razão: o lúdico é a chave educativa mais forte.
O ponto central de toda influência é permitir que os jovens façam a vinculação afetiva com os portadores de conhecimento.
Na minissérie Merlí, o professor de Filosofia faz uma pergunta na primeira aula e ouve uma resposta do pior aluno, aquele que havia repetido duas vezes de ano. Ouve e elogia: você é meu aluno preferido a partir de agora. O simples estímulo intelectual refez a visão da personagem Pol Rubio, que acabará orientando toda sua carreira futura a partir desse encantamento inicial.
No melhor estilo da personagem infantil do Show da Luna, despertar a curiosidade científica é fundamental. Boas perguntas sobre o funcionamento das coisas e idas a museus de ciências funcionam como estratégia. Como o peixe respira debaixo da água? Por que o gelo derreteu em um copo cheio até a borda e não existiu transbordamento? Também a curiosidade sociológica e humanística estimula o olhar. Por que há pessoas dormindo na rua e nós temos quartos bons? Não se trata de moldar seu filho a ideias conservadoras ou de esquerda, mas fazê-lo perguntar, a partir de um óbvio socrático, para entender a estrutura das coisas e do mundo.
Por fim, minha querida mãe e meu estimado pai: não sejam ansiosos. Existe um tempo e hora para tudo. Não temos poder absoluto sobre as pessoas e seus cérebros. O “estalo de Vieira”, a velha lenda de que um emburrado e medíocre aluno, um dia, despertou para o latim e a oratória e se tornou nosso genial Padre Vieira pode ocorrer. Há muitos estalos possíveis na vida. Devemos lembrar que nem todos os pais que clamam por mais leituras dos rebentos foram exatos devoradores de livros na mesma idade. Há que se ter humildade e paciência. Se urge incluir o lúdico, é imperativo estabelecer o exemplo.
Claro: os velhos valores ainda existem: alimentar, vacinar, cuidar. O resto vai do cruzamento da maquiavélica virtù com a fortuna. Há algo de aleatório no interesse e no despertar da inteligência criadora. Ela pode brotar longe do solo ideal como em Machado de Assis e rarear em filhos tratados com todas as benesses do dinheiro. Boa semana para todos nós.

A dupla hélice do DNA faz 65 anos

Sérgio Pena

Temos em Belo Horizonte um dos maiores geneticistas do Brasil, o doutor Sérgio Pena, médico-geneticista, Ph.D em genética humana pela Universidade de Manitoba (Canadá) e Fellow do Royal College of Physicians and Surgeons do Canadá. Diretor Médico e Científico e fundador do GENE – Núcleo de Genética Médica, primeiro laboratório do país a fazer exames de perícia de DNA. É professor titular do Departamento de Bioquímica e Imunologia e professor da Pós-Graduação em Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da UFMG.

Tenho o prazer de conhecê-lo. No dia 25 de abril, foi comemorado o Dia Nacional da Genética e a Folha de São Paulo publicou um artigo deste profissional mineiro. Não posso deixar de reproduzi-lo aqui, afinal, Sérgio é do mundo, mas é nosso, mineiro, e o artigo é muito bom.

 

Sérgio Pena

A partir daquele 25 de abril de 1953, o gene, antes uma entidade abstrata, ganhou fisicalidade; a biologia e a medicina se unificaram e deram à luz a biologia molecular.

 

Os cientistas James Watson e Francis Crick, codescobridores da estrutura do DNA

“Cesse tudo o que a Musa antiga canta, que outro valor mais alto se alevanta.” Desde os tempos dos descobrimentos marítimos, nunca esses dizeres foram mais verdadeiros do que naquele feliz dia 25 de abril de 1953 no qual James Watson e Francis Crick (1916-2004) publicaram no periódico britânico Nature um simples artigo —apenas uma página— com o título: “Uma estrutura para o ácido nucleico de desoxirribose”. Mas a simplicidade era apenas aparente. Após a apresentação do modelo de dupla hélice do DNA (uma legítima escada de Jacó), é declarada, no penúltimo parágrafo, a revolução: “Não escapou à nossa atenção que o pareamento que nós postulamos imediatamente sugere um possível mecanismo de cópia para o material genético”.

A partir desse dia, hoje chamado “Dia Internacional do DNA”, tudo mudou. O gene, antes uma entidade abstrata, ganhou fisicalidade. A biologia e a medicina se unificaram e deram à luz uma nova vedete, a biologia molecular.

Paulatinamente, mas inexoravelmente, seguiram-se as descobertas dos mecanismos de expressão genética, dos RNAs mensageiros, dos RNAs transportadores, dos RNAs catalíticos, do código genético, dos transposons, do DNA recombinante, e outros, que foram responsáveis por nada menos que 26 Prêmios Nobel em Medicina ou em Química até hoje, inclusive o dos próprios Watson e Crick, em 1962.

E tudo desembocou, exatamente 50 anos após, no Projeto Genoma Humano, que teve seu término oficial em 25 de abril de 2003.

O Projeto Genoma Humano deu aos navegantes da biologia e da medicina um verdadeiro mapa genômico para se orientarem. Com ele, passaram muito, muito além da Taprobana, desembocando no admirável mundo novo da genômica e da medicina molecular de 2018.

Nesse novo mundo entendemos bem o câncer e vamos aos poucos transformando-o em doença crônica. Já conquistamos a AIDS em grande parte e temos a doença de Alzheimer em nossa mira.

A medicina de precisão, preditiva, preventiva e personalizada, rapidamente se torna realidade. O sequenciamento completo do genoma tornou-se ferramenta da medicina e é usado rotineiramente no diagnóstico de doenças genéticas, inclusive aqui no Brasil.

Que sejam soltos os fogos de artifício! Que sejam lançados confetes e serpentinas! Hoje queremos comemorar o dia em que um artigo científico de uma única página mudou toda a história da humanidade.