O autismo

Dia 2 de abril é comemorado o Dia Mundial do Autismo e Belo Horizonte terá semana de debates, palestras, oficinas e orientações à população.

O Autismo, também conhecido como Transtornos do Espectro Autista (TEA), é transtorno que causa problemas no desenvolvimento da linguagem, nos processos de comunicação, na interação e comportamento social da criança.  Estima-se que 70 milhões de pessoas no mundo todo possuem algum tipo de autismo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS); no Brasil, 2 milhões. Uma pesquisa atual do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) diz que o autismo atinge ambos os sexos e todas as etnias, porém o número de ocorrências é maior entre o sexo masculino (cerca de 4,5 vezes).

No fim dos anos 1980, uma a cada 500 crianças era diagnosticada com autismo. Hoje, a taxa é de uma a cada 68. O significativo aumento chamou atenção até da ONU (Organização das Nações Unidas), que classificou o distúrbio como uma questão de saúde pública mundial.

Esse transtorno não possui cura e suas causas ainda são incertas, porém ele pode ser trabalhado, reabilitado, modificado e tratado para que, assim, o paciente possa se adequar ao convívio social e às atividades acadêmicas o melhor possível. Quanto antes o autismo for diagnosticado melhor, pois o transtorno não atinge apenas a saúde do indivíduo, mas também de seus cuidadores, que, em muitos casos, acabam se sentindo incapazes de encararem a situação.

Uma amiga tem um filho autista. O rapaz está com 28 anos, nasceu bem e até os três anos interagia normalmente. Foi nessa idade que o autismo se manifestou e ele parou de falar. Começou com atitudes intempestivas como se fosse gestos de raiva, tipo jogar objetos no chão ou pela janela. Essas alterações foram tratadas pelas professoras como problema comportamental, como se a criança estivesse passando por problemas familiares e manifestando como rebeldia. A mãe, pessoa bastante lúcida e instruída, e amorosa, percebeu que o filho não estava normal e procurou um neurologista, e ouviu do profissional que se tratava de birra e falta de limites.

Absurdo total, percebido por ela, pois sabia muito bem que a educação que dava para o filho era correta e com limites. Começou aí uma via sacra de pediatras, neurologistas, psicólogos, psiquiatras, e tudo quanto havia de exames na época. Infelizmente ela só ouvia que ele tinha “um problema importante”, mas ninguém falava o que era. Claro que tinha problema, uma criança que de uma hora para outra parou de falar, ficou hiperativo e chorava muito. Demorou oito anos até que um psiquiatra fechou o diagnóstico dizendo que se tratava de autismo, fato que ela já desconfiava há alguns anos, baseada em pesquisas próprias. O rapaz entende as coisas, porém sua comunicação é limitada. Tem algumas atitudes diferentes como gostar de tomar vários banhos ao dia, de roupa. Faz atividades físicas – importante no tratamento -, está na aula de música e pelo que ela me conta, parece que é feliz.

Outra coisa curiosa e interessante que minha amiga me contou é que a dieta de restrição do glúten é benéfica para o autista porque minimiza os comportamentos repetitivos. O problema é que toda a família e locais de apoio onde o autista convive tem que seguir a dieta, uma vez que ele não consegue selecionar por si próprio o alimento, ou seja, se ver um bolo ou um pão vai querer comer e não tem como explicar que não pode. Isso provavelmente desencadearia uma crise, já que elas ocorrem em função de alguma frustração.

Para comemorar o Dia Mundial do Autismo pessoas com o transtorno, associações e entidades ligadas à causa inovam com uma programação diversificada em Belo Horizonte. Será uma semana – de 2 a 8 de abril – voltada para o TEA com debates, palestras, oficinas e orientações à população. Com o tema “Autismo, quem faz o que em BH”, a programação diversificada vai contar com a participação de pessoas com autismo, seus familiares, associações, entidades e profissionais ligados à área, além de organizações que empregam pessoas com autismo, numa parceria com a PBH, ALMG, UFMG, OAB, entre outras instituições. A Defensoria Pública, por exemplo, irá orientar sobre os direitos das pessoas com autismo. Haverá ainda muitas outras informações sobre o TEA para famílias, educadores, profissionais da saúde, gestores e sociedade em geral. A proposta do evento é ampliar a atuação das pessoas com autismo, além de abrir o debate sobre os diversos aspectos do TEA.

Isabela Teixeira da Costa

Divórcio X Alienação Parental

Hoje, publico um artigo do advogado de família Paulo Eduardo Akiyama, sobre divórcio, filhos e alienação parental.

Ao longo dos anos que acompanhamos pais (pai e mãe) com problemas de guarda de seus filhos, prática de alienação parental, litígios intensos, processos intermináveis, há sempre um ponto de congruência, a animosidade entre eles.

É nítido nestes casos mais calorosos que o divórcio ou a separação do casal foi traumático, um total desastre que levou à falência do relacionamento. Nestes casos, sempre há uma discussão em relação aos bens do casal, onde uma parte entende que a outra não merece participar com o quinhão que lhe pertence, incluindo nesta discussão a guarda dos filhos. A discussão sempre parte de ambos, pois, é a forma de atingir um ao outro, pelos bens materiais.

Em diversos processos de guarda de menores, há a citação de que o pai ou a mãe não está cumprindo com a divisão dos bens, ou seja, sempre surge uma discussão em razão de valores.

Quando no processo de divórcio a guarda dos filhos provisoriamente fica a cargo da mãe (99% dos casos), estabelece-se uma verba de alimentos provisória, devendo o pai ser o provedor de tal valor.

É muito comum também o genitor usar o argumento de que o valor determinado para alimentos é exagerado e que não vai dar dinheiro para manter luxos da ex-esposa. Ou seja, como já dito, uma discussão insana e insensata por ambos e que acaba por atingir os filhos e expor ao perigo de sofrerem alienação parental, tanto pela parte de um como do outro.

O livro Ainda somos uma família da escritora Lisa René Reynolds, nos ilumina com casos reais quando em Connecticut, nos Estados Unidos, iniciou o programa PEP – Programa de Educação Parental, um curso ministrado pela escritora a inúmeros casais em processo de separação.

As experiências relatadas, vividas por pessoas de diversas etnias, religião, idades, faixas socioeconômicas, descevem inúmeras situações, diversas e particulares a cada caso, porém, as questões essenciais sempre são comuns entre elas.

Constata-se que, na maioria dos casos de separação de casais, as vitimas são as crianças. Foram elaboradas pesquisas nos Estados Unidos que demonstram que os filhos de pais separados sempre foram afetados de forma negativa pela separação dos pais.A mudança que ocorre, por ocasião da separação dos casais, alterando o meio de convivência familiar, por si só, afeta demais os filhos.

Saibam, aqueles que estão se separando ou se separaram, e vivem enorme conflito, litigio que seus filhos já sofreram muito com a separação do casal, principalmente pela sensação de terem perdido a família. Este sentimento de perda é o mais doloroso dos sentimentos para os filhos, superando em muito a necessidade de adaptação à nova situação de papai e mamãe não morarem mais juntos e ainda, com a certeza de que conviverão em um ambiente de tristeza que acompanha a separação do casal.

Esta perda, ou seja, a sensação de ter perdido a família, acaba sendo uma espécie de luto para os filhos, sensação de vazio, da falta daquele que não mais estará presente no dia a dia (pai ou mãe – dependendo de quem terá a guarda provisória).

Se o casal, na sua separação, não conseguir visualizar que seus filhos não se separam deles e que continuarão sendo pais, torna a situação ainda pior para que seus filhos superem a tristeza que lhes envolve. Sentem os filhos, que a separação dos pais é o término de um de seus mundos.

É comum, em um litigio de divórcio e guarda de filhos, os pais quererem especular, com os filhos o que o ex-conjuge tem feito. As crianças se sentem usadas como sendo espiões, fofoqueiros, criando assim, mais um conflito psicológico.

A separação vai alterar a dinâmica familiar, porém o que não muda é que pai e mãe não extinguem a relação deles com seus filhos. Continuarão sendo o alicerce de seus filhos, o exemplo que eles se espelharão. Portanto, se decidiu se separar, por mais penoso que seja a separação, coloque como meta que você (pai e mãe) deverá construir uma nova rede de relacionamento com seus filhos e que esta será a sua nova família.

As experiências vividas por casais que, ao decidirem sobre a separação, buscam orientações psicológicas para lidar com a situação, resultam em um processo dinâmico de divórcio, de resolução da guarda dos filhos, da convivência entre filhos e pais separados, de relacionamento maduro e objetivo na busca de educar e amparar os filhos. Nestes casos, inclusive, a divisão de bens acaba por se resolver de forma pacífica, visto que, deixa de ser o objeto usado para o início da guerra judicial.

Quando as partes entendem que não há como reatar, não há culpa, pois deixaram um de conhecer o que o outro demonstrou anteriormente, entenderão que, o melhor para ambos é cada um viver a sua própria vida, e ambos, viverem a vida de seus filhos, ou seja, dedicarem-se aos filhos, mesmo que separados. Proporcionarem aos filhos o máximo que poderão proporcionar na condição de pais separados. Conviverem com seus filhos o máximo que puderem de forma sadia.

Alienar parentalmente as crianças em função de um divórcio mal resolvido, não é a solução, pois as vitimas são seres humanos que não pediram para estar neste campo de batalha e muito menos pediram para serem usadas como objetos por parte de seus pais insatisfeitos.

*Paulo Eduardo Akiyama é formado em economia e em direito e atua com ênfase no direito empresarial e de família.

 

A profissão depois da maternidade

Recebi um artigo bem interessante escrito pela psicóloga Magele Valdo sobre maternidade e profissão.

A maternidade não é tarefa fácil. De repente, aquela mulher que se achava poderosa, profissional exemplar, responsável por decisões importantíssimas se sente insegura para decidir se medica ou não uma febre, se leva no pediatra homeopata ou no alopata quando está doente, se dá uma bronca ou um abraço quando a criança desobedece e cai do banquinho que não deveria ter subido. Em momentos assim, nos sentimos sozinhas e, muitas vezes, impotentes.

E, como se isso não bastasse, experimentamos, ao mesmo tempo, outros sentimentos completamente opostos. Nos sentimos fortes como leoas defendendo nossa cria, sobrevivemos bravamente a centenas de noites sem dormir, experimentamos uma felicidade inexplicável ao presenciar um simples sorriso.

Vivemos essa polaridade de sentimentos e sensações. E é com esse vulcão interno que muitas de nós tentam voltar a investir no papel profissional como se nada de diferente estivesse acontecendo. Em minha opinião, é aí que está o erro.

A sociedade tenta nos fazer acreditar que dá para separar a mulher profissional desta nova mulher, agora mãe. E não dá. Nosso corpo, nossa mente, nossas emoções, nossa alma, tudo está integrado. E precisamos nos reinventar profissionalmente após a maternidade, ou após qualquer outra experiência transformadora que vivemos.

Mas ainda se fala muito pouco sobre isso. Encontramos dicas sobre enxoval, amamentação e introdução alimentar. Sobre como brincar e o que fazer quando a criança faz birra. Sobre adaptação escolar e como voltar à forma depois da maternidade. Mas quase nada sobre os desafios de conciliar, de fato, maternidade e carreira.

Por isso, quando eu voltei da minha licença maternidade, procurei ouvir outras experiências, saber como diferentes mulheres lidam com essas questões, como se reinventaram nesta nova fase.

Assim eu me reinventei também. Não chutei o balde, não abri mão dos meus sonhos, mas também não fiquei achando que tudo ia seguir do ponto em que tinha parado. Tive que fazer escolhas e assumir riscos. No começo foi muito difícil escrever o meu caminho, mas hoje olho satisfeita com as escolhas que fiz e com o que consegui. Então, fico à vontade para compartilhar algumas dicas que serviram para mim. Quem sabe elas ajudem você que está passando por esta fase também:

  1. Não fique sozinha, remoendo suas dúvidas e sentimentos. Procure informação, conheça diferentes experiências e compartilhe as suas experiências com outras mulheres que estão passando por esta mesma situação.
  2. Forme uma rede de apoio no local de trabalho. Não espere compreensão de todos os que trabalham com você. Reconheça quem está mais próximo de entender e ajudar você e se aproxime, pedindo um colo, quando precisar. Geralmente outras mães com filhos de idades próximas passam por situações semelhantes e são as melhores companhias nessas horas.
  3. Reconheça que agora você é uma pessoa diferente, dê valor ao que melhorou e não dê tanta ênfase para o que piorou. A memória foi embora? Tudo bem, isso acontece mesmo, mas será que você não ficou mais focada e produtiva em seu horário de trabalho? Talvez mais empática com os outros ou, quem sabe, mais intuitiva para algumas decisões?
  4. Não escolha “família” ou “carreira”. Se os dois forem importantes para você, fique com os dois. Conheça os seus direitos para poder reivindicá-los se necessário e busque soluções criativas para driblar os desafios que você, assim como eu, vai encontrar.
  5. Acredite que é possível encontrar novos caminhos se você se fortalecer, investir em você, em seu desenvolvimento integrado, isto é, considerando a conexão entre seu corpo, sua mente, suas emoções, suas relações e um novo propósito para a sua vida. Isso vai te fortalecer para superar seus desafios!

Assim como todas as mudanças importantes na vida, a maternidade nos modifica por inteiro, em todos os nossos papéis. Permita-se identificar a nova mulher que nasce junto com a mãe e, com isso, a nova profissional também.

E você, que desafios está vivendo em seu papel profissional depois de se tornar mãe? Tem dicas para compartilhar?

Magele Valdo é gerente do X.five, com experiência de 12 anos em orientação de carreira e psicologia organizacional. No Grupo Bridge (empresa de soluções em desenvolvimento humano que  atua na prestação de serviços de consultoria para empresas de diferentes segmentos), é gestora do X.five (frente voltada ao desenvolvimento individual), especialista em inovação e líder da Incubadora.

 

Desabamentos e ameaças por causa das chuvas

As fortes chuvas de Belo Horizonte estão causando transtornos, acidentes e interditado vias importantes da cidade.

Desde o dia 14 a Avenida Sylvio Vasconcelos, que liga o Bairro São Bento à Avenida Raja Gabaglia está interditada por causa da queda do muro de uma casa. O transtorno está grande para os moradores da região, principalmente da Rua Ivon Magalhães, que têm que dar uma volta enorme para conseguir entrar e sair de suas casas.

A casa é das mais antigas da região, aquela enorme da esquina, e graças a Deus não soterrou nenhum carro e nenhum pedestre e também ninguém da casa se feriu. O pior mesmo foi o susto pelo grande barulho que a queda provocou. A Defesa Civil notificou o proprietário da residência, que deve apresentar plano de ação para mitigação dos riscos, laudo de estabilidade do restante do muro e providenciar remoção dos entulhos.

Um vídeo que flagra a queda do muro de cerca de 12 metros, que por poucos segundos, não atingiu uma mulher e um carro que transitavam pela via. O vídeo começa com um carro escuro subindo a Avenida Professor Sylvio Vasconcelos, pouco depois, outro veículo – dessa vez branco – desce a via e bem próximo ao muro e uma mulher aparece caminhando na direção da mansão. A pedestre, que carrega uma sombrinha, percebe que o muro vai cair e corre na direção contrária.

Acidentes acontecem, isso é trágico, só não entendo o por que de a PBH/Sudecap/Defesa Civil (não sei qual dos órgãos tem essa obrigação), não exigiu que o proprietário retirasse os escombros para liberação da avenida. Mesmo que fosse para transito local, uma vez que enquanto não for apresentado laudo informando a segurança do restante do muro não se deve permitir trânsito na via por risco de novo desabamento e acidente maior. Mas pelo que sei – tenho amigas que são vizinhas do local –, tem escombros interditando a garagem de outra casa, ou seja, desde o dia do acidente (14 de março), uma família não pode entrar e sair com seus carros de sua casa. Um grande transtorno.

Inconveniente maior ainda pelo fato de a BR 356, que liga a Savassi /Sion ao BH Shopping, estar ameaçada de queda. Já interditaram duas pistas no trecho entre o trevo do Belvedere e o supermercado Supernosso. Segundo informações que recebi de profissionais envolvidos na construção da rodovia, tudo isso está ocorrendo por dois motivos:

Primeiro: quando construíram o trecho deveriam ter feito uma drenagem, que ficava tão cara quanto a obra da estrada, então optaram por não fazer a drenagem. Assustador. Segundo: Permitiram construções ilegais no pé do muro de arrimo. Essas construções cavaram na base do muro (o que não poderia ter ocorrido nunca), abrindo entrada de água onde não poderia, enfraquecendo a base do muro.

Segundo minha fonte, se a BR356 desabar levará todas as pistas, não apenas as duas que estão interditadas. Me informaram que a Defesa Civil pediu interdição total do trecho, em ambos os sentidos, à BHTrans, que se recusou a fazê-lo. Ou seja, podemos viver aí uma tragédia anunciada, apesar de já terem feito a drenagem da água acumula, porém, as chuvas continuam.

Pelo sim e pelo não, eu não passo mais por lá. Uso trechos alternativos como a Patagônia e a avenida do Belvedere, a subida do Santa Lúcia que sai no Posto do Xuá e a avenida Raja Gabaglia. Com certeza esses trechos ficarão cada vez mais congestionados, mas é melhor transito intenso do que acidente fatal.

Isabela Teixeira da Costa

 

O drama do guarda-roupa feminino

Já ficou nervosa com a quantidade de roupa no seu armário que você não usa? Entenda o seu guarda-roupa.

São poucas as mulheres que não têm um guarda-roupa abarrotado. Não importa se são peças caras ou baratas, de grifes famosas ou sem etiqueta, o fato é que mulher gosta de comprar roupas, sapatos, bolsas, bijuterias, joias. Enfim, tudo para se enfeitar, afinal essa é uma qualidade exclusivamente feminina.
Depois que passei pela cirurgia bariátrica, emagreci muito e, consequentemente perdi todas as minhas roupas, mas todas mesmo, desde calça, saia, blusa e vestido até as peças íntimas e alguns sapatos. Sei que muita gente manda apertar as roupas, mas a redução foi tão grande que não daria certo. Fiz umas quatro malas para minhas sobrinhas gêmeas, duas para cada, cheias até na tampa, daquelas que dá para pagar excesso de peso em aeroporto.
Em compensação minha irmã fez uma limpa nas coisas dela e me presenteou com uma mala e alguns meses depois, me deu outra, com uma boa quantidade de variedade de peças. Uma ajuda valiosa para quem tem que renovar o guarda-roupa. E o que estava vazio – pela primeira vez –, se encheu novamente.
Fico pensando para que tanto. Até porque, quando estava dando a “limpa” no meu armário, vi uma série de roupas que não usava há anos e outras que nunca tinha vestido. Que loucura é essa? Entendi tudo, perfeitamente, depois de receber de uma amiga uma imagem que retrata com perfeição o guarda-roupa de uma mulher.
Percebi qual era o motivo do drama do armário de uma mulher, porque é drama mesmo. Por que enchemos o armário? Por que não usamos tudo o que temos? A resposta é simples somos desvairadas para gastar.
Se dividirmos o armário em 16 partes teremos a seguinte representação: 3 partes são preenchidas por roupas antigas, que não temos coragem de desfazer e que ficam ali, aguardando para usarmos quando a moda voltar. O problema é que a moda volta repaginada e as tais peças continuam ali, sem serem usadas.
Outras duas acomodam as roupas que precisam ser levadas para conserto. Mais duas partes que guardam aquelas peças que já usamos muito, amamos, e por alguma razão inexplicável parou de servir. Ficam ali esperando que a gente emagreça para podermos usar novamente. E de dois em dois o armário vai inchando.As outras duas partes são para as peças que compramos por impulso e que arrependemos totalmente, e ficam ocupando espaço e acumulando poeira.
E então chegamos a parte maior, seis, que maravilha roupas para usar! Só que não. Este espaço todo fica com as peças que compramos porque estavam baratas, mas nunca usamos e não conseguimos combinar com nada. Sou mestre em fazer isso. Já desisti de comprar roupa em liquidação e bazar, porque tudo que eu compro cai nesse buraco negro do guarda-roupa. Sinceramente, invejo mulheres que sabem comprar em bazar, precisa ter dom e talento. Não é o meu caso.
E então, sobra uma partezinha das dezesseis, e o que está nela? As roupas que a gente ama muito e usa. Preste bem a atenção, uma parte modesta do armário guarda o que usamos no dia a dia. Chocante e verdadeiro.
Isso sem levar em conta a sapateira, afinal, somos apaixonadas por sapato e os homens, tão insensíveis, não entendem a importância disso e debocham de nós perguntando se somos centopeias para termos tantos pares de calçados assim. Não, não somos, somos elegantes, gostamos de andar bem arrumadas.
Sinceramente, o problema não é ter muito, é ter o que não usamos. Deveríamos dar uma limpa e guardar apenas o que realmente é útil. O resto podemos doar. É impressionante, muitas das roupas que ganhei da minha irmã acho que ela não usava mais, e sempre que me vê com elas elogia e faz uma observação interessante. Diz que estou elegante e que usei a roupa de um jeito diferente, dei uma nova visão à peça.
Nada como reciclar.

Isabela Teixeira da Costa

A hora e a vez da comunicação

Comunicar e se fazer entender da forma correta é uma das tarefas mais difíceis que existe.

Ilustração Marcelo Lélis

Vivemos a era da comunicação. O mundo uma efervescência nessa área e, apesar de todos os novos canais de informações que surgiram com o avanço tecnológico isso não resultou em uma facilitação para a comunicação.
Quem lembra do telefone sem fio, brincadeira antiga de criança, que divertia a turma? Uma pessoa falava uma frase no ouvido de alguém, que passava para o colega do lado e de ouvido em ouvido a frase ia caminhando até chegar ao último da fila que, em voz alta repetia o que havia ouvido. Sempre a frase era completamente diferente da original.
E é assim com a comunicação. Quem fala algo, espera que o outro entenda exatamente o que foi dito, infelizmente nem sempre é assim. Depois do surgimento de e-mails, messenger, WhatsApp, aí que o sentido da mensagem mudou mais ainda. Simplesmente porque quem lê, imprime ao recado a intenção e entonação que deseja, e sendo assim, muitas vezes um inocente recado toma proporções gigantescas e até inicia uma briga ou discussão.
E ainda tem aquelas pessoas que sempre acham um duplo sentido em tudo o que o outro fala. E não adiante explicar que você não teve segundas intenções. A pessoas insiste em dizer que mesmo no subconsciente você está mandando mensagens ocultas nas entrelinhas e quem sabe ler essas entrelinhas recebe a mensagem. Aí não tem jeito. O melhor é largar para lá e se possível, parar de falar, porque o diálogo sempre será complicado, já que que você vai falar A e a pessoa vai entender a letra que bem lhe convier.

Muita gente reclama do excesso de canais de informação, mas isso é chover no molhado, afinal, eles não diminuirão, afinal, é caminho sem volta, o que pode ocorrer é aumentar ainda mais. E com isso vem mais mensagens, mais e-mails e mais trabalho para triagem.
Segundo o especialista em comunicação verbal, Reinaldo Passadori, se a nossa forma de compreender o mundo e os meios de se relacionar com os outros está mudando na medida em que a comunicação se torna mais importante e mutante, precisamos perceber e desenvolver nossas capacidades de acordo com as novas ferramentas.
O profissional destaca alguns pontos importantes, ou dimensões, no processo de comunicação. O primeiro é a comunicação intra pessoal, que tem a ver com a “ponte” que uma pessoa estabelece consigo mesma e até onde ela é capaz de trabalhar o seu comportamento e transformar a timidez em força para se expressar com confiança e entusiasmo.
A segunda dimensão é a interpessoal, que engloba o diálogo, a empatia, a importância do feedback, o elo com nosso interlocutor. Não podemos ignorar o “como” dizer as coisas. E também a comunicação corporal, afinal, nossos gestos, expressões faciais e sinais são importantes para as mensagens sem palavras.
A dimensão técnica tem a ver com os recursos para uma comunicação adequada aos ambientes e circunstâncias, isto é, o ambiente ou ferramentas como aplicativos, audiovisuais, etc. É na dimensão intelectual que a produção dessa comunicação assume destaque quando somos capazes de planejar e preparar com propriedade as nossas apresentações. Por último, a dimensão espiritual se refere ao cultivo dos nossos valores para a busca de uma liderança pessoal e exclusiva.
Como você pode perceber, e foi muito bem apontado por Passadori, a comunicação nem é um bicho de sete cabeças, mas também não é simples. Hoje, somente com este mergulho que percorre as dimensões da comunicação poderemos aplicá-la à vida e ao trabalho. A comunicação desenvolvida tem poder suficiente para provocar mudanças positivas  pela ética e pela dignidade.

Isabela Teixeira da Costa

Coluna publicada no caderno EM Cultura do Estado de Minas

Diagnóstico do câncer de mama

Pesquisa recente põe mais uma questão sobre a obesidade: a dificuldade na detecção nos estágios iniciais do câncer de mama.

Ilustração Lélis

Há alguns anos, em conversa com o chefe da oncologia da Rede Mater Dei, Enaldo Melo de Lima, ele disse que estavam tratando o câncer como epidemia, em função do crescente aumento de casos da doença.
Existe uma corrente que acredita que já descobriram o remédio que cura o câncer, porém a forte indústria farmacêutica não permite que ele seja colocado em escala comercial. Outros creem que o tal medicamento ainda está fase de testes.
Pelo sim ou pelo não, as pesquisas sobre a doença não param, tanto para descobrir as causas como para achar formas de prevenção. O mais recente estudo sobre o tema vem da Suécia e sugere que mulheres obesas precisam realizar mais mamografias, uma vez que é mais difícil detectar tumores pequenos nessas mulheres. Entretanto, vários especialistas questionam se a realização de mais exames ajudaria na questão.
O respeitado Instituto Karolinska foi o responsável por apresentar o resultado do estudo feito entre 2001 e 2008, com mais de 2 mil mulheres diagnosticadas com câncer de mama, em Estocolmo, na Suécia, durante o encontro anual da Sociedade Radiológica da América do Norte. O objetivo era entender por que muitas só eram diagnosticadas com a doença quando o tumor já estava grande. A conclusão foi de que o índice de massa corporal (IMC) acima dos 30 e a densidade das mamas estão relacionados a isso.
Os pesquisadores continuaram acompanhando as pacientes até 2015 e constataram que o tumor nas mulheres obesas e com mama densa era detectado com o tamanho maior do que 2 centímetros. É um parâmetro importante, pois é o que separa o estágio 1 da doença, do 2.
Segundo o radio-oncologista Leonardo Chamon, faltam evidências que provem que, se diminuírem os intervalos das mamografias nessas mulheres, conseguirão fazer diagnósticos mais precoces. A princípio, pode parecer algo lógico e óbvio, mas não foi comprovado por pesquisas.
De toda forma, caso o exame encontre lesões que precisem ser acompanhadas, os intervalos entre a mamografia podem ser mais curtos do que os habituais. Assim, definem as imagens que podem ser monitoradas e as que necessitariam de biópsias para esclarecimento.
Para o mastologista Luís Cláudio dos Santos, do Hospital Felício Roxo, diante da dificuldade em interpretar uma mamografia por causa da densidade aumentada ou por se tratar de mamas muito volumosas, devemos associar outros métodos no rastreamento, como a ultrassonografia ou a ressonância nuclear magnética – esta última apenas em condições excepcionais, como mutação genética patogênica comprovada.
Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda que a mamografia de rotina seja feita na faixa etária entre 50 e 69 anos, uma vez a cada dois anos. Mulheres com maior risco para desenvolvimento de câncer de mama – com histórico familiar (parentes de primeiro grau), com determinadas mutações genéticas ou que foram expostas à radiação ionizante (radioterapia) antes dos 35 anos – devem ser avaliadas individualmente para decidir com um especialista sobre como será sua rotina de mamografias.
Muitos profissionais da área concordam com a sugestão da American Cancer Society (ACS), de que sejam realizadas mamografias anuais após os 40 anos e uma mamografia base entre 30 e 35 anos.

Isabela Teixeira da Costa

Coluna publicada no caderno EM Cultura do Estado de Minas

Você é perfeccionista?

Ser perfeccionista pode ser uma ótima qualidade, porém, se for em exagero se torna um defeito que pode trazer graves consequencias como depressão e outras mazelas.

Já chorou alguma vez porque tirou uma nota menor do que nove, ou por ficar em segundo lugar em uma competição? Se a resposta for positiva, é bem provável que você seja um perfeccionista. Não que isso seja ruim, o problema é o exagero, e o auto sofrimento que isso acarreta à pessoa. Os perfeccionistas muitas vezes têm alto desempenho, mas o preço desse sucesso pode ser a infelicidade e insatisfação crônicas.

A busca constante pelos melhores resultados pode ter um impacto positivo na vida. Afinal, o perfeccionista costuma ser estudioso, determinado e dedicado. Quando esse tipo de pessoa se desafia a algo, pode ter certeza que o resultado final será muito bom. O problema é que, em alguns casos, o perfeccionismo passa do saudável e se torna uma obsessão. Então, quando a pessoa não atinge o padrão de perfeição que gostaria, acaba de sentindo frustrado, fraco e incapaz. Também pode ocorrer da pessoa perfeccionista viver com muito medo de errar e sofrer de ansiedade. Em casos assim, é fundamental a ajuda de um psicólogo, pois o perfeccionismo pode, inclusive, ser gatilho para doenças como pânico, ansiedade e depressão.

Segundo Christian Barbosa, um dos maiores especialista em administração de tempo e produtividade no país e CEO da Triad PS, existem dois tipos de perfeccionista: o saudável e o neurótico. O saudável normalmente estipula objetivos e os enxerga como um desafio, uma oportunidade de aprendizado; já o neurótico costuma ficar assustado diante das metas, porque tem medo de não conseguir alcançar um resultado satisfatório – muitas vezes, esse medo é a própria causa dos maus resultados. O perfeccionista neurótico fica tão exausto com suas próprias cobranças, que acaba entregando menos do que poderia.

Mas como saber se você é um perfeccionista? Veja algumas características típicas desse tipo de pessoa. Autoestima condicional, ou seja, basea seu valor pessoal em determinadas condições, especialmente nos resultados que recebe. A tendencia é se tornar uma pessoa de autoestima baixa, que duvida de seu próprio potencial. Para o perfeccionista é tudo ou nada, vale aquela máxima do oito ou 80, não existe meio termo.

Ele tem medo extremo do fracasso e por medo de fracassar deixa as coisas para depois, ou seja, procrastina e para completar são estressados, o que prejudica a saúde psicológica, física, os relacionamentos e o trabalho, pois com estresse ninguém consegue produzir com qualidade. O perfeccionista é metódico e minucioso, tem dificuldades de aceitar erros e aprender com eles, é detalhista, se pune quando erra e sente-se sempre culpado, te dificuldades para trabalhar em equipe, é inflexível aos erros dos outros. Não confia nas outras pessoas, pois acha que ninguém fará suas demandas tão bem quanto ele.

Se encaixou em alguma dessas características? Se isso está atrapalhando sua vida, é possível mudar. Christian afirma que é preciso entender que esse comportamento rouba o seu tempo e traz infelicidade e decepção, o que pode até desencadear uma depressão. Passe a celebrar pequenas vitórias e cobrar-se menos. Para os que têm mais dificuldade em se libertar da exigência, escolha uma pessoa de confiança para te monitorar e te ajudar a identificar seus exageros. É fundamental respeitar a si mesmo. A medida mais importante é entender que todos nós temos limitações, e ser perfeito é humanamente impossível.

Isabela Teixeira da Costa

Coluna publicada no caderno EM Cultura do Estado de Minas

A empresa da minha vida

Tenho orgulho de ser jornalista e trabalhar há 41anos no jornal Estado de Minas, casa onde aprendi a ser uma profissional séria, ética, responsável e feliz.

Meus colegas do Parque Gráfico, que imprimiram o caderno especial dos 90 anos do EM

O jornal Estado de Minas completou 90 anos na quarta-feira. É difícil descrever a emoção que senti e estou sentindo até hoje, afinal, desses 90, estou aqui há 41. O jornal foi meu primeiro trabalho, entrei aqui aos 16 anos e não saí mais. Isso sem contar as inúmeras vezes que fui ao jornal ou ao Palácio do Rádio (prédio onde fica a TV Alterosa), quando ainda era criança, visitar o trabalho do meu pai. Desde que nasci esta empresa faz parte da minha vida e quanto orgulho e prazer eu tenho disso.

Não esqueço quando meu pai, Camilo Teixeira da Costa, na época diretor executivo do grupo, me trouxe para trabalhar meio horário como secretária dele. Recebia mesada, nada formal, A desculpa era que estava sem secretária, só com a chefe de gabinete, e o trabalho era grande. Precisava de alguém de confiança até que a empresa contratasse outra profissional. Mas o motivo real era o fato de eu estar namorando um rapaz que ele não aprovava muito. Claro que aceitei o convite e comecei a trabalhar. Amava o que eu fazia e isso influenciou grandemente nas decisões do rumo da minha vida. A jogada dele não deu certo porque continuei com namora, mas ganhei um emprego.

Poucos meses depois, o diretor geral, Pedro Aguinaldo Fulgêncio, me contratou. Foi aqui que aprendi a ser uma profissional, séria, comprometida, responsável. De secretária fui para a redação como diagramadora, depois me tornei repórter e passei por várias editorias e setores da empresa. Minha trajetória profissional foi grande aqui dentro. Fiz muitos amigos.

Fui precursora em várias coisas: a primeira mulher repórter de polícia do Estado de Minas – no Dops eles me chamavam de Kate Marrone, em alusão a um seriado da época –, a primeira diagramadora a fazer páginas no computador, quando o jornal começou a ser informatizado, passei pela unificação das empresas do grupo.

Quem trabalhou aqui, ou trabalha concorda com uma coisa, essa empresa é uma cachaça, quem entra não quer sair e tem prazer no que faz. Mesmo com problemas, dificuldades, crises, correrias, amamos esta casa. O aniversário foi comemorado no dia certo e da forma certa: internamente, afinal, temos que celebrar com quem faz a empresa. Foi um dia inteiro de festas, com todos os funcionários alegres, orgulhosos de uma data tão especial.

Com cada pessoa que conversei ouvi uma história mais linda do que a outra sobre a relação com a empresa. Uma colega, que retornou recentemente para cá, me disse cheia de orgulho que quando saiu e foi procurar emprego perdeu uma vaga porque na entrevista de emprego elogiou tanto o Estado de Minas e tudo o que alcançou no período que trabalho aqui, que a entrevistadora disse que precisava de alguém que vestisse a camisa de lá, e a dispensou. Outro colega, esse mais das antigas, não se esquece que entrou para o jornal convocado por um diretor logo após a morte de seu pai, ex-funcionário. Foi trabalhando aqui que conseguiu comprar sua casa própria, formar seus dois filhos, casá-los, enfim, fazer a sua vida.

Não existe uma pessoa sequer, que tenha passado por aqui, ou que ainda esteja na empresa que não tenha um caso de muita gratidão para contar. Isso é de orgulhar qualquer instituição. Completamos 90 anos com corpinho de 18. Temos tradição, lastro, credibilidade, história, mas temos futuro. Estamos em todas as mídias, ao alcance de todos, desde os mais velhos aos mais jovens, levando a informação com responsabilidade e competência. Somos um jornal feito por uma equipe de primeira e por isso mesmo não podemos deixar de registrar, de todas as formas, uma data tão importante. A data foi dia 7, mas teremos um ano inteiro para celebrar este aniversário. Parabéns Estado de Minas, que venham mais 90 anos!

(O Portal Uai lançou o Megafone, podcast com jornalistas das casa contando histórias da empresa. O primeiro é com a Anna Marina e já está no ar. Ouçam clicando aqui.)

Isabela Teixeira da Costa

Crônica publicada no caderno EM Cultura do Estado de Minas

O mundo é das mulheres

Para falar a verdade, acho que o Dia Internacional da Mulher já teve sua importância, hoje, não precisamos mais disso. Mesmo assim, é uma boa oportunidade de ressaltarmos nossas qualidades.

Mulher é batuta. Somos bacanas demais. Somos fortes e frágeis, guerreiras e delicadas, duronas e sensíveis, racionais e emotivas. Erra quem pensa que vivemos em dualidade, absolutamente, somos completas e complexas, cheias de nuances que nos colorem, nos dão o charme e a beleza de ser.

Um poeta desconhecido, ou simplesmente alguém inspirado, escreveu certo dia um texto como se fosse um diálogo entre Deus e um anjo, quando o Criador estava criando a mulher. Este diálogo rodou internet, mas alguns trechos descrevem com perfeição as características únicas desses seres fantásticos que somos.

“Ela deve ser completamente flexível, porém não será de plástico, deve ter mais de 200 partes móveis, todas arredondadas e macias e deve ser capaz de funcionar com uma dieta rígida, ter um colo que possa acomodar quatro crianças ao mesmo tempo, ter um beijo que possa curar desde um joelho raspado até um coração ferido. (…) Ela se cura sozinha quando está doente e ainda pode trabalhar 18 horas por dia. (…) É suave, porém, a fiz também forte. Não tens ideia do que pode aguentar ou conseguir. (…) Será capaz de pensar, de raciocinar e negociar, mesmo que pareça ser desligada ela prestará atenção em tudo o que for importante. (…) As lágrimas são sua maneira de expressar seu amor, sua alegria, sua sorte, suas penas, seu desengano, sua solidão, seu sofrimento e seu orgulho… (…) A mulher é verdadeiramente maravilhosa.

Sim, ela é! A mulher tem forças que maravilham os homens. Aguentam dificuldades, carregam grandes cargas físicas e emocionais, porém, têm amor e sorte. Sorriem, quando querem gritar, cantam, quando querem chorar, choram, quando estão felizes, riem, quando estão nervosas, lutam por aquilo que acreditam, enfrentam a injustiça, não toleram o ‘não’ como resposta, principalmente quando elas acreditam e percebem que há uma solução melhor. E ainda privam-se, para que sua família possa ter algo, vão ao médico com uma amiga que tem medo de ir sozinha, amam incondicionalmente, choram quando seus filhos não triunfam e se alegram quando suas amizades conseguem prêmios. Seu coração se despedaça quando morre alguém próximo, mas são ainda mais fortes quando parecem não terem mais forças. Porém, há um defeito, às vezes, elas se esquecem o quanto valem…”

Somos assim mesmo. E a prova disso é que cada vez mais ocupamos cargos que geralmente e tradicionalmente sempre foram ocupados por homens. Em Ibirité, temos a Michele Alves, de 35 anos, a primeira mulher operadora que controla sozinha o processo de lacre e etiquetamento de todos os botijões de gás da Copagaz. Mãe de sete filhos, Michele atua na unidade desde 2015 diz que nunca sentiu indiferença ou dificuldade em trabalhar com homens por sempre ter sido respeitada por eles. Além disso, não há qualquer distinção formal entre os salários praticados na Copagaz em função de gênero.

Outra que voou alto foi a Dina Barile, a única brasileira a ir para o espaço. Ela é jornalista, filha de imigrantes italianos que fugiram do caos pós-guerra, viveu uma infância bem humilde, quando dependia de boas notas escolares para conseguir bolsas de estudos para poder estudar. Hoje, fala quatro idiomas. Fascinada por novas experiências e por conhecer mais, embarcou recentemente em um caça MIG 29, na base de Sokol, na Rússia, e se tornou a primeira e única mulher brasileira a chegar à Estratosfera. No dia seguinte, realizou um voo em gravidade zero. Para nós, mulheres, não há limites.

Isabela Teixeira da Costa

Coluna publicada no caderno EM Cultura do Estado de Minas