Vilões dos vasos sanguíneos que podem estar na sua dieta

Sal

Alguns alimentos consumidos em dietas favorecem o acúmulo de gordura e o aparecimento da inflamação nos vasos sanguíneos.

Cada dia que passa descobrimos um novo fator que interfere na saúde. Recebi um material que fala de fatores que interferem na circulação sanguínea, na dieta. Acho que isso nunca passou pela cabeça de ninguém. Vamos lá. Segundo a angiologista e cirurgiã Aline Lamaita, genética, sedentarismo, tabagismo e obesidade afetam a circulação (isso é mais conhecido das pessoas), e existem alguns complicadores nas dietas. “Enquanto ácidos graxos como ômega-3 são benéficos para ‘afinar’ o sangue e alimentos com propriedades antibióticas naturais, como alho e cebola, ajudam a prevenir coágulos sanguíneos; alimentos ultraprocessados têm grande quantidade de sal, açúcar e gordura, todos relacionados à dificuldade da circulação sanguínea”, afirma Aline.

A médica lista cinco vilões dos vasos sanguíneos:

Excesso de sal: “Além de usar o saleiro, a maioria dos produtos industrializados tem o sódio adicionado para melhorar sua conservação. Então, no geral, o brasileiro consome muito mais sal do que deveria. O sal favorece a retenção de líquido, provoca inchaço e aumenta a pressão sobre os vasos sanguíneos, deixando o sangue mais denso, pesado, podendo favorecer a formação de coágulos. Também devemos tomar cuidado com doces light e refrigerantes, pois geralmente contém muito sódio. Quando se fala em sódio, as pessoas automaticamente pensam em salgados e, em boa parte da população, o consumo excessivo está nos doces e produtos industrializados”, explica Aline.

Bebida alcoólica: “Ao favorecer a desidratação, o álcool pode fazer o organismo reter mais líquidos e aumentar a pressão sobre veias e artérias. Quem gosta de fumar quando está bebendo aumenta ainda mais os riscos, já que a nicotina tem efeito constritor”, alerta a médica.

Falta de água: “Quanto menor a ingestão de água, maior a viscosidade do sangue. Além disso, a desidratação também favorece a queda da pressão arterial, ameaçando vários órgãos. O consumo adequado de água garante que o organismo seja irrigado e bem nutrido de sangue”.

Alimentos processados: “Você ama biscoitos, macarrão instantâneo, refrigerantes, refrescos em pó e salgadinhos? Fique atento, eles são ricos em sal, açúcar e gorduras, favorecem o ganho de peso e também a inflamação, o que pode colaborar para o aparecimento de doenças circulatórias”.

Gordura hidrogenada: “Fast-foods, sorvetes industrializados e bolos são três exemplos de alimentos que retardam a circulação e podem agravar a inflamação dos vasos sanguíneos”.

Aline Lamaita orienta o consumo de alimentos ricos em fibras, que auxiliam na boa digestão e controle do colesterol: “escolha alimentos com gorduras poli-insaturadas; frutas ricas em vitamina K, como morango, uva e ameixas que têm papel importante na coagulação do sangue; e alimentos antioxidantes e que contém rutina (encontrada na laranja, limão e maçã) que auxiliam na diminuição da morte celular da parede das veias”.

Isabela Teixeira da Costa

Dieta pós 40

Depois dos 40 fica mais fácil engordar e mais difícil emagrecer. É importante fazer uma dieta balanceada para garantir boa saúde e vigor.

Todo mundo que já passou dos 40 anos deve ter percebido que algumas mudanças ocorrem na vida. É preciso ter cuidados redobrados com a saúde, principalmente porque o corpo começa a dar os primeiros sinais do tempo.  A pele já não apresenta a mesma elasticidade, manter o peso é mais difícil,e o cansaço com as atividades cotidianas. Podemos melhorar muita coisa simplesmente mudando nossa alimentação. Segundo especialistas, fornecendo os nutrientes certos ao corpo, é possível encarar as mudanças físicas próprias dessa etapa com mais tranquilidade, sem perder o vigor e disposição de outrora.

São as mudanças físicas que mais incomodam, principalmente para nós, mulheres. Apesar das mudanças no corpo serem gradativas, a maioria das pessoas só costuma notar os sinais mais tarde. Maior incidência de rugas, por causa da perda do colágeno, maior flacidez, o metabolismo e a produção hormonal diminuem, e maior dificuldade de controlar o peso. Este último problema também ocorre pela redução da massa magra.

De acordo com a nutricionista Joanna Carolo, é possível retardar o ponteiro do relógio e, até mesmo, suavizar tais aspectos com bons hábitos alimentares “Repor os nutrientes em baixa pode atenuar alguns incômodos comuns dessa fase, além de fortalecer a saúde e manter a energia em alta, o que é tão importante para quem geralmente enfrenta uma rotina intensa“. A profissional afirma que este é um momento oportuno para reavaliar a dieta, sobretudo porque “a partir dessa idade, o impacto de uma alimentação desequilibrada sob o corpo será cada vez mais notável, além disso, o organismo terá, naturalmente, maior dificuldade em absorver certos nutrientes. Portanto, fazer boas escolhas é fundamental para manter a energia”.

Nessa fase é preciso dar mais atenção a alguns nutrientes. “Antes mesmo da chegada dos 40 é recomendado atentar ao aporte de alguns nutrientes em especial, como o colágeno e o cálcio. Mas não para por aí: existem outros elementos importantes, capazes de frear a ação dos radicais livres”.

Consuma mais vitamina B12: essencial para o bom funcionamento do sistema nervoso, esse nutriente também participa da formação das hemácias, as células vermelhas do sangue, ajudando a prevenir um tipo de anemia conhecida como megaloblástica. Também é fundamental para a regeneração dos músculos e, até mesmo, preservação do DNA. Contudo, com o passar dos anos, o corpo perde progressivamente sua capacidade de absorver a vitamina, sendo assim, é essencial aumentar o seu consumo. É possível encontrá-la majoritariamente em proteínas animais, como cortes de carne vermelha, branca e ovos;

Invista no magnésio: mineral que ajuda a afastar problemas como hipertensão, espasmos musculares e, até mesmo, doenças do coração. Principais fontes: Vegetais de coloração verde escura como o espinafre, acelga e salsa; arroz integral, aveia, sementes de gergelim e cacau;

Visão aguçada com retinol: problemas de visão podem ser agravados pela deficiência de vitamina A, também conhecida como retinol, isso porque, além de proteger a córnea, o nutriente ajuda a retina a se ajustar em ambientes com menor incidência de luz, ou seja, mais escuros. E tem mais: seu aporte adequado fortalece o sistema imunológico e garante, até mesmo, pele e cabelos mais bonitos. Onde encontrar: Cenoura, abóbora, bife de fígado e gema do ovo;

Combater o colesterol com Ômega 3: é fundamental deixar de lado gorduras ruins, como a trans e a saturada. Porém, as gorduras boas não podem ficar fora do cardápio: o Ômega 3, em especial, possui ação antioxidante capaz de reduzir o LDL (colesterol ruim) e também o risco de doenças cardíacas. Além disso, colabora para a função cognitiva, preservando a memória acurada. Por isso, aposte em alimentos como o salmão, atum, azeite de oliva e óleo de peixe.

É essencial que o cardápio dê conta do que o corpo precisa, porém, considerando outro fator relevante: o metabolismo, que influencia na nossa energia. A partir dos 40 anos é fundamental fazer escolhas melhores para manter o peso, como trocar o arroz branco pelo integral, substituir os lanchinhos industrializados por frutas frescas e cereais como a aveia, por exemplo. Evitar o abuso de açúcar e sódio e fazer refeições equilibradas.

De acordo com a nutricionista, uma boa dica é dar preferência aos carboidratos de baixo índice glicêmico, pois além de propiciarem uma energia prolongada, não causam picos de açúcar no sangue. Priorize o consumo de boas proteínas como carnes magras, ovos, leite e derivados, pois fornecem os aminoácidos necessários para manutenção dos tecidos, atenuando os efeitos da perda de massa muscular que começa a se acentuar a partir dos 40.

Salvar

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Dieta Low Carb – Parte 2

Ontem comecei a falar da dieta da moda, a Low Carb. Hoje, continuo com o assunto, descrevendo o que pode e não pode na dieta e o efeito rebote.

A nutricionista Sinara Menezes continua avaliando e destrinchando a dieta low carb e descreve os alimentos permitidos, os proibidos e os toleráveis. Veja abaixo:

Alimentos permitidos: Carnes em geral, mesmo com gordura. As gorduras boas, inclusive, possuem um papel importante na dieta, pois propiciam a saciedade e também servem como fonte de energia. Sendo assim, o cardápio pode ser rico em alimentos como oleaginosas, abacate, coco e peixe. Verduras, principalmente hortaliças e vegetais folhosos, também estão liberados, bem como ovos, leite e derivados – outras fontes importantes de proteína.

Alimentos proibidos: Alimentos industrializados e altamente processados como temperos prontos, gorduras trans, doces, qualquer tipo de açúcar (inclusive adoçantes artificiais), farináceos, pães e massas (inclusive os integrais) e carboidratos de alto índice glicêmico, ou seja, capazes de elevar a glicose rapidamente. Um ponto polêmico é sobre a ingestão de grãos, principalmente os ricos em glúten. No geral, a dieta desaconselha a ingestão desse alimento num primeiro momento, quando se busca o emagrecimento.

Alimentos toleráveis: para aqueles que já estão adaptados à dieta e já alcançaram o peso desejado é permitido consumir ocasionalmente tubérculos ricos em amido como batatas, bem como determinadas frutas. Alguns grãos sem glúten também podem compor o cardápio vez ou outra, assim como leguminosas e, até mesmo, o chocolate 70%.

É preciso frisar que a dieta não é No Carb, ou seja, zero carboidrato. A diferença é que a fonte desse alimento será mais qualificada, focando, principalmente, no quanto este carboidrato fará a glicemia subir, ou seja, no seu índice glicêmico. Sendo assim, carboidratos de baixo impacto sob a glicemia serão, justamente, aqueles que vão entrar na dieta – lembrando sempre – em menor quantidade.  Alguns exemplos: couve-flor, brócolis, folha de couve, tomates, espinafre, berinjela, cebola, dentre outros.

As frutas também podem entrar, moderadamente, como uma fonte de carboidrato. Porém, com muita cautela, pois são ricas em frutose e podem, igualmente, levar ao ganho de peso. Quanto mais doce e mais madura, maior será seu impacto sob a glicemia, por isso, o ideal é consumir ocasionalmente aquelas que, naturalmente, são menos doces, como cítricos, ameixas, frutas vermelhas e o abacate.

De acordo com a nutricionista, é preciso muita cautela ao adotar qualquer mudança desse tipo da dieta, pois, embora aposte numa alimentação natural, a Low Carb pode surtir efeitos desagradáveis em pessoas menos habituadas ao baixo consumo de carboidratos “O ideal é encontrar um ponto de equilíbrio reduzindo gradativamente a ingestão dos carboidratos. Mudar radicalmente a alimentação do dia pra noite pode, além de colocar a saúde em risco, afetar a oferta nutricional. Todos os grupos alimentares são importantes para a saúde, inclusive os carboidratos. Apostar naqueles de melhor qualidade, ricos em fibras e de menor índice glicêmico pode beneficiar tanto a boa forma quanto a saúde, mas ainda assim é preciso tomar cuidado com os exageros: mesmo proteínas e gorduras boas, quando consumidos em excesso, podem levar ao ganho de peso”.

Como muitos sabem, o grande risco por trás das dietas é o efeito rebote, no qual todo peso perdido, ou até mais é recuperado pouco tempo depois. Sendo assim, qual seria a alternativa para conciliar as premissas do método com a rotina corrida, que nem sempre permite o consumo de alimentos exclusivamente naturais?

Sinara enumera algumas medidas que podem tanto facilitar o processo de quem está tentando reduzir a ingestão dos carboidratos, quanto daqueles que desejam, apenas, fazer escolhas mais qualificadas “Apostar em alimentos ricos em fibras, como carboidratos integrais e proteínas. Como a digestão desses alimentos é mais lenta, liberam a glicose aos poucos, evitando os picos de açúcar no sangue. Algumas fibras, inclusive, ajudam a reter parte da gordura e da glicose durante a digestão, como é caso da farinha de feijão branco, que pode ser uma alternativa no cardápio de quem quer reduzir o impacto dos carboidratos na dieta”. Por fim, é preciso alertar que qualquer mudança no cardápio deve ser sempre orientada por um profissional, tanto para evitar extremismos, quanto para evitar que emagrecimento ocorrera em detrimento da saúde.

Fonte: Nature Center

Isabela Teixeira da Costa

Dieta Low Carb – Parte 1

Famoso, método promete acelerar a perda de peso, porém, é preciso cautela para ter bons resultados.

lowcarb

Quem vive em luta contra a balança sabe que quase todo dia aparece uma dieta nova. Eu já passei por uma infinidade delas. Algumas coisas são básicas, todo mundo sabe que não pode fazer e isso não muda: abusar do açúcar, consumir gorduras ruins, exagerar nos carboidratos. Esses hábitos são sabotadores da dieta. Quem nunca tentou, por exemplo, cortar os carboidratos em prol da boa forma? Seguindo essa premissa, a mais nova dieta da moda foca, justamente, nesse polêmico grupo alimentar. Conquistando cada vez mais adeptos, a famigerada Low Carb preconiza que uma dieta baixa em carboidratos, rica em gorduras e moderada em proteínas é capaz de proporcionar, dentre outras coisas, um emagrecimento mais rápido. Focando na qualidade, o método tem despertado polêmica, principalmente entre os praticantes de atividades físicas.

Quem não se aventurou em cortar pão, batata, massas…  Só que com o passar dos dias bate uma irritação, a energia fica baixa e o apetite nas alturas. A sensação é de que esses alimentos são viciantes. De acordo com a nutricionista Sinara Menezes, isso é muito mais do que uma impressão, pois os carboidratos possuem, de fato, um papel fundamental no cardápio “Dentre os alimentos, os carboidratos são os mais ricos em açúcar e, justamente por isso, são nossa principal fonte de energia – principalmente para o cérebro. Portanto, atuam como um combustível para o nosso corpo, sendo essenciais mesmo nas atividades mais básicas como respirar e raciocinar”, explica.

E qual motivo para tantos regimes colocarem o carboidrato como vilão? Sinara afirma que dois problemas muitos comuns na dieta moderna contribuem para isso: “O desequilíbrio no consumo e, principalmente, a falta de qualidade nas escolhas da dieta têm contribuído para essa falsa ideia de que estes alimentos são inimigos do cardápio. Atualmente, a alimentação de boa parte da população é baseada em carboidratos refinados ou altamente processados, capazes de subir rapidamente a glicemia e, consequentemente, levar ao ganho de peso“.

“Sempre que comemos, os alimentos são convertidos em açúcar e disponibilizados na corrente sanguínea. A partir de então, o organismo faz um esforço para aproveitar essa substância como energia para as células, através do trabalho da insulina (hormônio secretado pelo pâncreas). Porém, quando este pico é acentuado, ou seja, quando existe muito açúcar circulante, o organismo pode não ser capaz de dar conta de toda a glicose. Neste momento, o excesso será direcionado para as reservas do corpo, principalmente na forma de gordura. É por isso que o abuso de carboidratos, principalmente os refinados, favorece o ganho de peso, pois estes alimentos são facilmente absorvidos pelo organismo e elevam o açúcar no sangue muito rapidamente”, explica a nutricionista.

A proposta da Low Carb é bem simples: reduzir o consumo de carboidratos para que o organismo não tenha energia imediata (açúcar circulante no sangue) sempre disponível. Dessa forma, o corpo seria obrigado a recorrer às reservas (depósitos de gordura) para se manter ativo, proporcionando uma perda de peso acelerada. Tudo isso sem contar calorias ou restringir a quantidade ingerida: em tese, é possível comer “livremente” os alimentos permitidos sem impactar o plano de emagrecimento, desde que haja um controle efetivo sob o consumo de carboidratos.

Amanhã continuo falando da Low Carb, o que é e o que não é permitido, exageros, efeito rebote, etc.

Isabela Teixeira da Costa

Fonte: Nature Center

O perigo das dietas restritivas para as crianças

Nutricionista explica o risco de eliminar nutrientes importantes para o organismo dos pequenos.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) está, há alguns anos, alertando o mundo para os altos índices de pessoas obesas. Não são poucas as campanhas que alertam para o problema e também que divulgam a importância de uma alimentação saudável e da necessidade de exercícios físicos. Porém, a preocupação maior da OMS nos últimos anos tem sido a obesidade em crianças.

Com base no relatório da OMS, pelo menos 41 milhões de crianças com menos de cinco anos são obesas ou estão acima do peso no mundo. No Brasil, a tendência também preocupa, com um terço das crianças acima do peso ou obesas. Segundo o médico e pesquisador da área da nutrição, Patrick Rocha, a falta de uma orientação e educação alimentar é um dos grandes problemas. As crianças estão comendo pior, cada vez mais sedentárias e adoecendo com mais frequência.

Com isso vem outro problema, a dieta restritiva, que acaba retirando nutrientes importantes para as crianças que estão em fase de crescimento. Uma série de informações é divulgada diariamente dividindo os alimentos em “vilões” e “mocinhos” o que acaba causando confusão no consumidor e se estendendo aos exemplos passados às crianças.

De acordo Livia Artico, consultora em nutrição da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi) é importante entender a necessidade de uma alimentação equilibrada.

“Cortar carboidratos, doces e gorduras, por exemplo, é uma atitude muito comum e pode ser vista como protetora para os pequenos, mas, ao invés de aprender a ingerir alimentos de forma equilibrada, as crianças acabam acreditando que existem alimentos bons ou ruins, refletindo em comportamentos alimentares inadequados no futuro”, explica a nutricionista.

O carboidrato, por exemplo, é um alvo constante de restrição das dietas da moda e na infância é ainda muito pior. As crianças estão em fase de crescimento e desenvolvimento e precisam de energia e nutrientes adequados para realizarem suas tarefas do dia a dia como estudar, brincar e praticar esportes.

Por isso é necessário ficar atento a essas “dicas saudáveis” e dietas populares. Ensine ao seu filho que alimentos como brigadeiro, bolo, pães e massas podem fazer parte de um dia a dia saudável respeitando regras como frequência e quantidade e que esses alimentos não devem se sobrepor a outros alimentos saudáveis como: hortaliças, frutas, carnes, peixe e cereais. Dessa forma, toda família ganha mais qualidade de vida.

Isabela Teixeira da Costa

Quer emagrecer? Pare de fazer dietas

Sophie Deram / Divulgação
Sophie Deram / Divulgação

Este é o lema da nutricionista franco-brasileira Sophie Deram.

Fui acima do peso quase a minha vida inteira, consequentemente, passei a vida fazendo regimes. E fiz cada um mais louco que o outro. Vivi num tal de emagrece e engorda por anos. Isso porque cada regime tinha um remédio diferente, ou uma injeção nova, ou simplesmente o corte radical de praticamente todos os alimentos. Não dá outra, o efeito sanfona é infalível, ele vem com tudo.

Depois de décadas assim, e duas lipoaspirações, decidi não tomar mais nenhum remédio para emagrecer. Eles fazem muito mal à saúde. E agora descobri a Sophie que, surpreendentemente, vai contra regimes alimentares restritivos e tem uma grande pesquisa e conselhos para se ter uma vida saudável sem prejudicar corpo e mente.

Ela escreveu o livro O peso das dietas que traz uma nova maneira de ver a nutrição. Eu não li o livro, porém, pelo que fui informada, Sophie Deram de baseou em pesquisas e trabalhos científicos que comprovam que “as dietas são, em longo prazo, a mais importante fonte de ganho de peso das pessoas”.

Se isso for mesmo verdade é estarrecedor, porque o mundo todo está no caminho errado. Sophie é doutora em Endocrinologia pela USP e afirma que não fazer dieta é o caminho para viver com qualidade e com o peso saudável, e que não é preciso cortar o glúten ou se alimentar apenas de proteínas.

opesodietaEla chegou à conclusão de que os famosos regimes podem até funcionar no começo, mas cerca de 90% ou 95% das pessoas voltam ao peso inicial, ou até o ultrapassam. E isso é a mais pura verdade, sei disso na prática. Segundo Sophie, “o cérebro não entende a mudança repentina na alimentação como algo benéfico, pelo contrário. Ele não percebe a perda de peso como um sucesso de beleza; percebe-a como um grande perigo, por isso, desenvolve mecanismos de adaptação para proteger você”, explica.

Partindo do estudo da nutrigenômica – a ciência que trata de como os alimentos conversam com nossos genes –, Sophie criou um método científico e bem revolucionário, em que a contagem de calorias e as restrições alimentares radicais ficam proibidas, ou seja, para emagrecer, nada de dieta. Não conheço o método, porque não li o livro, mas pelos comentários no facebook dela, parece que dá certo mesmo.

“Fazer uma dieta restritiva é uma das coisas que mais assusta e estressa o seu corpo e o seu cérebro. ” No livro ela conta seus sete segredos para emagrecer de forma sustentável e resgatando o prazer de comer alimentos verdadeiros. E ainda tem uma seção de dicas sobre como organizar o seu dia a dia na cozinha, com mais de 50 receitas fáceis de preparar, como por exemplo uma bisteca de porco com shoyu e arroz. Como isso pode ser considerado um prato bom para emagrecer? “Quero mostrar o quanto é importante escutar seu corpo e não o obrigar a seguir numa direção que ele não quer! ”, afirma Sophie.

“Estamos cada vez mais em guerra com o nosso corpo. Em vez de cuidar dele da melhor maneira possível, tentamos obrigá-lo a seguir numa direção que ele muitas vezes não quer ir, porque sabe que não é a direção mais saudável. ” Seu objetivo é fazer com que a sociedade reflita sobre os riscos à saúde que podem ser provocados por regimes alimentares restritivos, além de fazer com que as crianças de hoje já cresçam com um pensamento saudável.

“Espero também alertar os pais de crianças que hoje crescem encarando com dificuldade uma alimentação normal e variada, que se sentem culpadas ao cometer alguns excessos em dias de festas, ou de ir a um fast food de vez em quando, ou de comer uma fatia de pizza ou de bolo”, finaliza a profissional, que defende o consumo de alimentos verdadeiros e o resgate da culinária familiar.

Penso que vale a pena conhecer melhor este programa. Até porque há cerca de uns quatro anos fui a um endocrinologista, um encanto de pessoa, e fiz uma dieta. Deixei claro para ele que não queria tomar nenhum remédio, porque achava perigoso. Ele me garantiu que eram 100% naturais, apenas fibras para o intestino funcionar melhor. Meu emagrecimento foi tão rápido que, é claro, desconfiei. Depois de algum tempo, decidi parar. Não deu outra: engordei de novo. Está na cara que o remedinho natural tinha coisas misturadas nele. Essa tapeação é que me incomoda bastante.

Temos que tomar cuidado, porque saúde não tem jeito de conseguir outra.

Isabela Teixeira da Costa

Emagrecer não é fácil

Eating HealthyA luta contra a balança não é fácil de vencer.

Muitas pessoas olham para uma pessoa acima do peso e pensam ou até mesmo comentam como que a pessoa chega a este ponto, porque não emagrece, como se fosse a coisa mais fácil do mundo. Se fosse, não existiria gordos no mundo.

Ninguém quer ser gordo, obeso. Isso não significa que todos queiram ser magros. Essa magreza dentro do padrão estipulado pela sociedade. Ao contrário, muitas pessoas preferem ter corpo, como diz um amigo, sustância. Mas obesidade, ninguém quer.

Nunca fui magrinha. Já tive épocas de usar manequim 42, porém, grande parte da minha vida fui um pouco acima do peso padrão. Por causa disso já fiz de tudo o que se pode imaginar para emagrecer. Ouvia falar em um médico novo, uma dieta nova, lá estava eu.

Não consigo lembrar a quantidade de tipo diferente de remédios que tomei. Teve uma época que cheguei a tomar umas injeções na barriga, acho que era toda semana. Já fazem tantos anos que não lembro. E sempre vivi o efeito sanfona. Depois de tanta loucura fiz um propósito de nunca mais tomar remédios para emagrecer.

Este é o grande problema, não adianta fazer nada se não mudarmos nossa cabeça, nosso olhar. Quando um gordinho chega em um restaurante self-service, seu olhar vai direto para as comidas mais calóricas, ele gosta de comer doce. Quantas vezes cheguei em um restaurante para jantar e antes mesmo de escolher meu prato, escolhia a sobremesa. É o famoso olho maior do que a barriga.

Agora, a cirurgia bariátrica resolve a questão de emagrecimento dos obesos mórbidos, o grande problema é que eles continuam a pensar como gordos, depois da cirurgia, aí querem comer, mas não conseguem e passam mal. E como o desejo de comer é muito grande, acabam trocando a compulsão de comida por bebida ou por leite condensado, e acabam engordando novamente.

Segundo a psicóloga e coach em emagrecimento, Michele Intrator, emagrecimento é um processo. “Ouço muitas pessoas dizerem que é ‘só fechar a boca’, mas não é por aí. Se fosse simples seguir uma dieta, todo mundo estaria esbelto, mas mudar hábitos não é algo simples e é por isso que a reeducação alimentar começa na cabeça. Se você está correndo na esteira da academia, você não vai desligá-la de uma hora para outra, porque você vai cair. É o mesmo raciocínio para dietas”, diz.

A psicóloga ressalta que é primordial aceitar que o processo de emagrecimento não é perfeito. Se você não resistiu àquele brigadeiro depois de comer a salada no almoço, não significa que sua dieta é um fracasso. Ter flexibilidade é fundamental. O acompanhamento de um profissional em nutrição também é imprescindível para prescrever a melhor combinação de alimentos. Você aprende que não precisa passar fome e nem se privar dos prazeres da mesa para emagrecer e, assim, gradativamente e sem perceber surge um novo estilo de vida.

A especialista dá dicas de coisinhas para se fazer no dia-a-dia, que treinam o pensamento e evitam a autosabotagem:

  1. Se livrar dos lanchinhos engordativos. Se você procura deixar chocolatinhos, bolos, ou qualquer outro tipo de docinho dentro da sua gaveta no trabalho, do criado-mudo em casa, ou até mesmo na geladeira “para não desperdiçar”, mude isso. “Dificulte seu acesso a essas tentações.”
  2. Se for a um buffet self-service, olhe tudo o que está ao seu dispor primeiro, antes de começar a colocar no prato, assim você já tem uma ideia do que escolheria e não acaba pegando “um pouquinho de cada” e enchendo mais o seu prato.
  3. Aprenda a distinguir necessidade de desejo. Identifique o que você sente e pensa antes de comer. Não coma no automático.
  4. Se ocupe o máximo possível. Isso ajuda a canalizar a sua ansiedade e diminui o a vontade de comer.
  5. Diminua o tamanho dos pratos. Assim suas porções também reduzirão.
  6. Evite comer vendo TV. “Seu cérebro não estará completamente focado na comida e demorará a reconhecer a saciação.”, ressalta.

Isabela Teixeira da Costa