di.vi.no bazar

A coluna abre as portas para trabalhos sérios, beneficentes, de uma turma que trabalha no bem-estar do próximo.

Chega o final do ano e começa a temporada de bazares. Como sempre, a coluna abre as portas para divulgar os trabalhos sérios, beneficentes, de uma turma que trabalha arduamente o ano todo pensando no bem-estar do próximo. No próximo final de semana, sábado, dia 11, e domingo, dia 12, será a sétima vez em que a Fundamigo realizará o di.vi.no Brechó. Tudo começou quando um grupo de voluntárias da instituição decidiu arrecadar junto às amigas peças de roupas usadas em ótimo estado de conservação para fazer um brechó beneficente. Mary Design, ao saber da ideia, ofereceu suas bijus e acessórios, junto com a Patogê com seus jeans, e um empresário de setor da construção civil emprestou o imóvel.

O sucesso do evento foi tão grande que, de lá pra cá, mais e mais empresas aderiram ao projeto, assim como mais pessoas decidiram retirar de seus armários peças que não usam mais (algumas novinhas, ainda com etiqueta) e entregar nas mãos das voluntárias. A coordenação está sob a batuta da colunista do Caderno Feminino deste jornal, Patrícia Espírito Santo, em conjunto com a design de bijus Mary Arantes.

São parceiras desta edição: Alphorria, Ana Luiza Decorações, Arezzo, Atroz, B.Bouclé, Cellso Afonso, Cosh, Coven, Drogaria Araújo, Editora Miguilim, Elza Cosméticos, Equipage, Fátima Scofield, Frutacor, Holambelo, Itten, Jardin, Madrepérola, Mary Design, Molett, Patogê, Precoce, Regina Misk, Rogério Lima, Sempre Vivalinda, Saritur, Simone Gomes, Thaís Dias Crocheteria, Tetê Rezende, Think e Viarella. O di.vi.no, tanto dia 11 quanto dia 12, abre suas portas às 9 h, na Rua Ricardo de Carvalho, 60, no Bairro São Bento. No sábado, funciona até as 17h e, no domingo, até as 14h. Quem quiser saber um pouco mais e conhecer algumas das peças que serão vendidas é só acessar no Facebook @dbrechobe e no instagram @di.vi.no.

A Fundação Espírita Divino Amigo funciona desde 1993 em um terreno no final do Bairro Padre Eustáquio, onde realiza uma série de obras de beneficência através de assistência social, moral e material à população carente. Atualmente, distribui cerca de 2 mil pratos de sopa semanalmente, remédios (mediante receituário), enxovais para bebês, roupas, sapatos e brinquedos, além de cestas básicas, fraldas e leite.

Desenvolve atividades como palestras para gestantes e nutrizes, reintegração e cidadania com habitantes de rua, atendimento odontológico, cursos de informática, entre outras. Além disso, é parceira do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJ-MG), por meio do programa de sentenças alternativas, através do qual pessoas que cometem pequenos delitos são encaminhadas à instituição pelo Juizado Especial Criminal para que possam cumprir suas sentenças prestando serviços comunitários e, ao mesmo tempo, se ressocializando.

O que permite à Fundamigo funcionar durante tantos anos atendendo cada vez um número maior de necessitados são as doações que recebe, além dos eventos que promove. No final de cada ano, além do di.vi.no Brechó, realiza sua Feira de Natal, na qual o carro-chefe são roupas de cama, mesa e banho e utilidades domésticas – todas novas –, vendidas a preços bem abaixo dos praticados no mercado. Este ano a Feira de Natal será em 3 de dezembro, domingo, das 9h às 14h, na sede da Fundamigo, no Padre Eustáquio (www.fundamigo.com.br).

* Isabela Teixeira da Costa

Solidariedade que comove

A generosidade, desprendimento, bondade e solidariedade de alguns com pessoas que nunca viram na vida é comovente.

Tenho um casal de amigos muito queridos, Adriana e Elói Oliveira. Conheço o Elói desde os meus 15 anos, eu acho. Adriana, eu conheci quando os dois começaram a namorar. Desde então somos amigos, ou seja, uma vida inteira. Sou muito suspeita para falar desse casal, porque o amor modifica o olhar, mas sei que quem conhece os dois, vai concordar comigo. Eles são de uma educação, simpatia, gentileza, generosidade, integridade e honestidade a toda prova. São amorosos e extremamente solidários. Têm um senso de família que é lindo e único, além de uma vida pautada nos princípios cristãos. Elói nunca deixou de dizer e afirmar que a pessoa mais importante de sua vida é Jesus.

Sempre ajudaram o próximo, e vou me reservar o direito de omitir tudo o que sei que já fizeram, porque não gostam de alardear, e se aqui o fizesse estaria traindo a confiança que ambos depositaram em mim. O que vou relatar aqui ocorreu com eles sim, mas ao contrário do normal, dessa vez eles não ajudaram ninguém, mas foram ajudados.

O querido casal fez, recentemente, uma viagem aos Estados Unidos, foram acompanhar a filha Natália, com o marido Alexandre Machado, à maratona de Chicago. Naty é maratonista das boas e literalmente corre o mundo participando de competições. De lá, decidiram dar um role a mais pelos States. Só os dois.

Como foram atletas – ambos jogaram vôlei, Elói foi capitão da Seleção Brasileira na Olimpíada de Moscou – amam caminhar, andar de bike, correr, enfim, programa esportivo saúde total.

Decidiram passear por San Francisco de bicicleta. Elói pilotando com uma mão só e filmando a paisagem e sua amada Adriana. Na Golden Gate ele caiu, sei lá como. Só sei que bateu na bike de Adriana, que estava um pouco à frente, arrancando a roda traseira dela, que apesar de ter sido jogada para frente, graças a Deus caiu de pé e não sofreu nenhum arranhão. Ele, por sua vez, caiu, bateu com a mão no chão, cortou feio entre o dedão e os outros dedos.

Dedo quebrado, mão cortada, sangue jorrando, bike quebrada e sem roda no meio da ponte e eles sem saber o que fazer, porque estava difícil para Adriana carregar as bicicletas e acudir o marido.

De repente parou um casal, pai e filha, de americanos, também ciclistas, e praticamente sem falar nada, abriram uma maleta que carregavam consigo, consertaram a roda quebrada, trocando peças e tudo mais. Segundo a Dri, ficaram sujos de graxa dos pés à cabeça. Quando terminaram, depois de ver tanto esforço da dupla sob um sol escaldante de 2 horas da tarde, Elói perguntou quanto era, pois viu o volume de peças e material que usaram. Disseram que não era nada. Elói então fez uma oração por eles e pela família.

Quando estava terminando, parou outro americano, de ascendência oriental, viu que Elói estava ferido e fez questão de levá-lo ao hospital. Foram todos juntos.

Acham que parou por aí? Que mostraram o hospital, despiram e foram embora? Nada disso. Entraram com eles no hospital, apresentaram para a atendente. Aguardaram a bicicleta dos dois, voltaram entregando a chave do cadeado e só então despediram e foram embora.

Dá para acreditar? Muito podem dizer que faz parte da boa civilidade e educação. Pode ser sim, mas não acredito que seja só isso. Em minha opinião, Deus colocou esses anjos no caminho de um casal que é bom, que faz o bem, que tem a vida nas mãos do Senhor e por isso Deus cuida deles. E colocou pessoas mais do que solidárias para o socorro.

Para os curiosos, Elói foi atendido, para conseguir viajar (voltava no dia seguinte para o Brasil), e chegando aqui teve que passar por uma cirurgia na mão, mas está ótimo, se recuperando muito bem.

 

Isabela Teixeira da Costa

Missionários: um trabalho inspirador no sertão

Mandacaru
Mandacaru

Quando o amor a Deus e ao próximo fala mais alto.

Minha filha Luisa se tornou missionária e foi enviada pela Igreja Batista Central, juntamente com a amiga Mariele Amorim, mais conhecida como Bim, para Anagé, no sertão da Bahia, para trabalharem por um período indeterminado, ao lado dos pastores Eliabe e Valneide Silva.

Anagé fica cerca de 40 quilômetros de Vitória da Conquista, e não é um local escolhido por ninguém para dar um passeio. Provavelmente nunca vai escutar alguém dizer: “Oi, vou sair de férias por uns dias e escolhi descansar em Anagé”. Quem vai a um lugar desses? A cidade é pequena, típica de interior. Tem 5 mil habitantes na zona urbana e 20 mil na rural. No inverno, a temperatura fica entre os 24 e 30 graus, com uma brisa agradável à noite.

IMG_0852Porém, quando sua única filha se muda para essa cidade, passar férias nesse lugar se torna o melhor dos paraísos. Foi exatamente isso que eu fiz. E posso dizer que me surpreendi em todos os aspectos. Voltei encantada com tudo o que vi e vivi em Anagé.

As pessoas são amorosas, receptivas. A única coisa que não fiz foi descansar, essa palavra está riscada do dicionário da vida de Eliabe, Valneide, Luisa e Bim. Descanso e mau humor não existem, o que existe é amor, animação, trabalho, disposição e criatividade. Diariamente, eles fazem visitas às famílias e pessoas que precisam por estarem passando por problemas, depressão, tristeza ou por necessidade mesmo.

As visitas são acompanhadas de um bolo feito por elas, ou por uma cesta básica – a maioria das visitas é nas comunidades da região rural, onde impera a pobreza, não há água canalizada e em algumas, nem luz elétrica.

IMG_3297Já ouviu falar que muita gente passa fome? Eu vi a fome na minha frente. Uma mãe, bêbada, carregando seu filho de 10 meses no colo, com síndrome de Down, ainda amamentando. E quando o pastor Eliabe, com muito carinho e amor sugeriu que ela diminuísse a bebida a resposta foi um soco na boca do meu estômago e outro no meio da minha cara: “É que a gente tem que bebê, porque tem muitos dia que num come…”

IMG_3295Claro que esta visita foi acompanhada de cesta básica, leite em pó, Sustagen e roupas. Tivemos que deixar com a cunhada, para que aprendesse como preparar o complemento alimentar da criança, pois seria impossível ensinar para a mãe embriagada. E junto com tudo isso levamos um abraço carinhoso, um sorriso e o mais importante, a palavra do amor de Deus. Enquanto trabalhávamos os adultos, Luisa falava de Jesus para as dezenas de crianças da região, de forma lúdica, com história, música e brincadeira.

Em outra casa na mesma região, Mandacaru, uma casa melhorzinha, maior, mas também sem água, vi a alegria das pessoas pela nossa presença. Pela possibilidade de terem uma reunião de oração e estudo bíblico. E na hora de despedir, em meio a tanta pobreza eles fazem questão de nos servir um copo de canjica. E o constrangimento me invade, e penso como puderam tirar do pouco que têm para dar para nós que temos muito mais. E reparava na alegria que sentiam em nos servir.

Em outra noite, fomos a uma favela de Anagé onde as meninas se referem carinhosamente como sendo “As Casinhas”. As crianças, cerca de 20, prontas esperando ansiosas pela célula – reunião de oração e estudo bíblico – que ocorre ao lado da casa onde tem a de adultos. Depois, tem o cafezinho, eles sempre educados, mesmo com tanta falta.

IMG_3286Sexta-feira à noite fomos para Mosquito, a 9km de Anagé. Reunimo-nos onde antes era um buteco e o dono de lá pedia a Deus que mandasse ajuda para mudar a vida daquelas pessoas e levar água para a região. Deus atendeu seu pedido e mandou o pastor Eliabe, e por causa de sua ida para lá dois amigos, irmãos da IBC, construíram um poço artesiano. Isso mudou a vida das pessoas naquele local. Sob o céu estrelado louvamos a Deus por seu amor e cuidado por aquelas pessoas.

Além das visitas e das células – que são várias, só citei algumas –, ainda tem o Projeto Gol, que trabalha futebol com as crianças e no fim do mês um olheiro vai até lá ver se acha um futuro craque na região. Outro trabalho muito interessante é com arte circense. Criatividade é o que não falta.

Com tanta carência eles sabem otimizar recursos e aproveitar ao máximo tudo o que têm para fazer o melhor para levar ajuda e o amor de Deus para cada pessoa. E diante de quem larga tudo o que tem, o conforto, a família, os amigos para se dedicar de corpo e alma a Deus e ao próximo que nem conhece, percebemos o quão pouco fazemos.

Isabela Teixeira da Costa