Cada macaco no seu galho: chame um profissional

Não sei por que as pessoas têm o péssimo hábito de não valorizar o profissional, seja ele de qual área for. Sempre acham que podem fazer sozinhas aquilo que demanda um profissional para que o trabalho saia bem feito.

Casa Diarista
Foto Marcelo Brandt/G1

Outro dia, um fotógrafo me contou que apresentou orçamento para um trabalho. O cliente achou caro e respondeu que pelo preço compraria uma câmera e faria o serviço. Dias depois, recebeu telefonema do tal cliente perguntando se ele não executaria o trabalho em troca de uma câmera. Parece piada.

O mesmo ocorre com arquitetos. Muitos acham que conseguem fazer o projeto, principalmente quando se trata de reforma. Derruba aqui, constrói ali, e por aí vai. Mas não é bem assim, muitas vezes o barato sai caro. A obra pode ficar super ou subdimensionada nos custos e ainda corre risco de possíveis acidentes o que pode ser catastrófico.

Quando a Jornada Solidária Estado de Minas mudou sua forma de atuação, passando a executar reformas nas creches beneficiadas, a presidente do programa e eu visitávamos as creches, víamos o que precisava ser feito e a atrevida aqui começava a definir. “Vamos derrubar esta parede, passar o banheiro para o outro lado, ampliar a cozinha, aumentar a janela, etc., etc., etc.”. Certa vez, falei para derrubar uma parede e uma voz delicada, mas muito firme, disse atrás de mim: “Você já ouviu falar em parede de sustentação?”, me virei e respondi na maior sinceridade e preocupação que não, e perguntei quem era ela. Tratava-se de uma arquiteta, Izabela Alves Torres, de quem fiquei amiga depois. Neste momento, vi que andava cometendo muitas loucuras, tudo para economizar dinheiro da Jornada e ganhar tempo. Mas isso foi há quase 20 anos.

Desde então, sempre conto com a ajuda e parceria das arquitetas Germana Giannetti, a equipe de Tânia Salles, Ana Paula Rolphs, e outras tantas que sempre se colocam à disposição para ajudar a Jornada.

A prova que contratar um profissional é mais vantajoso e totalmente acessível veio com a notícia veiculada há algum tempo no Estado de Minas e em toda a imprensa nacional.  A casa da diarista paulista Dalvina Borges Ramos ganhou um prêmio internacional de arquitetura.

Depois de perder sua casa, ela contratou um arquiteto para projetar a nova residência. Tinha R$ 150 mil para tudo – projeto e construção -, fruto de suas economias de 30 anos de trabalho. A casa na Vila Matilde, na Zona Leste de São Paulo, venceu na categoria Casa do Prêmio Internacional Building of the Year 2016, do site Archdaily, que elege as 14 melhores construções de todo o mundo.

Nos 95 metros quadrados de área construída, ficam dois quartos, cozinha, sala de TV e jantar, além da garagem. No andar superior, foi projetada uma suíte para visitas e sobre a laje da sala foi colocada uma horta. A casa foi toda feita em bloco aparentes e o chão é de concreto, com muita iluminação, ventilação e pé-direito alto.

 

Isabela Teixeira da Costa

Sem medo de inovar: homens de tranças

trançaOs homens têm ficado cada vez mais ligados em estilo e personalidade no que diz respeito à produção, seja ela com roupas, barba ou cabelo. Isso é ótimo. Nada de mesmice.

É tão bom chegar em um lugar e ver a diversidade não só nas mulheres, mas também nos homens. Isso colore o ambiente. Não estou aqui fazendo juízo de valor e nem afirmando que gosto de tudo o que vejo, mas gosto de ver a variedade, me agrada ver cada um assumindo a sua personalidade.

Diversidade é como uma música tocando harmoniosa, animada, mas me incomoda o semitom, a pessoa que veste algo que não combina com ela, parece que está sendo obrigada o usar aquilo, ou decidiu mudar. É como se tivesse feito uma produção que não combinou com ela, desafina, porque não é o seu verdadeiro eu.

Voltando ao início da conversa: os homens. Há algum tempo, eles começaram a ousar e isso foi muito bom. Assumiram a barba rente ao rosto, um charme só. Depois foi a vez da barba grande, que para alguns combinou muito. Aí veio a onda do cabelo grande, o uso do coque, o undercut, que muitos ainda usam e fica muito legal.

Agora, a bola da vez são as main brad, ou seja, as tranças, a tendência que promete ser o must masculino para 2016. Pode ser a tradicional, a embutida, no topo da cabeça ou nas laterais. Mas é preciso ter o cabelo um pouco mais comprido, rastafári ou moicano, e tem que aprender a fazer a trança, que não é uma coisa tão complicada assim. Mas que fica um charme, fica.

Beto e Sérgio Paschoal, sócios do Jacques Janine no Jardim Sul, em São Paulo, garantem que a tendência vai pegar em homens de estilo e sem medo de inovar no visual. A dupla ensinou o passo a passo para a trança.

Trança tradicional:

Separe uma mecha (ou o cabelo inteiro) em três partes. Leve a parte da esquerda ao centro, depois a da direita e assim por diante, até o fim.

Trança embutida:

Comece separando uma mecha na altura do cabelo em que a trança terá inicio. Trance três partes normalmente, como indicado acima. Depois, vá “alimentando” o penteado: segure a mecha da direita e adicione uma pequena porção de fios que estejam soltos. Junte à trança e faça o mesmo com a parte da esquerda. Repita o processo conforme achar necessário.

Isabela Teixeira da Costa

Idade não é limite

Leda
Silvia Rubião, Leda Gontijo, e Paulo Rossi. Foto Marcus Vieira/Estado de Minas/D.A.Press

Outro dia, fui ao vernissage da dona Leda Selmidei Gontijo. Não sei se todos os leitores conhecem essa artista plástica de mão cheia e sabem que ela acaba de completar 101 anos de vida. Isso mesmo, 101 e está em plena atividade.

Chegou na galeria dizendo alto e bom som que tinha acabado de fazer mais uma escultura e quando perguntaram por que não a levou para a exposição a resposta também foi rápida: “Já está vendida e já foi para o Rio de Janeiro”.

Durante o coquetel, foi um entra e sai de pessoas das mais variadas idades, e o mais emocionante foi o encontro dela com a amiga de uma vida inteira Judith dos Mares Guia, de 105 anos e totalmente lúcida, inteira como dona Leda. Por sinal, a artista plástica dará aula às terças e quintas, na parte da tarde, durante o período da mostra. Claro que as pernas cansam, é natural, mas para isso entra a tecnologia. Dona Leda tem um carrinho a motor e não sai sem ele, anda a pé, mas quando se cansa senta nele e pronto, vai para todo lado, numa boa. Essa é outra questão. Já encontrei várias pessoas com idade mais avançada que mesmo com a perna cansada não abrem mão de um salto alto, e outras que, perdendo o equilíbrio, recusam o auxílio de uma bengala. Temos que aceitar todos os acessórios que foram criados para facilitar nossa vida, o importante é não ficar alienado. Está enxergando mal, use óculos; perdeu a audição, use aparelho; perna fraca, pegue a bengala, não deu, passe para o andador ou então a cadeira de rodas ou o carrinho, igual dona Leda.

Isso só prova que temos que ficar na ativa, mesmo. Não me refiro a musculação, pilates, aeróbica, hidroginástica. Se fizer melhor, mas não podemos nos acomodar, aceitar a idade como se isso fosse um peso, e nos recolher dentro de casa, viver na solidão, em frente da TV, ouvindo música ou simplesmente no complexo da Carolina, vendo a vida passar pela janela.

Devemos ter um projeto. Leda e Judith têm vida longa e estão bem porque têm projeto de vida. Leda trabalha até hoje, programou e realizou sua exposição. Poderia ter feito o vernissage e voltado para casa, mas optou por dar aula na galeria duas vezes por semana. Atividade, viver a vida intensamente.

É isso que devemos fazer. Encontrar com amigos, sair para passear, ir ao cinema, teatro, jantar, almoçar, tomar chá das cinco, seja lá o que for. Dedicar-se a um hobby, um lazer, de preferência com pessoas de quem gostamos. Falta de dinheiro não é desculpa.

Outro dia, saí com um amigo e sem saber o que fazer fomos para a Praça a Liberdade. Sentamos em um banco e ficamos horas conversando. Como foi agradável. Não gastamos nada, ninguém nos incomodou, clima delicioso, momentos descontraídos.

Dona Leda e dona Judith são abençoadas por Deus por essa longevidade tão cheia de saúde, lucidez e dinamismo, mas elas também fizeram por onde, não se entregaram. Até hoje vivem com prazer, com alegria e otimismo, não sentem o peso da idade, desfrutam dela,  da experiência e sabedoria que acumularam com a soma dos anos.

Exemplo de vida para todos nós.

Isabela Teixeira da Costa

Chegamos, It’s life

Isabela
Foto Arthur Senra

Hoje, começa uma nova etapa na minha vida. Não digo que foi por acaso, mas afirmo que foi bastante inesperado. Jamais pensei em escrever algum dia artigos e crônicas e menos ainda que teria um site, mas estou aqui lançando o It’s life, um site de crônicas e outras coisas mais.

A história começou assim: a jornalista, editora e colunista Anna Marina saiu de férias e me convidou para substituí-la, não só no Caderno Feminino e no Degusta – o que já fazia algumas vezes –, mas também na sua coluna no Caderno EM Cultura do Estado de Minas. Aceitei prontamente, sabendo do grande desafio que seria.

Pedi a Deus proteção e sabedoria. Fui escrevendo o que vinha em meu coração, o que realçava aos olhos entre a enxurrada de e-mails que Anna recebe diariamente e também sobre coisas que aconteciam com amigos. Fiquei impressionada com o retorno positivo das pessoas. Sempre que ligavam ou mandavam mensagens vinha a seguinte sugestão: não pare de escrever, você deveria abrir um blog.

Fui procurada por Daniela Portela, que além de minha amiga tem o site Guia de Primeira Classe. Disse que estava gostando muito dos meus artigos e que gostaria de publicá-los no site. Fiquei superenvaidecida, e durante todo o mês as crônicas também foram publicadas em seu site. Tive ainda seu retorno de que elas estavam “bombando”. Até quis que eu continuasse a escrever lá, mas foi quando as coisas mudaram.

Conversei com o editor do Uai, Benny Cohen, sobre blog, como era, as dificuldades, etc. Afinal, tinha o convite da Daniela e o incentivo dos leitores. Quando ele entendeu do que se tratava, foi taxativo: “Se vai escrever tem que ser aqui no Uai”. Depois que Anna Marina voltou, me aconselhei com ela, como sempre fiz em toda a minha trajetória profissional, e recebi seu apoio. Conversei com outras pessoas que também gostaram da ideia e o que era uma sugestão distante foi crescendo, tomando corpo, amadurecendo e nasce hoje, depois da ajuda e incentivo de vários amigos que encontrei pelo caminho, como Ângela Faria, Ademar Fulgêncio, João Bosco Salles, Carlos Marcelo, Álvaro Duarte, Phillip Martins, Pat Kamei, Arthur Senra, Ticha Ribeiro, Luciana Nacif, Fairuze Reis, Verônica Vianna e Leonardo Passos.

Mas como sou exagerada em quase tudo que faço, essa história de blog cresceu, virou site. Aqui teremos crônicas diárias, em que falarei de tudo o que me der na veneta, tema livre, variado, abrangente. Aceito sugestões, exatamente como fiz no jornal enquanto tive a honra de substituir Anna Marina. Mas além dos artigos teremos também seções sobre arte, moda, decoração e gastronomia.

Escolhi hoje, 29 de abril, porque é o dia do meu aniversário, acredito que seja a data certa para oficialmente começar uma nova etapa. Continuo com meu trabalho no Estado de Minas e na Jornada Solidária. O It’s life será apenas mais uma tarefa prazerosa que terei para dividir com os amigos. Espero que gostem.

Isabela Teixeira da Costa

Decoração com estilo

eksoReconhecida por apresentar coleções com móveis assinados por designers conhecidos nacionalmente, a Mac traz, a poltrona Ekso, criada pelo escritório de design EM2, curador da coleção Qubo, comemorativa dos 35 anos da marca no Brasil.

A poltrona é uma mistura harmônica do alumínio, fibra, tecido e o detalhe da madeira cumaru. O trançado da fibra é único em cada peça, feito manualmente pelo artesão da fábrica.

Os proprietários da loja em BH, Bruno Dimas e Simone e Renato Arcuri, estão entusiasmados com o sucesso da coleção: “os clientes e profissionais da decoração e arquitetura têm dado depoimentos que nos motivam cada vez mais aos desafios que temos em nosso dia a dia”. “Não tenho dúvida que somos uma ótima solução para os projetos de arquitetura e design de interiores”, atesta Renato.

ITC

Carlos Bracher

Bracher Bracher3 mãos Bracher olhar
Entendo o fiel defronte ao altar.
exíguo à ricos adornos,
ecoa em fuga na alma
o som do tempo.

Sinto-me fiel diante de ti, eterno.
modesto sou na grandeza de suas mãos
que perpetuam o que tocam.

Não entendo porquê,
não sou perene,
não serei imortal,
mas garanto a certeza do agora
repetindo-o eternamente.

Das mãos entre milhares,
as minha foram poupadas,
no dia em que cri.

Defronte a ti Bracher,
sou diminuto aprendiz
de suas composições cânones,
em cores clássicas na extensão do tempo.

Seja para sempre!

Fotos e texto: Arthur Senra

 

 

Joia inspirada no gelo

IMG_1867Rosália Nazareth criou sua nova coleção de joias inspirada no gelo, na neve, nas estepes russas, onde as transparências e os brilhos das pedras nos remetem a lugares exóticos. Uma boa pedida para o outono-inverno. Como sempre, Rosália lança uma coleção eclética, variada, com diversos designs e pedras, mas temos que destacar as joias em brilhantes e safira.  Para ilustrar o catálogo foi convidada a modelo russa Yana Palonova, fotografada por Márcio Rodrigues, com estilo de Zeca Perdigão.

ITC

Bacalhau à Isabela

Silvania
Jair Amaral/Estado de Minas/D.A.Press

Silvânia Capanema é a mulher dos mil instrumentos. Empresária do ramo de turismo e hotelaria, escritora – já tem dois livros publicados e está escrevendo seu terceiro romance policial. E é cozinheira de mão cheia, o que a transformou em professora de culinária e blogueira. Fiz uma matéria com ela em 2015 para o caderno Degusta, do Estado de Minas. Ela criou um bacalhau delicioso, que resolvi postar abrindo nossa seção de gastronomia. No seu blog salcomalho.com recebeu o meu nome – fiquei emocionada – e lá vocês podem ver a receita com fotos do passo a passo.

Bacalhau à Isabela.

Esta é uma receita de inspiração ibérica, uma releitura de sua culinária tradicional. Juntei uma das maneiras mais antigas de se fazer bacalhau em Portugal com a receita da conhecida tortilla espanhola. Além disto, tomei a liberdade de dar o meu toque pessoal.

Ingredientes por pessoa:
1- Para o preparo do bacalhau: 200 gr de bacalhau dessalgado, limpo e aferventado, 1 broa de fubá de canjica, 1 cebola grande, 6 cubinhos de bacon, 3 dentes de alho, 1 colher (de café) rasa de sal grosso e 1 xícara (de café) de azeite.
2- Para a tortinha: 1 batata grande, ½ cebola grande, 2 ovos caipira, 1 colher (de chá) cheia de salsinha e cebolinha picadas, sal, pimenta-do-reino, 1 colher (de sobremesa) de azeite, ½ colher (de café) de sal com alho. Vai precisar de um aro de inox ou forma com diâmetro de 10 cm para montar.

Modo de preparo:
1- Do bacalhau: corte a cebola em fatias finas. Pique os cubinhos de bacon e os dois dentes de alho em três partes. Tome uma travessa refratária e coloque a cebola no fundo, distribuindo os pedacinhos de bacon e de alho. Coloque a posta de bacalhau já preparada no centro da travessa. Em cima da posta, coloque um dente de alho cortado miudinho. Regue o bacalhau e a cama de cebolas com azeite e salpique o sal grosso. Leve ao forno pré-aquecido a 250 graus por 20 minutos ou até começar a corar o bacalhau e a cebola. Enquanto isto, passe a broa – comprada de véspera e deixada endurecer – no ralo médio. Junte um pouco de clara de ovo, só para juntar os farelos. Reserve.
Tire a travessa do bacalhau do forno. Retire da travessa toda a cebola, o alho e o bacon, deixando apenas o bacalhau e o azeite que ficou no fundo. Arranje a mistura de broa sobre o bacalhau e volte ao forno apenas para corar a crosta de broa.
2- Do purê de cebola: Despreze o bacon e o alho. Bata a cebola em um processador até que se torne um purê homogêneo. Leve-o ao fogo baixo por cinco minutos. Reserve.
3- Da tortinha: cozinhe uma batata grande até ficar cozida, porém firme. Despele-a e corte-a em fatias finas. Reserve. Corte a cebola também em fatias finas. Aqueça o azeite em uma frigideira e doure-a ligeiramente com sal e alho. Reserve. Bata os ovos, clara com gema, e coloque sal e pimenta-do-reino. Pique a salsinha e a cebolinha bem miúdo. Reserve. Tome o aro (ou a forma) e unte com um pouco de azeite. Monte a tortinha: uma camada de batata, salpique o sal e as ervas; uma de cebola; a segunda de batata, sal e ervas; a segunda de cebola e a última de batata. Regue com a mistura do ovo batido, fazendo furinhos com um palito para que o líquido desça e se deposite entre as camadas de batata e cebola. Leve ao forno pré-aquecido a 200 graus por 20 minutos ou até verificar que a batata está corada.
4- Montagem do prato individual: coloque primeiro a tortinha de batata. Por cima dela, arranje o bacalhau. Em volta da tortinha, distribua o purê de cebola. Para decorar, corte tomatinho cereja em fatias e retire o miolo. Escolha rodelinhas de azeitona preta do mesmo tamanho. Disponha-as de um lado do prato. Enfeite o bacalhau com um raminho de alecrim, só para dar um toque aromático.
Sirva o prato quente.

ITC

Aos que são queridos

Ilustração: Son Salvador
Ilustração: Son Salvador

Vinicius de Moraes escreveu um lindo poema sobre os amigos. Atrevo-se a transcrever alguns de seus versos: “E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

(…) A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida (…) Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. (…) Se alguma coisa me consome e me envelhece, é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado todos os meus amigos, e, principalmente, os que só desconfiam – ou talvez nunca vão saber – que são meus amigos!”.

Como me vejo nesse poema! Quantas pessoas tenho como amigos, mas sem tempo de declarar-lhes isso, de encontra-las e conviver com elas…

Tinha um tio, Ney Blázzio, que morreu cedo, de acidente de carro, com a mulher. Eram muito queridos. Alguns anos depois, alguém da família me disse que ele teria revelado uma tristeza: nunca foi convidado por nenhum sobrinho para almoçar ou jantar em sua casa. Aquilo cortou meu coração.

Ele era amado por todos, morava em Brasília e sempre nos recebeu durante as férias. Aguentava aquela meninada o mês inteiro, com amor e paciência. Sempre vinha a Belo Horizonte, nós nos encontrávamos na casa de minha mãe e de outros tios, mas nunca o convidei para jantar ou mesmo para um lanche. A gente, quando é jovem, nem pensa que gestos assim podem agradar tanto a uma pessoa querida.

Sou evangélica, cresci ns Igreja Batista Central, onde fiz amizades sólidas. Saí por alguns anos. Quando retornei, encontrei-me com uma senhora de quem gosto muito. Ela me abraçou e começou a chorar de emoção ao me rever. Aquilo me tocou profundamente. Na mesma hora, lembrei-me daquele comentário que ouvi décadas atrás sobre meu tio. Decidi fazer um lanche na minha casa e convidar algumas amigas da adolescência – entre elas, duas senhoras da igreja, de quem eu gosto tanto, as irmãs Ana Maria, leitora assídua desta coluna e Lucília Mazoni.

Foi das melhores coisas que fiz nos últimos tempos. Nossos olhos brilhavam, ficamos ali horas conversando, relembrando nossa juventude, contando casos, rindo e nos emocionando. Percebemos o quanto os ensinamentos foram importantes para nossa formação. Só demos conta de que já era tarde da noite quando o marido de uma delas ligou para saber onde a mulher estava até aquela hora. Nos despedimos já com o próximo encontro marcado.

Deus é maravilhoso e nos dá a oportunidade de fazer do nosso tempo um dia perfeito, produtivo. Creio que ele não permita que saibamos o futuro para que tenhamos a oportunidade de escolher como ocupar o nosso tempo. Cada dia de nossa vida é uma página em branco: depois de vivida, não muda mais. Cabe a nós preenchê-la da melhor maneira possível.

Três coisas que não voltam atrás: a pedra atirada, a palavra dita e o tempo passado. Devemos pensar muito antes de agir. Cabe-nos saber aproveitar o tempo. A única certeza que temos é de que vamos morrer, cada um de nós tem a sua senha, ninguém sabe quem será chamado primeiro. Devemos viver com quem amamos e nos ama, vamos aproveitar nossos dias e escrever um lindo 2016. Quando alguém partir, teremos a certeza que não ficamos devendo a essa pessoa querida nenhuma demonstração de amor. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

 

Crônica publicada no Caderno EM Cultura, 30/1/16. Na coluna de Anna Marina

O melhor amigo da humanidade

Crédito Tristar/divulgação
Crédito Tristar/divulgação

O ser humano não gosta muito da solidão.

Depois que Deus o criou, disse: “Não convém que o homem esteja só”. E inventou uma companheira para ele. Creio que por isso é tão difícil ficar totalmente sozinho, não faz parte do propósito divino para nossas vidas. Quantas e quantas pessoas que moram sós, assim que entram em casa ligam a TV ou o rádio simplesmente para ter barulho por perto e não enfrentar o silêncio? O som traz a sensação de companhia. As questões podem ser várias, até mesmo mais profundas, internas, mas isso deixo para minha colega de espaço, que escreve aos domingos, analisar, porque é mais a praia dela.

Outra alternativa que muitos encontraram para enfrentar a solidão são os bichinhos de estimação. Nessa lista dominam os cachorros, mais interativos. Reagem à chegada do dono, adoram brincar, respondem e correspondem. Por outro lado, demandam mais atenção e cuidados. É preciso passear pelo menos uma vez por dia com eles. Dar uma volta, principalmente se moram em apartamento. Também carecem de banho semanal, tosa (dependendo da raça), cuidados com os dentes por causa do mau hálito. Tudo vale a pena, pois são lindos e muito amorosos. Tenho dois, e os amo demais.

Por outro lado, os gatos têm conquistado mais e mais pessoas. Um dos motivos é o fato de serem mais silenciosos do que os cães. Será? Várias amigas já me contaram casos estarrecedores. Os bichinhos miam a noite toda. Quando a gata está no cio, é desesperador: ou a castração se inevitável ou os vizinhos pedem o despejo imediato… Antes que me recriminem, nunca ouvi esses miados. Apenas relato o que me contaram. Mas, sem sombra de dúvida, gato dá menos trabalho, não tem mau hálito, banha-se sozinho e não demanda carinho nem atenção como o cachorro. Como são relativamente independentes, sentem necessidade de se esconder para descansar. Gostam também de supreender – instinto natural – e por isso são importantes objetos e espaços adequados para o pequeno felino.

Com esse grande número de bichos de estimação, a indústria pet, com objetos, brinquedos e acessórios, tem crescido assustadoramente. Para os cachorros há até guarda-roupa completo, de pijamas a traje de gala, passando por capa de chuva e sapatinhos. Roupas são vendidas por grifes como Prada, Chanel, Gucci… Sinceramente, dá dó ver os bichinhos andando de sapato… Lembro-me do cachorrinho do filme Melhor é impossível imitando o Jack Nickoson, andando sem pisar nas linhas do chão. Eles levantam a patinha para o alto, tamanha a aflição que o acessório causa.

Brinquedos, ossinhos, biscoitos, camas, casas, tem até namoradeira. E as coleiras, então? De grife – Swarovski, Louis Vouitton… Pasmem: uma dessas coleiras tem 1,6 mil brilhantes – o maior deles tem sete quilates. Há móveis para gatinho escalar, arranhar e se esconder. Alguns têm até seis andares, mas próprios para apartamentos. Forrados, parecem complexos playgrounds, com pontes maleáveis, escadas e desníveis. Uma coisa incrível.

E não fica só por aí. O mercado oferece bebedouros, caixinhas higiênicas, namoradeiras, caixas para transporte, camas dos mais diversos modelos. Enfim, a criatividade é infinita e o desejo de consumo dos proprietários maior ainda. Afinal, tudo vale a pena para agradar a esses pequenos seres que preenchem o vazio da nossa solidão. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

Crônica publicada no Caderno EM Cultura, 3/2/16, na coluna da Anna Marina