Sobrancelhas mais volumosas

Uma das coisas que mais me chama atenção em um rosto são as sobrancelhas. Elas emolduram os olhos, arrematam, enfeitam.

Sempre gostei de sobrancelhas mais grossas, naturais. Quando entrou a moda de pinçá-las muito finas meu coração cortava quando via moças lindas se auto destruindo para ficar dentro do padrão exigido na época.

O pior é que os fios desta parte do corpo não são iguais aos cabelos da cabeça que nascem de novo. A tendência é não crescerem mais. Portanto, quando a moda passa, a sobrancelha continua fina.

Agora, o que estamos vendo circulando por aí, são modelos e celebridades com o formato natural e levemente delineado para as sobrancelhas, ou seja, o uso da pinça diminuiu bastante.

A modelo Alessandra Ambrósio, a cantora Demi Lovato e a atriz Maria Casadevall são exemplos desse novo estilo. Para Luzia Costa, especialista em estética e fundadora da Sóbrancelhas a moda vai demorar um pouco a pegar: “Ainda é difícil para muita gente, aceitar o formato próprio. Cada vez mais recebemos clientes buscando a sobrancelha de alguma famosa, mas sempre explicamos que o design perfeito é aquele que acompanha o formato natural do rosto”.

Minha sobrancelha estava com algumas falhas que corrigia com lápis. No final do ano passado, uma tia, que mora no norte de Minas e é esteticista, veio passar as férias conosco e aproveitou a oportunidade para fazer um curso de preenchimento de sobrancelha fio a fio. Minha irmã e eu nos prontificamos para sermos as cobaias. Não podíamos deixá-la ir embora sem testar seus conhecimentos em seres humanos – só tinha testado em máscaras. Ficaram lindas e sempre recebo elogios.

Em minha opinião, uma das coisas que mais prejudica o formato das sobrancelhas é o Botox. As mulheres exageram na testa, paralisa a musculatura em excesso e a sobrancelha fica muito arqueada. Fica muito feio.

Para quem deseja adotar o visual mais natural, seguem algumas dicas:

  • Aproveite o seu desenho natural, não tente arquear, diminuir ou afinar.
  • Tire somente os excessos com a pinça, aqueles que fogem muito do contorno principal. Dessa forma, você não corre risco de afiná-la.
  • Use uma vitamina para auxiliar o crescimento dos pelos. O Minoxidil é o mais conhecido. A Sóbrancelhas desenvolveu um sérum indicado para cílios e sobrancelhas fracos ou pouco espessos. Seu composto contém extrato de Jojoba, emoliente e umectante.
  • No caso de falhas, use um lápis universal para preencher o desenho de forma bem sutil. Lembre-se de passar somente das áreas falhadas e não marcar muito o contorno, isso vai tirar o ar de naturalidade que buscamos.

Isabela Teixeira da Costa

Olhe para você mesmo

psicologia1Por que o autoconhecimento é tão difícil? Por que as pessoas fogem delas mesmas?

É bíblico. Em Mateus capítulo 7, versículo 3 está escrito: “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho?”

A dor física não exige uma interpretação. Provoca simplesmente uma reação. Uma dor no corpo leva ao médico. Atualmente, marcar consulta em consultório demora meses, a solução é ir para o pronto atendimento hospitalar, lotado e aguardar horas na fila de espera.

Alguns, mais exagerados ou pessimistas já ficam imaginando o pior, até receberem a notícia que não se trata de nada grave. Mas são raras as pessoas que, mesmo sentindo dor, ignoram o sintoma e tocam a vida para a frente como se nada estivesse acontecendo.

Infelizmente, o mesmo não ocorre quando se trata de questões mais abstratas, mas nem por isso, menos importantes. Angustia, desânimo, irritabilidade, insônia, falta de apetite, ansiedade, apatia, indecisão, medo, insegurança, pessimismo, vazio são sentimentos que não devem ser ignorados.

Não podemos generalizar. Se uma pessoa sempre foi indecisa, isso faz parte de sua personalidade e do seu jeito de ser. Porém, se algum dos sintomas acima começa a aparecer é preciso procurar um médico, e neste caso a especialidade indicada é um psicólogo ou psicanalista.

Falei a palavrinha desesperadora. Muita gente acha que fazer um tratamento psicológico ou uma terapia significa estar louco. Não, não está. Quer dizer, simplesmente, estar passando por uma fase de estresse e deve se tratar, descobrir a causa do seu sofrimento.

Em alguns casos, o psicólogo indicará uma ajuda psiquiátrica para que o paciente receba uma ajuda medicamentosa. Pronto, aí o desespero ficou completo. Quando se fala em psiquiatra muita gente pensa em doido varrido, daqueles de jogar pedra em avião, que vai ter que levar choque, ser internado. Nada disso. Em alguns casos será necessário o uso de um ansiolítico ou antidepressivo por um período, e só médico especialista deve receitar.

Alguns psiquiatras também fazem terapia durante o tratamento, porém outros apenas receitam os medicamentos. Isso não é o ideal, pois o remédio dá o alívio necessário, mas não descobre a causa, o fator que está provocando na pessoa todo o mal-estar. Por isso a terapia é tão importante. Os dois tratamentos devem caminhar juntos.

Nada melhor do que o autoconhecimento. Quando isso ocorre, conseguimos enfrentar e superar os problemas que surgem, ou pelo menos, conviver com eles sem que nos afetem de maneira que nos tirem do prumo.

Tenho uma irmã psicanalista, e das boas, Regina Teixeira da Costa. Sei disso por seus clientes. Por incrível que pareça, muitos deles me contam quando encontram comigo: “sou cliente de sua irmã, ela é ótima”, ou “sua irmã me curou, sou outra pessoa”. Acho muito engraçado porque no meu entender, isso era para ser sigiloso. Regina nunca contou para ninguém quem é ou não seu cliente, não comenta nada do que acontece em seu consultório. A ética exige.

Fico orgulhosa. Deve ser muito gratificante ver um ser desabrochar, vencer seus medos, traumas, superar barreiras. Fico me perguntando por que certas pessoas têm tanta resistência para se tornarem melhores. Por que tanta gente gosta de sofrer? Por que não se dão a chance de ser feliz?

Certa vez uma amiga me disse: “Tenho medo de fazer análise e descobrir o mal que minha mãe me fez e parar de gostar dela”. Será que isso poderia acontecer? Ou ela enxergaria o que a mãe fez, resolveria as consequências disso em sua vida, e amaria sua mãe, apesar de tudo. Afinal, pais são pessoas limitadas e erram porque não puderam fazer melhor.

 

Isabela Teixeira da Costa

A gastronomia vai além da cozinha

Gleice /MasterChef/Reprodução
Gleice /MasterChef/Reprodução

Gosto muito de assistir programas de culinária. Sempre que posso estou ligada. Um deles é o MasterChef.

O programa começou no Reino Unido, mas era o da Austrália que passava na TV. Gostei e continuei seguindo a franquia dos outros países.
Acompanhei quando começou o do Brasil. Estranhei um pouco a postura rígida dos jurados e o tratamento agressivo por parte deles com os participantes – nos outros programas eles são mais delicados –, mesmo assim continuei assistindo. Fui entendendo, vendo que em alguns momentos são até carinhosos.
Este ano, começou a terceira edição. Entre os participantes entrou uma menina tímida, com uma história de vida sofrida, a Gleice: na semana da seleção tinha perdido um irmão assassinado.
Foi bonito ver sua trajetória, não por ela cozinhar muito bem, mas pelo seu crescimento pessoal. O chef Henrique Fogaça mostrou à caçula da turma como ter mais confiança em si mesma com um gesto de bater no peito e dizer: “vem ne mim”. O que ela repetia a cada prova.
No dia 4 de maio, Gleice ficou entre as piores junto com a participante Gabriella Palinkas. Gleice sempre foi uma das mais frágeis. Gabriella, por outro lado, era um exemplo. Organizada, disciplinada e perfeccionista. Em uma prova de macarons foi eliminada. A prova pedia macarons de três cores diferentes, Gabriella apresentou apenas uma, mas saborosa. Gleice, as três, porém incomíveis. Para os jurados a tarefa não foi cumprida por Gabriella e foi eliminada.
A decisão causou polêmica nas redes sociais. Os telespectadores ficaram indignados e acusaram os jurados de protecionismo por causa da história de vida de Gleice.

Sanduiche vencedor Foto Band/Reprodução
Sanduiche vencedor Foto Band/Reprodução

O fato é que ela ficou, mas na última terça-feira, 24, foi eliminada por causa de um sanduiche. Foi, sem dúvida nenhuma, uma noite cheia de emoção. Todos choraram: jurados e participantes, exceto a eliminada Gleice que, apesar de emocionada, estava sorrindo, feliz, dizendo a todos que o programa salvou sua vida, se referindo ao momento de vida que estava passando.
“Foi um aprendizado, uma escola, eu só tenho a agradecer. Independente da competição, eu precisava disso. Saio daqui outra pessoa. Eu só tenho que levar daqui coisas boas, o programa realmente me fez crescer. Eu estou saindo feliz, porque coloquei minha alma”, declarou Gleice emocionada.
O fim do episódio foi muito emocionante e, com certeza, deve ter tocado também muito dos telespectadores, apesar de a eliminação ter sido justa. Isso mostra que a gastronomia ensina muito mais do que cozinhar.

MasterChef Brasil
Terça-feira, 22h30, Band
Sexta-feira, 19h30, Discovery Home & Health

Isabela Teixeira da Costa

Feriado: um refresco na semana

feriado1Tem coisa mais gostosa do que um feriado no meio de uma semana sobrecarregada?

É como um bálsamo na vida da gente. Tem vez que as pessoas nem sabem qual feriado é, não é importante, o valor é a folga, o respiro que vamos receber. Acordar tarde, ficar de preguiça na cama! Pena que para mim não funciona. Meu relógio biológico já está treinado e faça chuva ou faça sol, de segunda a segunda sempre acordo no mesmo horário. Nem preciso de despertador – graças a Deus, porque eu detesto.

São 11 nacionais e mais dois municipais (Belo Horizonte), quando todos caem no meio da semana, são menos 13 dias no ano. Se caírem terça ou quinta-feira, a tendência é das pessoas emendarem a segunda ou sexta, ou seja, menos dias úteis. Isso às vezes atrapalha. O Brasil tem mania de feriado e quando cai em excesso interrompe demais a vida da gente e quebra o ritmo do trabalho. Alguém já sentiu isso ou será que sou só eu?

Às vezes estou com algum trabalho tão importante e está fluindo tão bem, que quando entra um feriado, em vez de ajudar, atrapalha. Juro que não sou doida, é verdade. Faço muitos eventos todos beneficentes (isso não vem ao caso agora), e o tempo é imprescindível na produção. Quando tem feriado no meio da preparação prejudica bastante. O prazo dos fornecedores muda, atrapalha no cálculo de entrega para o frete e uma coisa puxa a outra. Mas quando as datas caem bem distribuídas no calendário, as folgas são muito bem-vindas.

E quando a empresa dá de presente o direito da emenda… Fica melhor ainda! Mas o que fazer no feriado?

Começo a ouvir amigos e colegas falando e fico impressionada com as escolhas. Cada um é cada um, mesmo. Muita gente vai viajar. Escarpas do Lago ficará cheia, animada. Sítios e fazendas também. Alguns mais animados optaram em dar um pulinho no mar, de ônibus mesmo. Um decidiu fazer “sonoterapia”, disse que vai dormir de hoje até domingo, e ai de quem acordá-lo. Mas a pior para mim foi a que escolheu fazer faxina em sua casa, durante os quatro dias de feriado.

Apesar da virada do tempo, acho que vai dar para fazer muita coisa. Se não chover, até o piquenique que uma colega está programando com as amigas será possível, mas ela terá que levar muito agasalho e vários pesos, porque desde terça, no final do dia o vento chegou.

O importante é aproveitar bem o tempo, se possível com a família, com pessoas que a gente ama. Quem sabe matar a saudade de amigos queridos que não conseguimos ver com frequência… Afinal, quem faz o nosso dia somos nós e o tempo vivido não volta, então, devemos viver bem.

Isabela Teixeira da Costa

Para esquentar

Chegou o frio. Neste país tropical isso é raro, pode ser apenas uma frente fria, mas é uma ótima oportunidade para usarmos as peças outono/inverno das coleções lançadas há algum tempo pelas diversas grifes e que continuam no guarda roupa por falta das baixas temperaturas. Os tricôs estão lindos e merecem dar um passeio. Cores, estampas, geométricos. Variedade de estilos para todos os gostos, tudo para deixar a mulher elegante. O que importa é saber escolher o que lhe cai melhor. Confira.

Torta de ragu de carne com café

Ragu de Carne Foto Melitta/Divulgação
Ragu de Carne Foto Melitta/Divulgação

Recebi uma receita bem surpreendente, um prato com ingredientes bem conhecidos pelos brasileiros, simples de preparar, porém com um sabor diferente. Uma torta de ragu de carne que leva café tanto na massa quanto no recheio, criada pelo café Melitta. O preparo é fácil, rende seis porções. Para quem gosta de café e de novidades, ótima pedida, porque a receita proporciona o máximo prazer do café. Mas, para aqueles que preferem a bebida como acompanhamento, no final da receita damos a sugestão de substituição.

Ingredientes para a massa

4 colheres de sopa de manteiga sem sal
1 gema
½ xícara (100ml) de café coado, bem concentrado, preparado com 2 colheres de sopa de café
2 ½ xícaras de farinha de trigo
1 colher de chá de sal
1 colher de chá de açúcar
1 colher de chá de fermento em pó

Ingredientes para o recheio

300g de carne picada bem miudinho (alcatra ou coxão mole)
200g de linguiça defumada picada bem miudinho
1 xícara de cenoura picada em cubinhos
1 xícara de milho verde
1 ovo cozido duro, picado
100g de queijo minas fresco picado
1 cebola picada bem miudinho
1 xícara (200ml) de polpa de tomate
1 colher de sopa de farinha de trigo
1 xícara (200ml) de café coado, preparado com 3 colheres de sopa de café

Preparo da massa

Misture bem a gema com o café e a manteiga amolecida. Adicione a farinha, aos poucos, até obter uma massa homogênea. Abra 2/3 da massa com um rolo, deixando-a bem fininha, e disponha sobre uma travessa retangular média* (de porcelana ou vidro). Abra o restante da massa e corte tiras finas (aproximadamente 0,5 cm). Reserve.

Preparo do recheio

Em uma frigideira grande e funda, refogue a cebola com a linguiça, até começar a dourar. Acrescente a carne picada para refogar, mexendo sempre, até dourar. Adicione a cenoura picada e continue mexendo. Quando começar a grudar no fundo da frigideira, acrescente a farinha de trigo, misture bem e adicione a polpa de tomate. Por último, acrescente o milho verde e o café coado, mexendo bem para misturar tudo e formar um caldo bem encorpado. Tempere com sal e pimenta a gosto, retire do fogo, deixe esfriar um pouco e adicione o queijo e o ovo.

Finalização da receita

Despeje o recheio sobre a massa na travessa, espalhando-o uniformemente. Cubra com as tiras de massa. Corte o excesso de massa com uma faca e descarte. Leve ao forno pré-aquecido a 180C por 20 a 30 minutos ou até aquecer o recheio e assar a parte de cima da massa. Sirva quente.

Rendimento: 6 porções
Tempo de preparo: 2h20

Substituição do café:

Na massa:  substituir o café por água na mesma medida
No recheio: substituir o café pelo vinho branco. Sugestão: o Malbec combina muito com esse tipo de recheio.

Dica: Normalmente, quando faço qualquer tipo de torta salgada, antes de colocar o recheio, pré asso a massa. Dou pequenos furos de garfo na massa, coloco grãos de feijão cru em um papel alumínio e ponho sobre a massa. Levo ao forno por alguns minutos. O feijão é para pesar e não dar bolhas na massa.

Até onde leva a obsessão

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Ana Hickmann Foto Uai.com.br/Reprodução

Como não ficar chocada com o que aconteceu com Ana Hickmann, em Belo Horizonte, por um obcecado.

Sempre me incomodou o excesso de idolatria a artistas. Todos nós temos pessoas que admiramos. Cantores, atores, escritores, enfim, profissionais de qualidade que nos tocaram com o seu trabalho, de forma que passamos a gostar deles, consumir o seu produto. Compramos discos, filmes, livros.

Vamos ao cinema assistir determinado filme em função de quem escreveu o roteiro, por causa do diretor ou de algum ator que está no elenco. Podemos até ir porque alguém indicou, mas esse “alguém” é especial, tem conteúdo, confiamos em sua avaliação, ou seja, admiramos esse “alguém”.

Quantas pessoas pagam caro para assistir a um show de sua banda favorita? Qual o problema? Porém, acho muito quando vejo moças se descabelando na fila do gargarejo por causa de um artista. Isso ultrapassa qualquer admiração.

Certa vez, quando trabalhava na editoria de Cultura, fui escalada para acompanhar uma banda em sua turnê por algumas cidades mineiras. Viajei com os rapazes e ficava nos bastidores durante as apresentações. Uma vista privilegiada da banda e da plateia. Impressionante. As meninas mandavam de tudo no palco, desde bichinhos de pelúcia a bilhetes e calcinhas. Se os integrantes quisessem, “pegariam” qualquer uma, fácil. Isso faz tempo, imagina hoje, que as meninas estão bem mais atrevidas, o que não deve estar rolando.

Quando produziam o Pop Rock em BH, minha filha pediu para levá-la. Mais para atender uma amiga que era fã do Charlie Brown Jr. do que por ela mesma. Lá fui eu, atender seus desejos. Na hora da banda consegui sair do camarote e chegar no cockpit. A amiga dela surtou. Berrou, descabelou, chorou, sapateou. Quando vi, minha filha estava gritando também. Que raiva! Segurei as pontas. Depois da apresentação fomos ao camarim, tiraram fotos – graças a Deus comportadamente –, e voltamos para o camarote.

No dia seguinte, tive uma conversa séria com minha filha. Expliquei que poderia ter admiração por quem fosse, mas de forma racional. Afinal, todo mundo era gente como nós. Ninguém é melhor do que ninguém. Chorar, gritar e descabelar como sua amiga, por ninguém. Adorar, só a Deus. Ela compreendeu o que eu disse.

Esse limite falta em muita gente. E a admiração vai extrapolando, vira obsessão, loucura e pode dar no que deu como no caso de Ana Hickmann, que sempre foi uma artista mais discreta. Nunca quis aparecer, se exibir. Imagino como deve estar se sentindo, depois de ter sido agredida dessa forma, sendo referida por palavras tão vulgares.

Ouvi uma entrevista da mãe de Rodrigo, o agressor, dizendo que o filho não iria fazer mal a ninguém. Imagino a dor que esta senhora deve estar sentindo. Perder um filho dever ser uma das coisas mais dolorosas que podemos passar. Com todo o respeito à sua dor, ninguém se hospeda em um hotel com nome falso – ele apresentou cartão de crédito do pai –, armado, rende uma pessoa, faz três reféns e manda ficar de costas, se não quer fazer mal a ninguém.

Tudo foi premeditado. Fruto de uma obsessão cultivada e alimentada por anos de idolatria a uma pessoa. Este é o grave risco que corre uma mente fraca, que leva a confundir admiração com amor e gera a obsessão.

É o que disse Alexander Correa, marido de Anna Hickmann: “Não conhecíamos o mal, agora conhecemos o mal, a paranoia, o medo.”

Isabela Teixeira da Costa

Rápido e devagar

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Paulo Brant Foto: arquivo pessoal

O hábito de ler expande o nosso conhecimento, nossa capacidade de comunicação, nossa criatividade, aprimora o nosso senso crítico, além de proporcionar outros incontáveis benefícios.

Iniciamos, portanto, a nossa sessão literária, onde passaremos a receber convidados especiais, que indicarão a leitura de livros de sua preferência, para que você possa aproveitar e se deleitar com essas sugestões de leituras.

Nossos convidados serão pessoas amantes da leitura, empresários, professores, pessoas de destaque em nossa vida cultural e social e, inclusive, nossos próprios leitores.

Estreando de forma magnífica, convidamos o atual presidente da CENIBRA, Paulo Brant, para nos presentear com a sua indicação.

Tenho a certeza que vocês serão muito beneficiados com essa e com as próximas indicações que serão divulgadas esporadicamente.

Cláudia Elias

Capa Rapido e Devagar.inddLivro: Rápido e Devagar: Duas formas de pensar

Autor: Daniel Kahneman

Esse livro foi escrito pelo psicólogo israelense, Daniel Kahneman, em 2011 e é uma viagem fascinante pela mente humana. Nele, o autor analisa o nosso processo de tomada de decisões, demonstrando que o mesmo está longe de ser uma experiência essencialmente racional, envolvendo de fato dois sistemas de pensamento, duas formas de pensar: uma rápida, intuitiva e emocional; outra lenta, lógica e deliberativa. Ambas extraordinárias e poderosas. Mas, como tudo o que é Humano, falíveis e sujeitas a erros. O trabalho de Kahneman foi tão influente que com ele o autor recebeu o Prêmio Nobel de Economia, sim, de Economia, pelas luzes que lançou sobre as decisões dos agentes econômicos, que em última instância configuram o funcionamento da economia como um todo. Recomendo enfaticamente!!!

Paulo Brant

Construir Design

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Construir Design/divulgação

Começa, na próxima terça-feira, 31, e vai até 9 de julho, em Lagoa Santa, a 2ª edição da Casa Construir Design.

O evento será na casa do estilista Victor Dzenk, na orla da lagoa, reunindo arquitetura, design e moda. O tema será o mediterrâneo com estampas criadas pelo estilista que serviram de inspiração aos profissionais da mostra.

São 35 ambientes que terão como proposta a sustentabilidade. A novidade será a loja conceito de Dzenk, em um container, com design minimalista assinado por Flaviane Pereira.

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Construir Design/Divulgação

A mostra terá uma programação de shows e agenda gourmet e contará também com um desfile do estilista.

Fica a dica!

Local: Avenida Getúlio Vargas, 940, Lagoa Santa, Minas Gerais.

Flávia Freitas

A língua portuguesa está indo para as cucuias

letrasExcesso do uso de mensagens digitais leva jovens a desaprender a língua portuguesa.

Sou gerente de Comunicação Interna dos Diários Associados em Minas. Há alguns anos, desenvolvemos um projeto com escolas e precisei selecionar alguns jovens para trabalhar na área. Entre os diversos testes necessários para a seleção pedi ao RH que incluísse uma redação jornalística sobre um tema sugerido por mim.

Para esta fase final ficaram oito candidatos, e coube a mim ler as referidas “matérias” redigidas por eles. Suplício foi pouco perto do que passei. A primeira dificuldade foi entender a letra. Perdia feio para a de médico, para falar a verdade, se devolvesse para cada um e pedisse leitura, acredito que nem eles mesmos conseguiriam tal façanha. A segunda foi com a pontuação; e a terceira, com os erros de português. Sinceramente, foi difícil escolher a menos ruim.

Estruturação de texto, poucos fizeram. Isso tudo é culpa do estilo de vida. Ninguém mais escreve, só tecla. A maioria em WhatsApp e Twitter, que é tudo abreviado, com linguagem própria e simbologia. Até nos e-mails e nas redes sociais já usamos abreviações.

Em 2011, o Ministério de Educação e Cultura (MEC) lançou um livro para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) defendendo a linguagem popular. Foi o maior escândalo. A mídia e outro tanto de gente cairam em cima falando mal. Outros defenderam, até que aos poucos, como tudo neste país, a polêmica se calou. Em um capítulo, os autores diziam que não tem problema falar errado, como se fala informalmente.

livromecVejam um trecho do livro:

“Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado.

Você acha que o autor dessa frase se refere a um livro ou a mais de um livro? Vejamos: o fato de haver a palavra os (plural) indica que se trata de mais de um livro. Na variedade popular, basta que esse primeiro termo esteja no plural para indicar mais de um referente.”

E continuam dizendo que é claro que uma pessoa pode falar ‘os livro’, mas ressaltam que dependendo da situação ela poderá sofrer bullying linguístico. Também exemplificam com outro exemplo: “nós pega o peixe” ou “os menino pega o peixe”, porque todo mundo entende. Entender entende, mas está errado!!!!

Não quero ser purista, porém não posso concordar com o assassinato da nossa língua. Não aguento mais conversar com profissionais, inclusive da área de comunicação que não conjugam tempo verbal correto. Nem mesmo plural! Socorro! Informalidade tem limite. O profissional está em seu ambiente de trabalho, na área de comunicação de uma empresa e fala tudo errado. Dá para aceitar???

Entendo que existe no país uma diversidade sócio-cultural-regional que faz com que pessoas falem de formas diferentes, por regionalismo ou por falta de oportunidade de frequentar uma escola e aprender a língua portuguesa básica. Claro que a comunicação é possível entre todas as pessoas, mas não podemos dizer que o uso da língua esteja correto.

A partir do momento que o órgão máximo da educação do país, publica um livro respaldando esses erros, a chance de aprendizado e ensino está fadada ao fracasso. Essas pessoas que falam errado vão querer se esforçar em aprender, se o livro diz que estão corretas? Duvido.

Para deixar claro que não vai aqui nenhum preconceito, exemplifico de outra forma: quando chega ao país um estrangeiro para se estabelecer aqui, seja ele de qual nacionalidade e nível econômico for, começa a aprender o português. No início, vai falando tudo errado, e todo brasileiro que conviver com ele vai corrigindo sua pronuncia até que aprenda a língua. Ninguém ignora a fala errada, mesmo entendendo o que ele diz.

Conheço uma moça russa que conheceu o filho de uma grande amiga, quando ambos faziam um curso na França. Apaixonaram-se e hoje, moram no Brasil. Quando ela chegou aqui, em menos de quatro meses já falava português. Dedicou-se tanto, que hoje fala melhor do que muito brasileiro.

Me desculpem os compatriotas, mas ela está certa. Salve a língua portuguesa!

Isabela Teixeira da Costa