Câncer, tratar ou acompanhar?

CâncerEm janeiro, a revista Veja publicou matéria que, se não for polêmica, é um tanto perturbadora, e dividindo opiniões: Ela expõe a crescente tendência mundial de não tratar certos tipos de câncer, optando pela observação e sem aplicação imediata de procedimentos como cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

Insistimos em dizer que tal conduta só pode ser adotada em determinados tipos de câncer, aqueles reconhecidamente menos agressivos, como alguns detectados na próstata e na mama, por exemplo.

Na referida matéria há depoimentos de quem não aceitou a proposta e exigiu o tratamento, como também declarações de pacientes que aceitaram o acompanhamento médico e vivem muito bem, sem o avanço da doença e sem enfrentar as sequelas e efeitos colaterais da cirurgia ou do tratamento agressivo que a maioria de nós conhece tão bem.

Como diz o ditado “cada macaco no seu galho”. Sendo assim, consultei dois dos melhores oncologistas de Minas Gerais para ouvi-los sobre o tema. Dessa forma, os leitores poderão tirar suas conclusões e formar as próprias opiniões.

Renato Nogueira, coordenador do Instituto Felício Rocho de Oncologia e da clínica oncológica daquele hospital, afirma: “Quando nos vemos diante de um paciente portador de câncer, a conduta tende a ser inflexível: remoção das células indesejáveis por meio de cirurgia, seguida ou não de tratamento complementar. Cada caso deve ser analisado criteriosa e individualmente. Contudo, a prática intervencionista vem merecendo reflexões e questionamentos como: quando um câncer não é verdadeiramente um câncer? O carcinoma ductal in situ (CDIS) de mama, por exemplo, é geralmente considerado uma lesão não obrigatoriamente precursora de câncer invasivo, mas seu risco de transformação maligna permanece obscuro. Pesquisas indicam que cerca de 20% a 30% das portadoras desta lesão inicial irão desenvolver câncer de mama invasivo. Assim, os principais objetivos do tratamento destes casos são minimizar o risco do tumor. O manuseio do CDIS de mama permanece controverso – vai de excisão local, com ou sem radioterapia, à mastectomia bilateral”.

A caracterização molecular desta neoplasia, informa Nogueira, exerce papel fundamental na decisão terapêutica. “Devem-se considerar também os impactos psicológicos e sobre a qualidade de vida, consequentes do diagnóstico e tratamento. Outra situação delicada diz respeito ao diagnóstico de câncer de próstata; no caso do paciente jovem, tendo a recomendar uma abordagem mais agressiva, visto que ele geralmente tem uma boa e longa expectativa de vida. Já no caso do mais idoso com características biológicas tumorais favoráveis, ou aquele que apresenta comorbidades impeditivas de tratamento mais invasivo, tendo a ser mais conservador e até mesmo, a adotar uma conduta observacional, que envolve controles oncológicos rigorosos e periódicos”, completa.

Para Renato Nogueira, a conduta expectante nunca pode ser generalizada e deve ser empregada em casos de prognósticos muito bons, com rígido e periódico controle, independentemente do tipo de localização do tumor.

Para Enaldo Melo de Lima, chefe da Oncologia do Hospital Mater Dei, essa é a realidade para muitos tipos de câncer menos invasivos como o de mama, intestino e alguns casos que surgem no pulmão. “Fazemos só a cirurgia de retirada e o exame patológico. Em certos casos, temos que fazer o tratamento pela patologia da doença, e cada tratamento é de uma maneira”, explica. Segundo Enaldo, tem os tipos de câncer mais agressivos que devem ser tratados, não podem simplesmente ser retirados e depois observados.

“O que nos ajudou muito foram os exames de biologia molecular. Com o resultado deles é possível saber quem deve receber tratamento, quem pode ser observado e que tipo de tratamento adotar, se mais agressivo ou menos agressivo”, relata. “Às vezes fazemos só o acompanhamento, sim. Isto tem sido aplicado aqui há cerca de sete anos, mas não abrimos mão de fazer a cirurgia de retirada”, conclui o especialista. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

 

Crônica publicada no Caderno EM Cultura, 5/2/16, na coluna da Anna Marina

Feriado de Carnaval: folia ou descanso?

Cristina Horta/Estado de Minas/DA Press

Está aí o feriadão de carnaval.

Não sou adepta da folia, prefiro fazer um programa mais light, descansar, ir ao cinema, à igreja, sair com amigos ou visitar minha mãe. Sei que como eu há uma infinidade de pessoas. Sempre gostei da tranquilidade de Belo Horizonte. Mesmo com o crescente número de blocos, conseguimos andar e descansar tranquilamente. Pelo menos até o ano passado. Vamos ver como será agora, pois a expectativa é de 1,6 milhões de pessoas nas ruas. Aquela debandada para outras cidades não ocorre mais. O belo-horizontino deixou de viajar para curtir a festa de Momo por aqui e receber os amigos de fora.

Independente do tipo de programa escolhido, certamente este será o feriado de crise. Se a opção for a calmaria, pode-se reunir amigos em casa para assistir a filmes depois do almoço, que pode ser rateado – não pesa para ninguém. Piqueniques em praças ou parques também estão em alta, se não chover. Sair para jantar e ir ao cinema também têm o seu lugar. Inhotim estará aberto, com entrada franca na quarta-feira de cinzas. É outra ótima opção.

Se o projeto é pular o carnaval, melhor usar a criatividade para não gastar muito. Bloquinhos não cobram ingresso e quem quiser usar fantasia pode dar uma volta pelo guarda-roupa. A camiseta customisada não custa caro. E aquela maquiagem mais colorida, com cílios postiços exagerados, resolve o problema.

Porém, o folião deve ficar atento a alguns cuidados com a saúde. A primeira preocupação deve ser a hidratação. Beba água, água de coco ou isotônico – no mínimo dois a três litros por dia, pois com o calor e o exercício físico a gente perde líquido e sódio. Não se esqueça de se alimentar antes e depois da festa. O ideal é ingerir carboidratos antes da folia. Durante a balada, forre o estômago com barrinhas de cereais, fáceis de levar, e quenado chegar em casa coma alguma coisa leve.

Se for sair nos blocos durante o dia, não esqueça de passar e levar. Quando voltar para casa, coma algo leve.

Se for sair nos blocos durante o dia, não se esqueça de levar protetor solar e repelente, que devem ser passados várias vezes. Viseira ou chapéu é importante para evitar o sol direto no rosto.

Um produto muito usado no carnaval, mas requer cuidado, são os sprays de espuma. Segundo o doutor Marcus Sáfady, integrante da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO), eles podem causar lesões oculares, em casos mais graves, comprometendo a visão. “A espuma causa vermelhidão, sensação de areia nos olhos, dor e vários tipos de reação alérgica”, adverte. “Primeiramente lave a área afetada com água corrente. Caso os efeitos persistam ou a visão piore procure um oftalmologista”, aconselha Sáfady. Mas fique atento: a automedicação pode complicar a situação.

O especialista alerta também para o uso da purpurina ou glitter na maquiagem. Ambos podem arranhar a córnea, caso caiam dentro do olho. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

Crônica publicada no Caderno EM Cultura do Estado de Minas, 6/2/16, na coluna da Anna Marina

Especialista, só com muita prática

mochilaEstudar é bom e muito importante. O estudo que eleva o nível do ser humano e do país onde ele mora.

Afinal, a pátria é feita das pessoas que vivem nela. À medida que o nível educacional das pessoas vai aumentando, o país vai ficando mais civilizado, mais próspero e mais educado. Porém, não adianta dar estudo se depois não se oferecem oportunidades de trabalho. Outro dia, estava conversando com uma amiga e ela me contava que ouviu de outra amiga, que se hospedou em uma pousada no nordeste (se não me falha a memória), que todos os funcionários de lá eram formados na universidade. Toda feliz a moça espalhou a notícia. Que ótimo!

Fiquei pensando: uma pessoa se forma na universidade para continuar sendo faxineira, camareira, cozinheira, recepcionista, ou carregar malas? Não estou desfazendo de nenhuma dessas atividades, absolutamente. São profissões dignas e necessárias. A questão, aqui, é o anseio de quem se forma em curso superior. Exercer a nova profissão e melhorar de vida? Ou ter diploma e continuar fazendo exatamente o que fazia antes da faculdade? É preciso abrir oportunidade de emprego em todas as regiões do Brasil. Mas este assunto é longo, tema para outra coluna…

Semanas atrás, escrevi sobre arrumação de malas, baseada em um material que recebi de Carol Rosa. Formada em administração de empresa, depois de sete anos atuando na área financeira ela resolveu mudar de ramo. Começou a trabalhar com organização, fez curso na OZ, empresa filiada à National Association of Profissional Organizer, com sede nos Estados Unidos, que lhe deu o certificado de personal organizer. Detalho o currículo de Carol para mostrar que não tirei da minha cabeça as dicas publicadas.

Com todo respeito, concordo com a forma como Carol Rosa recomenda arrumar a mala tradicional. Dias depois de escrever a coluna, minha filha resolveu mochilar na Colombia. Toda metida a besta, quis ajudá-la com a bagagem – cheia de mim mesma, ou melhor, cheia dos ensinamentos da Carol. Foi um bate-boca. Ela queria fazer rolinho, defendi roupas esticadas. Na metade da mochila ela venceu com este argumento imbatível. “Mãe, quando eu quiser pegar qualquer roupa, vou ter que tirar tudo lá porque não vou achar nada”. Calei-me. Mudamos tudo para rolinho.

Para falar a verdade, na metade da arrumação realizada do meu jeito a mochila já estava quase cheia. Com rolinho, coube tudo, era melhor. No dia seguinte, fomos buscar a amiga dela, mochileira antiga. Quando comentamos sobre a bagagem, a primeira coisa que ela falou foi: “Fez tudo com rolinho, né?”. Caí na risada. Contei a novela da noite anterior, da coluna e da personal organizer. Na maior tranquilidade, ela revelou que, em sua primeira viagem, pesquisou na internet. Todo mochileiro adota o rolinho.

Diploma é muito importante, devemos que ter conhecimento teórico, sim, ajuda muito. Porém, sem a prática, deixa muito a desejar. Lembro-me de que meus melhores professores de faculdade eram os que já estavam no mercado de trabalho, pois mesclavam os dois conhecimentos.

Com todo o respeito, redimo-me aqui com os leitores. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

 

Coluna publicada no Caderno EM Cultura do Estado de Minas, 20/2/2016, na coluna da Anna Marina

 

Gordinhas em alta

Ilustração Lelis
Ilustração Lelis

Depois de enfrentar preconceito, desprezo e bulling, pode-se dizer que as gordinhas estão conquistando o seu espaço.

Hoje, as modelos plus size pisam na passarela ao lado de tops magras, sem nenhum problema. Tem até Miss Plus Size – ela é linda. As pessoas mais cheinhas estão se assumindo como são. Atrizes com sobre-peso têm conquistado papeis de destaque na TV, obtendo ótima aceitação do público – e não apenas em programas de humor. Quando entram na sátira, libertam-se de qualquer censura, vestem shortinhos e maiôs na maior tranquilidade. Porém, isso não significa que o bulling acabou, nem que os homens, na balada, prefiram olhar para a gordinha em vez da magrinha. Com certeza, há mudança de comportamento e, principalmente, na autoestima dessas pessoas. As mulheres vêm se aceitando fora do padrão ditado pela sociedade. Aprendendo a se amar como são, com dois, cinco, 10 ou 20 quilos a mais.

E isso é muito bom. Enxergar a beleza em si mesma, independente do que o outro quer é maravilhoso. Quem consegue merece um prêmio. A felicidade não depende de quem está ao lado, mas de nós mesmos. Devemos estar bem conosco, o que vier é complemento, algo a mais. Essa aceitação, esta autoestima elevada, acabou afetando vários segmentos da sociedade. Há alguns anos, a moda para pessoas acima do peso era feia, careta, só víamos roupas para pessoas mais velhas, matronas. Atualmente, várias grifes capricham na linha que vai do 38 ao 50. O que muda são pequenos detalhes, como o comprimento da saia, mangas que se incorporam ao modelo, decotes, pois pessoas com sobrepeso preferem esconder um ou outro defeitinho. É possível se vestir bem e na moda, ficar elegante e transada com numeração acima do 46. Há várias lojas especializadas. É um alívio.

Há algum tempo, em São Paulo, é realizado o Fashion Week Plus Size (FWPS), o maior evento de moda GG do país. A edição dedicada ao inverno de 2016 será realizada em 6 de março, na capital paulista. O evento reunirá marcas especializadas – aliás, aí está um dos segmentos da moda que mais cresce no país e pode ser muito explorado. Afinal, pesquisa do Ministério da Saúde, divulgada em 2015, informa que mais de 50% da população brasileira está acima do peso ideal.

Durante o FWPS, há vários desfiles. Profissionais do mundo fashion já pensam em promover evento semelhante aqui em Belo Horizonte, o que seria bem interessante, pois temos um bom número de marcas que produzem moda plus size de ótima qualidade, tanto em estilo quanto em modelagem e estamparia.

Porém, um aspecto não se pode ignorar: estar acima do peso e se aceitar assim é diferente de passar do limite e chegar na obesidade exagerada, nem digo mórbida. Há uma linha tênue que, ultrapassada, leva a pessoa a cruzar perigosamente o limite da saúde. Obesidade exagerada traz problemas como glicose alta, diabetes, colesterol, distúrbios de pressão e coração, além de insuficiêncial respiratória, problemas no joelho, na coluna e de circulação. Enfim, quando a pessoa resolve se conscientizar da gravidade da situação, o caldo já entornou. O que era autoestima elevada vira doença.

Aí vem o outro lado da questão: pessoas que não aceitam seu peso, mas não conseguem se manter magras, se tornam reféns do efeito sanfona, optando pela cirurgia bariátrica. Em caso de obesidade móbida, é a salvação da lavoura. Com a perda de peso, pode-se dar tchau ao diabetes, colesterol alto, pressão alta e tantos problemas. Mas o risco vem quando se usa essa cirurgia como solução estética, sem indicação correta. Fica aí o alerta. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

 

Crônica publicada no Caderno EM Cultura, 4/2/16, na coluna da Anna Marina

Leite, mitos e verdades

vacaQuando nasceram, minhas sobrinhas gêmeas tiveram alergia a leite.

Sofreram muito até descobrirmos o que se passava. As mamadas tinham que ser complementadas – naquela época, com leite mesmo. Bebês de meses, as duas começaram a ter assaduras, e não entendíamos por quê. Não era falta de higiene. Usávamos fraldas de pano, porque as descartáveis eram artigo de luxo – só mesmo para sair, dado o alto preço. Lembro-me como se fosse hoje: Anna Marina, titular desta coluna, chegou no hospital, logo depois do parto, levando quatro pacotes grandes de fraldas descartáveis. Presente de milionário! Foi uma festa.

As assaduras foram aumentando, ficavam em carne viva. Passávamos todas as pomadas, amido de milho, etc. O das gêmeas não descobria o motivo daquilo. Minha mãe passou a mão nas netinhas e levou ao Múcio de Paula, que tinha sido nosso pediatra, o melhor da cidade. Ele olhou e disse na maior calma, como era o seu jeito: “Alergia a leite”. Recomendou leite de cabra. Rapidamente, as assaduras desapareceram.

É bom ficar atento. Muita gente tem alergia a leite ou intolerância à lactose. A propósito, recebemos dicas da Associação Brasileira de Laticínios que esclarecem mitos e verdades sobre a questão:

1- Alergia à proteína do leite é diferente de intolerância à lactose. Isso é verdade. A alergia é reação do sistema imunológico a determinados alimentos. O leite pode ser um deles e, nestes casos, seu consumo deve ser restringido. A intolerância à lactose se refere à dificuldade de digerir o açúcar do leite, provocada pela deficiência do organismo na produção da enzima lactase, responsável por sua digestão. Intolerantes à lactose podem consumir derivados de leite como iogurtes e a maioria dos queijos, pois, durante a transformação do leite em iogurtes ou queijos, o teor de lactose diminui ou é totalmente eliminado.

2- Leite desnatado é leite integral com água. Isso é mito. O que caracteriza o leite desnatado é seu reduzido teor de gordura, que pode chegar, no máximo, a 0,5%. Tem a mesma quantidade de nutrientes do leite integral, com carga calórica reduzida.

3- Outro mito: adulto não deve tomar leite. Nutrientes encontrados nele, como proteínas, cálcio, vitaminas e outros minerais, são essenciais em todas as fases da vida. O consumo de cálcio é vital para manter o nível estável desse mineral no sangue. Se isso não ocorrer, o organismo consome o cálcio dos ossos, o que pode gerar osteoporose.

4-Leite e derivados são essenciais para a dieta humana? Sim. O leite é considerado alimento completo por conter proteínas, fósforo, potássio e zinco. É a maior fonte de cálcio.

5-Leite fortalece os dentes. Outra verdade. Por ser a principal fonte de cálcio, ele contribui para formação dos dentes, ajudando a conter as cáries e proteger as gengivas.

6- Um mito: não se pode tomar leite com manga. Não há comprovação científica disso. O leite pode ser consumido em diversas preparações, batido com frutas, como milk-shakes, etc.

7- Leite pasteurizado ou em caixinha perde nutrientes. Isso é mito. Os diferentes tipos de tratamento térmico não reduzem o valor nutricional do leite no que se refere a proteínas, cálcio e outros minerais. Há perda significativa da vitamina C (ultrapasteurização), da ordem de 10% a 20%.

8- Mulheres grávidas devem evitar leite. Outro mito. O leite é excelente fonte de cálcio e proteínas de alto valor biológico, benéficos para o feto.

9- É necessário ferver o leite antes de tomar. Mito. Tanto o leite pasteurizado quanto o longa vida (UHT) não devem ser fervidos, pois já passaram por processos que eliminaram os microorganismos prejudiciais à saúde. Porém, o leite cru não deve consumido, dado o alto risco que representa para a saúde. Sua comercialização para consumo direto é proibida no Brasil. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

Crônica publicada no Caderno EM Cultura do Estado de Minas, 15/2/16, na coluna da Anna Marina

Geração X Y Z

BenQ Corporation
BenQ Corporation

Agora, recebemos letras. Não é bem agora, aliás. Há algum tempo nos nominaram, mas a coisa popularizou recentemente. Quem nasceu entre a década de 1960 e o fim dos anos de 1970 fazem parte do time dos X.

O termo foi popularizado pelo romance Geração X: contos para uma cultura acelerada, de 1991, do canadense Douglas Coupland. E nos chamavam de acelerados… Não tinham a menor noção do que estava por vir.

Então chegou a geração Y, nascida depois da década de 1980, marcada por avanços tecnológicos. Computador, para eles, é um órgão do corpo humano. Não existe geração Y no campo, ela está atrelada ao urbano e à tecnologia. Só percebemos a grande diferença quando essa galera entrou no mercado de trabalho. Na faixa dos 20 aos 35 anos, eles são criativos, pugados, ágeis.  Nas empresas, a geração Y é sinal de dinamismo, informalidade e competência. São conhecidos também como milleannials.

E temos a geração Z, os nascidos nos anos 2000 – a garotada da era digital, do world wide web (www) e compartilhamento de arquivos, constatemente ligados à rede. Celular, só se for smartphone de última geração com tela de 5,5 polegadas. Zapear é respirar. As opções são várias: canais de televisão, internet, vídeogame, foto com movimento.

Está lendo isso aqui e não entende quase nada? É da geração X ou da anterior, que nem letra recebeu. Sou da X. O legal é que todas trazem vantagens e desvantagens. Nossa geração conta experiência de vida e conhecimento histórico que os mais novos não têm. Gostamos de estabilidade no emprego – pode ser um ponto negativo, mas vestimos a camisa da empresa, coisa que os mais novos não sabem o que é. Nem de longe eles têm esse sentimento. Temos bagagem cultural única. Por outro lado, apanhamos muito no quesito conhecimento tecnológico, enquanto a moçada domina todas as ferramentas. É bonito ver a destreza deles resolvendo problemas naquele computador que nos deixa de cabelo em pé.

Com rapidez impressionante, as gerações Y e Z recebem toneladas de informações. Em segundos, sabem tudo o que está ocorrendo no mundo, pois estão conectados 36 horas por dia. Isso mesmo: o dia deles tem 36 horas, pois não param, fazem 10 coisas – no mínimo – ao mesmo tempo. Conhecem tudo, mas na superficialidade. Não lhes perguntem sobre o passado. Dominam vários idiomas, mas a língua portuguesa foi assassinada. Não lhes peça para escrever à mão. Na nossa época, letra feia era só a de médico – agora, virou epidemia, ninguém sabe escrever, só digitar. Outra vantagem: eles não retém informação. Pelo contrário, gostam de compartilhar conhecimento.

Semana passada encontrei com uma professora da PUC Minas na lavanderia. Não a conhecia, mas, como sou conversada, falamos de carnaval, na energia da moçada. Estava com ideias para esta coluna na cabeça, toquei no assunto e foi ótimo. Tânia Ferreira de Souza me disse uma coisa importante: “Precisamos despertar em nossos jovens, o foco no querem fazer”. Ela revelou o que vem fazendo em sala de aula. Achei muito legal.

Aí está o desafio dos professores. Cada um deve encontrar sua didática na prática, pois a geração Z é acelerada. A moçada não consegue ficar de quatro a cinco horas assentada, quieta e ouvindo. A culpa é dos pais: quando as crianças nascem, dão celular e ipad para sossega-las, em vez de levá-las para aulas e exercícios complementares como faziam nossos pais.

Fato é que as gerações mudam e novas formas de lidar com elas devem ser criadas. Uma geração não elimina a outra, elas se complementam para que a vida funcione bem, em harmonia. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

Crônica publicada no Caderno EM Cultura do Estado de Minas, 13/2/16, na coluna da Anna Marina

Cuidados com os cabelos

cabeloMulher gosta de inventar moda. Não tem jeito, nunca estamos satisfeitas, sempre queremos mudar.

Na cena de abertura da peça Acredite, um espírito baixou em mim, o ator Ílvio Amaral leva a plateia ao delírio quando solta: ao se separarem, todas as mulheres dizem que vão mudar e fazer balaiage. Piadas à parte, é a mais pura verdade. A qualquer indício de mudança, seja por problemas, fase da vida ou desejo de renovar o visual, o primeiro a sofrer é o cabelo. E como sofre…

Quando era adolescente, produtos e maquinários para cabelo eram restritos. Se queríamos deixa-lo liso, tínhamos de fazer touca. Ou seja, penteá-lo em torno da cabeça o mais esticado possível, enfiar uma meia fina e rodar, rodar, rodar, para que os fios se esticassem ao máximo. Ficávamos horas esperando, depois batíamos o secador e virávamos o cabelo para o outro lado, senão ficava torto. Havia quem passasse os cabelos a ferro. Isso mesmo: ajoelhava no chão, a moça deitava a cabeça na mesa de passar roupa, penteava os fios, colocava papel de pão sobre eles e passava o ferro quente. Ficava uma maravilha!

Anelar era com papelote, mecha por mecha – fininhas. Elas eram enroladas em tiras de jornal, depois prendíamos as pontas do papel para não soltar. Dormíamos com aquilo, podíamos fazer bobs ou prender com rolinho mesmo. Quando surgiu a permanente, foi maravilhoso. Todo mundo de cabelo liso aderiu. Algumas ficaram lindas, outras acabaram com o cabelo, mas o importante era mudar.

Dizem que mulher não envelhece, fica loura. Sem crítica nem preconceito, a verdade é que os cabelos mais escutos tendem a deixar a aparência mais pesada, enquanto tons mais claros suavisam. Por isso, à medida que envelhecemos, clareamos os fios para dar leveza às feições. Outro problema: as mulheres não gostam de ficar grisalhas, pois aparentam ser mais velhas do que são de fato. Por conta disso, pintam o cabelo com muita frequência, o que significa excesso de química.

Não há cabelo que aguente tantas intervenções sem sofrer danos. Pintava o meu de preto, fiz isso por anos, até que um dia resolvi clarear. Mas ele estava fraco e quebradiço, não aguentava descoloração. Minha prima me mandou procurar a Laura Nunes, do LG Studio, de quem acabei ficando amiga. Passei o dia lá, mas saí com meu cabelo maravilhoso, com umas luzes avermelhadas, e sem estragar nada. Fiquei muito tempo assim.

Um dia, me deu na sapituca ficar loura. Pedi para a Laura, mas ela foi curta e grossa: levei um sonoro não. Saí de lá, fui a outro salão e fiz as luzes. Meu cabelo virou uma palha de aço. E a cara para voltar? Fiquei uns quatro meses só usando coque, até ter coragem de procurar a minha amiga. Cheguei lá com o rabinho entre as pernas, pedi-lhe para consertar minha “obra”. Na maior calma, ela respondeu: “Consertar eu conserto. Só não estrago”.

Este é o grande problema: muitas vezes, inventamos coisas e nos damos mal. É preciso cuidar bem do que temos para não faltar no futuro. Excesso de alisamento, química, produtos novos cuja composição ninguém conhece – tudo isso pode não prejudicar agora, mas ninguém sabe as consequências daqui a alguns anos.

Resumindo: não devemos usar produtos à base de formol, temos que hidratar o cabelo com frequência, principalmente se fazemos muita chapinha, e temos de adotar cuidados com o tipo de produto e shampoo que usamos. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

 

Crônica publicada no Caderno EM Cultura, 19/2/16, na coluna da Anna Marina

Etiqueta social na tecnologia

Ilustração Son SalvadorTudo na vida tem um lado bom e outro ruim. Há alguns anos, entramos na era digital. A evolução desenfreada da tecnologia levou a comunicação para um patamar a que poucos imaginariam chegar em tão pouco tempo.

O telefone celular, que começou como um aparelho fantástico para possibilitar ligações de qualquer lugar, hoje recebe e envia e-mails, mensagens, vídeos e fotos. Serve para conversas rápidas, bem como para jogar, acessar a internet e ler notícias. A função principal – telefonar – tornou-se praticamente secundária. Há as redes sociais. O WhatsApp então, é fantástico. Recados chegam na hora. É possível fazer ligações gratuitamente, a maioria delas com excelente qualidade.

Com tudo isso, saiu de cena algo importante: a etiqueta, para não dizer a educação. Antes, ninguém ligava para os outros antes das 9h e depois das 22h, a não ser em caso de muita urgência ou se se tratasse de pessoa muito íntima. Agora, não se respeita horário. As mensagens chegam a qualquer hora do dia, da noite ou da madrugada. As chamadas não respeitam horário de almoço. Se alguém tem um idoso na família, não consegue deixar o celular ligado de noite, pois simplesmente não dorme com tantos avisos eletrônicos. Tentando sanar esse problema, os fabricantes tiveram de criar a tecnologia que permite o modo noturno, com liberação de acesso apenas para os favoritos. No fundo o problema é outro: o ser humano perdeu completamente a noção e o limite.

O tamanho das mensagens, então… As pessoas não entendem que WhatsApp é para breves recados. Fazem questão de enviar textos quilométricos, dificílimos de ler na telinha estreita. Mensagens assim deveriam ser mandadas por facebook ou e-mail. Eu, por exemplo, não leio tais “testamentos” no celular.

Há quem fique com raiva se você não responde imediatamente. Cobram resposta e chegam a perguntar se estamos brigados… Essa gente perdeu a noção. O interlocutor tem ocupações, trabalho, estudo, família, amigos. E a mensagem de voz? Não interessa se a pessoa está em um lugar onde é impossível ouvir recados. Certamente, trata-se de um recurso muito prático. Mas, por favor, leve em conta as dificuldades do outro antes de exigir rapidez e de se irritar.

E os grupos? Há quem adicione “amigos” sem pedir permissão – na maioria das vezes, são turmas indesejáveis. Isso é extremamente deselegante. Primeiro, pergunte se a pessoa quer ser incluída e mantenha o foco do grupo, não desvirtue. Pior é o grupo pontual, datado: encerrado o evento, ninguém tem coragem de acabar com ele, e as pessoas ficam só no bom-dia, boa-tarde e boa-noite… dá para entender?

É bom deixar claro: alguns são muito bons – os familiares, então, são ótimos. Temos um grupo de primas (somos cerca de 50) e nos divertimos, trocamos ideias. O problema é ficar ligado o tempo todo. Dá meia hora e se acumulam 60 mensagens… É bacana unir os parentes, manter a família informada de tudo.

Problemas à parte, o mundo digital é muito bom para nos ajudar a reencontrar amigos que se perderam ao longo da vida, a não nos esquecermos do aniversário da pessoa querida, por exemplo. Então, use a tecnologia, mas fique sempre atento à etiqueta. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

 

Crônica publicada no Caderno EM Cultura em 23/1/16, na coluna da Anna Marina

Com que roupa eu vou

vestidoSaber que roupa usar em cada ocasião sempre é um dilema para a mulheres – atualmente, para a maioria dos homens também –, sobretudo nestes dias de clima abafado, com altas temperaturas e sensação térmica maior ainda.

Mesmo que a pessoa não tenha consciência disso, a vestimenta é ferramenta de marketing pessoal. Quem não para na hora de escolher muito bem a roupa que vai para uma entrevista de emprego? Quanto tempo uma moça gasta para escolher seu vestido de noiva? Quantas roupas uma menina apaixonada troca quando está se aprontando para sair com seu boy magia?

Porém, o que mais vemos são constantes equívocos. Tá certo que a moda de hoje é muito mais elástica. Por sinal, estar na moda é ter seu próprio estilo e personalidade para se vestir. Mas não abro mão do bom senso em nada na vida – nem mesmo no vestuário. Concordo: há dias em que queremos estar mais despojados, embora nem mesmo nessas ocasiões devamos aderir ao universo do ridículo. Sou defensora das pessoas se assumirem e se amarem com o corpo que têm, mas cada um deve se vestir apropriadamente para o seu biotipo e para o local que vai frequentar.

Várias empresas adotam termos de conduta, estabelecendo alguns itens que não podem ser usados no trabalho: rasteirinhas (sandálias que não prendem o calcanhar), tênis, shorts, bermudas, camisetas regatas e bonés. Outras não estipulam regras por escrito, mas elas estão implícitas na postura profissional. Quando um candidato vai participar do processo de seleção, veste bermudas, boné, chinelo e camiseta regata? E elas? Vão de microssaia, barriga de fora e soutien aparecendo? Pois é isso que deve ser colocado na balança. Mulheres que usam de barriga de fora, na maioria das vezes estão acima do peso. Nesse caso, o visual, além de inapropriado, não é nada agradável.

Com o calor, claro, o melhor é usar roupas leves, mas sem parecer desleixado. Porém, o cuidado deve ser redobrado, pois a maioria das roupas de verão tem decotes profundos, transparência, é curta e justa, deixa alças de sutiã à mostra. Vestidos são de um ombro só ou tomara que caia. Tudo isso deve ser evitado no ambiente de trabalho.

Assisto a vários programas de moda na televisão, muitos deles voltados para escolha do vestido de noiva. É impressionante: 90% das moças querem tomara que caia justos, que mostrem as curvas do corpo e que sejam bem sensuais. Mais da metade delas, porém, está bem acima do peso. Fico pensando: que curvas desejam exibir? Será que não percebem que o modelo não favorece o corpo das mais cheinhas?

E quando as pessoas vão a um coquetel vestidas para um baile de gala? Dá arrepios de tanta aflição. Realmente as pessoas não sabem mais que tipo de roupa vestir em cada ocasião. Curtos, transparência, brilhos e barriga de fora devem ser deixados para uso na balada, quando a moçada vai curtir a noite e ser feliz. Hoje em dia, ninguém se produz só porque está interessado em alguém. As pessoas se produzem para si mesmas – e isso é muito legal. O pessoal sai para se divertir e, se rolar algo mais interessante, rolou. Só acho que poderia ser com um pouco mais de consciência e critério. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

Crônica publicada no Caderno EM Cultura do Estado de Minas, 18/2/16, na coluna da Anna Marina

QUESTÃO DE ÉTICA

Lucas machado cópia
Dr. Lucas Machado (Foto Juarez Rodrigues/Estado de Minas/D.A.Press)

Todo mundo sabe que a saúde está um caos.

Hospitais no Rio de Janeiro fechados. Pessoas viajam mais de 150 quilômetros para fazer exames agendados, dão com a cara na porta e têm de voltar para casa doentes, sem atendimento. Isso na saúde pública. Com relação aos planos de saúde, vê-se grande demora para conseguir uma consulta – no mínimo três meses –, o que acaba levando todo mundo para o pronto-socorro dos hospitais – serviço, aliás, que já mudou de nome: pronto atendimento. É pra lá que o doente tem que correr, principalmente depois que os antibióticos passaram a ser vendidos mediante recita médica. Até no atendimento particular as coisas estão ficando um pouco complicadas.

No fim do ano passado, um parente, que atualmente mora no interior, veio passar as festas em BH. Como já enfrentou malária e hepatite C, duas doenças complicadas das quais já se curou graças Rosângela Teixeira, excelente médica e incansável pesquisadora aqui de Belo Horizonte, ele, sempre que volta à terrinha, recorre ao ultrassom para checar se está tudo bem com o fígado. O exame é particular. Ligamos para uma grande clínica, mas se recusaram a agendar o procedimento sem pedido médico. No caso de plano de saúde, entendo que tal pedido seja fundamental e, caso o paciente não saiba qual o seu problema, passar por um médico é obrigatório também. Porém, tratava-se apenas de controle. Dias depois, recebi de uma amiga o seguinte relato:

“Há uns dias, fui a uma clínica de medicina diagnóstica bem conhecida na Avenida do Contorno, em Belo Horizonte, fazer um ultrassom de mama. Quando fui atendida, a médica se recusou a fazer o exame, alegando que só o faria se eu tivesse uma mamografia recente. Expliquei que o médico só o pediu para um screening, por razões particulares. Mesmo assim, ela se negou.
Voltei ao meu médico, Lucas Vianna Machado (professor emérito da Faculdade Ciências Medicas e autor de livro de endocrinologia feminina), e contei o fato. Ao final da consulta, ele se levantou e me disse que estava se dirigindo à clínica com um calhamaço de publicações científicas para contestar a atitude da médica. Defenderia sua autoridade como profissional que fez minha anamnese e indicou o meu exame. Poucas horas depois, recebi um telefonema pedindo para que voltasse a qualquer hora à clínica, pois o exame seria feito e entregue na hora!Quero agradecer e parabenizar o doutor Lucas pela presteza e defesa de sua conduta médica e do meu direito. Fico feliz de ter como ginecologista alguém como ele, de tamanha competência e disposição em agir em favor do que é certo. A experiência e o conhecimento do médico têm que estar acima de protocolos quando se fizer necessário. Parabéns, Lucas.O senhor é mesmo uma raridade!”

Nunca fui cliente de Lucas Machado, mas tenho o prazer de conhecê-lo e sei do carinho e amizade que a titular desta coluna tem por ele, e vice-versa. Com atitudes assim, ele só comprova que poucos médicos novos agem com ética e autoridade para proteger os pacientes. Não é à toa que o doutor Lucas se tornou tão respeitado. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)

 

Crônica publicada na página 2 do Caderno EM Cultura, 28/1/16, na coluna de Anna Marina